Blue Butterflies
11 Vamos começar isso logo?
Notas iniciais
Assim que Chloe se afastou, ela começou a procurar por algo que pudesse distrair o perigoso cão que estava dentro do trailer. Ela encontrou, por fim, um largo osso atrás do RV e o levou até Warren, que não havia mudado de expressão desde o momento do beijo. Max logo apareceu com a chave e a amiga a abraçou, animada com o feito.
— Hã... o que aconteceu com ele? — Max olhou para o nerd sem entender.
— É... nada. Vamos, Madmax, olha o que eu consegui pra despistar o cachorro! — Chloe mostrou o osso e o entregou na mão da amiga. — Vamos logo com isso! Eu vou abrir e você joga. No três! Um... dois... Três! — A garota abriu a van bruscamente e Pompidou saiu quase que voando pela porta, em direção ao osso que Max acabara de jogar no estacionamento. — Boa, Max, vamos!
A fotógrafa rapidamente entrou no veículo e Chloe deu um leve tapa no rosto de Warren para que ele acordasse do transe e entrasse com elas no trailer. O rapaz deu um pulo de susto e perguntou o que estava se passando, mas a punk apenas ignorou os devaneios, segurou a mão do amigo e o levou para dentro.
— Uau... eu achava que meu quarto era uma zona. — Chloe comentou ao analisar o estado deplorável do interior da van.
— Você não é uma traficante estranha. — Max replicou.
— Bom, não é muito melhor que isso. — Warren brincou e Chloe deu um tapa na parte de trás da cabeça do garoto — Ai!
— Ei! — Chloe viu um notebook aberto sobre uma mesinha — Vamos ver que tipo de coisa aquele otário tem aqui.
Chloe sentou-se para observar o computador enquanto Max e Warren começaram a observar outras coisas pela pequena casa compacta do homem. Warren sentou-se no lugar onde ficava a direção e ficou imaginando por alguns segundos como seria se eles usassem aquele veículo para sair da cidade, fugir do destino que Max previra. Eles podiam se salvar. Mas era tudo muito incerto, inclusive as previsões da garota. Não seria fácil simplesmente deixar os problemas para trás e fugir, e isso com certeza não era o estilo de nenhum dos três.
De repente, a fotógrafa, que estava no quarto de Frank, chamou o nerd, acordando-o de seus pensamentos ilusórios. Ele foi correndo até ela e ambos puderam ouvir Chloe resmungando:
— O wifi é horrível aqui! Ele deve demorar dias pra baixar pornô.
Os dois riram ao ouvir isso e Max fez um sinal de nojo. Logo Warren perguntou porque ela o havia chamado.
— Acho que pode ter algo importante escondido atrás dessas grades. Pega alguma coisa pra eu abrir aqui, por favor.
— É pra já, SpiderMax! — Warren correu e voltou alguns minutos depois com uma faca que encontrara na pia imunda da cozinha. — Aqui está!
— Muito obrigada, Warren. Você é um doce. Um doce amargo, mas um doce. — Max riu e em seguida pressionou a faca no vão entre a grade e a parede ao lado da cama. — Droga! Quebrou! E não tem nada aqui. — A garota rebobinou alguns segundos e com a faca intacta novamente foi até a outra grade que estava do lado oposto do pequeno quarto.
Dessa vez sim, Max achou algo que podia ser muito interessante mas muito perigoso ao mesmo tempo. O nerd e a hipster se agacharam para observar. Dentro do compartimento secreto de Frank havia uma agenda com várias fotos e bilhetes, todos relacionados a Rachel. Uma foto da garota com o cãozinho do traficante, outra onde ela estava alegre dirigindo o RV, uma onde Rachel e Frank estavam abraçados, ambos sorrindo com o olhar, apaixonados. Havia duas cartas, uma onde Rachel pedia desculpas por algo, dizendo que queria fugir com ele e outra onde ela reclamava da má atitude do possível namorado, ameaçando deixá-lo se ele não mudasse. Havia ainda mais uma foto, reveladora, onde Rachel está aparentemente dançando apenas em roupas íntimas. Warren fez algum comentário sobre a foto que fez Max dar um leve empurrão no amigo, rindo, e fazê-lo cair sentado.
Max então se levantou e ajudou o amigo a se levantar e ambos foram levar as informações do livro para Chloe. Max pediu que Warren ficasse afastado para que ela pudesse tomar conta da situação. A garota deu o livro na mão da punk, sem dizer uma palavra, apenas mostrando o que havia visto. Chloe observou e, com a voz levemente trêmula, começou a dizer:
— Me dá ânsia de vômito ver que a Rachel posou assim pro Frank. E escreveu cartinhas de amor pra ele. Não acredito que ela ficou com esse otário. Ela mentiu bem no meio da minha cara! Por que ela não disse nada?!
— Porque ela sabia qual seria sua reação... — Max disse docilmente.
— Então ela não era uma amiga de verdade, né?! Só mais uma pessoa que ferrou minha vida! Meu pai foi morto, você sumiu por anos, minha mãe arrumou aquele padrasto inútil, e agora a Rachel me traiu!
— Chloe... — Max disse, serena porém firme, enquanto Warren apenas observava do corredor — A Rachel está desaparecida! Ninguém te traiu!
— Mentira! Você defendeu aquele espião ridículo! Vá todo mundo pro inferno! — Chloe disse e se levantou, batendo os pés com força em direção à porta — E agora o que falta?! O nerd sair com o Nathan Prescott?! — A garota de cabelos azuis, nervosa, arremessou a chave do RV para longe, deixando-a presa no telhado de um estabelecimento ao lado do Two Whales.
— Eu não vou te magoar, Chloe! — Warren disse correndo atrás da amiga, enquanto Max os seguia, decepcionada com as coisas que a punk dissera.
Os três entraram na caminhonete e Max disse, nervosa:
— Chloe! Você não pode culpar todo mundo pelo que acontece com você!
— Se eu não culpar ninguém, a culpa vai ser minha!
— Ei, ei... Calma aí! — Warren, sentado entre as duas garotas, apartou a briga — Chloe... você não precisa culpar ninguém. As pessoas são imperfeitas... e imprevistos acontecem. Ninguém te magoa de propósito!
— Não?! Então por que meu pai foi embora, a Max foi embora, a Rachel foi embora...?!
— Chloe... Eles não foram embora. A Rachel desapareceu, a Max precisou ir com os pais dela e seu pai... — o garoto escolheu bem as palavras — ...ele faleceu! Vamos, tente ver o lado bom das coisas, ok? E lembre-se dos momentos bons. Não seja tão negativa, Chloe... Se tem uma coisa que aprendi durante meus anos de vida é que ser negativo nunca é bom. Eu sempre fui negativo, sempre detestei tudo, ficava me sentindo péssimo porque as pessoas não falavam comigo. Mas aí eu conheci a Max... e ela me mostrou que ser negativo não ajuda em nada. E olhe pra mim! Hoje eu tenho vocês duas, minhas melhores amigas!
— É... bom argumento, nerd. Mas... todo mundo me decepciona!
— Por que não tenta ver o que as pessoas fizeram de bom pra você? Vamos, não custa tentar.
— Bom... meu pai sempre brincava com a gente e fazia tudo que eu queria. A Rachel esteve comigo quando eu me senti só... e a Max... bom, eu nem preciso falar. Ela fez de tudo por mim nesses últimos dias. E... e... você... bom... você nunca me magoou.
Max ficou quieta, apenas olhando para o horizonte sem parar, escutando a conversa dos amigos. Achava incrível como o nerd conseguia acalmar Chloe com poucas palavras, de uma maneira que nem ela mesma conseguia. Se sentia culpada e ao mesmo tempo aliviada. Talvez mais culpada que aliviada. E talvez mais incomodada do que culpada ou aliviada. Tudo parecia estranho desde o momento em que chegou no RV e não sabia o motivo, e temia descobrir. No final das contas, apenas deixou os dois se resolverem e aceitou o fato de que existia algum tipo de... química... entre os dois. E química era o assunto que Warren mais entendia.
Em vez de voltarem para a escola, Chloe os levou de volta para a casa dela, na esperança de que o clima estaria melhor, e na expectativa de resolver os mistérios de Arcadia Bay de uma vez por todas. Chegando lá, os três jovens pegaram um grande painel de papelão cheio de desenhos feitos por Max e Chloe havia mais de cinco anos. Enquanto Chloe e Warren levavam o painel para o andar de cima, Max recolheu as pistas de David na garagem e jornais que pudessem ajudar na resolução do caso e depois levou tudo para o quarto de Chloe. A garota por fim levou os amigos de volta ao colégio e voltou para casa, ficando a noite inteira acordada pesquisando e tentando resolver mais mistérios.
No dia seguinte, Max acordou de manhã um pouco tensa. Quase não dormira tentando pensar em como resolveriam os estranhos casos da cidade e recebendo mensagens de texto de Chloe perguntando e avisando coisas. A garota levantou-se da cama, extremamente sonolenta, trocou de roupa e foi para fora do dormitório, onde encontrou, no pátio, Warren, que estava possivelmente a esperando.
— Hey, Max... A Chloe vai passar aqui pegar a gente. — Max não disse nada, nem esboçou reação, o que fez o rapaz entender que ela não gostou de não ser avisada e logo o fez se justificar — Ela não te avisou porque disse que passou a madrugada inteira te mandando mensagens sobre as pesquisas que estava fazendo.
Os dois amigos começaram a caminhar em direção à saída do colégio, para esperar a punk na calçada. Max apenas bocejou, não deu muita atenção ao que o amigo disse, apenas o seguiu. Assim que pararam no local de sempre para esperar a amiga, Warren começou a encarar Max com muita atenção, especialmente a região do tórax.
— Olha aqui, Warren, eu estou meio dormindo ainda mas estou vendo você olhar pra mim, seu pervertido. — Deu um leve empurrão no nerd, que corou com o mal-entendido.
— M...m...Max! Não é nada disso! É que... a sua camiseta tá no avesso?! — respondeu, fazendo a menina olhar para baixo e confirmar as palavras do garoto, dando um tapa na própria testa, completamente frustrada.
— Argh! Não acredito que fiz isso. Vou arrumar, já volto, Warren. Obrigada por avisar. — Max saiu correndo sem muita velocidade em direção ao dormitório e de longe gritou para o amigo — Perv!
Quando Chloe chegou, notou que apenas o rapaz estava ali, e perguntou sobre a amiga.
— A bela adormecida estava tão adormecida que colocou a camiseta no avesso. Ela já vem.
Logo a fotógrafa chegou e os dois entraram na caminhonete. Chloe então os levou novamente à sua casa para que pudessem juntar as últimas peças do quebra-cabeça. Ainda faltavam informações importantes, mas que eles conseguiriam no mesmo dia se conseguissem se organizar. O quarto da garota estava muito bagunçado, havia jornais espalhados pela cama e pelo chão, copos e mais copos de café sobre a escrivaninha e alguns jogados no chão. O cheiro da bebida misturado com o cheiro adocicado de maconha, que estava empilhada em cigarros num cinzeiro, exalavam pelo local, dando uma leve dor de cabeça nos nerds.
Max deu uma rápida olhada no painel, tentando decifrar alguma coisa, mas percebeu que precisaria de mais do que fotos de Rachel e informações invasivas sobre Kate para resolver o caso. Warren comentou sobre a festa Vortex, onde eles poderiam encontrar a corja que possivelmente estaria envolvida. A garota por fim tirou os olhos do quadro no qual estava vidrada e concluiu:
— Temos três coisas pra fazer hoje. Primeiro, descobrir os códigos de cada usuário que compra drogas com o Frank; depois pegar o celular do Nathan Prescott para descobrir onde ele estava na última festa do Clube Vortex, quando a Kate foi drogada; e por fim...
— Arrebentar a cara do Nathan e do Padrastonto? — Chloe interrompeu, animada.
— Vou desconsiderar esse comentário.
— Qual é, Madmax? Só deixa eu chutar o traseiro deles e depois você rebobina!
— Bom, o terceiro é descobrir que tipo de coisa Nathan esconde nas mensagens do celular.
— Eu sei qual é o quarto do Nathan. — Warren disse, tentando ser útil. — Posso tentar invadir lá. Acho que seria suspeito demais ele ver vocês no dormitório masculino.
— Warren, Warren, Warren... — Chloe disse, se levantando da escrivaninha e colocando a mão sobre o ombro do amigo — Quem tem os poderes aqui é aquela garota ali — apontou para Max — Sem a ajuda dela, não vamos conseguir fazer nada. Mas obrigada por tentar.
— Bom, vamos começar isso logo? — Max perguntou.
— Com certeza! — Os dois responderam em conjunto.
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