Notas iniciais
Sei que os transtornos que aparecerão a partir deste capítulo serão um tanto esquisitos, mas tive a ideia com este quesito, e achei justo posta-la com as idéias primárias fielmente.

Já era quase meia-noite. Beatriz Salvatore rondava o assoalho árduo, não tão certa de que conseguiria dormir novamente.

O que foi Beatriz? Você não se assustou com minha pequena brincadeirinha com você, não é mesmo? Foi a vez de Edward falar.

É claro que sim, Edward! Você sabe que ela não é forte o bastante! Isabelle discordou.

Isabelle está certa, Edward. Beatriz é uma bebezinha. E bebezinhos se assustam por qualquer coisa. Tom zombou.

— Calem a boca, vocês três! — Beatriz berrou com as mãos tapando os ouvidos.

Como ela é histérica. Disse Edward.

Eu diria perturbada. Tom riu.

Estupidamente perturbada. Isabelle completou.

— Saiam daqui! — ela bateu na cabeça — Saiam! Agora!

Beatriz correu até a janela e seu rosto afundou-se para fora, tentando inutilmente livra-se das vozes que a cercavam. Em todos os anos que passara como Esquizofrênica, vozes surgiam mais e mais, e ás vezes até abandonavam sua mente. Mas Edward Taylor, Isabelle Mackenzie e Tom Stewart foram as três primeiras vozes a manifestar sua mente, sem contar em serem os mais constantes e ofensivos.

Vamos embora. Já a perturbamos o suficiente por hoje. Disse Tom.

— Obrigada.— Beatriz suspirou.

A lua em forma de foice parecia fitar Beatriz, com sua luz tênue invadindo as janelas abertas e refletindo em seu rosto, dando-a um aspecto carrancudo. Uma luz irradiante passou pelas suas maçãs do rosto, causando-a uma sensação desagradável.

Seus olhos celestes dilataram, avisando ameaça iminente. Uma atmosfera sufocante pareceu desabar sobre Beatriz, fazendo-a perder a conexão com a respiração. A estranha loira mascarada revestiu sua cabeça com o capuz do manto negro, e partiu com um leve sorriso estampado no rosto.

— Socorro! — berrou incontrolavelmente — Socorro! Socorro! Socorro!

Um rangido vindo da porta fez seu coração acelerar. A maçaneta movia-se reiteradamente, como se não estivesse conseguindo destrancá-la.

— Beatriz! — Giovana Salvatore correu até a filha. — O que houve?

Os pais de Beatriz encararam o assoalho. Milhares de fotos rasgadas espalhadas pelo chão. Mas ainda havia pedaços de jornais e revistas intactas, todos abertos em uma matéria sobre casamentos, filhos, e pesadelos sórdidos. Essas recebiam uma anotação por um pincel de um vermelho intenso, que diziam: Não! Eu vou morrer!

— Ela... Estava ali...

Beatriz recostou-se no peito do pai. Estava no pesadelo, novamente. Caminhando pela floresta, e um terrível tornado a suga completamente. Sua visão ficou turva, e tudo escureceu.

— SEM DÚVIDAS, uma alucinação visual. — o Dr. Warner olhou de esguelha para Beatriz.

— Não estou delirando! — Beatriz protestou.

O Dr. Warner voltou para os pais da paciente, ignorando o máximo possível os protestos da esquizofrênica considerados sem iminência alguma.

— A filha de vocês me contou que havia acordado no meio da noite após um pesadelo terrível. Ela acredita que Edward tenha o provocado.

— Edward? — o Sr. Salvatore ergueu uma sobrancelha — Ah sim, uma das vozes.

— E logo depois ela viu uma garota loira, trajada em um manto negro e com os olhos escondidos em uma máscara aterrorizante.

O Sr. e a Sra. Salvatore entreolharam-se, com a incredulidade visível em seus rostos delicados e finos.

— Ela terá que permanecer aqui? — indagou Giovana.

— Apenas esta noite. Quero ter mais uma conversa com Beatriz.

Os pais de Beatriz despediram-se da filha. Os olhos cinzentos do terapeuta visaram nos azuis celestes da paciente.

— Muito bem, Beatriz. — o Dr. Warner aproximou uma cadeira da maca — Podemos conversar um pouco?

— Não. — respondeu num tom áspero.

— Por que não?

— Por que você irá me sequestrar! — atirou-se para cima do terapeuta, dando leves sopapos em seus ombros largos — Eu sei que você e ela estão tramando algo contra mim! É por isso que disse para meus pais que aquilo foi uma alucinação. Querem roubar minha fortuna!

— Não estou tramando um sequestro contra você, Beatriz. — Joe Warner afastou bravamente a garota de si — Apenas acredito que esta garota não seja real.

— Eu não estou delirando — berrou— Você está tramando com aquela loirinha! É melhor fugir logo do país com aquela garota, por que eu vou denunciá-los a polícia!

— Beatriz...

— Saia da minha frente imediatamente! — ela esperneava.

O Dr. Warner tentava inutilmente controlar a esquizofrênica. Mas a medida que suas tentativas fracassadas eram cometidas, os berros incontroláveis elevavam-se cada vez mais.

— O que está havendo aqui? — uma enfermeira entrou na sala.

— Leslie, sede-a o mais rápido possível. — ordenou — Está incontrolável!

— Não! Não podem...

A seringa penetrou em seu braço carnoso. Sua visão ficou turva, e pela segunda vez na noite, ela só enxergava a escuridão.

PIETRO ROUSSEAU sentia-se nauseado.

É a Beatriz. Tentou auto – estimular-se. Odiava sair de casa ás 6 horas da manhã. Em sua opinião, era neste horário em que se concentravam os maiores tiranos. Mas na realidade, era apenas uma especulação falsa criada por sua mente pusilânime, dando assim mais um motivo para não sair de casa.

Pietro entrou no Volvo prateado, determinado. Seu coração palpitou ao pensar na possível hipótese de sofrer mais uns de seus ataques de pânico.

Você é um idiota, Pietro Rousseau. Pare de ser medroso!

Aos 17 anos de idade, Pietro Rousseau era um francês com cabelos dourados levantado na parte anterior da testa. Era firmemente conhecido pela incomparável parceria maldosa com Ashley Smith, e pelo inestimável resguardo com Beatriz Salvatore, tendo fama de estraçalhar quem ousasse mexer com a garota. E ele orgulhava-se fervorosamente por obter a capacidade, afinal, era um avanço para quem tinha medo de coisas minúsculas, tais pessoas portadoras da Síndrome do Pânico.

— Pietro! — Beatriz pulou em seus braços — Ainda bem que você chegou, eu corro perigo!

Ele olhou discretamente para o Dr. Warner, que gesticulou com a cabeça. Aquilo queria dizer “sim, é um delírio”.

— Ah... Depois nós conversamos sobre isso. — forçou um sorriso — Podemos ir agora?

— Eu só preciso alertar... — sua cabeça virou-se para Joe — Fuja logo do país. Eles irão te procurar.

O Dr. Warner riu demasiadamente. Sua mão esquerda deslizou na aliança de ouro reluzente.

— Não se preocupe, liguei para Katherine e avisei que você já sabe. Vamos parar de persegui-la. — ironizou.

Beatriz fechou a cara. Ela virou-se para Pietro e disse, por fim:

— Vamos embora.

A DELEGACIA localizava-se há um quilômetro de distância da clínica psiquiátrica.

— Beatriz, me escute, você vai passar vergonha. — Pietro alertou mais uma vez antes da garota sair do carro.

— Não! — Discordou — Eu sei o que estou fazendo.

Os ombros de Pietro recostaram-se no banco do carro. Seus olhos azuis fitaram com intensidade o rosto de Beatriz.

— Tudo bem. — suspirou. O sorriso de Beatriz foi desmanchado quando ele completou: — Mas não vá dizer que eu não avisei.

A ira de Beatriz foi demonstrada assim que ela bateu bruscamente a porta do carro.

Uma garota loira parecia ter os olhos visados no Volvo. Ela vestia um sobretudo preto apropriado para chuva, com luvas de couro negras cintilando em seus dedos longos. Pietro estremeceu. Vira no jornal que a cidade seria atingida por um temporal á tarde, com previsão de duração da tarde até a noite. Mas a garota lhe parecia familiar...

Devo ter a visto no supermercado. Especulou.

A garota levantou-se do banco em que estava sentada, dirigindo-se em direção ao carro. Um súbito alívio percorreu pelo estômago de Pietro quando ela afastou-se, partindo em direção á um bar próximo dali.

O francês empertigou-se no banco, repassando mentalmente todas as vezes que já saíra ao supermercado. Seus sentidos alertaram perigo iminente, mas ele os ignorou, certo de que seria apenas mais uns de seus ataques. Mas quando estou prestes a ter um ataque, sempre escuto meus sentidos. Filosofou.

Ele saiu do carro, cético. Deu uma ultima olhada para o Volvo estacionado enquanto passava pela porta, sentindo algo estranho. Era como um choque que percorria pelas suas veias, avisando de que algo ruim aconteceria.

— TEM CERTEZA do que está fazendo?

— Absoluta. — respondeu.

Um funcionário da polícia vestido em um colete postou-se em frente de Beatriz e Pietro.

— O delegado está os esperando. — informou.

— Obrigada. — Pietro agradeceu.

Enquanto caminhavam até a sala do delegado, a mente de Pietro trabalhava em uma velocidade alarmante. Desculpe senhor, ela é esquizofrênica. Tentei controlá-la, mas temi que ela pensasse que eu queria sequestrá-la. Era isso. Talvez, uma pequena desculpa, concertasse oceanos de erros.

— Você tem alguns motivos para que seja sequestrada? — o delegado Harris perguntava.

— Sim. — respondeu Beatriz — Minha grande fortuna.

Pietro sentiu seu rosto esquentar. Beatriz era uma garota de Classe Média Alta, não poderia ter a fortuna que tanto alegava obter.

— O senhor já deve ter ouvido falar de Esquizofrenia. — disse Pietro, com o olhar estreito.

O olhar do Sr. Harris alternou-se entre Beatriz e Pietro. Sua mão esquerda deslizou pela cabeça calva. Quando perdia tempo com ameaças sem iminência alguma costumava á gritar com os culpados, mas desta vez tratava-se de uma esquizofrênica...

— Acho que não podemos solucionar seu problema... — seus olhos azuis penetraram nos de Beatriz. Havia lido um artigo sobre o transtorno em um jornal, e tentaria o máximo possível obter a imagem de “amigo” — Eu...

— Sr. Harris! — um oficial da polícia entrou na sala — Um carro acaba de explodir!

TUDO ESTAVA aos destroços. Pequenos pedaços do carro espalhados pelo chão, sem a mínima chance de uma recuperação. Milhares de repórteres já se manifestavam no local, mas ainda não se era possível entrar em detalhes.

— Que tipo de pessoa faria uma coisa dessas? — Pietro estava indignado.

— Eu não sei, mas... — os olhos de Beatriz visaram onde estava o Volvo há minutos atrás, antes de entrar na delegacia__ Afinal, onde está o seu carro?

Pietro ergueu o olhar, com as sobrancelhas erguidas.

— O que disse? — perguntou.

— Onde está o seu carro. — repetiu.

Pietro arqueou as sobrancelhas. Seus olhos rolaram pelo local, procurando sinal de algum Volvo prateado. Nada.

— Espera aí! — ele gritou — O meu carro...!

Ele olhou para o chão. Mas a única coisa que se podia ver eram restos mortais do que já fora um carro um dia.

Você chegou ao fim do livro. Parabéns!