Bloody Orchid
3 Capítulo 3 - Não há anjo malvado além do amor
Após sair correndo de casa ao encontro de Leonard, Violetta só pensava em uma coisa, na verdade em uma pergunta, uma questão que lhe estava martelando a cabeça. Por quê? – pensava ela, enquanto estava em disparada até a casa da família inimiga – Por que ele quer tanto me destruir? Ainda com essa ameaça tão perversa... Não entendo essa obsessão ridiculamente escrota que ele tem. Também nem sei por que nossas famílias se odeiam tanto.
Sim, ela era mal informada, mas fazer o quê?
Em pouco tempo, a garota já estava na casa dele, e batendo em sua porta. Quem atendeu foi Diego, seu irmão.
– Castillo? O que faz aqui?- Ele perguntou, com uma expressão confusa, cansada e desconfiada no rosto.
– Quero falar com Leonard... Ele está?- Violetta pergunta, tentado olhar além de Diego. Mas era inútil. Ele era uma muralha protetora na frente dela.
– Não, Leon não está, e se quisesse falar com ele, poderia o atacar novamente, não é mesmo? Ah, e se por algum acaso você tentar chegar perto do meu irmão, vai ter que se ver comigo. — Diego diz, tentando parecer autoritário e arqueando uma sobrancelha. Perguntas rodeavam sua cabeça, mas a primeira que tentou resolver foi: “Com quem ele acha que está falando?”.
– Estou com tanto medo, Dieguinho... Mas olha bem, se tentar me matar, a orquídea vai acabar sete vezes com você. E disfarce, ou minta, qualquer coisa que estava fazendo, melhor. Sabe por quê? Pois eu sou bem mais esperta que o senhor, e já vi seu querido irmão ali, sentadinho no sofá. – Violetta diz. Após ver que ele não tinha mais nada a dizer, nenhuma esquadrilha de palavras ameaçadoras pensadas na hora, nenhum fora a mais que poderia dar, ela o empurrou para o lado e entrou na casa.
Era linda, pensou a garota impressionada. Olhando em volta ela via todos os móveis da sala, a porta para a cozinha e a escada para os quartos. Como ela sabia? Era idêntica a sua. Ridículo isso, pensou ela, Copiar a casa dos outros. Que invejosos!
– Vargas!- Ela chamou. Leonard olhou para ela assustado.
– O que está fazendo aqui? Saia de minha casa. – Ele disse, mas se estava ainda assustado, aborrecido, ou coisa parecida, não demonstrava. Simplesmente não havia expressão em sua pálida face.
– Só quero te dar um aviso, e serei breve, pois esse cheiro de inveja me dá nos nervos mortos que ainda me restam. Se você pensa que vai se safar desta merda que me mandou, está enganado. Não chega mais perto de mim. – Violetta disse, num tom que calaria qualquer pessoa. Vampira ou não, ela podia ser mulher ameaçadora se quisesse. E agora quis e conseguiu, como sempre.
– O que, como assim? Eu não te mandei nenhuma ameaça. E se o fizesse, acha que eu ainda estaria aqui? Estaria numa boate comendo uma garota e rindo da sua cara. – Ele disse. A garota tentou não ficar sem graça, mas foi impossível. Leonard jogou a cabeça para trás e gargalhou.
– Quer saber? Perdi meu tempo vindo aqui pedir satisfações desta porra. Mas se algum membro dessa coisa que você chama de família for o responsável pelo bilhete... Pode crer que você vai conhecer meu pior lado. Não Leon, esse não é meu pior lado. Ah e acha que eu não sei que você não fuderia uma mulher nem se quisesse? É tão certinho que nem as putas te querem. – Violetta disse, virando de costas para ele e saindo. O sorriso já havia se transformado em seu rosto uma expressão nada agradável.
O garoto se apressou para ir atrás dela, e quando conseguiu, pegou seu pulso, a girou, fazendo com que a mesma ficasse com o corpo colado ao seu.
Seus olhos estavam vidrados em Leonard e ele estava concentrado nos dela. Estavam tão perto que podiam ver cada detalhe do rosto um do outro. Dos defeitos até as perfeições, que eram muitas em ambos.
Violetta queria beijá-lo, estava desgostando de si mesma por isso. Mas ela também sabia que ele também queria a mesma coisa. Talvez eu não seja a única que está destratando sua família, pensou a garota nem ligando direito para o que sua mente dizia.
Os dois foram se aproximando cada vez mais, até que...
Ele parou ao ver um vulto mais que conhecido passar por sua visão, e parar atrás da garota.
***
Francesca estava andando por uma rua escura, e mesmo tendo a percepção muito bem aprimorada pelo fato de ser uma Moroi, ficava receosa de alguém tê-la seguido.
Olhava toda hora para tudo quanto era canto, e se certificava sempre que ninguém estava andando atrás dela. E Precisava que fosse assim.
Quando chegou ao seu destino — um barraco feito de madeira e barro que cheirava bem... Mal – Começou a ter leves vertigens na barriga. Será que estou fazendo o certo? Esta pergunta martelava sua cabeça, a importunando perdidamente.
Afastando os pensamentos, ela bateu forte três vezes na porta. Quando ia bater novamente, uma figura de preto surgiu de repente. Paralisada de susto, Francesca ao olhar para o rosto da pessoa misteriosa, reconheceu-o de cara.
– Francesca Reys, o que faz aqui?– Disse a voz em sua mente. A Irmandade Adamas era um tanto sinistra, pensou a garota atordoada. Eles falam em nossas cabeças, em vez de falar normalmente. Ah, como burra... Eles só falam desse jeito.
– Quero que a Irmandade me ouça. Tenho coisas a dizer sobre a Orquídea Sangrenta, que está com minha protegida. Ninguém nunca soube o que fazer com ela, e nem do que ela é capaz, mas eu sou diferente. Sei de tudo o que este precioso objeto pode fazer, e principalmente... Sei como usá-lo e sei como não permitir que caia em mãos erradas, além de usar a compulsão. – Ela disse. O membro da Irmandade hesitou por breves momentos, até deixar a garota entrar.
O cômodo era bem simples, — com móveis nas paredes, e o cômodo inteiro cheirava a incenso — até que Irmão que a atendeu tocar a estátua da cabeça de Mizael que estava pendurada na parede, e aquilo tudo mudar.
Quando a suposta transição acabou, o mundo de Francesca girava. Não só o mundo, mas ela conseguiu perceber a si própria em meio á escuridão, e a mesma estava girando também. Tudo a sua volta era um borrão negro, como se fossem sombras. Até que estava girando tanto, que ela podia facilmente esquecer quem era e o que fazia.
Do nada, tudo parou. A garota caiu ajoelhada no chão, toda dolorida. Ela não entendeu o porquê de estar com dor, se parecia girar no ar e não ter absolutamente nada para lhe atacar ou ferir.
Levantando, ainda tentando digerir o que havia acabado de acontecer, ela encostou-se à parede tentando buscar forças para continuar de pé. A “palpitação” era constante e a dor intensa. Nada lhe garantia que conseguiria ficar de pé por mais de dez minutos.
Quando pensou que estava perdida naquele lugar desconhecido, uma figura apareceu na sua frente. Logo percebeu que era aquele cara que a atendera.
– Se coloque aqui em minha frente, Moroi. – Disse a voz na mente atordoada da garota. Com medo, ela o fez.
– Se quer me punir por algo bom que estou fazendo, é injusto. Só quero ajudar. – Francesca disparou.
– Nada disso. Muito pelo contrário. Queremos que nos conte sobre esta pedra, o que ela realmente faz, e como descobriu isso. – A voz disse. A garota achou, que pela maneira como aquele corpo se posicionava, parecia que a voz tinha vida própria, e só usava aquele ser como instrumento para tudo falar o que tem a dizer.
– O que eu ganho com isso?- A Moroi perguntou, tentando parecer mais autoritária do que estava.
A Irmandade era o símbolo mais poderoso dos Vampiros, (tanto Moroi quanto completo) e todos seus membros, são os mais velhos deles. Todos os Irmãos têm sua boca e seus olhos costurados, só se vestiam de túnica, e só eles podiam desvendar os mistérios daquela Raça. Eles são os únicos que podem julgar um vampiro com estilo do tribunal que conhecemos. São julgados somente aqueles que caçam humanos fora do período, que matam outro da mesma espécie sem justa causa, que matam animais não para beber seu sangue, mas por diversão.
– O que quer ganhar?- Perguntou ele na cabeça dela.
– Quero que os senhores façam que os Vargas fiquem o mais longe possível da possuidora da Orquídea. Eles não fazem bem para ela, e nunca farão. – Disse a garota, surpreendendo a si mesma com o tom que usou para falar.
– Não podemos fazer isso. – A voz disse.
– Por que não?- Francesca disse, cruzando os braços.
– Os Vargas mantém uma relação diferente com os Castillo, senhorita. A Irmandade também tem um apreço por eles. – O cara disse, dando meia volta e andando pelo corredor que parecia sem fim. Francesca achou que era para acompanhá-lo, então o fez. Ele não olhava para trás, parecia que nem se perguntava se ela o estava seguindo, só sabia que a mesma o acompanharia.
Andaram bastante até chegar a uma estrada de cascalho que aparecera magicamente a seus pés. Detestava caminhos desse tipo, mas não podia ter tudo o que queria e ela sabia bem sobre isso. Ao horizonte ela podia perceber uma coisa, tipo uma casa, mas aquilo foi aparecendo lentamente conforme se aproximava. Um castelo de ferro. Ouvira histórias desde pequena sobre onde a Irmandade morava, onde eles faziam a limpa na sua cabeça e ela achava que o lugar onde ficavam era muito lindo, e ainda pensava que era feito de vidro. Enganou-se.
O portão de entrada era feito de madeira, e era daqueles bem antigos que tinham alavancas para manuseá-lo. Nas extremidades de lá, havia facas enormes de ponta cabeça, “arranhando” o chão. Essa vai ser uma extensa conversa, pensou a garota enquanto a ponte levadiça baixava a seus pés indicando que já podiam entrar.
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