Blood on the hands
6 Sermão...
Notas iniciais
Cheguei em casa e a as luzes estavam acesas como o esperado, abro a porta gritando:
–-Estou viva, cancelem a polícia!
Logo os três vêm em minha direção, dois muito preocupados e um com raiva:
–-Acho melhor não cancelar a polícia, logo teremos uma morte! -- diz L irritado.
–-A sua? Mas não planeei lhe matar... – indago inocentemente.
–-Como ousa nos deixar preocupados assim?! –insiste ele.
–-Kay! Não faça mais isso! –diz Matt.
–-Deveria ter me ligado ao sair de lá mais cedo! Teria ido lhe buscar! – diz Ted.
–-Blá, blá, blá, fui apenas me divertir um pouco, vocês estão muito chatos ultimamente...
–-Se divertir? É assim que chama quase nos matar do coração? – exclama meu irmão.
–-É por isso que não lhe deixam morar sozinha... –diz L revirando os olhos.
–-Kay, você não é mais criança para fazer tantas imprudências, deve começar a pensar antes de agir, se algo houvesse ocorrido contigo ao sair da psicóloga nós apenas iriamos descobrir quando fosse tarde demais! – Meu irmão diz extremamente sério.
–-Não gostaria de considerar essa hipótese... –diz Ted se encolhendo.
–-sei me cuidar e se algo acontecesse comigo que eu não pudesse evitar... bem... um peso a menos para você... irmãozinho. –respondo dando de ombros, como se alguém realmente se importasse comigo... ah, Nightmare se importa, se algo acontecesse comigo, quem iria cuidar dela?
–-NÃO DIGA ISSO! –diz um coro muito bem ensaiado de três pessoas.
Matt me puxa pelo braço, Ted me empurra e L vai a frente até a sala, onde me colocam sentada no sofá e se sentam ao meu redor:
–-Kayla...—começa L.
–-Pode não parecer, mas nós três nos importamos muito contigo... –continua meu irmão.
–-Sabemos o quanto odeia ser seguida, cumprir horários e ser monitorada o tempo todo, mas é para seu bem, então... não diga que é um peso para alguém, por favor... nos magoa ouvir isso... ---termina Ted com lágrimas nos olhos.
–-Além do mais... você ainda não pode morrer, tenho uma dívida a lhe pagar. –diz L, ou melhor, Luke, dando um sorriso metido.
Observo os três um tanto quanto entediada e incomodada com o clima, preferia que brigassem... Dou de ombros e vou para a cozinha:
–-Bom... Não é como se pretendesse me matar ou algo do tipo, então... alguém mais está com fome? –pergunto na porta da cozinha.
–-Hum... aceito um sanduiche—diz meu irmão hesitante.
–-Ótimo! Faça um para você e um para mim, estou indo ver Nightmare! –saio da porta da cozinha e vou até a escada dando de ombros sentindo o olhar chocado de meu irmão em mim e ouvindo uma risada disfarçada de L.
Perto da porta de meu quarto escuto Ted dizer ao meu irmão que ele faria os sanduíches, mas meu irmão recusou constrangido e mandou-os embora, em meu quarto jogo-me na cama e logo vejo minha querida gatinha preta saltar por cima de mim e sentar em minha barriga miando de fome. Sirvo-a um pouco de ração e faço-lhe um carinho, ótimo escapar daquele clima, muito mais leve!
Volto para a cama e fecho os olhos, pouco tempo depois alguém bate na porta:
–-Kay?
–-Entra Matt, trouxe o sanduíche? — respondo sem me mover e ele abre a porta.
Abro os olhos sentando-me na cama e sorrindo ao ver o delicioso sanduíche que Matt trazia:
–-Obrigada! –agradeço quando ele me entrega, achei que ele se retiraria e me deixaria, mas ele senta-se ao meu lado na cama suspirando, droga, você foge do clima, mas o clima lhe persegue...
–-Kayla... Nossos pais não estão mais conosco e não tentarão nada novamente, queria apenas lhe dizer que está segura aqui... pode volta a ser quem era, aquela doce Kayla... Lembra? Éramos amigos além de irmãos! De Rose eu não era muito próximo, mas de você... Sem querer ofender Rose onde quer que ela esteja, embora ache que ela já saiba, e não é apenas porque você está aqui, mas você sempre foi minha irmã favorita, mesmo sabendo que Rose era a sua... Então... pode voltar a ser como era antes! Ninguém aqui irá lhe machucar, fez ótimos amigos por aqui! –discursa ele olhando para o chão.
Suspiro mastigando o sanduíche, realmente, éramos até que amigos, mas ele sempre foi muito lerdo, sem falar que aquela não era a verdadeira Kayla:
–-Matthew, Matt, Mano, maninho... –digo em deboche: --Não sei como lhe dizer isso, mas... aquela Kayla morreu quando Rose morreu, fui deixada no lugar dela!
–-Você não pode matar a si mesma! Você... deve alguma hora voltar a ser quem era!
–-Matt, posso não ser perfeita, posso ser um monstro, posso ser a pior ou melhor pessoa do mundo, mas é assim que sou, eu sei quem eu sou Matt, mas você sabe quem você é?
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