Blossoming Heart
2 Encontros desastrosos
Notas iniciais
Blossoming Heart
Capítulo 1 — Encontros desastrosos
Após o nascer do sol, Kagome correu para seu quarto novamente. Tomou um banho relaxante e, em pouco tempo já se via pronta para seu dia. A morena não era de ficar toda emperiquitada sempre que saía. Na sua visão uma boa calça jeans, uma blusinha básica e o cabelo amarrado num rabo de cavalo alto já era o suficiente. Sempre fora mais focada nas coisas do que na sua própria aparência, todavia não queria dizer que fosse toda desleixada também. Quando era para se arrumar mesmo, Kagome não fazia cerimônia e usava sua melhor roupa e, todos os adereços que tivesse direito, afinal sua gêmea não deixaria barato se tentasse colocar qualquer coisa.
Se olhou no espelho e aprovou o visual para o dia. Pegou seu material e desceu as escadas em direção à cozinha. No local já estava sua prima, Rin, morrendo de sono; enquanto, tentava acertar a colher com o cereal na boca. E, sua irmã, Kikyou, se olhando no espelho e vendo se estava tudo nos conformes. Pelo que conhecia a mesma sabia que já tinha terminado de tomar seu café, ou melhor, seu suco natural com uma maçã verde.
— Sério mesmo? — Kikyou perguntou sem encará-la.
— Como?! — Kagome devolveu confusa.
— Essa blusa aí, claro — agora olhava para a irmã — Não tem algo melhor para hoje?
— Essa sou eu — murmurou despreocupada — E quero que todos tenham consciência disso.
— Esquece, Kikyou — Rin falava pela primeira vez na manhã — Você sabe como ela é.
— Sim, conheço bem a peça — suspirou.
— Eu ainda estou aqui, sabia — alertou Kagome, enquanto mordia um pedaço de sua torrada.
— É claro que está, sua presença é bem… marcante — Kikyou deu um sorriso maroto e, logo saiu do recinto.
— Nossa, ela já está atacada hoje — gritou Kagome.
— Vocês estão — bocejou Rin.
xXx
Faculdade Shikon…
Kikyou subiu as escadarias rapidamente sem olhar para os lados, por conhecer bem o lugar e também se recordar do mesmo, não havia como se perder. Todavia, qualquer um podia se enganar com isso e, não percebendo de primeira que algumas sala haviam mudado e, com isso seu caminho também. Quando se deu conta do ocorrido já estava mais do que perdida pelos corredores. Estava confusa por onde quer que passasse e, ao tentar voltar pelo caminho por onde viera quase levou uma “portada” na cara — mesmo que ainda tenha sido de raspão.
— Você ficou louco em abrir uma porta assim do nada, é? — Kikyou cuspiu as palavras de tão irada que ficou.
— Como é, mocinha? — o tom sério do outro ser a fez gelar no mesmo segundo — E como eu iria saber que tinha alguém passando por aqui.
— Oh, verdade… — murmurou perdida.
— …
Nenhuma palavra mais foi dita, o silêncio realmente tinha se instalado no local. Kikyou se pôs a encarar o homem à sua frente sem receio algum do ato. O mesmo não deveria ter mais que uns 35 anos, ou quem sabe sim, mas a sua carranca enganava a qualquer um nisso, exceto por ela que tinha um bom conhecimento em feições. Ele tinha longos cabelos negros e ondulados, por alguma razão achava isso um charme em homens mais velhos. Ele tinha olhos censuradores, o que disfarçava o tom castanho avermelhado da íris. Parou de analisá-lo ao ver o mesmo erguer a sobrancelha de repente, e o olhar da censura ficou mais firme.
— Bem, nunca o vi por aqui antes — a morena tentou quebrar o silêncio agoniante.
— Comecei esse ano — disse em poucas palavras.
— Oh, compreendo — a morena murmurou — “Ele não é muito fan de conversa”.
— Aluna, certo? — perguntou olhando-a da cabeça aos pés.
— Sim, de Moda — respondeu voltando a si. Logo sentiu-se incomodada, como se estivesse nua nessa olhada minuciosa dele.
— Sua aula começa em breve. Vá logo — silabou e, logo em seguida saiu sem dizer mais nada.
— Ei! — chamou Kikyou, todavia o mesmo pareceu não escutar — “Quem ele pensa que é?”.
xXx
O ano só havia começado e, a garota dos olhos chocolate já estava entre os velhos livros. Nada havia mudado para si, afinal desde a época do colégio sempre estava entre os exemplares de letras miúdas. Caminhava encantada por entre os corredores cheios de prateleiras com inúmeros livros, enquanto procurava com os olhos algo novo para sua lista de não lidos. Era sempre assim durante o semestre, se enchia demais com explicações e pesquisas para os trabalhos e, logo sua mente estava acabada em tanto pensar no mesmo assunto. Os livros extras era uma maneira de relaxar sua mente sem muito desgaste. E para falar a verdade era a melhor coisa que poderia fazer no seu dia a dia.
— E a rata voltou para a toca — uma voz se fez presente atrás de Rin.
— Ah! — Rin pulou no lugar — Não faz mais isso, Kanna! — repreendeu a amiga se fazendo de durona.
— Oh, desculpe — a garota levantou as mãos na altura do queixo como se realmente sentisse muito. — E o que poderia dizer ao vê-la aqui novamente?
— ‘Bom dia’, que tal? — devolveu a pergunta, enquanto ajeitava sua franja toda bagunçada.
A albina então sorriu, eram amigas desde o 5º ano do colégio. Rin tinha acabado de ser transferida para seu colégio junto das primas mais velhas, apesar de terem a mesma idade. Naquele dia quando a apresentaram na sala notou seu olhar vazio e sem vida, jamais tinha visto uma pessoa com tal expressão melancólica no rosto. Quantas aulas ou até semanas se passaram desde que ela decidiu que finalmente falaria a primeira palavras; e ainda assim nesse meio tempo as pessoas cansaram de esperar. No entanto, Kanna não, ela esperou pacientemente até que a nova amiga estivesse segura de si e falasse. E bem, quando finalmente conseguiu falar pôde conhecer sua história e, naquele dia se viu ainda mais apegada a amiga. Jurou a si mesma que jamais a abandonaria. E ali estavam…
— Por que está me olhando assim? — Rin perguntou um pouco incomodada.
— Nada, só estava pensando se algum coitado vai querer-la como namorada — e as provocações da albina voltaram com tudo. Essa era a amizade dela, cheia de segredos, dores, brincadeiras e risadas.
— Não diga uma coisa dessa — Rin ficou toda vermelha com tal pensamento — Não sou madura o suficiente para tal coisa.
— Por favor, né? — Kanna revirou os olhos — Namorar vai além disso. Não se rebaixe tanto.
— Quem estava fazendo isso até agora mesmo? — ergueu a sobrancelha acusatória.
— Hã?! Quem ousou fazer isso contigo assim? — Kanna deveria estar fazendo Artes Cênicas e não simplesmente Artes.
— Você é uma boba, sabia? — Rin sorriu.
— Sei sim, sou sua boba — Kanna sorriu também — A sua boba.
— Ai, isso dói — reclamou, enquanto a amiga apertava sua bochecha — Me deixa em paz! — correu da mesma.
— Volta aqui, Rin fofinha.
Rin saiu em passos rápidos por entre a biblioteca, a saída era sua direção naquele momento. No entanto, acabou se atrapalhando no caminho e se trombando com alguém. Por causa da força que se bateram acabaram por perder o equilíbrio juntos, caindo no chão. Rin por cima de alguém, infelizmente. O primeiro e inesquecível mico do ano acabara de acontecer, a mente de Rin gritava em alerta vermelho e a mandava sair dali sem olhar para trás.
— Me desculpe, estava distraída — Rin falou rapidamente.
— Estava na cara isso — o tom usado pelo ser não havia sido nenhum pouco gentil.
“Puxa, precisava dizer nesse tom?” — Rin suspirou, olhou para a pessoa a qual ainda estava em cima e, se se arrependeu rapidamente. — E-Eu…
— Agora o gato comeu a sua língua também? — perguntou sem rodeios. Seu jeito era esse.
— Não — respondeu curto. Estava perdida demais nos olhos âmbar à sua frente. Nunca havia visto um homem tão bonito antes.
— Estou atrasado — não esperou nem que ela tivesse a delicadeza de sair, já foi ficando de pé e, com isso a derrubando junto.
— Ai! — Rin espremeu os olhos com a dor — Ei, tente ser um pouco mais gentil.
— Tudo bem e, você tente ser um pouco mais atenta — novamente seu tom áspero se fez presente.
— Grosso…
Rin levantou-se com a ajuda de Kanna. E por um tempo ficou encarando a porta por onde o homem dos fios prateados havia saido. Dentro de si tinha dois novos sentimentos; o de dor, nunca ninguém havia lhe tratado assim tão friamente de primeira — até mesmo quando teve bullying havia sido mais aberto. E outro que não soube classificar de primeira, não sendo amor já era um bom caminho. Realmente não se sentia preparada para isso.
— Tomara que seja apenas um início de infarto.
xXx
Kagome olhou ao redor os demais alunos pegando algumas coisas em seus armários. O sentimento nostálgico era mesmo reconfortante, depois das férias realmente era bom estar de volta a um lugar a qual sentia que pertencia. Viu colegas de algumas matérias e apenas acenou com a cabeça para os mesmos. Fechou seu armário após pegar o livro da primeira matéria e, lá estava novamente na turma da professora que tinha tara por livros e mais livros, essa deveria ser a professora preferida de Rin. Suspirou fundo.
— Preciso me apressar ou não entro hoje — se desesperou ao ver que poderia realmente chegar atrasada — Droga!
Kagome não olhou mais para nenhum lado, apenas seguiu. Deveria dizer que foi um péssimo erro esse? Oh, com certeza. Kagome sentia que a sua manhã não poderia ficar melhor e, ali estava ela toda dolorida no chão. Olhou para frente onde estava o cara a qual havia sido tão descuidado feito ela. Resmungou para si mesma e tratou de ficar de pé.
— Ei, quem você pensa que é para derrubar os outros assim? — ele perguntou parecendo irritado.
— Digo o mesmo para você — Kagome retrucou.
— Que?! — o homem de fios prateados levantou irritado — Que direito você…
— O direito dela começa onde acaba o seu…
— O direito dela começa onde acaba o seu…
— Hã?! — Kagome e o homem dos olhos âmbar apenas se entreolharam confusos.
Continua
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