Blue
11 Estranho sentimento
Notas iniciais
Ao sair do palco é que me dei conta de que havia tocado em público pela primeira vez, e foi incrível, senti como se um sonho esquecido fosse revivido. Agora mais do que nunca quero estar perto da música.
Mai parecia não acreditar no que tinha acabado de acontecer, no final nós dois tínhamos superados traumas.
—Eu não acredito, deu certo —olhou pra mim com os olhos marejados e com um enorme sorriso —nós conseguimos Sasuke!
—Sim, superamos o que nos prendia.—sorri de volta.
A festa estava lotada e muito barulhenta, peguei algo para beber e junto com a Mai fui para fora, andamos bastante em silêncio apenas apreciando a brisa fresca da noite. Paramos em um banco debaixo de uma árvore e ela perguntou:
—Está sentindo o mesmo que eu?
Olhei para ela e a mesma fitava intensamente a lua.
— O que está sentindo?—perguntei calmo.
—Não sei dizer muito bem, mas até que não é ruim.
—Estou tranquilo, é bom assim.
Ficamos em silêncio novamente.
A noite estava muito boa o clima fresco e acolhedor, fechei meus olhos sentindo a brisa tocar meu rosto, apenas ao ouvir um suspiro da pessoa ao meu lado percebi que ela fazia o mesmo.
—É estranho, mas me sinto em paz.—disse finalmente.
Refleti um pouco no que ela tinha acabado de dizer e falei:
—Acho que sei como é, sinto-me da mesma forma.
—Será o poder da música?—riu olhando para mim.
—Talvez.—ri junto com ela.
—Tem planos pro feriado? —perguntou me fitando.
Só então que me lembrei que haveria um feriado estendido naquele fim de semana.
—Tinha me esquecido disso.
—Sério? —sorriu.—Vou aproveitar pra dormir bastante e comer doces.
—Está planejando afogar as mágoas em doces? Assim vai ficar impossível de alguém gostar de você, feia e gorda.—gargalhei e em seguida ganhei um tapa dela que me fez rir mais ainda.
—Idiota. Não vou chegar a esse ponto, e se ninguém gostar de mim também, dane-se.—riu.
—Nem ta parecendo a Mai de uns meses atrás que queria conquistar o Itachi.—falei diminuindo o riso.
—Não sou do tipo que esquece um amor ou paixão com outra pessoa, gosto de superar sozinha.—disse mais séria.
—Com os doces você quis dizer. —provoquei.
—Você é muito chato Uchiha.—me bateu no braço novamente.
Ficamos em silêncio por um tempo e então eu disse:
—Vai mesmo se empanturrar de doces durante 4 dias?—perguntei acabando de tomar meu refrigerante.
—Tipo isso.—afirmou.
Balancei minha cabeça em sinal negativo e ela riu.
—Por quê não vem comigo pra minha casa?
—Está me convidando pra casa dos seus pais, Uchiha.—questionou erguendo uma das sobrancelhas.
—Não entenda mal, idiota. Só não quero ser responsável por você morrer de diabetes.
—Assim parece até que está rogando praga.—riu novamente.
—É muito idiota mesmo, ninguém merece.—taquei a latinha vazia nela.
—Ai! Vai partir pra violência agora é? Quer tanto assim que eu vá?
—Não faço questão, chamei porque sou educado. E não fique se achando chatinha.
—Não fique assim Sasukinho, sei que você me ama. —disse bagunçando meu cabelo.
—Amo sim, nossa demais.—revirei os olhos —Por que raios todo mundo gosta de bagunçar meu cabelo?—perguntei incomodado.—Vou bagunçar o seu pra ver se é bom.
—Não, ai não vale. Seu cabelo é bom Uchiha, agora aguenta.
—Saiba que eu gosto muito dele, então deixe ele em paz.
—Hum, não sabia que você era tão vaidoso assim.
—Comparado ao Itachi, sou um desleixado.
—Como assim?—perguntou curiosa.
—Se você for lá em casa eu te mostro, irritante.
—Agora fiquei curiosa.
—Tsc, mentirosa. Tudo desculpa pra não dizer que morre de vontade de conhecer a propriedade dos Uchiha.
—Ih, que metido esse menino. Saiba que eu não tenho a mínima vontade. O que tem de tão especial assim?
—É uma desinformada mesmo, né?! Vai lá e descobre, quero ver se sua opinião não muda depois disso.
—Ok, aceito. Vamos ver então.
—Meu motorista te pega amanhã às 9.
—Nossa é assim? Que chique.
—Cale a boca, Mai. Sabia que você fala demais?
—Ok, vou fazer voto de silêncio.—reclamou virando pro outro lado.
—Até parece.
Ela olhou pra mim aceitando o desafio.
—Olha ali o Itachi caído.—Apontei pro outro lado.
—Onde?—disse olhando pra todos os lados.
Gargalhei e ela me bateu outra vez.
—Isso não tem graça Uchiha!
—Não é difícil te enganar, e aliás você adora me bater né? Sei que meu corpo é irresistível, mas também não precisa ficar me assediando.
—Já disse o quanto você é idiota e presunçoso?
—Sei que sou lindo.
—Cale a boca Uchiha.
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Na manhã seguinte, assim como ela havia dito o motorista estava na minha porta. Me impressionei, demorou um pouco e finalmente chegamos, devo admitir não era uma casa, era uma mansão.
Fiquei um pouco perplexa, esperava uma casa grande e bonita mas aquilo já era muito além das minhas expectativas.
—Oh, já chegou idiota?!—saudou Sasuke me vendo parada na porta.
—Bom dia pra você também, senhor gentil.
—Sou gentil mesmo, se fosse o contrário não teria chamado esta pobre garotinha que a mim se dirige para estar em minha casa.
—As vezes sua prepotência passa dos limites garoto.
—Vai ficar parada ai o dia todo?
—Fica quieto.
Entrei e logo uma empregada pegou minha mochila.
—Obrigada.—agradeci sorrindo.
—O que quer fazer?—olhou pra mim esperando minha resposta.
—Alguma sugestão?
—Vou te mostrar a casa, aposto que está doida pra conhecer o quarto do Itachi.
—E estou mesmo.
—Tarada.
Rimos e ele me mostrou vários cômodos, dá pra se perder nesse lugar é enorme.
—É aqui.—apontou parando em frente a uma porta.
Eu iria mesmo entrar o antigo quarto do Itachi, estava bem curiosa.
—Nossa, você é tarada mesmo. Olha só pra você, está tão ansiosa que dá medo.—brincou.
—Para de me chamar de tarado, seu idiota.
Entramos e fiquei maravilhada, o quarto era lindo.
—Você não acreditou quando eu te disse que ele era mais vaidoso do que eu, então olha isso.
Ele me entregou um frasco de shampoo que eu nunca tinha ouvido falar.
—Não conheço.—disse olhando pra ele.
—Não me surpreendo com isso. Pra comprar um desses você precisa encomendar e o número da lista é limitado, eles produzem apenas 30 por mês. Não vou nem comentar o preço.—riu da minha expressão surpresa.
—Uau! Vocês são mesmo muito playboys.
—Diga isso pro seu queridinho.
—Aposto que você também é assim.
—Que nada, sou simples. O meu shampoo não é limitado.
—Vê se pode. Só você mesmo.
—Que é? Estou falando a verdade. Agora que já viu o quarto dele, vamos aproveitar.
Sasuke me arrastou e fomos comer alguma coisa, a mesa do café da manhã é enorme.
—Não acha que é muito pra duas pessoas?
—Pra quem ia se empanturrar de doces, achei que se empanturrava de qualquer coisa.—sorriu de canto debochado.
—Muito engraçado você.—olhei para os lados e perguntei:
—Falando nisso, onde estão seus pais?
—Viajando. Acha que eu chamaria você aqui se tivesse alguém?
—Que é? Não estou a altura?—ergui uma sobrancelha.
Ele riu e disse:
—Você leva tudo muito a sério, é idiota demais.
—Irritante.—encerrei a conversa colocando uma fatia de maçã na boca.
Ficamos fora quase o dia todo, fomos nos divertir ao estilo Uchiha. Isso inclui passeio de lancha, de kart, golfe entre outros.
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—Não vou Sasuke, para.
—Deixa disso, vem logo Mai.—continuou me arrastando até a quadra.
—Não quero jogar.—insisti.
—Por que não? Vem logo.
Chegamos a quadra de vôlei, nunca fui boa com esportes e nunca fui muito fãs dos que se jogam com bola. Pela insistência insuportável deste ser, me posicionei pra jogar.
No primeiro saque a bola me acertou e cai no chão.
—O que você está fazendo? Dormindo?
—Eu disse que não queria jogar.
—Por acaso você não sabe jogar vôlei?
—Nunca fui boa em esportes, então pode para com a zoação.
—Eu nem disse nada ainda.
—Mas ia dizer.
Ele riu e falou:
—Quanto mais tempo passo com você, mais percebo o quanto você é idiota Mai.
—Digo o mesmo.—afirmei levantando do chão.
—Já que não é capaz de praticar esportes como qualquer pessoa comum, vamos fazer algo que não te mate. —falou me levando pra dentro de casa.
Jogamos vídeo game durante o resto do dia, já estava quase anoitecendo e conversamos, discutimos, como sempre e depois de ver alguns filmes fomos dormir.
Acordei cedo e quando desci a empregada disse que Sasuke ainda estava dormindo. Aproveitei pra andar um pouco pelos jardins da mansão, tudo era muito lindo e aumentava aquela sensação melancólica que me invadia.
Mesmo em paz, algo dentro de mim me fazia acreditar que faltava algo, estava começando a ficar inquieta, como se ainda precisasse fazer alguma coisa. Andar por entre as flores fez com que meu dia começasse de uma forma bela, a brisa fresca da manhã, o perfume do jardim me levou a fechar os olhos e aproveitar.
— Acordada tão cedo preguiçosa?— perguntou o moreno me fazendo abrir os olhos.
— Estava tudo ótimo até você aparecer.— sorri.
— Tudo bom o quê? Você estava parecendo uma estátua aí parada.
— Estava pensando, coisa que o senhor não deve fazer com muita frequência.
— Pensando em quê?— mostrou-se interessado.
— Em como meus sentimentos ficaram tão confusos.— respondi ganhando sua total atenção.
— Como assim?— perguntou fitando o sol que nascia tímido.
— Sinto que ainda falta algo, ou melhor, fazer algo.
—O quê exatamente?
— Estaria melhor se soubesse.
— Não tenho certeza mas, acho que entendo o que quer dizer.
— Sabe o que fazer?
—A única coisa que sei é o que vou comer.— deu às costas e voltou pra dentro de casa.
— Ei, me espera!
Quando entramos reclamei:
— Isso é jeito de tratar um hóspede?
— Tá achando que isso aqui é hotel? Se vira.
—Muito legal você! —ironizei.
Seguimos para a mesa, tomamos o café da manhã traquilamente e nesse ritmo seguiu o feriado.
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Eu corria, não conseguia pensar em nada a não ser que a essa hora ela podia estar sozinha, provavelmente chorando.
Pela primeira vez me irritei com os corredores, hoje pareciam infinitamente longos, como um labirinto que apenas me atrasava, não queria deixá-la só. Sei que precisa de mim agora.
Em minutos que pareceram a eternidade, cheguei ao meu destino e infelizmente eu estava certo.
Ao vê-la parei por alguns segundos e me aproximei devagar, sentindo minha presença olhou para trás, lágrimas tímidas banhavam sua face e quando percebeu que era eu a chegar, esboçou um sorriso frágil, assim como ela se encontrava naquele momento.
Dei mais um passo adiante sem ainda dizer uma palavra, porém acho que meu olhar falava por mim. Mai ergueu a mão que estava escondida, revelando um envelope.
Então ela já sabia também.
Me aproximei ainda mais e ela reagiu outra vez lendo meu olhar.
— Está tudo bem.
— Você sempre diz isso e depois cai no choro.— afirmei preocupado.
— Dessa vez é verdade, nós sabíamos que aconteceria. Só não pensei que fosse tão cedo.
— Ninguém esperava.
— Pensava que eu não estaria por perto, que seria mais fácil esquecer.— disse com a voz falha.
— Também pensei que até lá teria superado tudo isso.
— Eu sinto tanto por você Sasuke.—declarou chorando.
— Eu não preciso disso sua boba, estou bem.— falei abraçando-a.
Ficamos assim por um tempo até que ela confessou:
— Mesmo estando conformada, as lágrimas não param.
— Não precisa se segurar, coloque tudo pra fora.
— Obrigada...
Foi tudo tão rápido que está difícil acreditar que é real. E dessa vez seria pra sempre.
Já estava marcado, Sakura iria pra longe de mim para nunca mais voltar. Seu passaporte era uma aliança dourada, essa por sua vez dada por meu irmão.
Mesmo já tendo desistido desse sentimento, por quê me sinto tão inquieto?
Nada importa agora.
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