Bloody Love
6 Capítulo 6
Notas iniciais
De qualquer jeito, enjoy!
“Ok, Finn. Desembucha.”, exigiu Kurt, quando chegou em casa. Ele estava um pouco irritado por não poder ter ido ao parque por causa de seu irmão, então, para o bem de Finn, era inteligente ele ter um bom motivo para ter convencido Kurt a ficar em casa.
Finn estava sentado na escrivaninha de seu quarto usando seu computador. Quando Kurt se aproximou viu que Finn estava passando por entre as fotos do facebook de Rachel. De novo. Era bastante óbvio que alguém estava gamado.
“Finn, eu poderia estar no parque agora, mas você me convenceu a ficar. Eu espero que seja por uma causa razoável senão vou deixar de ser seu psicólogo durante um mês. E eu sei que você não sobreviverá.”. Kurt se sentou na cama, encarando as costas do irmão.
Finn se levantou da cadeira e sentou na cama, ao lado de Kurt, ainda com o computador. “Kurt, eu estou apaixonado.”, ele declarou, sorridente.
“Hm... Parabéns?”. Kurt não sabia o que responder. O que ele deveria responder?
“Kurt, você não está entendendo. Eu achei a garota perfeita. Eu achei uma garota que eu amo.”, disse Finn, entregando a Kurt o notebook.
Kurt ficou passando por entre as fotos de Rachel. Mesmo sendo gay, Kurt podia perceber que a menina era bastante atraente. Não para ele, mas para meninos que gostam de meninas. “É, ela é.”, disse Kurt, depois de dar uma olhada no perfil de Rachel. A garota era delicada, engraçada, inteligente. Ele sorriu para Finn, devolvendo-lhe o computador. “Você me obrigou a vir para casa para dizer isso?”, Kurt disse, substituindo a expressão “feliz” por uma de desprezo.
Finn também tirou sua cara de felicidade e ficou sério. “Na verdade, não. Eu meio que não sei o que fazer agora.”
“Ok, é muito simples. Primeiro, descubra de um jeito bastante sutil se ela também gosta de você. Depois, considerando que ela respondeu sim, chame-a para sair que tudo acontecerá naturalmente. Se a resposta for não, você esquece e segue em frente, a não ser que ela seja realmente especial. Nesse último caso você não deve deixar ela escapar.”
Finn olhou para ele como se estivesse tentando memorizar cada palavra do que ele dizia. Quando Kurt acabou seu pequeno discurso sobre relacionamentos e amor. “Eu não quero jogar de um jeito seguro. Eu amo ela. Eu quero dar uma chance. Não quero esperar para saber se ela sente o mesmo. Se ela sentir, vai aceitar. Se não, vai arrumar uma desculpa. Eu quero Rachel. Eu amo Rachel. Eu preciso que ela seja minha.”
Finn estava falando com tanta determinação e possessão que Kurt ficou com medo de reagir. Finn parou de encarar o irmão e voltou a mexer no facebook de Rachel. “Bom, faça o que você acha certo. Quando se fala de amor, todos temos limites diferentes. Aparentemente você está disposto a arriscar, e eu não. Mas isso não faz diferença. A vida é sua, o amor é seu. Faça o que quiser.”
Pela primeira vez (na vida de Kurt, pelo que ele lembrava), Finn não implorou por conselhos. Logo Finn, o garoto mais confuso de todo o McKinley High. Kurt ficou perplexo por alguns segundos. “Você realmente ama ela, não ama?”
“Mais.”, foi a resposta de Finn. Kurt nada disse e apenas saiu do quarto, começando a questionar o que ele mesmo achava que era amor e se ele algum dia se sentiria daquele jeito por alguém. Por algum acaso, um nome surgiu. E Kurt não exatamente se surpreendeu.
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“E se não funcionar? Tem que ser perfeito.”, Blaine falou, sentindo que estava voltando para o passado. “Tem que fazer as pessoas jogarem rosas para mim.”
“Blainey, as pessoas não levam rosas para o sala do coral. Muito menos no meio das próprias coisas.”, Rachel respondeu, cética.
“Você me entendeu...”, disse ele, revirando os olhos. “Mas será que ele vai entender?”
“Por favor... É óbvio que ele vai entender! Se você olhar bastante para ele, talvez até apontar se você quiser mais ousado, ele vai captar a mensagem rapidinho. Ele parece ser o tipo de pessoa que capta essas coisas em tudo o que vê. Então, você vai fazer um discurso lindo para ele e vocês vão viver felizes para sempre.”
“Calma, Rach... Eu não vou fazer discurso nenhum. Até porque ficaria um clima muito estranho e a gente ainda vai sair depois...”
“Então faça o discurso no boliche ou no restaurante que vocês forem depois.”, exigiu ela, do jeito mais mandão que conseguiu. “Agora me deixa terminar a página da Whitney, senão a cola vai secar e a foto não vai querer colar.”
Blaine a liberou, voltando para o quarto para ensaiar mais algumas vezes e ir finalmente dormir. Já eram mais de duas da manhã do dia do encontro de Blaine e Kurt e ele tinha que estar bastante disposto.
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Quando Kurt avistou Blaine na escola, não tinha muito certeza se ia falar com ele ou apenas acenava. Suas dúvidas se evaporaram quando Blaine, percebendo sua presença, o chamou para se aproximar.
“Bom dia, garoto do gel.”, Kurt disse, com toda a gentileza e simpatia que conseguiu.
“Rá rá.”, Blaine falou, fazendo uma risada bastante forçada. “Bom dia.”, ele falou, deixando a implicância de lado e sorrindo para o lindo menino que estava na sua frente.
Kurt fez uma nota mental de se lembrar que Blaine não era de levar brincadeiras a sério e voltava ao bom humor rapidamente. Score.
Os dois garotos ficaram apenas em silêncio. O de olhos azuis observando os movimentos do outro enquanto arrumava o cabelo e o do cabelo encaracolado apenas sentindo a suave essência do outro. Blaine não sabia dizer que cheiro era aquele, mas era bom. Ele gostava.
“Preparado para a audição mais tarde?”, perguntou Kurt, quando Blaine fechou o armário.
“Espero que sim... Você vai estar lá, não vai?”, perguntou Blaine com certo desespero na voz. Kurt sentiu que, para Blaine, era como se ele só conseguiria se o mais alto estivesse lá para assistir. Ah, meu Deus. E se fosse realmente isso?
“C-claro!”, respondeu Kurt, num tom de voz fino demais. O nervosismo e suas desvantagens.
Blaine sorriu de orelha a orelha e deu alguns passos lentos, como se estivesse esperando que Kurt o seguisse. O menino dos olhos azuis não hesitou e correu para o lado do outro e começou a falar animadamente sobre o coral e todo mundo de lá. Qualquer pessoa teria achado o assunto muito chato. Mas, para Blaine, qualquer coisa que Kurt dissesse seria simplesmente a coisa mais interessante do mundo.
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Rachel não aguentava mais um minuto daquela aula idiota sobre os diferentes componentes de alguma coisa. Ugh. Matérias que ela já havia visto era simplesmente demais.
Ela estava prestes a tombar com a cabeça na mesa quando seu celular vibrou embaixo da sua mesa, avisando que ela tinha uma nova mensagem. Provavelmente era Santana elogiando seu vestido ou Brittany falando sobre como ela havia acabado de descobrir que o presidente dos Estados Unidos era Barack Obama...
Mas para a grande surpresa de Rachel não era nenhuma das duas. Era uma mensagem de Finn.
Desde o horário do almoço do dia anterior, ela não havia recebido nenhuma mensagem dele. Mas ver o nome dele escrito ali, na tela do seu celular, simplesmente iluminou toda a sua semana. Ela abriu a mensagem toda empolgada, achando que ele iria se declarar para ela ou algo assim (isso contando com o fato de que ele também estava apaixonado por ela).
Ela abriu a mensagem cheia de expectativa. Mas sua enorme expressão de alegria se apagou junto com muitos pensamentos que ela havia tido de Finn Hudson.
Rachel se segurou para não se jogar no chão aos prantos. Era o que ela faria se estivesse sozinha. Era o que ela faria se fosse apenas mais um menino. Mas Finn era especial. Não adiantaria chorar. Ela deveria tentar correr atrás dele (mesmo que isso fosse contra todos os seus princípios). Rachel amava Finn como ela nunca havia amado ninguém.
Preciso falar com você.
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É agora, pensou Blaine. Ele estava sentado junto com todo mundo do coral, todos conversando animadamente enquanto Mr. Schue não chegava. Eles estavam tentando incluir o garoto nas conversas, mas ele estava muito nervoso para uma conversa descontraída. Kurt, percebendo que Blaine estava ansioso, pousou a mão levemente em seu ombro, acariciando o local.
Claro que, depois disso, Blaine se sentiu melhor. Por favor! Kurt estava acariciando seu ombro! Como não se acalmar com isso?
Nesse momento, Will Schuester entrou na sala, acompanhada de todos os membros da banda que tocava os instrumentos no coral. Ele deu alguns anúncios inúteis e depois avisou que era a hora da audição de Blaine. Todos bateram palmas e Kurt teve que soltar seu ombro para deixá-lo se levantar. Isso fez Blaine voltar ao nervosismo de antes.
Ele ficou parado de costas para todo mundo, respirando fundo algumas vezes, arrumando a gravata e passando a mão pelos cabelos. Ele deve ter demorado algum tempo, porque Will disse para ele começar quando estivesse pronto.
Blaine então levantou a cabeça e acenou para a banda, que começou a tocar.
If time were still
The sun would never never find us
We could light up the sky tonight
If I could see the world trough your eyes
And leave it all behind
Kurt arregalou os olhos. Era óbvio que Blaine não estava cantando aquilo para ele. Por que ele cantaria isso para ele? Eles se conheciam há um dia.
If it’s you and me forever
If it’s you and me right now
I’d be all right
That’s awkward, pensou Kurt.
I’d be alright
If we chase the stars to lose our shadow
Peter Pan and Wendy turned out fine
So, won’t you fly with me
Blaine podia ver que Kurt não sabia bem o que pensar, o que fazia um pouco de sentido. Blaine imaginou como ele reagiria se fosse a situação contrária. Ele com certeza pensaria em tudo, mas jamais imaginaria que fosse alguma coisa para ele.
Now the past
Has come alive
And given meaning
And a reason
To give all I can
To believe once again
If it’s you and me forever
If it’s you and me right now
I’d be all right
I’d be alright
If we chase the stars to lose our shadow
Peter Pan and Wendy turned out fine
So won’t you fly with me
Respira, Kurt, ele ordenou a ele mesmo. Precisa respirar para sobreviver para então falar com Blaine. Ok. Respirando de novo. Agora, foco na apresentação.
Maybe you were just afraid
Knowing you were miles away
From a place where you needed to be
And you are right here with me
O que eu estava dizendo mesmo?
If it’s you and me forever
If it’s you and me right now
I’d be alright
If we chase the stars to lose our shadow
Peter Pan and Wendy turned out fine
So won’t you fly with me
Blaine não sabia bem se Kurt estava fascinado pela apresentação ou se ele estava assustado. Pela expressão do garoto de olhos azuis, poderia ser qualquer uma das duas.
If it’s you and me forever
If it’s you and me right now
I’d be all right
I’d be alright
If we chase the stars to lose our shadow
Peter Pan and Wendy turned out fine
Won’t you fly fly fly with me
Todos se levantaram e bateram palmas, mas Blaine nem percebia. Seu olhar estava fixo em Kurt. E o olhar de Kurt estava fixo no dele.
“Bem vindo ao New Directions!”, anunciou Mr. Schue, sorridente. Todos bateram palmas mais forte ainda.
Blaine tirou seus olhos de Kurt para observar as pessoas aplaudindo-o e a falar um “Obrigado” para Mr. Schue sem emitir som algum. Quando voltou seu olhar para Kurt mais uma vez, o menino sorriu e piscou um dos olhos.
Agora, boliche, pensou Blaine, nervoso.
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