Blue

1 Não dá para entender


Acordei às seis da manhã para ir para faculdade, mas eu sentia que não deveria ir, e dessa vez não era por preguiça, eu só pensava em não ir e ponto. Mas a culpa de faltar mais uma aula estava me consumindo, então me arrumei o mais rápido que pude e corri para conseguir pegar o ônibus. Cheguei na faculdade e não comecei a procurar meus amigos, mas não estava com sorte nenhuma, procurei em todos os blocos e nada, não atendiam o telefone e nem respondiam as mensagens, já estava começando a me perguntar se haveria aula mesmo naquele dia. Por último fui até a biblioteca, eu eu não conseguisse os encontrar lá não conseguiria em lugar nenhum mais, abri a porta da biblioteca e fui em direção a tia Marta (meus amigos e eu passamos muito tempo lá, acabamos gerando uma certa intimidade com ela), mas quando estava quase chegando percebi que havia um menino na recepção, ele estava de perfil, a tia Marta acenou para mim e ele olhou e quando ele olhou tive a certeza de quem era, e sem nenhuma discrição entrei para um dos corredores de livros e continuei andando até chegar no final, andei para um lado e para o outro e não sabia para onde ir, eu não conseguia pensar e meu coração parecia que saltar do meu peito. Eu havia visto o menino em que (não) sou completamente apaixonada, eu já conversei com ele algumas vezes mas nunca parece real o fato de ele me dar alguma chance. Fui para o corredor da esquerda, mas não tinha como sair de lá, virei para a direita e para minha (não) surpresa dei de cara com ele.

— Oiii — eu falei um "Oi" tão longo que senti vontade de bater na minha cara assim que terminei

— Oi, já faz um tempo que a gente não se vê né?- perguntou ele, mas na verdade eu só conseguia pensar em uma única resposta "Eu te vejo todos os dias, mas sempre me escondo de você, talvez seja pelo fato de eu gostar de você", mas obviamente não falei e respondi:

—Eaahh- Eu realmente queria saber me comunicar com as pessoas sem pagar mico.

—Então a gente se vê por ai, tchau- Ele veio para me cumprimentar com dois beijinhos, eu paralisei, eu não faço isso nem com minhas amigas, não que eu esteja reclamando que ele tenha feito isso, mas eu não entendi.

Fiquei parada por mais ou menos cinco minutos pensando no que tinha acabado de acontecer, mesmo não sendo NADA demais, qualquer olhar/contato/conversa com ele mexia comigo. Olhei pro relógio e percebi que tinha perdido metade da primeira aula, corri para chegar na sala e quando cheguei (empurrando a porta, com o casaco e mais três livros quase caindo no chão), e foi em vão, o professor tinha se atrasado e só consegui atrair a atenção para mim. Na minha sala não havia essa divisão de pessoas populares e não populares, os grupos eram bem misturados, e era mais fácil também quando era preciso fazer algum trabalho em que envolvesse toda a turma. O professor chegou mais ou menos cinco minutos depois, já começou falando sobre vários trabalhos e apresentações que faríamos, eu parecia focada, mas eu estava viajando tanto que até eu me corrigi.

—Ana? — Carol me chamou para passar a lista de presença.

—Obrigada. — Respondi

Da terceira aula em diante consegui me manter focada, de verdade, mas quando sai da sala vi o João no corredor novamente, e para minha (não) surpresa ele não estava sozinho. Esse é o problema, a gente sempre acha que uma hora vai acontecer, você vai conseguir falar com a pessoa e ela vai gostar de você, e realmente acontece mas não comigo. Meus amigos vieram logo atrás de mim, só a Carol e a Paula sabiam que eu gostava dele, então perceberam quando revirei os olhos e sai andando com a turma.

— Onde vamos hoje? — Perguntou André, andando de costas e analisando cada um de nós

— Eu não sei se quero sair hoje — Respondi.

— Hoje é terça feira ainda, você tem muita energia e nós- Paula apontou para o resto do grupo- não temos energia nem para assistir nossas séries.

—Ok, não vamos sair hoje. — Ele se virou e andou normalmente como o resto de nós.

— Eu só quero chegar em casa e dormir MUITO- Disse Paula e todo o resto comemorou.

Morar com a Carol e com a Paula era a parte mais divertida do dia, apesar de ser tudo uma zona, era tudo tão perfeito também.

—Eu vi você olhando para ele hoje. — Disse a Paula

—Eu olho para ele todos os dias. — Respondi

—Mas tinha alguma coisa diferente, vocês tem se falado? — Perguntou Carol

—Eu não sei como vocês conseguem descobrir essas coisas, mas sim, hoje na biblioteca, e ALIÁS onde vocês estavam no início da aula?

—A gente tava vendo uma aposta de quem conseguia beber mais refrigerante pelo nariz. — Disse Paula

Eu só as encarei e revirei os olhos.

—Mas o que vocês conversaram?- Perguntou Carol

—Bom, primeiro eu corri dele, depois eu fiquei tentando achar uma saída da biblioteca, mas eu estava muito nervosa, ai acabei esbarrando com ele no corredor, então ele começou a falar sobre como a gente nunca mais tinha se visto. — Elas duas me olharam com uma cara de tipo "fala sério!"- Pois é, eu não consegui falar nada produtivo novamente e ele veio me dando dois beijinhos...

—ELE TE BEIJOU?- gritaram as duas ao mesmo tempo.

—Na bochecha, não sejam iludidas, e eu achei aquilo estranho, muito estranho, então eu sorri e ele foi embora.

—Ele gosta de você- Paula disse

—Para de iludir a menina- Disse Carol

—Eu não to iludindo, olha só o que aconteceu, só não percebe quem não quer- Disse Paula

—Chama ele no chat para conversar- Disse Paula

—Quê?! ÓBVIO que não. Ele é muito interessante para mim, eu já falei isso com vocês e não vou ficar repetindo. Se ele quiser alguma coisa comigo, ele tem que demonstrar, eu acho que já demonstro que tenho interesse nele, mas também não vou ficar correndo atrás, ambas as partes tem que querer gostar uma da outra.

—ISSO. — Carol falou e logo em seguida me abraçou.

Entramos em casa e tivemos uma pequena briga para saber quem ia tomar banho primeiro, mas depois tudo se acalmou e dormimos.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.