Blue Eyes
4 Next 2 you
Notas iniciais
Enjoy !
- O que? – disse Selena, confusa. – Eu não...
Sua face saiu de confusa para preocupada.
- Esta brincando, não é? – disse ela.
Neguei com a cabeça.
- Não, só pode ter sido um engano.
- Não Selly, por que você acha que eu desmaiei? – disse.
- Impossível... contos de fadas não existem! – disse Selena pausadamente, como que para não deixar duvidas.
- Isso não é conto de fada Selly. – disse eu, o sorriso tomando conta de minha face. – Ele tinha olhos cor do céu... um azul tão claro, tão perfeito. Tão igual ao meu sonho.
- Deixe-me ver se entendi – disse Selena. –, você a princesa do maior reino conquistado esta apaixonada pelos olhos de um vassalo, certo? Aaah diga que não.
- Não é bem assim. – disse eu. – Não é só pelos olhos, é pela personalidade. Do jeito que ele é cavalheiro e...
- Você não o conhece! – dizia Selena.
- Conheço!
- Não, não conhece. – concluiu ela, se levantando. – Você não pode saber se o que você sonhou é real. Não pode saber se ele é exatamente do jeito que era em seu sonho.
- Por quê? – perguntei.
- Por que... por que é um sonho! – disse Selena batendo a mão no colchão. – Sonhos não são reais, por isso que são chamados de sonhos.
Suspirei olhando para a janela.
- Você tem razão... – disse eu, fazendo ela suspirar de alivio. –, tenho que conhecê-lo primeiro.
O ar de alivio desapareceu da face de Selena.
- Não foi isso que eu disse... – começou ela.
- Foi sim. – disse eu, agora expondo um sorriso vitorioso. – Você disse que preciso conhecê-lo.
- Não, não foi isso...
- Por que ele pode não ser igual ao sonho. – terminei.
Ela abriu a boca pegando ar, mas logo desistiu de falar suspirando derrotada.
Corri para a janela procurando pela face conhecida.
- Olha – disse Selena, ao meu lado. –, não acho isso certo... mas, tem certeza que é isso que você quer?
- Absoluta. – disse eu, olhando o horizonte do meio dia. – Mais que tudo. Quero conhecê-lo.
Ela suspirou.
- Então certo. Eu ajudo.
Abracei-a com força gritando obrigadas e mais obrigadas.
- Você é a melhor amiga do mundo!
(...)
Descia a escadaria rumo ao salão principal.
- Por Deus... – sussurrou um homem vestido ricamente de seda, os olhos azuis escuros e cabelos levemente grisalhos aos lados.
- Lord Backen, apresento-lhe minha filha. – disse meu pai.
- Pai, ele sabe quem sou. – disse friamente, levando um cutucão discreto de Selena.
- É um prazer re-vela princesa. – disse o homem gentilmente beijando minha mão. – Vejo que os boatos são verdadeiros.
- Boatos? – perguntei confusa sentando-me em meu trono, abaixo do de meu pai.
- Boatos que correm de reino em reino no qual dizem que a princesa é a mais bela moça existente. Tão bela sendo quase impossível não apaixonar-se a primeira vista por ela. – dizia ele. – E sua voz. Dizem que os pássaros a imitam cantando pela manhã e que o sol nasce somente por ela abrir os olhos e morre por fechá-los, vindo a lua para admira-la dormindo.
- Esses boatos realmente circulam? – perguntei.
- Sim princesa. – confirmou ela. – O reino tem orgulho de sua princesa e reis. Até os príncipes mais distantes sonham em conhecê-la.
- Não exagere, por favor. – disse eu.
- Isso não é, nem no mínimo, exagero perto do que dizem a seu respeito. – falou.
- É muito lisonjeiro de sua parte, trazer-nos os boatos crescentes Lord Backen. – disse minha mãe.
- Eu que fico lisonjeado por trazê-los minha rainha. – respondeu. – Mas, se me permitem, subirei para meus aposentos. Foi uma longa viajem.
- Sinta-se em casa. – disse meu pai.
Então ele subiu as escalas seguido por criados.
- Você foi um tanto grossa, filha. – disse meu pai a mim.
Levantei-me seguindo para fora.
- Foi grossa mesmo Demi. – concordou Selena me seguindo pelo campo de rosas.
- Foi minha intenção. – sorri procurando por alguém.
- Você não vai achá-lo aqui. – disse ela.
- Como sabe? – perguntei.
- Por que essa é a hora de alimentar os cavalos. – respondeu. – E, provavelmente, seja ele o responsável.
- Obrigado Selena. – disse eu a abraçando, e seguindo sozinha para o estábulo.
Ouvi alguém cantarolando alto quando seguei perto.
Havia um garoto acariciando um lindo cavalo branco e dele era a voz.
- Vassalo? – disse.
Ele se virou.
- Por Jesus! – falou assustado, já fazendo uma reverencia. – Minha princesa, o que fazes aqui?
Era Jack, o primo do rapaz James.
- Procuro por seu primo, James. – disse-lhe, fazendo um gesto para que se levantasse. – Onde posso encontrá-lo?
- Ele saiu a pouco daqui senhorita. – disse ela, ainda hesitante. – Disse-me que iria para o lado. Lado norte.
- Obrigada Sir Jack.
- Sir? – disse admirado.
Sorri por sua empolgação.
- Sir Jack, por favor, não diga a ninguém que passei por aqui. – pedi.
- Claro princesa. – disse-me ainda sorrindo. – Para mim, nossa excelência não apareceu por aqui. Por que o faria, certo?
- Perfeito.
- Sir... gostei. – o ouvi sussurrar quando sai.
Caminhava depressa por entre as arvores que dava caminho para o lago norte. A animação e excitação crescendo em mim, até que observei uma figura de costas para mim.
Ele jogava pedrinhas no lado silenciosamente, como se não quisesse per visto. Ou seu pego.
- Com licença? – pedi hesitante.
Ele virou-se vagarosamente encontrando seus olhos com os meus.
Por segundo ficamos só assim, mas logo ele se curvou em uma reverencia.
Esta cansada disso.
- Por favor, não faça isso. – me aproximei o pegando delicadamente nos ombros, o fazendo levantar.
Ele vestia a mesma roupa, não havia mudado nada. E isso era bom.
Ele se afastou dois passos de mim, deixando-se fora de meu alcance.
- Perdoe-me princesa – disse ele, como se explicasse alguma injustiça. –, não estava querendo evitar meu trabalho, só vim descansar um pouco e...
- O que... do que esta falando? – perguntei.
Ele me olhou confuso.
- Era para eu estar nos estábulos, tanto de comer aos cavalos de seu pai, mas... fugi. Desculpe-me. – ele fez menção de se curvar novamente, mas eu o parei.
- Não. Eu concordo com você, afinal, que criatura que consegue trabalhar para todo sempre como vocês. – fiz ele rir.
- Obrigada, a senhorita tem um grande coração. – disse ele.
Minhas pernas tremiam quando sua voz soava em meus ouvidos.
- Gostaria de me acompanhar em um passeio pelo jardim norte. – disse apontando para o grande canteiro de rosas brancas do jardim.
- Seria mais que um prazer. – disse ele, fazendo um gesto para que eu passasse primeiro.
Nós caminhávamos lado a lado, observando as lindas rosas brancas mescladas com vermelhas.
- Disseram-me que você me apartou quando desmaiei. – comentei.
- Aaah... sim, desculpe-me por encostar na senhorita daquela forma, mas quando a vi caindo... – ele respondia como se pedisse desculpas.
- Agradeço. – o interrompi.
Ele sorriu olhando para mim pela primeira vez, no jardim.
Ficou me observando como se tentasse captar detalhes íntimos.
- Perdoe-me. – disse saindo do transe.
- Você pede muitas desculpas, rapaz. – sorri.
- Faz parte de meus serviços minha princesa.
Quando pronunciou “minha princesa” me fez corar.
- Gostaria de ter mais tempo assim. – começou ele, tornando a olhar as rosas. – Não que esteja reclamando dos serviços de presto princesa.
- Fique tranqüilo. Eu entendo. – disse eu. – Você tem uma vida muito agitada, não?
- Bem, pelo serviço sim, mas em geral gosto bastante. – respondeu-me. – Trabalho ao ar livre, tenho minha família por perto, embora seja muito castigado.
Nós rimos.
- Por que?
- Meu pai meu chama de desastrado. – disse ele, ainda com um sorriso. – Minha mãe me chamava de desastrado, o que é só mais uma forma de dizer desastrado.
Ele achava graça.
- Chamava?
Seu sorriso vacilou por um segundo.
- Ela... infelizmente faleceu ao dar a luz ao meu irmão mais novo.
- Sinto muito.
- Não sinta. – continuou ele. — Realmente não sinto como se tivesse perdido algo. Minha mãe se foi, mas meu pai se esforça muito para não nos fazer sentir, alem de ganhar meu irmão.
- Quantos anos ele tem? – perguntei interessada.
- Sete.
- E você?
Ele me olhou desconfiado.
- Dezenove.
Assenti.
Ele abrira a boca para falar novamente, mas fomos interrompidos.
- Aaah princesa, a achei. – disse uma voz atrás de mim.
Bufei ao reconhecer a voz.
James virou-se rapidamente e tornou fazer uma reverencia.
- Ele te aborrece princesa? – perguntou Lord Backen.
- De maneira alguma. – responde rapidamente. – Estamos conversando.
- Entendo. Espero não interromper, mas esse criado tem muito o que fazer. – disse ele.
- Mas interrompeu. – respondi. – Sim, ele tem coisas a fazer, mas é minha companhia agora.
- Não precisa se rebaixar a fazer uma caridade dessas por pena. – disse ele.
- Pena... ? – sussurrou James.
- O que? Não. – falei.
- Veja minha princesa, como se não bastasse faltar nos serviços ainda ousa falar comigo, e pior, com a senhorita.
- Com licença, mas é melhor voltar a trabalhar. – disse, por fim, James.
- Finalmente uma idéia boa. – disse Backen. – Afinal, você só serve para isso mesmo. Trabalhar.
Ele fez duas reverencias, se demorando mais na minha.
- Foi um prazer minha princesa. – disse e saiu a passos largos do jardim.
- Como ousa ele denominar-se “dono” de ti, falando “minha princesa”.
- Você o culpa que ser mal educado, enquanto a única pessoa assim é você. – dei-lhe as costas, voltando ao meu castelo.
Notas finais
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