Blood on the hands
26 My demon inside parte 2
Notas iniciais
A corda vira sangue normal quando ela cai no chão com um ferimento na barriga e inconsciente, caio para trás também tentando aspirar o máximo de oxigênio possível para meus pulmões, passos apressados vêm em nossa direção, Mercedes observa a cena surpresa e sorri agradavelmente:
–-Ora, vejam só, Kayla, você é mesmo uma menina má, meninas más devem ser punidas!
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Continuação...
Mercedes estala os dedos e dois homens gigantes aparecem, muita coragem da parte deles, dois gigantes contra uma adolescente magrela! Mesmo ofegante e sabendo que não teria muitas chances de vencer resolvo lhes dar um mau tempo, chuto, grito, esperneio e os mordo algumas vezes enquanto tentam me carregar para um lugar, cuspo em seus rostos até algum deles me acertar um tapa dolorido no rosto, esse cara tem a mão gigante!
Fico desorientada e tonta por um tempo, tempo o suficiente para me amarrarem à uma mesa de metal com algemas, tento me soltar, mas não adianta, apenas sinto a pele de meus pulsos e tornozelos se tornar carne viva, minhas roupas são arrancadas, eu grunho e rosno até receber outro tapa, esse tapa me força a cuspir um pouco de sangue:
–-Eu disse, meninas más devem ser punidas! –diz Mercedes com um sorriso amigável acima de mim e com alguns ferros incandescidos nas mãos, ela os toca uma minha barriga desprotegida, sinto o calor, mas não é nada que eu já não estivesse acostumada e que minha pele se recuperasse rapidamente.
Dou risada de sua cara irritada quando ela tenta tocar com o ferro em outros lugares sem conseguir me causar danos, até que ela desiste e abre seu sorriso sádico:
–-Bem, talvez devêssemos tentar de outra forma... –ela estala os dedos novamente e os brutamontes aparecem erguendo-me algemada da mesa e colocando uma camisola branca e fina em mim de alguma forma: --Levem-na para aquele lugar... Senhorita Kiewn, creio que gostará de suas novas acomodações, certamente as achará adequadas para uma menina má como você...
Sou conduzida por um corredor que leva para baixo, sempre relutando, podem me vencer, mas nunca sem luta! Chegamos à uma porta de madeira velha que se abre com o som cliché de filmes de terror, reviro os olhos, sério? Não poderiam inovar? Empurram-me escada abaixo, não é muito longa, uns 8 degraus de pedra, mas sem minhas mãos disponíveis para amparar a queda acabo caindo de lado, acertando o ombro primeiro e a bochecha direita, ouço um clack vindo do meu ombro e dor se espalha, respiro fundo cerrando os dentes para reprimir o grito, ouço risos que me irritam, eles descem e um dos grandalhões me acerta um chute no lado esquerdo antes de erguer-me e arrastar-me até a parede onde prendem meus pulsos acima da cabeça para o horror de meu ombro já danificado, não consigo reprimir o grunhido de dor que me escapa, estou de costas para eles, o fato de não vê-los é enervante, mas evito deixar transparecer e tento controlar minha respiração:
–-Com medo já senhorita Kiewn? Mas ainda nem começamos a brincar! Não é muito confortável estar nessa posição, é? –diz Mercedes com voz doce.
–-Quer descobrir? Apenas me solte, posso ser bem criativa! – digo forçando um sorriso e falando entre dentes.
Ela ri:
–-Disso não tenho dúvidas minha querida, mas eu tenho mais experiência, vai adorar cada... pequeno...segundo. –sussurra em meu ouvido.
Pelo canto do olho vejo-a mexer em algo fino, longo e maleável, algo me diz que o brinquedo em minhas mãos seria legal, mas nessa posição não será agradável nem um pouco!
Mal tenho tempo de processar o pensamento antes de ouvir um vush e ser atingida pelo chicote, sinto-o vibrar em todos meus ossos, mas recuso-me a gritar, posso aguentar um pouco de dor, o chicote me acerta de novo, posso senti-lo levar pedaços de pele embora quando se afasta de mim, me acerta de novo, de novo, de novo...
Perco a conta das chicotadas, manchas pretas estão diante de meus olhos pela perda de sangue, não consigo me mover, tudo em mim está dolorido, não tenho certeza se as chicotadas pararam segundos ou minutos atrás, ou mesmo se ainda continuam, não consigo pensar, apenas sentir, e sentir é algo horrível no momento, dor, vários tipos de dor em meu corpo, quente, áspera e tipo que não conseguia definir, não percebi quando mudaram minha posição na parede, virando-me de frente para a porta e com os braços abertos, há correntes em meus tornozelos também.
Minutos, horas, dias, semanas, anos... o que é tempo? Quanto disso já passou? Acho que dormi algumas vezes, mas não tenho certeza, sei que vieram mais algumas vezes, colocaram sal em meus ferimentos e me acertaram mais algumas vezes com chutes. Consigo sentir algo além da dor agora: fome, sede, não é agradável, mas quase agradeço, pois ao menos me distraia da dor, faço uma tentativa fraca de me soltar, mas mal consigo me mover, rio de mim mesma, minha própria fraqueza, como devo estar estúpida! O riso se torna histérico.
“Solte-se... vingue-se...” – palavras sussurradas aparecem em minha mente e não consigo concordar mais com elas, sim, devo me soltar e me vingar, não devo ficar nessa situação ridícula! Tento novamente me soltar, o que é um pouco mais de dor quando se está com o corpo em chamas? Não literalmente...
“Não... está errado... deixe comigo!” –sussurra a voz.
Fecho os olhos e respiro fundo, quando os abro há um círculo de fogo ao meu redor, dou risadas histéricas novamente, a parede começa a ceder e com um simples puxão consigo me soltar, passo entre as chamas acariciando-as, como pude esquecer de meu talento? Agora irão pagar!
Aumento as chamas, logo o local inteiro está coberto de fogo, chuto a porta, toda a dor temporariamente esquecida, só havia calor, o calor agradável de minhas chamas que consomem tudo igualmente, jovem, velho, rico, pobre, tudo perece diante do fogo, essa ideia me agrada, me agrada muito!
Saio pelo corredor procurando Mercedes e deixando um rastro luminoso por onde passo, caminho com calma, lentamente, hoje o mundo me pertence, posso fazer o que eu quiser, estou no comando. Ouço gritos, eles me animam, devem mesmo temer minha presença! Encontro minha vítima, Mercedes está em uma sala de vidro me olhando de olhos arregalados:
–-Creio que seja minha vez de demonstrar criatividade! –Digo sorrindo maniacamente.
–-N-n-não! Se afaste!
–-Implore! Implore por sua vida! –ordeno.
Mercedes se ajoelha com as mãos juntas:
–-P-por favor me poupe! E-eu iria lhe soltar! Juro!
–-Por que deveria poupar sua vidinha patética?
–-E-eu farei tudo que me mandar! Seus pedidos serão uma ordem!
Bufo, meus pedidos já são uma ordem, volto a sorrir:
–-Fará mesmo o que eu pedir?
–-Claro! Com certeza?
–-Então... tente não morrer tão rápido! –digo lançando chamas nela.
Mercedes grita e se contorce tentando apagar inutilmente e eu dou risada:
–-Seus brutamontes serão inúteis agora! –sussurro aproximando-me de seu ouvido: --É minha vez de brincar.
Com os polegares empurro seus olhos para dentro do crânio aumentando os gritos e acerto sua cabeça no chão com toda força que possuo no momento, infelizmente não é muita, mas a silencia.
Volto a caminhar, a marcha de uma deusa vingativa, acho que essa imagem é perfeita para mim no momento, afinal, todas essas vidas estão em minhas mãos! Vou lançando chamas sempre que vejo alguma pessoa correndo e gritando, adoro a sensação de poder!
Finalmente saio do prédio e paro para observar minha obra, o fogo consumiu os 4 andares e há algumas pessoas aqui fora tentando ajudar, mas o que míseras pessoas podem fazer contra meu fogo? Dou risada, até que algo dentro de mim estala e eu paro de rir: O que foi que eu fiz?
Fim do flashback.
–-Algum tempo depois, depois de eu ter sido levada para um hospital, descobri que havia ficado lá em baixo apenas 5 dias, quem diria que minha mente se quebra em apenas 5 dias!? –digo autodepreciando-me.
Termino de contar a história, os dois estão parecendo fantasmas de tão brancos, nos olhos de Luke havia um brilho de raiva e nos de Ted genuína preocupação, ambos tentam me abraçar, mas coloco as mãos em seus peitos para evitar:
–-Deixem de sentimentalismo, aquilo já é passado e não dá para mudar, os contei porque naquele momento surgiu outra versão de mim, e essa versão quer voltar a agir, posso não ser a “Miss boazinha”, mas ao menos quero cometer meus crimes por mim mesma.
–-5 dias Kayla? Você aguentou 5 dias de torturas e acha pouco motivo para uma mente se quebrar?! – esbraveja L.
–-Não acredito que deixei você passar por tudo isso! – murmura Ted.
–-Deixem de drama, ok? É PASSADO, deveriam se preocupar com o que aconteceria se a mini-eu se soltasse atualmente! E naquele tempo teve algo positivo, nunca me preocupei com peso, comida controlada na infância, depois fiquei alguns dias sem algumas refeições por me “comportar mal”, etc, sempre fui magra, mas durante aqueles 5 dias descobri que é possível perder mais peso! Gente, eu sai parecendo um esqueleto! É uma ótima forma de fazer regime! –digo pensando em como gostaria de fazer Judith passar por esse regime... Cabeça de vento também.
–-Não inventa! –dizem juntos.
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