Notas iniciais
Olá queridos leitores! Aqui deixarei o link de uma música para dar o clima, mas recomendo que abra apenas no discurso de Joseph! Á música é Broken de Seether com Amy Lee https://www.youtube.com/watch?v=hPC2Fp7IT7o espero que gostem!

–-Elizabeth está morta.

Congelo, por essa eu não esperava! Lembro da garota que estava sempre por perto do líder da gangue quando os vi pela primeira vez, naquela época ela ainda tinha cabelos longos e estilo menos esquisito, então penso no ser que era ótimo em direção evasiva, que me proporcionou momentos de risos e descanso de ver alguém de meu passado, não éramos próximas exatamente, mas isso não quer dizer que esperava que ela morresse!

Eu deveria saber, estava tudo calmo demais...isso foi apenas um chamado da realidade:

“Paz não é para você, sabe disso, sei que sabe, estou sempre em sua mente...”

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Respiro fundo ao ouvir meu adorável outro lado, ele também havia me dado um folga...

“Sentiu saudade?” percebo o deboche escorrendo dessas duas palavras.

“Por que não se afasta por mais uns... 200 anos aí veremos a resposta!” Sugiro e a voz ri.

“Aproveite seu tempo Kayla, Está acabando.”

–-Tudo bem Kay? –pergunta Joe preocupado.

Afirmo com a cabeça e respiro fundo antes de perguntar:

–-O que houve?

Joe fica vermelho, e suas mãos se fecham em punhos:

–-Foi tudo armado! Deixaram que descobríssemos aquele espião para que nos sentíssemos confortável, íamos pegar... algo... de um lugar... –mesmo com raiva ele ainda é cuidadoso com o que fala, não sei se é por falta de confiança ou pelo fato de que ele sabe que não quero me meter em algo que não me diz respeito. – Por ser uma tarefa simples, enviamos apenas os novatos, pirralhos entre 14-16 anos que estão começando na gangue, nem todos irão ficar, Elizabeth foi junto para observar e bancar a babá, basicamente, o espião sabia, informou os Lobos negros, e eles estavam esperando no local com armamento pesado, os pirralhos e Elizabeth mandaram bem no começo, eles estavam em maioria e com melhores armas, mas não haveria baixas se fizessem o que Elizabeth dissesse, um dos novatos, querendo se provar se meteu bem área de tiro de um cara da outra gangue, Elizabeth se meteu na frente e levou o tiro, depois disso a outra gangue saiu...

Percebo que Joe estava tremendo, e não de frio, de raiva, algumas lágrimas saíam por seus olhos e ele fala por entre dentes:

–-Não me conformo! Todas aquelas armas para um grupo de novatos! Eles eram apenas CRIANÇAS que se achavam grandes! E justamente por um engraçadinho se achar melhor que todos Elizabeth morreu! MORREU! Está no mundo dos mortos! Isso não deveria ter acontecido! Eu deveria ter ficado com ela, ou insistido para que Joseph fosse, mas não! E agora ela está morta! –ele explode e dá um soco em uma árvore ali por perto abrindo um buraco no tronco e ignorando o sangue em sua mão, autch, deve doer...

Simplesmente observo e espero ele voltar ao normal, o que ele faz pouco depois quando olha em minha direção, ele dá um sorriso triste:

–-Desculpe pelo descontrole, mas não pude fazer isso antes...

Dou de ombros:

–-Sem problemas, mas acho que deveria cuidar de sua mão...

Ele ri:

–-Já estive pior...

–-Quando é o enterro?

–-Em 2 horas.

Fico surpresa:

–-Poderia ter ao menos me avisado para ter trocado de roupas!

–-Ninguém irá reparar, não pensei que se importasse com a opinião alheia.

–-E não me importo, mas há certas ocasiões em que devemos no vestir de acordo.

Ele dá de ombros:

–-Está perfeitamente aceitável assim.

Olho para minha roupa, um moletom cinza que afanei de L, portanto ele era longo em mim, calça de moletom preta, é, estou apresentável. Dou de ombros e continuamos caminhando em silêncio, até chegarmos ao carro, ele estacionou bem longe...

Chegamos ao local em 10 minutos, um antigo prédio abandonado, há muitas pessoas vestindo preto aparentando estarem tristes, mas quem me capta o olhar é Joseph, ele está escorado na parede com um olhar perdido, os cabelos presos em um rabo de cavalo baixo, usando terno normal, o que achei muito estranho, nunca pensei que estranharia um homem sem saia...

Joseph respirava com dificuldade, fui até lá e toquei em seu ombro sem saber o que dizer, nunca fui muito boa em consolar pessoas, seu olhar perdido me encontra:

–-Baixinha?

Dou uma risada baixa e triste:

–-Se insiste em me chamar assim, por hoje eu deixo.

Ele me surpreende dando-me um abraço apertado:

–-Que bom que veio! –ele me diz sem conseguir segurar o choro, dou tapinhas sem jeito em suas costas.

–-Esperava encontra-los em outra situações, mais felizes quem sabe, mas estou com vocês nas tragédias também. –digo baixinho em seu ouvido.

–-Não é real. Não parece real. –ele diz como uma criança tentando se convencer de que os monstros não são reais, infelizmente esse monstro é real.

–-Eu sei, mas é real.

Ele se afasta um pouco e me olha nos olhos sério:

–-Não irá dizer que irá melhorar, que o tempo faz tudo melhor?

–-Prefiro não mentir. Já deve ter provado o bastante da morte para saber que a dor não vai embora, apenas a escondemos e nos acostumamos com ela.

Ele sorri triste:

–-Bom alguém aqui saber que não é minha primeira morte.

–-Posso vê-la?

–-Ela está lá dentro... eu não... Não posso... Não posso vê-la assim... –ele diz já desabando no choro, escorregando pela parede e abraçando seus joelhos.

Joe chega por trás de mim:

–-Pode entrar, assumo daqui.

Confirmo com a cabeça, e logo vejo o caixão, ela está deitada aparentando estar em paz, maquiagem pesada, como sempre fora seu estilo cobria seu rosto, não usava preto ou branco, usava um vestido vermelho bem provocante, seu corpo está coberto com flores brancas de cheiro doce e forte, eu esperava que ela fosse abrir os olhos e me olhar sorrindo e se oferecendo para roubar um carro para outra aventura.

Vendo Elizabeth naquele estado tão pacífico lembro de quando nos conhecemos, da garota mais velha que estava sempre abraçada ao líder daquela pequena gangue, que possuía cabelos lisos e castanhos até a cintura e não usava tanta maquiagem, que deu dicas de tatuagens, da garota que vi não muito tempo atrás, que sabia direção defensiva como ninguém, que tinha o olhar apaixonado menos irritante, a garota que hoje perdeu a vida.

–-Ela está linda, não? –diz um cara que nunca vi na vida de cabelos loiros quase brancos e olhos castanhos, ele era mais alto e possuía o cabelo raspado de um dos lados.

–-Ela sempre foi. –respondo.

–-Eu sei... –ele diz tristemente: -- Sou Ethan, irmão dela, e você é?

–-Kayla... amiga dela.

–-Prazer em conhecê-la.

Dou de ombros e me afasto deixando lugar para quem mais quisesse se aproximar.

Pouco tempo depois Joe aparece batendo levemente em uma taça e chamando atenção:

–-Bem, todos aqui gostávamos muito de Elizabeth, então acho que ninguém se importaria em ouvir ou dizer algumas palavras, eu começo, visto que Joseph ainda não está preparado. Elizabeth sempre foi uma irmã mais velha para mim, antes dela eu era apenas um rebelde sem causa que ninguém via futuro, até que ela me viu e reconheceu o potencial em mim, nunca tentou cortar minhas asas, pelo contrário, me aconselhava a voar e fazer coisas arriscadas, sempre por perto para caso eu caísse, com ela não havia comparações, aceitava todos de qualquer forma, sabendo que cada um possui vida própria e não precisa ser igual à mais ninguém, sentirei sua falta mana Liz, mas não se preocupe, cuidarei de Joseph por você.

Ele termina dando um beijo carinhoso na testa dela e Joseph aparece com as perna trêmulas:

–-A-acho que estou pronto, o mundo perdeu uma mulher fantástica, e eu perdi meu anjo caído, ela sempre foi a menina mais linda do mundo, seu sorriso sempre escondia segredos que não poderei mais descobrir, era uma garota guerreira, era uma garota delicada, era uma garota que... que era minha, que guardou meu coração com carinho, ela não pode ter morrido! Há tantas coisas que eu deveria ter feito para ela! Eu... deveria ter dito “eu te amo” de mais formas, deveria ter dado aquele anel que a marcaria como minha e que mostraria que eu sou dela, Lizzie, eu amo seu sorriso, o jeito que você ri, guardarei todas nossas fotografias, nunca irei me esquecer de você, meu anjo caído, meu mundo, minha vida, hoje não sou mais alguém completo, estou quebrado, gostaria de poder lhe abraçar mais uma vez, ouvir você dizer que tudo ficará bem, queria ter recebido aquela bala... Elizabeth... eu te amo, guarde meu lugar onde quer que você esteja, irei alcança-la e Nunca mais a deixarei ir.

Ao final de seu discurso havia muitas lágrimas na multidão, eu abro um pequeno sorriso, é bom ver que o amor existe, pena que seja um momento tão triste, mesmo que tão comum, afinal, se trata apenas de mais um adeus... quantos ainda deverei dar?

Notas finais
O que acharam? Espero que tenham gostado! Deem suas opiniões sinceras!