Blood on the hands
34 Decisão
Notas iniciais
L me leva de volta para a casa, eu estava em estado quase catatônico, tentava me controlar para não deixar meu outro lado vir à tona novamente:
—-Odeio ter que dizer isso, mas o Nephilim sabia o que fazia quando ofereceu a troca, ele é forte, não se esquece disso. –disse L ao meu lado no sofá onde eu estava.
Eu olho para L e ele coloca um braço sobre meus ombros em um gesto de conforto:
—-Rosalie está bem, pequenos cortes nos pulsos e tornozelos onde a prenderam, mas não ousaram fazer nada contra ela. – ele relata e sinto uma pequena onda de alívio dentro de mim, ao menos isso!
Vejo então minha orgulhos gata caminhar lentamente em frente a mim, levemente mancando e pula em meu colo esfregando seu rosto em mim pedindo carinho, o que faço sem muita vontade e me lembro:
—-E você senhorita, o que estava fazendo na escola hoje? –pergunto.
L dá uma risadinha:
—-Não espera que ela responda né?
Antes que eu pudesse responder a porta se abre e Rosalie olha ao redor assustada e com lágrimas nos olhos, ao me ver ela corre em minha direção e me abraça com força ignorando a gata incomodada entre nós que pula de meu colo indignada.
—-Você está bem! Quando me soltaram... achei que... achei que... –Rosalie fala com voz de choro sem me soltar, eu a abraço e me sinto culpada por me sentir aliviada.
—-Achou o que? –pergunto com cuidado.
—-Que tinham te capturado, que houvesse se entregado em meu lugar, a demônio realmente quer acabar com você, eu estive em estado meio consciente durante o sequestro, conseguia ouvir algumas coisas, mas não conseguia falar ou me mover ou sequer enxergar algo, mas a ouvi dizer para a outra, para Judith, que se não fosse por sua gatinha ter aparecido e tê-la distraído já teriam adiantado o plano e a sequestrado, mas como você não estava disponível, elas queriam me usar como isca... não entendo... se você está aqui... como eu estou aqui? –Rosalie tagarela com seu jeito normal, porém com voz chorosa e me abraçando, o abraço já estava começando a ficar desconfortável...
Com a pergunta dela sinto meu corpo ficar tenso, eu não sabia como responder, mas L sim:
—- O Nephilim se entregou em seu lugar e no de Kayla, aparentemente demônios não resistem a tentação de transformar um Nephilim em escravo.
Rosalie também fica tensa e se afasta de mim, sua pele pálida:
—-NÃO! Não, não, não, não! Isso não está certo! Ele não pode... ele simplesmente não pode... ele não pode ter feito isso! Ele... Por minha culpa! Não!
—Shh! – Eu digo –Você é tão vítima quanto ele! A briga entre Hannah e eu já é antiga, você não sabe nem o começo, não está em meus planos deixá-la bagunçar com a minha vida e com a vida de todos que me rodeiam, sei que preciso resgatá-lo antes que algo de ruim aconteça com ele.
Rosalie me olha com lágrimas nos olhos, mas a reação vem de L:
—-Você vai é ficar aqui sentadinha sem fazer nada! Foi escolha dele! Ele estava ciente dos perigos de ir até elas e certamente se acha forte o bastante para lutar contra o controle mental de Hannah. –L não parecia feliz com o fato de Ted se achar forte o bastante para não virar escravo, talvez L se sentisse fraco sendo o único a não resistir...
Suspiro e pela primeira vez não quero discutir com ele:
—-Pode ficar sentadinho se quiser, mas eu vou resgatar aquele cachorrinho nerd alado que por algum motivo significa algo para mim.
L me olha sério e vejo algo em seu olhar mudar, mas não sei apontar exatamente o que:
—-Você se importa com ele, não? Se importaria comigo se fosse eu quem estivesse com Hannah?
Reflito como seria o caso se a situação fosse contrária: eu com Ted aqui e L com Hannah, logo percebo que não iria acontecer, Ted possui em si muito “auto sacrifício” para deixar que alguém se entregue em seu lugar, L parece bem à vontade com isso...
—-Não iria acontecer, Ted não deixaria que você fosse em seu lugar.
Isso irrita L:
—-Mas se acontecesse? Como se sentiria?! Você só está o colocando em um altar por ele ter se voluntariado, se fosse eu, eu estaria recebendo essa preocupação toda! Não se engane Kayla! Ele pode ter ido pensando no seu bem, mas só porque fiquei não quer dizer que a amo menos! EU a amo também! Não tento esconder! Escolhi ficar para protege-la! Entregar-me seria simples demais, morte seria algo rápido e perder o controle de minha mente, embora não agradável, é algo bem prático não precisar pensar por si, mas ficar e lutar contra o que teremos pela frente, ISSO, isso é bem mais complicado! Não o coloque em um altar por ele ter se entregado, você também não se entregaria, iria lutar, eu escolho lutar.
Depois de seu discurso ele sai irritado deixando-me sozinha com a Loirinha em lágrimas.
—-Você... irá ajudar Ted? –ela pergunta como uma criança insegura.
Fecho os olhos, não há dúvidas quanto à minha decisão:
—-Com certeza.
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