Bloodlust

1 Introdução


Começo de ano... Novamente o colégio. Que droga! Bom, pensando bem, isto não é de tudo ruim... É o último ano. Mas ainda terei um ano inteiro pela frente... E depois... Depois vou me mudar para sei lá onde, junto com os outros e recomeçar do primeiro ao terceiro ano de novo... Estudar todas as mesmas babaquices chatas, que eu nunca vou precisar navida. Se é que posso dizer assim.

Mais um ano sendo a esquisitona, desajeitada, estranha e misteriosa de sempre. A garota que ninguém quer se aproximar... A não ser por Lucy... Uma colega de classe que virou amiga. Não que eu desejasse uma, mas enfim, aconteceu. Ela é verdadeiramente uma garota tão estranha quanto eu.

Quer dizer, nem tanto quanto eu... Mas ela foi louca o bastante para se aproximar de mim. Se ela soubesse o perigo que eu apresentava a ela, com certeza, nunca teria sequer olhado pra mim... Se ela soubesse quantas vezes eu desejei matá-la...

Não gosto de pensar nisso... As vezes que desejei tirar sua vida, ter seu sangue pra mim.

Com o tempo, aprendi a "aturar" seu cheiro e presença.

Tirando ela, mas ninguém do colégio ousa chegar perto de mim. Eles se afastam pelo simples fato de eu ser diferente, fisicamente, deles... Imaginem se soubessem o que eu já fiz e faço, mas depois me culpo por fazer.

Eu tento me deter, eu juro! Mas não sou eu quem escolho... Não ajo por conta própria, o instinto age por mim...

Mas ultimamente, eu não ando fazendo certas coisas abomináveis aos meus próprios olhos... Tenho me detido. Tenho tentado viver como se fosse verdadeiramente uma deles. Uma humana. Mesmo eu não sendo.

Mas, eu já fui uma... E me lembro, bem levemente, de como as coisas eram simples e naturais antes...

Agora eu sou obrigada a viver uma mentira... Um jogo. E o pior, é que nesse jogo, ninguém nunca sai apenas ferido. Nunca sobra ninguém pra contar a história.

E ai de mim, se resolver me rebelar. Eles me matariam... Sem pestanejar.

Por isso Lucy nunca soube de nada... Ela era um tanto quanto lenta por não perceber todas as diferenças entre mim e ela...

Mas um garoto, marrento, engraçadinho e popular foi inteligente o bastante para me descobrir. Além de atlético, ele também era um nerd de primeira! Pois é... Uma combinação no mínimo peculiar.

Jake era a minha cruz agora. Antes era, todos que eu matei... E agora, é quem eu devo matar.

Simplesmente, eu tenho que matá-lo, é meu dever... Mas como fazer isso?

Qualquer pessoa que descobre a verdade sobre nós. Tem que morrer. E nós, todos nós temos, devemos matar a pessoa que nos descobre... Mas o que fazer quando a pessoa que nos descobre, é a pessoa que nos faz querer permanecer "vivos"?

Era fácil demais matar friamente, os humanos antes... Chegava a ser prazeroso, mas agora tudo é diferente.

Duas pessoas, humanas, com sangue nas veias e ar nos pulmões me fazem sentir viva de novo. E eu vou protegê-los, mesmo contra a vontade de todos.