Blood Red

7 O único momento em que um monstro não é um monstro, é quando você o ama.


Voltei para perto dela, ainda a olhando nos olhos. Eu não conseguia acreditar que eu realmente estava fazendo aquilo. Olhei ao redor, procurando o maldito traidor. Quando o encontrei, percebi que Ryan ainda lutava contra ele; Porém agora, a menina que lutava junto estava caída no chão, morta. Ryan estava machucado e parecia cansado. Decidi ajudar ele. Pensei por alguns poucos segundos enquanto observava a luta. Nunca havia lutado, muito menos com seres sobrenaturais – mas agora eu era um deles. Seria mais fácil de ser útil se eu o atacasse pelas costas. Isso! Fiz sinal para Ryan, que logo entendeu o que eu planejava. Ele esforçou para fazer Taylor ficar de costas para mim enquanto lutava para segurar ele. Fui para cima do traidor, puxando sua cabeça para o lado. Observei por alguns milésimos de segundo a pele exposta e não hesitei em morder o seu pescoço. Rasguei sua jugular, exatamente como vi minha namorada fazer com a garota verde. O sangue dele espirrou no Ryan e em mim e então ele caiu no chão, inerte. Virei-me para Rebecca outra vez, mas antes que eu pudesse chegar lá, alguém me pegou de surpresa, jogando-me contra a parede. Era um cara bem grande, devo dizer. Pelo que seu rosto feio e mutado indicava, era um lobisomem. Não acho que eu teria problemas para lidar com ele. Havia me sentido muito bem matando Taylor e ainda sentia a adrenalina pelo meu corpo. Fui para cima do cara grande e lutei com ele por algum tempo. Acabei o matando e saindo apenas com um arranhão – que foi de quando ele jogou-me na parede. Sorri abertamente e andei até Rebecca. Eu estava satisfeito comigo mesmo.

– Viu meus super poderes? – ri feito um idiota.

– Você é mais forte que eu – ela parecia surpresa ao constatar aquilo.

– Legal, não é? – ajoelhei-me ao lado dela e então a beijei; aquilo tinha acabado – Está se sentindo bem?

– Você me salvou – disse pausadamente – É claro que estou.

Ela sorriu e selou nossos lábios outra vez, mas logo fomos interrompidos por uma voz feminina, uma voz que eu conhecia. Ainda vou acabar matando a irmã da minha namorada, minha mais nova cunhadinha.

– Isso não está certo – Audrey gritou, reclamando; ela estava atirada no chão e machucada – Está tudo errado! Taylor e Tyler tentaram me matar? Eles deveriam matar por mim!

Rebecca sorriu ao ouvir isso e eu não consegui ficar sem rir. Ela realmente era convencida, não era só implicância minha.

– Eu não só tentei, querida – Tyler apareceu do nada, andando em direção à ela – Eu vou matar você.

– Dylan, ajuda ela – minha namorada pediu, enquanto eu observava Tyler ir para cima dela.

Antes mesmo que eu conseguir levantar-me dali, o Gavião Arqueiro já estava na frente de Audrey, entre ela e o lobisomem. Pelo que eu conseguia ver, ele era outro vampiro. Tinha olhos verdes como os de Ryan, provavelmente era seu amigo – talvez todos os amigos dele estivessem fantasiados de Vingadores. Abaixei-me novamente ao lado de Rebecca, eu não precisava mais intervir entre Audrey e Tyler. Aquele cara sim parecia querer matar por ela, ou então para defendê-la. E foi exatamente o que ele fez.

– Talvez ela devesse rever com quais caras ela anda saindo – comentei e apenas então vi que Rebecca não olhava para aquela direção, mas sim para o chão; ela estava cansada.

– O que? – Rebecca me olhou sem entender e eu ri.

– Sua irmã se deu bem – falei – O vampiro bonitão dos olhos verdes salvou ela – nós olhamos e vimos Tyler morto, longe, e o vampiro verde agachando-se ao lado de Audrey.

– Bill. Ele é legal. Conheci ele há muitos anos, quando conheci Ryan – contou-me – Pode ser que assim ele pare de sair com os caras errados.

– Bruxo. Lobisomem... Ela estava saindo com gente bem diferente dela – comentei – Mas você também, não é? Saindo há tanto tempo com um humano. Como você nunca tentou me matar? Como aguentou ouvir meu sangue, sentir o meu cheiro e não fazer nada?

– Anos de prática. Sempre me alimentei bem antes de ir para a sua casa – falou – Dava para aguentar por um tempo.

– É muito irônico pensar que estou tendo uma conversa desse tipo depois de tudo o que passei.

– Você vai ficar? – perguntou-me sem acreditar.

– Deve ser terrível passar a eternidade sozinho – ela sorriu ao ouvir-me dizer aquilo – E também não é tão simples terminar um relacionamento de cinco anos.

– É – concordou rindo – Deve ser difícil.

– Venha, levante – a chamei – Sua irmã está bem com Bill. Vamos dar o for a daqui.

Ajudei Rebecca a levantar e fiz ela apoiar-se em meus braços. Sua perna também estava machucada, o que fazia ser ainda mais difícil para ela caminhar. Seu peso estava quase totalmente apoiado em mim, apesar de u não sentir tanto isso agora, já que eu estava bem mais forte do que um dia fui. Saímos na rua e percebemos que a noite estava no seu fim; As luzes da rua já estavam se apagando e a claridade começando a aparecer. Ainda faltava tempo para o sol, mas mesmo essa pouca claridade já machucava meus olhos.

– Temos que ir rápido, antes que o sol nasça. A não ser que você queira que a gente morra queimado – ela riu – Meus olhos já estão ardendo e mal está começando a clarear o dia.

– Eu sei, os meus também estão – falei e então apressei o passo. Depois de uns dois minutos de silêncio, ela voltou a falar.

– Eu amo você, Dylan, não importa o que você pense.

– Apesar de tudo, acho que eu realmente te amo também.

– Ma você não pensa que eu sou um monstro? – insistiu em perguntar – Por causa da coisa com os seus pais e o que fiz com você esta noite...

– Todos nós somos monstros – afirmei – Vale lembrar que agora sou como você e...

– Não temos como reverter isso – ela completou – Quanto a isso, me desculpe.

Todos são monstros por quase todo o tempo de suas vidas. Tanto humanos quanto vampiros, bruxos, lobisomens e seja lá o que mais exista nesse mundo. Não é a aparência que te define como monstro, mas sim o modo como você age. É isso que torna todos nós em monstros. E o único momento em que um monstro não é um monstro, é quando você o ama.

– Sabe, eu já fui em festas de Halloween melhores que essa – ela riu, concordando.

– É, eu também.

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