Bloody Love
1 Capítulo 1
Notas iniciais
Desde que haviam chegado em Lima, os irmãos Hudson nunca se aproximaram muito de ninguém. Não era culpa deles, as pessoas que mantinham distância. Quando perguntadas o porque desse comportamento nenhuma delas sabia explicar, apenas não se sentiam bem perto dos garotos.
Isso não tinha muito explicação já que eles tinham notas impecáveis, eram atraentes, carismáticos... Eles eram pelo menos perfeitos e ninguém duvidava disso, mas ainda assim ficavam afastados.
Mas os irmãos, Kurt e Finn, nunca se importaram muito com isso, até porque as pessoas tinham uma razão para manter distância. Elas não sabiam que razão era essa mas seus instintos sim.
Finn e Kurt não tinham muito o que fazer a respeito disso, era algo que eles nasceram sendo e não podiam parar de ser, infelizmente ou felizmente, dependia de que ângulo você olhava.
Mas tudo que eles eram e o modo que eram tratados (ou pelo menos como pensavam que eram) mudou com a chegada de dois novos alunos na escola.
Seus nomes?
Blaine Theodore Anderson Berry e Rachel Barbra Anderson Berry, vindos da grande cidade de New York, os dois com dezesseis anos. De acordo com as fofocas que rolavam pela escola, os dois eram muito talentosos quando se tratava de música, principalmente de canto. Também tinham notas perfeitas e muitos amigos na cidade grande de onde vieram.
É claro que, quando eles chegaram, já começaram sendo tratados como populares e veteranos porque, afinal, Blaine e Rachel eram perfeitos em todos os sentidos. Eram carismáticos, atraentes, tinham notas impecáveis. Claro que quando perceberam isso, rapidamente associaram-nos com os irmãos Hudson. Uma das primeiras coisas que fizeram quando os irmãos nova iorquinos chegaram foi apresentá-los à Kurt e Finn.
Ninguém estava olhando, mas estavam todos prestando atenção quando Brittany S. Pierce, redatora do jornal da escola, apresentou os irmãos Anderson-Berry para os irmãos Hudson.
“Rachel, Blaine” ela começou, se dirigindo aos Nova iorquinos. “Este são Kurt e Finn” ela explicou apontando para quem era quem. “Eles acabaram de vir de New York para Ohio” ela sorriu.
“Hey” Finn disse.
Rachel não registrou o que ele disse porque estava muito concentrada absorvendo o que estava vendo. Ele tinha cabelos negros bagunçados, apontando para todas as direções, mas de um jeito bonito. Seus olhos eram bastante castanhos e olhavam para ela. Seu físico era algo de se apreciar, já que Finn tinha braços musculosos. A boca estava para o lado, com um sorriso lateral delicado estampado nela. As roupas dele eram quase dominadas por cores escuras, exceto pelos tênis, que eram azuis.
“Olá” Kurt disse.
Blaine não registrou o que ele disse porque estava muito concentrado absorvendo o que estava vendo. Ele tinha cabelos castanhos penteados cuidadosamente para cima com a ajuda de gel, mas de um jeito bonito. Seus olhos eram de um azul bastante claro e olhavam para ele. Seu físico era algo de se apreciar, já que com a calça colada que Kurt estava usando era possível ver suas pernas levemente musculosas. A boca era bastante vermelha e estava estampada com um sorriso que não mostrava os dentes. As roupas dele eram provavelmente algo que você veria em desfiles de moda de bom gosto, levemente vintage e dominada por cores escuras.
É claro que Rachel e Blaine gostaram de Finn e Kurt a primeira vista, respectivamente.
Quer dizer, como não gostar de alguém como os irmãos Hudson?
“Vou deixar vocês conversarem” disse Brittany, enquanto se afastava.
“Então” Rachel tentou puxar assunto. “Vocês fazem alguma coisa aqui na escola fora do horário de aula?”
“Na verdade, eu e Finn fazemos parte do clube do coral” Kurt respondeu, com sua voz que não era tão grossa quanto a da maioria dos garotos, mas era, simplesmente, angelical.
“Coral? Eu e minha irmã fazíamos coral em New York” Blaine comentou, sentindo necessidade de falar com aquela voz tão angelical.
“Vocês gostavam? Porque aqui o coral é bastante valorizado e é um pouco difícil de entrar.” Finn disse.
“Era a nossa parte favorita do dia!” Rachel sentiu necessidade de falar com a voz perfeita e masculina de Finn. “Mas, o que você quer dizer com difícil?”.
“Bom, antes de conseguir uma audição para tentar entrar, você tem primeiro uma audição particular para o professor, pra ele ouvir com cuidado se você sabe realmente cantar.” disse Kurt. “Se você passar, ganha o direito de ter uma audição na frente de todo o clube do coral. Então nós, alunos que fazem parte do coral, fazemos uma votação dizendo se queremos você dentro ou não.”
“Parece legal. Vocês sabem quando podemos conseguir uma audição com o professor?” Blaine perguntou.
“Podemos falar com ele hoje. Mas vocês tem que apresentar separadamente, pelo menos na audição para o professor.” disse Finn.
“Por mim tudo bem.” Rachel disse.
“Por mim também.” disse seu irmão.
“Anota aqui” Finn disse, entregando para Rachel seu celular, “o seu número. Aí eu te mando uma mensagem mais tarde com o dia e horário da sua audição e do Blaine.”
Por um milésimo de segundo, Rachel sentiu que ia desmaiar. Ele estava pedindo o telefone dela. Ele iria mandar uma mensagem de texto pra ela. Ela desmaiaria logo depois de Finn virar as costas.
“O-Ok.” ela disse, com dificuldade.
Finn sorriu e deu um beijo delicadamente em sua bochecha antes de sair. Rachel estava agradecida por conseguir se manter de pé. Kurt sorriu para Blaine e saiu atrás de seu irmão.
Quando os Hudson estavam fora de vista, todos que estavam por perto cercaram os irmãos Berry, perguntando coisas como “O que vocês estavam conversando?”, “Amiga, que beijo foi esse?!” e “Eu vi como ele te olhou, Blaine”.
Os Berry estavam ocupados demais sorrindo e pensando nesses últimos segundos para conseguir responder as perguntas.
Mais e mais perguntas iam surgindo mas o sinal avisando que a aula ia começar tocou e todos dispersaram, dando oportunidade para Blaine e Rachel irem para as próprias aulas.
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Finn estava um pouco confuso. Um pouco, não. Muito confuso.
Durante todos os seus anos de adolescência Finn nunca ficou muito apaixonada por nenhuma garota. E nenhum garoto. Ele sabia que gostava de garotas, mas em sua opinião, estava esperando alguém que realmente valha a pena se apaixonar.
Você deve estar pensando que esse alguém era Rachel, mas Finn não estava apaixonado por ela, só fascinado. Ela era fascinante.
Para Finn, amor era um sentimento muito forte então você não deveria dizer que está apaixonado por qualquer pessoa, até porque você não estaria sendo honesto.
Amor é indescritível por isso Finn dispensava explicações. Ele sabia o que era amor porque era o que ele sentia por Kurt. Pelo menos era o que seu pai dizia.
Finn ficava irado quando alguém incomodava ou falava mal do seu irmão por causa da sexualidade dele, porque, afinal, não há o porquê disso. Já houve tempos em que o bullying na escola estava pior, mas melhorou bastante desde que duas das meninas mais populares da escola assumiram o namoro, Santana Lopez, capitã das líderes de torcida, e Brittany S. Pierce, redatora do jornal da escola e também líder de torcida. Depois que perceberem que não havia problema nenhum em gostar de pessoas do mesmo sexo, as pessoas pararam de fazer pressão.
Talvez aquela escola tivesse uma chance.
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Rachel começou a gostar mais ainda da William McKinley High quando descobriu que os professores não se incomodavam com os alunos utilizando celular na sala de aula.
Como ela descobriu isso? Santana Lopez mandou uma mensagem pra ela no meio da aula e, como Rachel havia se esquecido de colocar o celular no silencioso, ele apitou. Mas a professora de trigonometria simplesmente ignorou e continuou dando aula.
Não consegui falar com você no meio de toda aquela gente. Sou Santana, namorada da Brittany.
‘Como ela conseguiu meu número? Provavelmente Brittany havia dado pra ela’.
Brittany me falou de você. E aí, como é ser das cheerios?, Rachel respondeu.
Exige muito fisicamente e psicologicamente, já que a treinadora pega pesado com a gente. Mas, em compensação, lhe dá um corpo melhor que de modelo e mantém você popular :). Eu agradeceria se você apagasse essa mensagem, porque a Coach Sylvester tem os próprios meios de se intrometer na nossa vida e eu acho que ela não amaria ver o que eu escrevi.
Rachel sorriu consigo mesma e fez o que Santana pediu antes de responder. Claro, sem problemas.
Então, qual é a do Finn?
Então toda a escola sabia do que havia acontecido naquele momento? Isso era um pouco esquisito.
Como assim?
Ah, POR FAVOR, Rach! Todo mundo percebeu o cheiro de tinta quando Finn se despediu de você!
Rachel não deixou de ficar feliz com o apelido que Santana havia usado. Cheiro de tinta?
É, porque pintou o clima.
Ah. Meu. Deus.
Então, quando vocês marcaram de sair?
O que...? A gente nem se falou depois daquela hora...
Aah. Eu achei que eu presenciaria um grande romance mas você acabou com toda a ação! :(.
O celular de Rachel vibrou, mas não era uma mensagem de Santana. Na verdade, ele acabou de me mandar um torpedo...
EU SABIA! EU SABIA QUE TINHA ALGUMA COISA POR TRÁS! E aí, o que ele mandou??
Rachel sorriu consigo mesma enquanto lia a mensagem e a mandava para Santana.
“Cuidado quando o sinal do horário de almoço tocar. Se não quiser ser massacrada vai ter que esperar alguns minutos antes de ir pro refeitório ;).”
Eu lhe garanto que ele ficou horas só pensando no que escrever nessa mensagem. E, só uma observação, ele deveria ter passado mais tempo, porque essa mensagem é ridícula.
Não seja tão dura! Eu achei bonitinho da parte dele :).
É só porque ele é bonitinho...
Ei, tira os olhos!. Rachel sorriu enquanto mandava torpedos pra Santana.
Eu não quero nem saber dele, até porque eu tenho namorada. Espera um pouco... Isso era pra ser brincadeira ou você realmente ficou com ciúme?
Eu estava brincando, claro!
Ah. Novamente, você terminou com toda a ação. O que é uma história de amor sem um pouco de ciúmes?
Finn e eu não estamos vivendo uma história de amor. Só nos falamos uma vez, San!
O que me fez me lembrar de uma coisa... Você tem que responder a mensagem dele.
Mas eu não sei o que mandar.
Mande pra ele assim: “Vou tirar proveito dessa dica futuramente :). Brigada *eu acho...*”
Não é meio sem graça eu responder isso?
A mensagem dele foi sem graça, so, whatever.
Rachel revirou os olhos e mandou o que Santana pediu para Finn. Alguns segundos depois ele respondeu.
De nada, New York.
Então esse seria o apelido que Finn daria pra Rachel? Não posso deixar de mencionar que ela simplesmente amou e só fez ela se derreter mais por ele.
O que ele respondeu?, Santana perguntou alguns minutos depois.
Ele disse: “De nada, New York”
♥
Não enche.
Sabia que eu já gostei de você? Te vejo na hora do almoço. Procura onde a Brittany tá sentada que é onde eu vou estar do lado.
Talvez ;).
Eu sei que você vai aparecer.
Rachel sorriu e bloqueou a tela do seu iPhone branco, com uma capinha também branca, com muitas estrelinhas douradas em alto relevo espalhadas. Estrelas douradas: sua marca registrada.
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O sinal da terceira aula tocou, fazendo Blaine ter que parar de olhar as gravatas que estavam vendendo no eBay, guardar seu telefone e ir para o seu armário. A escola era bem menor que a de New York então ele já conseguia se movimentar sem pedir ajuda pra ninguém.
Chegando ao armário, ele percebeu que tinha alguém mexendo no que ficava do lado seu. Esse alguém era ninguém menos que Kurt Hummel. O destino estava conspirando a favor deles, não estava?
“Então somos vizinhos?” Blaine perguntou casualmente, de um jeito bastante simpático.
Kurt nem prestou atenção. “Acho que sim”. Mas então ele terminou de pentear o cabelo e virou para ver com quem estava falando. Quando percebeu que era Blaine, seu rosto se iluminou. “Blaine.”
“Armário legal o seu”. Blaine sorriu e se virou para arrumar as coisas. “Combinações de cores perfeitas.”
“Eu fiz um mês de curso de pintura, o que significa uma semana só pra cores. Então é bom que eu saiba o que faço com elas.” disse Kurt, voltando a se arrumar.
Blaine respondeu com um sorriso e terminou de arrumar os seus livros. “Bom, Kurt, eu tenho que ir pra minha próxima aula ent-”
“MR. SCHUE!!” Kurt gritou, interrompendo o que quer que Blaine estivesse falando e correu em direção a um homem (provavelmente um professor) que estava passando pelo corredor.
O menino falou algumas coisas para o homem, obtendo respostas. O mais velho olhou em direção a Blaine com um sorriso simpático e continuou seu caminho pelo o corredor.
“Quem era aquele?” Blaine perguntou, com cuidado para não deixar parecendo que estava curioso demais.
“Provavelmente seu futuro professor do coral.” Kurt respondeu alegre, quase cantarolando.
“Então aquele é o professor do clube do coral?”
“Sim. Will Schuester, divorciado, problemas constantes com a treinadora das líderes de torcida e com o diretor da escola, calmo e com um pequeno vício por coletes.”
“Parece ser um cara legal”. Blaine fechou o armário, pendurando sua bolsa nos ombros.
“E é. Tão legal que, como hoje, por ser o primeiro dia de aula e não termos ensaio, ele disse que é pra você ir ao auditório no horário de almoço para a sua audição”. Kurt percebeu a leve preocupação estampada no rosto do outro menino. “Não se preocupe, a gente tem uma hora e meia de almoço. E, se você quiser, eu te acompanho na audição.”
“Mas Finn disse que era uma audição exclusiva pro professor...”
“Ele não precisa saber que eu estou olhando, não é? Bom, eu tenho que ir pra aula.” ele disse, quando o sinal tocou. “Te espero na porta do auditório logo depois do sinal da hora do almoço”. Ele sorriu e se distanciou pelo corredor.
Blaine ficou parado com um sorriso bobo no rosto vendo Kurt ir embora.
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As aulas aqui eram um pouco mais fáceis que em NY, isso Rachel não podia negar. Mas ela estava com saudades de tudo da sua antiga cidade. Os amigos, a escola, o infinito número de táxis amarelos, a correria do dia a dia, as festas e baladas, os grandes shoppings e tudo o que uma cidade grande podia oferecer.
Pelo que ela já havia conversado com algumas pessoas, em Lima às vezes acontecia uma festa ou outra que poderia ser chamada de balada, o que deixou Rachel animada. Ela havia comprado milhares de roupa para se “despedir” de New York e ela precisava achar uma forma de usá-las.
Seu aniversário de dezesseis anos estava se aproximando e ela estava prevendo uma grande festa.
Kurt acabou de me dizer que consegui uma audição com o professor!, dizia a mensagem que seu irmão lhe mandou.
Nossa, Blaine, isso é ótimo! O que você vai cantar?. Qualquer coisa que seu irmão escolhesse seria perfeito, já que ele cantava perfeitamente bem.
Eu ainda não sei...
Bom, independente da sua escolha, boa sorte :). Eu agora vou almoçar então falo com você depois.
Ok.
Como Finn havia dito, a cantina era mesmo caótica. Tinha gente para todos os lados e era quase impossível ouvir o próprio pensamento. Rachel se sentiu perdida por um momento, mas então avistou, bem no canto, uma mesa com uma figura familiar sentada. Ela resolveu ir se sentar com ele, porque, afinal, ficar parada a procura de Brittany não teria muito efeito já que a cantina estava um verdadeiro inferno.
“Oi, Finn.” a novata disse.
“New York!” o menino exclamou, com um sorriso espalhando-se pelo rosto.
“Posso me sentar com você? Eu não consigo achar onde os meus amigos estão sentados...” ela sorriu, sem-graça.
“Sem problemas”. Rachel percebeu que ele estava com uma bandeja de comida, mas não estava comendo nada, e sim mexendo no próprio telefone. Ela se sentou na cadeira que ficava de frente pra ele e abriu a salada que havia trazido de casa.
“Blaine conseguiu uma audição com o professor do coral agora na hora do almoço.” ela comentou, tentando começar uma conversa.
“Kurt me disse. O que significa que eu só vou conseguir uma audição pra você no fim da aula”. Ele a olhou com um olhar que lamentava.
“Ah, não tem problema, até porque se a minha audição fosse agora eu nem saberia o que cantar.”
“Então vamos resolver.”
“Resolver o que?”
“O que você vai cantar na audição.”
“Ah... E-eu... Não t-tenho a menor... ideia.”
“Você gosta de que tipo de música?”
Ela nem teve que pensar antes de responder. “Canções de musicais ou qualquer coisa que permita eu expressar o que eu estou sentindo no momento que eu canto.”
“O que você está sentindo agora?”. Ele apoiou a cabeça com a mão, tendo o cotovelo apoiado na mesa, e ficou olhando fixamente pra Rachel.
“Bom, eu... Sinto saudades de New York, principalmente dos meus amigos. Sinto vontade de comprar toda a Victoria Secreast’s. Sinto vontade de futuramente ter uma carreira na Broadway.” ela respondeu, dizendo as primeiras coisas que vieram a sua cabeça.
Antes que ele pudesse dizer qualquer coisa, alguém gritou o nome de Rachel. Os dois se assustaram e olharam em volta, à procura da origem da voz.
“RAAACHEEEEEEL!!” repetiu a voz, que vinha de algum ponto de trás da menina.
Quando ela ia se virar, alguém agarrou-a por trás, envolvendo o seu pescoço com o braço, abraçando-a. Ela não sabia quem era, até porque a única pessoa que ela conhecia era Brittany, Finn, Kurt, seu irmão e...
“Santana, deixa ela respirar” Brittany disse, de algum ponto atrás.
Santana riu e soltou a novata, permitindo-a de se levantar e falar com a namorada de Brittany de um jeito decente. Ela tinha pele latina e cabelos negros com leves ondas naturais, com uma fina tiara que puxava para trás seus fios da frente. Seu brinco era apenas uma bolinha prateada mas o acessório que chamou a atenção de Rachel foi o colar. Era um enorme símbolo musical. Ela usava uma blusa azul claro com uma jaqueta jeans branca por cima, acompanhado por uma calça jeans boca de sino clara e um pequeno salto.
“Por que eu sinto uma enorme vontade de te abraçar?”. E assim o fez.
Rachel sorria enquanto abraçava a já-amiga Santana Lopez. Quando o abraço se desfez, Santana riu, assim como Brittany, que estava do lado dela.
“Então, Rach, eu soube que vai entrar para o coral.” a latina comentou.
“Só se Finn conseguir uma audição pra mim”. Ela se virou pra trás e sorriu para o garoto alto, que retribuiu o sorriso. Naquele momento ela percebeu que toda a cantina estava olhando para eles.
“Isso é adorável. Mas não se preocupe. Se ele não conseguir eu consigo. Eu também faço parte do coral, assim como a Britt”. Ela olhou de um jeito desafiador para Finn.
“Sério? Nossa, isso vai ser ótimo!”. Rachel sorriu.
“Ah, vai”. Santana enroscou seu braço no de Rachel e foi levando-a para longe, provavelmente para a própria mesa. Rachel olhou desesperada para Finn, mas ele apenas sorriu e voltou sua atenção para o telefone.
“San, espera um pouco”. Ela soltou puxou o braço de volta, fazendo Santana olhá-la confusa.
“Não se preocupa, não. A Brittany pegou a sua bolsa”. Ela voltou a puxar Rachel.
“Eu tenho que pegar a minha salada que ficou lá”. ela puxou seu braço de volta mais uma vez e foi rapidamente de volta para a mesa, contornando a multidão de alunos, que agora olhavam curiosamente para ela.
Quando chegou a mesa, Rachel murmurou rapidamente para Finn. “Me desculpe por isso. Conversamos por mensagem na próxima aula?”.
Ele sorriu. “Claro, New York.”
Rachel sorriu de um jeito radiante, pegando sua salada e voltando para onde deixou Santana parada.
“Agora vem conhecer todo mundo e esquecer o Frankenstein por um minuto”. A latina conseguiu finalmente levar Rachel para a mesa dela.
Rachel se virou para trás uma última vez, vendo que Finn também a olhava, sorrindo. Ela sorriu de volta e voltou sua atenção para o que quer que Santana estava dizendo sobre as pessoas da escola.
E, novamente, todas as pessoas da escola perceberam essa troca de olhares.
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Não é preciso dizer que Blaine estava nervoso para a audição. Ele já sabia o que ia cantar e sabia que cantava essa música bem, mas isso não mudava nada. Ele sentia o ambiente cada vez mais quente enquanto esperava por Kurt na porta do auditório.
Só que o menino de olhos azuis não aparecia e Blaine estava começando a ficar sem tempo. Ele resolveu entrar na sala antes que o professor fosse embora. Talvez Kurt não viria. Ele respirou fundo e abriu a porta.
“Olá, Blaine. Como você está?” disse Mr. Schuester, sentado em uma mesa que ficava no meio da platéia.
“Bem... Um pouco nervoso...” o menino respondeu, hesitante.
“Não fique. Pelo que me disseram você fazia parte do coral em New York”. Ele lançou para o mais novo um sorriso tranqüilizador.
“É.”
“Bom, comece quando você estiver pronto.”
“É que eu... Eu estava...”. Ele já ia dizer que estava esperando uma pessoa e estragar todo o plano de Kurt assistir sua audição quando viu que o mesmo sentou discretamente na última fileira de cadeiras.
O professor lhe olhou confuso. “Deixa pra lá” Blaine lhe disse. O menino acenou para a banda, pedindo para eles começarem a tocar.
As luzes da platéia se apagaram e a iluminação especial do palco foi ligada. Os holofotes que antes eram somente brancos agora eram quase dominados por azul. A banda começou a tocar.
Life’s too short to even care at all, whoa
I’m losing my mind, losing my mind
Losing control
Kurt se esforçou para não cair da cadeira ou fazer qualquer barulho. Blaine cantava como um anjo. Ele ficava fazendo expressões fofas e dançando lentamente pelo palco. E quanto mais ele cantava, mais Kurt se esforçava para não fazer nada que atraísse a atenção do professor. O menino do olho azul conhecia “Cough Syrup” e gostava da letra, mas Blaine cantando-a... Era bastante difícil de descrever o quão perfeita essa música se transformou para Kurt naquele momento.
Quando Blaine terminou sua apresentação, ficou feliz de ver um enorme sorriso no rosto de Kurt. E no de Will Schuester, é claro.
“Blaine, meus parabéns. Apresentação incrível. Sua segunda audição vai ser na sexta feira”. Ele começou a guardar as suas coisas.
“Nossa... Muito obrigado”. Blaine estava aliviado por não ter estragado toda a apresentação só por causa da presença de uma certa pessoa.
O professor respondeu com um sorriso e foi embora, não percebendo a presença de Kurt devido à fraca iluminação.
“Ora, ora, Mr. Anderson... Pelo visto cantar não é um problema pra você. E nem dançar.” Kurt disse, sorrindo.
“Você gostou?”. Blaine realmente não tinha a menor noção do que Kurt havia achado. Seria bom eu adicionar rapidamente que Blaine às vezes -tudo bem, na maioria das vezes- era bastante desligado.
A vontade que ele tinha era de responder algo como: ‘Se eu gostei? Foi simplesmente a apresentação mais adorável que eu já vi em toda a minha vida. Você pode se considerar meu novo ídolo’. Mas se contentou em apenas responder: “Você tem bastante talento, Blaine. Estou sendo bastante sincero.”
O menino dos olhos castanhos sorriu como uma criança quando vê os presentes na noite de natal.
Kurt se levantou e foi indo em direção ao palco e se sentou na borda do mesmo. Blaine fez o mesmo. “Então, Blaine, já resolveu o que vai apresentar na sua próxima audição?”.
Blaine estava sentado na outra ponta do palco, mas, mesmo assim, ele não precisava falar muito alto para fazer o outro garoto ouvi-lo. “Teenage Dream”. Ele virou o rosto para o outro lado discretamente, para esconder o leve rubor que se espalhou pelo seu rosto.
“Ah. Por que essa? Eu achei que você ia pegar algo como essa que você cantou mas então você me surpreende e diz que vai cantar Katy Perry.”
Ele ainda estava meio ruborizado, então continuou olhando para o lado contrário de Kurt.
“Deixa de ser Blaisterioso e me diz porque você vai cantar essa música”. Ele começou a diminuir a enorme distância entre eles.
Não, não, não. Por que ele estava chegando mais perto? Ele perceberia o rubor do rosto do nova iorquino e talvez conseguisse entender as razões dele.
“Talvez não tenha uma razão.” Blaine disse, com o rubor controlado, olhando para Kurt. “Eu adoro a Katy e eu amo essa música.”
“Nossa... Eu não queria ser intrometido nem nada. Bom, eu tenho que ir pra aula, então... A gente se fala outra hora”. Ele tentou forçar um sorriso e começou a se dirigir para a porta.
“Espera! Kurt!” Blaine gritou, correndo atrás dele. “Eu não queria que você fosse embora. Eu na verdade estou muito aberto a sugestões.” disse ele, sorrindo, quando alcançou o da pele de porcelana.
Kurt aguardou em silêncio esperando Blaine dizer qualquer coisa.
“Bom, que tal a gente conversar melhor sobre isso outro dia? A gente podia ir almoçar em algum lugar ou algo assim...”
Kurt se esforçou muito para não dar um sorriso maior do que o próprio rosto, mas não conseguiu resistir de levantar os cantos dos lábios. “Eu acho que isso é uma ótima ideia. O único problema é que o nosso horário de almoço é um pouco corrido, então a gente tem que sair pra jan-“. Kurt parou de falar percebendo que estava combinando um encontro com Blaine. Um encontro. No primeiro dia de aula. No. Primeiro. Dia. De. Aula.
“Ah... Claro. Aonde você quer ir?”
E Blaine acaba de aceitar.
“Amanhã. Boliche. Sete horas”. Ele pegou um papel na mochila e rabiscou alguma coisa. “Aqui o meu número. Te vejo amanhã!”. E assim saiu do auditório, sorrindo, deixando, pela segunda vez naquele dia, Blaine sorrindo como bobo.
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