Blue Eyes
17 Capítulo 16 - Julie
Notas iniciais
Depois de mais e mais premiações (acho que ela premiou todo mundo), Louise nos deixou respirar e socializar um pouco. Eu e Nate rodamos a festa toda. Eu apresentei pessoas à ele, apresentei ele às pessoas... falamos com praticamente todo mundo. A não ser com duas pessoas que eu, sinceramente, preferia evitar. Mas, infelizmente, o casal de ouro não perdeu a oportunidade de me incomodar. Logo resolveram aparecer. Jennifer e seu vestido de puta e o novo — e perfeito — Joe.
- Juliette, quanto tempo — Jennifer falou, com um sorriso cínico no rosto. — Achei que você nem tivesse vindo, não te vi no palco recebendo nenhum prêmio... mas agora eu me toquei que você não tinha talento nenhum, por isso não tem prêmio nenhum pra receber. Que pena.
- Se eu não me engano, Jennifer, eu e meus amigos vencemos você três vezes seguidas no festival de música. E a terceira foi muito mais do que só uma vitória do festival pra mim. Não sei se você se lembra.
- Adianta de quê ganhar esse festivalzinho idiota e não ter reconhecimento por isso depois? Eu fui a rainha do baile nos três anos...
- É fácil ser rainha quando você dá pra todos os meninos da escola em troca de votos — dei de ombros. — E eu não dou a mínima pra essa coisa de rainha. Antes não ser reconhecida por nada do que por ser fútil e vadia que nem você.
- A garota fútil e vadia aqui conseguiu tirar tudo o que era seu em três anos.
- Acho que eu venci a competição, não é? Porque eu tirei tudo o que era seu em uma noite.
- Não tirou tudo. O mais importante continuou e continua a me preferir. Não é, Joe?
- Claro — ele sorriu.
- Há algum tempo atrás, eu ficaria arrasada por ouvir isso. Mas hoje isso não me afeta em nada.
- É uma pena que você não saiba mentir — ela disse, o sorriso cínico aumentando.
- Pra quê eu me daria o trabalho de mentir pra você?
- Pra tentar sair por cima.
- Eu já estou por cima, queridinha.
- Tão por cima que trouxe o amigo no baile porque não tem um namorado pra trazer.
- Ah, eu esqueci de te contar a novidade. Ele me pediu em namoro oficialmente há... — olhei no relógio. — uma hora e meia. E eu aceitei.
- Mentirosa.
- É verdade — Nate se pronunciou, abraçando minha cintura. — E nós já estamos juntos há muito tempo. Eu só devia ter tomado coragem pra pedir isso antes.
- A propósito, Joe, foi graças à ele que eu entendi o quão idiota você foi a trocar alguém como eu por alguém como ela.
- Idiota? — ele riu. — Eu só ficava com você por diversão.
- Eu sei disso. E foi divertido. Quando você terminou comigo, achou que saiu por cima, mas não. A vida é uma guerra, Joe. Você venceu uma batalha e achou que já estava tudo ganho. Mas eu dei a volta por cima. Olha só pra mim hoje: um namorado incrível, um lindo apartamento em Liverpool, um ótimo emprego, fazendo o que eu gosto, e feliz. E você? Não tem namorada, porque com ela você não namora. Provavelmente ainda mora com a mamãezinha. Aposto que nem saiu da faculdade — ri. — Se é que você está fazendo uma faculdade. Eu poderia passar horas explicando pra vocês o quão bem aquilo me fez, mas não vou perder meu tempo falando com gente inferior. Com licença — acrescentei, vendo que Louise subira novamente no palco. — Acho que chegou minha vez de ser premiada.
Passei no meio dos dois, esbarrando em ambos com o ombro, e Nathan veio logo atrás de mim. Quando saímos do campo de visão dos dois, ele me levantou do chão e me girou no ar, me beijando em seguida.
- O que você fez foi simplesmente incrível, Julie! Colocou aqueles dois no lugar deles!
- Não foi tão difícil quanto eu pensava — falei, sorrindo. — Sabe, encarar o Joe.
- Você foi de mais. Sério.
- Alô? Pessoal? — Louise chamou do palco, prendendo a atenção de todos. — Bem, esse prêmio ficou mais pro final porque é o mais importante da noite, na minha opinião.
- Agora é minha vez, eu acho — falei.
- Nos três anos que estudamos juntos, nossa escola promoveu um festival de música, no qual todos os alunos que quiseram participar, puderam. Mas, para a infelicidade dos concorrentes, quando eles subiam ao palco, todos iam à loucura. Não tinham um nome, mas todos sabiam os nomes deles. E esses nomes foram repetidos por três vezes, por três anos seguidos. Subam no palco, por favor, Juliette, Fred, Richard, Jackson e Timothy!
- Vem, fica lá na frente pra me ver melhor.
Fomos juntos até o palco e eu subi no mesmo, deixando Nate e seu olhar orgulhoso lá em baixo. Eu e os meninos nos abraçamos, rimos, empurramos um ao outro... como nos velhos tempos.
- Parabéns, vocês acabam de levar o prêmio de reis e rainha do Rock do nosso colegial — ela entregou um pequeno troféu para cada um e nós os levantamos juntos, fazendo uma reverência em seguida, tudo em sincronia perfeita. — Eles arrasaram nos três anos e conquistaram a todos. Olhem só algumas fotos dos shows, só pra lembrar um pouquinho.
As fotos se alternavam entre as do primeiro, segundo e terceiro anos. No primeiro, todos de branco, tocando Oblivion, 30 Seconds to Mars. O branco era por que as luzes mudavam muito na apresentação e isso fazia parte do show. No segundo, estávamos com uniforme desses colegiais de filmes, sabem? Blusa social, gravata e calça, no caso dos meninos, ou saia, no meu caso. Só que personalizadas num estilo meio punk. Foi o ano em que tocamos Pressure, do Paramore. Eu havia pintado o cabelo de vermelho e colocado um piercing na boca, mas minha mãe odiou e me mandou tirar pouco tempo depois. E o terceiro, com nossos casacos de couro, calças rasgadas e all star, foi o melhor. Naquele ano cantamos Shut Up, Simple Plan. Nós simplesmente interrompemos a apresentação da Jennifer e eu cantei especialmente pra ela. Depois de passarem as fotos, Louise voltou a falar.
- Que tal tocarem um pouquinho pra gente, garotos?
- Tava esperando você pedir isso — falei, sorrindo.
As cortinas atrás dela se abriram, revelando uma bateria, duas guitarras e um contrabaixo. Os mesmos que usamos em todos os shows. Fred foi correndo pra bateria e sentou, olhando surpreso para a mesma. Rick pegou sua guitarra de cinco anos atrás e tocou alguma coisa. Continuava perfeitamente afinada. Timmy e Jack fizeram a mesma coisa com sua guitarra e seu contrabaixo. Eu peguei o pedestal e o levei para trás, pra ficar mais perto dos meninos.
- Vocês ainda lembram qual música a gente vai tocar, não é? — perguntei.
- Claro. Eu infernizei minha mãe ensaiando bastante — Fred brincou.
- Então vamos lá, gatinhos — peguei o microfone, agora falando para todos ouvirem. — Boa noite! Vocês não sabem como é bom pra nós podermos tocar juntos de novo! Estamos falando sobre isso desde que recebemos os convites e decidimos a música de imediato. Na verdade, eu pedi pra tocarmos essa música, porque eu queria dedicar a uma pessoa. Jennifer Edwards, mostra essa sua cara feia aí! — um holofote iluminou-a. — Ah, aí está você. Essa vai pra você, gracinha. E o nome dela é Misery Business*!
E com isso os meninos começaram a tocar e eu a cantar. Enquanto cantava, tudo que eu sofri nas mãos da Jennifer naqueles três anos parecia simplesmente estar se esvaindo de mim. Cantar aquilo olhando nos olhos dela, enquanto ela ameaçava chorar, me fez muito bem. Ah, a doce e deliciosa vingança. A garota do clipe é tão Jennifer e eu me senti tão Hayley... Foi simplesmente a melhor sensação da minha vida. Quando terminamos, todos gritaram e aplaudiram e as pessoas que estavam ao redor dela olhavam-na com algo próximo de nojo nos olhos. Ela saiu correndo e o Joe foi atrás dela. Nate invadiu o palco e veio me abraçar e me beijar outra vez.
- Obrigado a todos vocês — falei, rindo. Os meninos vieram até onde eu estava e todos nos abraçamos de lado, como costumávamos fazer, e fizemos a reverência conjunta.
Logo desci do palco e fui atrás da Jennifer. Não pra consolá-la, mas pra ter o prazer de vê-la chorando, no mesmo estado em que ela já me fez ficar tantas vezes. Ela estava em um cantinho isolado, com o Joe atrás dela sem saber o que fazer. Fui até lá, com um sorriso vitorioso no rosto, e ela me olhou com ódio.
- Conseguiu o que queria. Ta feliz agora? — ela perguntou.
- Felicidade é pouco pra descrever o que eu to sentindo.
- Vai embora daqui!
- Não sei porque, mas te ver chorando me dá um prazer especial — repeti as mesmas palavras que ela me dissera tantas vezes na escola. — Só vim aqui te lembrar de uma coisinha, caso você não tenha ouvido enquanto eu cantava: Uma vez puta, você não é nada a mais. E é isso o que você vai ser pra sempre, Jennifer. Uma vadia. Agora eu tenho que ir embora, sabe. Liverpool fica meio longe e meu príncipe tem que me deixar em casa antes da meia-noite. Boa festa pra vocês dois.
Virei as costas e saí andando até onde o Nate estava me esperando. Eu falei sério sobre ir pra casa. Já tava tarde e eu tinha que acordar cedo no dia seguinte pra ir à casa da Andy, porque eu prometi passar o dia com ela. Aquela foi, com certeza, a melhor festa de toda a minha vida.
Notas finais
E a tradução da música, pra quem quiser olhar: http://letras.mus.br/paramore/965879/#traducao
O que acharam da festa? Ficou bom? Deixei a desejar? Podia ter feito de um jeito melhor? Críticas, dúvidas, perguntas, sugestões, xingamentos, um oizinho básico, to aceitando qualquer tipo de review!
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