Bloom

2 Capítulo 1- Leaving home


Acordei pensando flores, cheirosas e delicadas pétalas formavam uma linda orquídea, suas cores corriam do núcleo para fora num amarelo vivo. Tal sensação abrira minha mente enquanto acordava.

Meu quarto tinha cheiro de terra, um cheiro forte e bastante úmido, mas mesmo tendo essa energia incomum, eu gostava dele. Sempre que estava neste quarto me dava à sensação de tranqüilidade e de extrema paz, algo doce e quente, algo maternal.

“Eu sou uma tola” Rio de mim mesma.

Levanto da minha cama espreguiçando- me, olho pra janela, o sol está para nascer.

Aprecio cada detalhe do meu quarto envolta, daquelas paredes avermelhadas, do cheiro que persegue por todo canto, da minha cama confortavelmente bagunçada, das minhas amadas plantas, um conjunto de orquídeas e tulipas cheias de cores vivas e chamativas, do cheiro que elas emanavam em meu quarto e da madeira velha de meus moveis.

“Sentirei falta disso ’’ penso.

E pela milésima vez me pergunto “porque estou fazendo isso?” A resposta vem imediatamente em mente. “Não posso mais ficar aqui, não posso por as pessoas que eu amo em perigo, deixar aquela besta ficar agindo desta forma.” Aquele ser estranho... Sua aura era diferente, algo extremamente medonho e sombrio e depois do que aconteceu , tenho medo do que estar por vir. Lembro-me como se tivesse acabado de ter acontecido, estava frio e os céus tinham se fechado, sempre tinha feito aquele caminho, mas naquela hora algo estava diferente. Minha cabeça doía e meu estomago revirava, estava esquisita, já tinha sentido aquela sensação antes, algo ia acontecer e sabia disso, meu corpo me avisara e minha mente me falava para ter cuidado com o que estar por vir.

Um cheiro amargo se espalhava ao redor, essa sensação arrepiava todos os pelos do meu corpo e me fazia tremer. Comecei a correr como nunca tinha corrido antes, o desespero tomara conta de mim. A estranha criatura me perseguia e cada vez mais rápido sentia tua presença.

Mal podia ver o que me seguia, mas tinha medo do que acharia se parasse para ver o que era aquela criatura, o que sentia era que era grande e bastante ágil, seus passos faziam a terra tremer e o som que ele emitia fazia minha cabeça explodir, seja o que for que era aquilo não queria estar por perto daquela energia.

Não me recordo muito que aconteceu a seguir, mas sei que algo parou a fera, eram raízes, o prenderam e o expulsaram para trás, fazendo uma barreira de flores, com um aroma adorável e tranquilo que manifestava pelo ar. Não sei como tinha feito aquilo, mas aquilo tinha me drenado toda minha força e então desmaiei.

Tenho muito medo que aquilo volte me atacar novamente ou fazer algo pior como machucar alguém próximo a mim e sentia que aquilo não tinha acabado ali, que haveria muita coisa para acontecer e não era a primeira vez que algo me ameaçava deste jeito. Nos últimos meses tenho visto coisas que jamais teria imaginado que existia e criaturas estranhas vêm me atormentando em todos os lugares. Sei que estão aqui por minha causa e não deixarei que isto possa causar perigo para meu amável pai e para o meu pequenino irmão. Por isso não vejo mais razões para estar aqui, tenho que fugir, de alguma forma sei que aqui não é meu lugar, tenho esperanças de achar um lugar seguro ou talvez que possa descobrir o motivo disso tudo.

Pego a mochila em minha escrivaninha e começo a juntar as coisas, avalio o que colocarei na mochila, queria poder por meu quarto todo ali dentro, mas só o que consigo foram alguns pares de roupa. Do ao quarto uma ultima olhada como uma despedida e quando estou saindo dele, reparo um pequeno retrato encima do móvel. Era meu pai com aquele sorriso que sempre me fazia estar feliz e confortável sem problemas em minha volta, seus cabelos loiros brilhavam com mais intensidade a luz do sol, seus olhos amendoados olhavam carinhosamente para uma pequena criaturinha que carregava em seus braços, era meu irmão, suas bochechas rosadas e macias me davam uma enorme vontade de apertá-las e seus olhinhos verdes me encantava cada vez mais.

Destrói-me por dentro saber que terei de deixá-los, mas estou fazendo isso pelo bem de todos. Pego o retrato e levo junto comigo, ando mais um pouco e paro em frente ao espelho, estou vestindo um jeans surrado e uma camisa rosa, meus cabelos loiros caem sobe meu busto. A expressão que esta em meu rosto é de tristeza e medo, meus olhos verdes não brilhavam mais como costumavam ser, tento me arrumar meu cabelo para não parecer que estou tão destruída.

Pego minha mochila e saio de meu quarto, paro ao lado do quarto do meu doce irmão. Entro e me despeço daquele anjinho que ali esta, dormindo com toda tranquilidade abraçado com seu pequeno ursinho.

Saio silenciosamente do quarto com o intuito de não acordá-lo, desço as escadas e deparo com meu pai sorrindo para mim e uma mesa recém preparada para o café da manha. O cheiro de café forte circulava deliciosamente ao meu redor, meu pai olhava para mim com tom de questionamento em seu rosto.

“Aconteceu algo, minha querida?” Perguntou ele indicando para me sentar.

“Não papai, só estou um pouco cansada.” Em parte era verdade estava realmente cansada, passei a noite em claro para tomar uma decisão. Forço um sorriso para tranquilizá-lo, mas logo vejo que não funcionou muito.

“Tem certeza minha filha? Sabe que estou aqui para isso, para ajudá-la em tudo que eu puder.” Diz ele segurando minha mão tentando me acalmar.

Eu sei disso pai, mas desta vez você não pode me ajudar. Queria tanto poder contar tudo para ele e deixar que ele cuide de mim, mas desta vez não vai poder ser assim tenho que carregar este fardo sozinha.

“Realmente não aconteceu nada pai, fique tranquilo.” Forçando mais uma vez um sorriso falso.

Ainda não convencido ele apenas assenti com a cabeça, tentando compreender o que passa em minha cabeça. Avaliando minhas expressões, sempre fizera isso, sempre tão cuidadoso comigo, o que faz meu coração partir mais ainda.

Olho as horas demonstrando estar atrasada, pego algumas torradas e levanto da mesa. Meu pai para em minha frente dando aquele sorriso novamente falando que vai ficar tudo bem e realmente espero que isso seja verdade. Dou um abraço forte e demorado em meu pai, luto internamente para não chorar, não quero que ele perceba.

“Pai você sabe que o amo muito.” Digo sem perceber que minha voz saiu tremula.

“Filha eu sei disso e também sei que você e o Erick são as coisas mais importantes que já me aconteceram na minha vida.” Diz ele me beijando na testa.

“Tenho que ir, se não vou me atrasar.” Pegando minha mochila e indo para a porta.

Espero que um dia ainda poderei voltar para minha casa, poder ter um vida normal se que é que algum dia a minha vida foi um pouco normal. Como já havia dito, eu sempre via coisas que as pessoas normalmente nao viam e era considerada um caso perdido na escola, o que já não era tão normal assim, mas ainda tinha esperança de ter um vida normal, por isso irei partir em buscas de respostas mesmo tendo medo do que poderei achar.


Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.