Blue
7 Chega!
Notas iniciais
—Ah, aí estão eles! —disse Sakura acenando com um enorme sorriso.
Itachi correu pra ela e eles se abraçaram. Que meloso, eu não estava aguentando mais queria ir embora.
—Vamos embora, por favor. —sussurrei pro Sasuke.
—Agora mesmo. —concordou.
—Itachi, estamos indo. —Sasuke avisou.
—Mas já?—perguntou Sakura.
Juro que tive vontade de bater nela. Ainda bem que Sasuke me segurou.
—A gente se vê. —disse Itachi.
—Tchau. —me despedi apressadamente.
Já fora do parque...
—Ah, foi horrível!—desabafei finalmente.
—Não só pra você.— Sasuke declarou.
—O que houve? —perguntei curiosa.
—Tudo que nós conversávamos ela acabava falando do Itachi no final. Me irritou.
—Nota-se.
—Temos que arrumar um outro plano. —disse ele pensativo.
Fiquei em silêncio por um tempo.
—Ei, Mai, está me ouvindo? —reclamou.
—Sasuke...
—O que foi? —fala.
—Eu desisto. —falei desviando meu olhar do dele.
—O que? —perguntou incrédulo.
—Eu desisto. Não tem mais por que continuar com isso.
—Está me dizendo que não aguenta uma decepção? —provocou irritado.
— Não é isso. Só não faz sentido continuar com isso depois de ouvir do próprio que ela é tudo na vida dele. —disse séria.
Sasuke bufou.
—Essa luta já está ganha. Não importa o que eu faça, ela sempre vai vencer. Ele a ama. Antes eu não pensei que fosse tão sério assim o relacionamento dos dois, pois até o próprio disse que até pouco tempo não era. Mas, agora ele percebeu que a ama de verdade. —conclui triste.
—Você é uma perdedora. —Sasuke disse decepcionado.
—Me desculpe Sasuke, mas você não tem o direito de falar assim comigo.
—Claro que tenho você quebrou o nosso trato.
—Só você não percebe que não faz mais sentido? —me exaltei.
—Como eu pensei, não é capaz de fazer o Itachi se interessar. —ofendeu.
—Não me ofenda Uchiha. Você é a última pessoa na face da terra que pode me julgar agora. —gritei.
Ele continuou em silêncio e eu continuei:
—O mimado e covarde aqui é você, que não pode nem mesmo aceitar os próprios sentimentos sem ter vergonha deles. Você mente pra si mesmo todos os dias dizendo que não gosta da Sakura. Faça-me o favor, precisa que uma garota conquiste seu irmão para tirá-lo do seu caminho e assim ela fica livre pra você. Não tem coragem de enfrentar essa sozinho, não é? —despejei toda minha raiva de uma vez só.
—Não abra essa boca pra falar o que você não sabe. Você não me conhece Mai. —gritou.
—Claro, você nunca me deu essa chance. —rebati.
—Eu não te devo satisfações.
—Eu não estou pedindo nada. Eu só pensei que éramos amigos.
—Amigos? Acho que o que falou agora não representa amizade.
—Eu só disse a verdade. Se está acostumado que seus "amigos" mintam pra você, ok mas, eu não vou fazer isso. E sabe por que? Porque eu me importo.
—Se importa? —perguntou sarcástico.
—Sim, Uchiha. Te considero meu amigo e não quero que você se machuque ainda mais. Eu sei como é não ser correspondido, pode acreditar eu sei bem como é. Ficar se iludindo em uma batalha perdida só vai piorar as coisas e prolongar seu sofrimento.
—Quem disse que eu estou sofrendo?
—Vejo em seus olhos. —disse mais clama.
Ficamos quietos imersos em pensamentos até que ele quebra o silêncio:
—Você me considera mesmo seu amigo?
—Pensei que isso já estivesse claro. —sorri.
—Nunca ninguém foi tão sincero comigo antes.
—Imagino...
—Acho que posso confiar em você. —disse mais calmo.
—Que bom que finalmente pensa assim.
Depois de ficar pensativo por um tempo ele começou a falar.
— Tudo bem, vou te contar. —suspirou.
Fiquei olhando pra ele sem entender.
— Você tem razão.Eu realmente gosto dela.
Sorri, mas, não por escárnio e sim por ele estar confiando em mim.
— Antes costumava ser diferente, era ela que gostava de mim. Estudamos juntos desde a quinta série.
Nossa, por essa eu não esperava.
—Sakura nem sonhava em conhecer o Itachi quando me conheceu. Eu não dava a mínima, não sentia nada por ela. Mas, depois que começamos o ensino médio e ela começou a passar um tempo com ele e aí comecei a ter ciúmes, então percebi que gostava dela também. —concluiu.
Juro que estava chocada.
— Então ela gostava de você e você a rejeitou? —perguntei incrédula.
—É. Respondeu derrotado.
— Um triste caso comum de quem precisa perder pra dar valor. —sorri triste.
— Eu sei que fui um idiota. Não precisa ficar me lembrando. —disse sério.
— Ok, não está mais aqui quem falou. —me desculpei.
— Sinceramente, não sei o que faço agora.
— Esqueça. —disse simplesmente.
— Me dar por vencido? —questionou.
— Sabe Sasuke, quando rejeitadas as pessoas tendem a seguir em frente. Ela já fez isso,e ela parece estar feliz. Agora é sua vez de correr atrás dá felicidade.
— Isso foi um sim. —afirmou cabisbaixo.
— Infelizmente sim, sinto muito que não tenha dado certo.
— Digo o mesmo. —sorriu.
— Bom, é hora de seguir em frente. —falei pra espantar a tristeza.
Ele se aproximou e disse:
— Vem, eu te levo pra casa, foi cansativo está noite.
— Tem razão. —disse o seguindo.
Ah! Isso é tão frustrante. Estávamos calados durante o caminho. De repente gritei.
Sasuke olhou pra mim assustado.
— Que foi? Estou estressada. —expliquei.
— Você é louca. — riu. — Mas, se continuar fazendo isso vou fingir que não te conheço. —ficou sério.
— Você deveria tentar, alivia. —sugeri.
— Não mesmo.—disse me olhando como se eu fosse insana.
Ri.
Eu me sentia muito à vontade com ele, não sei explicar.
Chegamos na porta da minha casa e ele disse:
— Pronto, entregue.
— Obrigada. —sorri.
— Então, vou nessa. —falou indo embora.
— Boa noite, tchau. —me despedi sentindo um nó na garganta.
Eu não conseguiria entrar em casa naquele momento, meus olhos já não conseguiam conter as lágrimas.
Fui pra um canto escuro e chorei, chorei como nunca,e agradeci por não ter ninguém por perto.
Eu estava péssima.
Quando me despedi de Mai senti que ela não estava bem, acho que ela precisa de um tempo sozinha.
Mesmo assim não deixo de me preocupar.
Quando cheguei em casa liguei pra ela.
— Alô. —disse com a voz chorosa.
— Mai, como você está?
— Já está com saudade Sasuke? —riu.
— Não precisa ser forte o tempo todo.
Ela ficou em silêncio e depois começou a chorar.
— Chego aí em um minuto.
— Não Sasuke, está tudo bem comigo. —mentiu.
— Tchau. —desliguei.
Fui até a janela de seu quarto e bati.
Segundos depois ela atendeu.
— Nossa você tá horrível. —brinquei.
— Quero ser chamada pro elenco de Resident Evil.—rimos.
— Só você mesmo pra fazer piada quando está triste.
— Eu preciso ser forte Sasuke, se eu não for o que vai ser de mim?
— Você já é forte, baka. E também não precisa aguentar tudo sozinha, eu sei o que está passando e não é fácil.
— Obrigada Sasuke. —sorriu.
— Não foi nada.—retribui o sorriso.
—Nunca pensei que você pudesse ser tão gentil. —corei.
— Porque tá dizendo isso assim, der repente?
— Porque antes de te conhecer eu tinha uma ideia errada sobre você. Fico feliz por estar errada.—sorriu novamente.
— Até que você não é tão chata quanto eu pensei.
—Que bom que somos amigos Sasuke. —me abraçou.
—Ei!
— Só um pouco. Deixe eu te abraçar só um pouco. Preciso de carinho agora, estou sensível.—disse quase chorando.
— Tudo bem. Pode chorar se quiser.—falei retribuindo o abraço.
— Obrigada.
Era a primeira vez que eu via a Mai daquele jeito, ela estava realmente mal.
— Ei, chega. Eu não quero te ver assim. —disse triste.
— Desculpe, eu não deveria estar te incomodando. —falou sincera.
— Não foi isso que eu quis dizer, não gosto de te ver triste. Me sinto mal também.
Ela acariciou meu rosto e encostou a testa na minha.
— Não queria te fazer sentir pior, eu é que deveria estar te consolando. —disse parando de chorar.
— Eu não preciso de nada disso.—falei sério.
—É verdade, esqueci que você é um super hero.—riu.
— Super hero?—perguntei sem entender.
— Você tem me salvado durante todo esse tempo, por isso se tornou um super hero.—respondeu.
Ela me abraçou de novo e concluiu:
— Meu super hero.
Apertei-a ainda mais contra meu corpo, estar com ela aliviava minha dor.
— Me promete uma coisa.
—O que? —perguntou interessada.
— Que você vai seguir em frente e que não vai ficar chorando por ele.
— Vou tentar. —respondeu triste.
— Você vai conseguir, me prometa. —falei sério.
— Tudo bem. Vamos seguir em frente.
Sorrimos.
Viramos uma página importante de nossas vidas naquela noite e sobreviveríamos pra recomeçar.
Deixei a casa dela quando tive certeza de que ela ficaria bem.
Na segunda feira ela apareceu bem na escola,o que me deixou tranquilo.
— Bom dia Uchiha. —sorriu.
— Bom dia, flor do dia.—debochei com um sorrisinho sacana.
— De bom humor Uchiha? Isso é ótimo.—riu ironizando também.
— Como você está? —perguntei para acabar com minha preocupação.
— Bem, eu acho.—suspirou e acomodou-se na cadeira atrás de mim.
— Melhor assim.—falei mais sério que o normal.
Ela me olhou e ficou seria também.
— Você fica uma gracinha sério desse jeito. —riu.
— Cale a boca. —sorri.
Ficamos um tempo em silêncio olhando um pro outro, eu ainda conseguia enxergar tristeza nos olhos dela. Coisa que ela sabia esconder muito bem.
— Eu não quero ficar aqui, vamos pra outro lugar. —disse estendendo a mão pra ela.
— Fugir? —sorriu.
Acenei positivamente com a cabeça e ela me acompanhou.
Ficamos andando e conversando, foi divertido. Me fez esquecer um pouco de tudo que me pertubava.
Um tempo depois sentamos embaixo de uma árvore.
Ouço ela suspirar e pergunto:
—O que houve Mai?
— Nada. Sorriu.
— Nada mesmo?
Não obtive resposta dessa vez.
— Eu quero que você fique bem.
Ela olhou pra mim e eu continuei:
— Tudo isso nos aproximou, antes eu não tinha muita confiança em você, coisa que você foi capaz de mudar em pouco tempo. Fico mal por te ver triste.
Fiquei um pouco tenso pelo silêncio dela.
—Obrigada Sasuke, ninguém nunca se importou comigo dessa forma. É bom saber que você confia em mim, você se tornou meu melhor amigo.—riu.
— Somos amigos. —ri junto com ela.
— Obrigada. Eu estaria pior sem você aqui.
— Vou estar sempre que precisar. E quando não precisar também.
— Pra me perturbar?
— Exatamente.
Rimos novamente, era bom poder esquecer o que nos fazia triste.
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