Blood Red
3 Ele sabe.
Rebecca havia me deixado sozinho na pista de dança, mas isso era normal, Rebecca era assim. Eu já estava acostumado com isso e, depois de todo esse tempo, eu nem me importava mais. Observei minha namorada parada – perto de onde sua amiga estava antes – e conversando com o Capitão América. Não que fosse realmente Steve Rogers ali, mas a fantasia era bem legal para um cara alto. Mesmo quando ele tirou a máscara do Capitão, ainda combinou. Rebecca realmente parecia estar resolvendo alguma coisa com ele, pois ambos estavam sério; Mas ainda assim, eu não conseguia deixar de sentir ciúmes daquilo. Ela era tão bela e intrigante, sempre fora. Em nenhum momento eu queria admitir o ciúme que estava me corroendo por dentro... E era por isso que eu continuava ali, balançando-me sozinho, no ritmo da música, e apenas observando de longe aquela cena. Bebi mais um copo cheio daquela bebida. Tinha um gosto muito bom, mas eu não tinha ideia de que mistura era – minha namorada deveria saber... Mas ela estava conversando com outro cara. Para mim chega!
Joguei o copo vazio no chão e decidi ir até lá. Isso não podia continuar. Não dessa vez. Antes que eu conseguisse dar o segundo passo, alguém, puxou meu braço para trás – fazendo eu virar-me para o lado.
– Onde você pensa que está indo, garotão? – uma voz feminina falou e então sua dona parou bem em minha frente.
Era uma linda garota, porém mais nova que eu – provavelmente em seus vinte ou 21 anos, se não menos. Seus cabelos negros destacavam ainda mais sua pele pálida que parecia de porcelana – talvez fosse só a maquiagem que desse esse efeito de tanta palidez. Ela vestia uma fantasia de guerreira que era bem elaborada e, para falar a verdade, ficava ótima nela. Eu poderia apostar com qualquer pessoa no momento que eu conhecia aquela fantasia. Apostava em dizer que a roupa era praticamente igual à daquela mulher de Asgard – aquela que ajuda o Thor no segundo filme, a mulher que gostava dele. Se eu pelo menos conseguisse lembrar o nome... Okay, todo mundo estava fantasiado de personagens de histórias em quadrinhos ou era só impressão minha? Marvel e DC, por todo lado. Todos os que eu tive contato, pelo menos – exceto aquele tal de Tyler, que havia se fantasiado de jogador de futebol. Audrey era Arlequina, a supervilã das HQs do Batman; Também tinha o Capitão América; E agora a menina que estava parada em minha frente era das HQs de Thor.
A garota guerreira sem nome de Asgard me olhava nos olhos há algum tempo sem dizer mais nada. Era como se eu estivesse hipnotizado, por mais estúpido que isso parece. Eu não me movia, não saía da frente da garota. Seus olhos eram tão peculiares e bonitos, de um verde quase que brilhantes, que chamava muita atenção.. Eram tão intrigantes. Então ela foi se aproximando mais e mais. Sua boca avermelhada estava entreaberta.
– Tire suas mãos imundas de cima dele – ouvi a determinada voz de minha namorada ao meu lado; A outra garota me soltou, mas continuou ali, próxima demais. Dei um passo para trás, acordando daquele transe idiota – A Sif pode ser uma ótima guerreira e mandar em muitas coisas – Rebecca disse; Ah, então esse era o nome – Mas aqui, querida, você não manda em nada. Nunca esqueça disso, verde.
– Você não me deixa esquecer, vermelha – ela fez careta – Ah, o cheiro dele é ótimo!
Espera, o quê? Tudo bem que ela tinha baixado a voz, mas ainda assim eu consegui ouvir aquelas palavras e a única coisa que eu podia pensar era... O QUÊ?
– Eu sei – minha namorada respondeu, me olhando brevemente – Ele é meu! Agora dá o fora daqui. Encontre. Outro.
E a outra menina o fez. Quero dizer, ela saiu, só não sei se realmente encontrou outro. Observei minha namorada e olhei ao seu redor. O Capitão América não estava mais ali. Resolvi deixar para lá, esquecer disso. De qualquer modo, ela deve ter ficado com ciúmes da garota Sif e por isso veio a tirar de cima de mim. Estávamos quites, pode-se dizer assim.
– Por que você a chama de verde? – indaguei, quando me dei conta do jeito que ela havia chamado a garota guerreira de Asgard.
– Por causa dos olhos delas – respondeu rapidamente, dando de ombros logo em seguida.
– E por que ela te chamou de vermelha?
– Ah, bem.. Quando ela me conheceu, eu estava com meu cabelo pintado de vermelho sangue – fiquei imóvel repentinamente, a palavra me fez lembrar dos vampiros sanguinários sobre os quais estava lendo mais cedo – Que foi agora, Dylan? O que fiz de errado? – ela ergueu as sobrancelhas, acho que tinha entendido – Ah, não! Você não está pensando naqueles seus livros de novo, está?
– É, acho que eu estava – soltei.
– Não quero que pense neles, quero que pense em mim – ela disse, passando a mão por trás do meu pescoço e puxando-me para perto dela – Você tem sua vampira bem aqui na sua frente, esqueça aquilo.
Então ela selou nossos lábios e ficamos ali, dançando juntos por um longo tempo. Bem, talvez não tão longo assim, mas pareceu.
– Vou pegar mais bebida – anunciei e Rebecca sorriu.
– Vou falar com Audrey rapidinho – ela disse – E depois pego bebida para mim também.
Fui até um dos locais que tinha bebida e vi uma cena meio engraçada. O Frankenstein estava ali – algum cara que eu não conhecia, como todos os outros da festa, fantasiado como ele. A parte engraçada era que aquele Frankenstein estava podre de bêbado. Estou falando sério, ele estava caindo pelos cantos. Peguei mais um copo daquela bebida rosada enquanto ria da cena que se passava diante dos meus olhos. O Frankenstein pareceu ficar bravo e tentar vir em minha direção, mas ele mal conseguia andar. Virei as costas, ainda rindo sozinho do acontecido. Confesso que ele daria medo, mas apenas se não estivesse tão bêbado.
No meu caminho de volta até o local onde antes estava, fui interrompido por um outro cara. Assustei-me quando ele me parou, colocando o braço na frente do meu peito. Pude avistar uma carta entre seus dedos. Antes mesmo de ver que a carta era um Az de Espadas, já havia percebido que não era o Coringa; Mas adivinha só, era outro personagem de quadrinhos. Estou achando que Rebecca errou ao escolher fantasias de vampiro para me agradar. Talvez devêssemos ter vindo de Homem-Aranha e Gwen Stacy, Scott Summers e Jean Grey, Batman e Mulher-Gato ou, sei lá, Superman e Mulher Maravilha – bem, eu não combino com o Superman, então deixa para lá. O cara – agora em minha frente – tinha o cabelo caído até quase os ombros, coberto com um chapéu escuro que escondia até mesmo seus olhos; Calças escuras e um sobretudo de couro aberto, que revelava a camisa roxa que vestia por baixo. Ele levantou a cabeça e abriu um meio sorriso. O cara estava vestido exatamente como o seu personagem em X-Men Origins: Wolverine. Ele era o Gambit.
– E o mundo dos quadrinhos ganha vida – fui sarcástico – Olá, Gambit. Qual a parte legal de se vestir de um traidor? É por que a roupa é legal?
– Sem enrolações e apresentações – disse simplesmente – E você, o que você é?
– Um vampiro – apontei para a minha roupa – Não está vendo?
– Não estou perguntando do que você está fantasiado – ele revirou os olhos – Estou perguntando o que você realmente é, Dylan.
– Como você sabe meu nome? – arqueei a sobrancelha, estranhando-o.
– Eu sei muitas coisas – ele disse, me observando.
– Esse papo não está colando comigo, Gambit.
– Ah, então você é apenas humano – ele retorceu os lábios.
– Parece que você está decepcionado – abri um meio sorriso.
– E aí, Tay – Rebecca apareceu dizendo – Está tentando me atingir só porque a Audrey preferiu pegar o Tyler e deixar você de lado? – ele arqueou a sobrancelha – Sabia! Agora deixa meu namorado em paz.
Ele ficou parado por um tempo, mas acabou decidindo-se a sair. Deu uns três passos e então voltou-se para Rebecca, segurando o braço dela.
– Ele sabe – foi apenas o que ele falou. Ela desvencilhou-se dele, fazendo cara feia.
– Vá para casa, Taylor. Você está bêbado.
E o cara saiu. Rebecca desculpou-se por seu amigo estar me enchendo o saco. Parece que todos implicavam comigo ali. Não sabia se o problema era realmente eu ou era só porque eu estava com ela. Depois de um tempinho, minha namorada avistou Audrey outra vez – e ela estava com o mesmo cara de ontem, o tal do Tyler. Ela resmungou algo sobre a garota não se tocar de que aquele cara não prestava. Então ela disse que ia tentar falar com a amiga outra vez e pediu para que eu a encontrasse daqui a uns dez minutos lá em cima, no quarto de hóspedes. Sim, eu sabia exatamente onde ficava; Rebecca e eu já havíamos vindo em outras festas aqui e, em uma delas, eu relutantemente concordei em passarmos a noite aqui. Havíamos dormido naquele quarto.
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