A prisão local estava quase vazia, o que era estranho considerando o tipo de gente que ia parar ali aquela hora. Sem nenhuma delicadeza, os dois policiais empurraram Adam para dentro de uma cela ao fim do corredor, antes de trancar a porta de novo. Um terceiro homem, que estava vigiando, ou deveria estar, acenou. Os dois se afastaram com passos duros, enquanto o outro voltava a sentar numa cadeira bocejando.


Adam ficou observando os policiais se afastarem, agarrado as barras de ferro, mas depois se virou para ver quem mais estava ali com ele. Havia um pequeno grupo de homens, quatro ao todo, com roupas estranhas e uma expressão não muito amistosa. O guarda notou sua expressão ao ver as outras pessoas, e réu um risinho mal disfarçado, antes que um som vindo do teto o fizesse se calar.



Ficou alguns segundos olhando para cima, antes de dar de ombros. – Malditos ratos.



Mas todos sabiam que havia sido algo bem diferente de um rato. Maldita vigas de madeira, pensou Justin, andando mais devagar dessa vez. Estava sobre as precárias vigas que mantinham o teto de pé, uma vez que aquele lugar só tinha um andar. E pelo visto era velho, pois a madeira estalava e parecia bem propensa a cair.


Tudo bem, entrar ali fora fácil, era algo que já fizera muitas vezes. Mas agora precisava de um jeito de tirar Adam de lá, e essa parte ele não sabia como fazer. Ficou vários minutos pensando no que fazer, até que o som da porta sendo aberta chamou sua atenção. Acho que fosse apenas outro cara perdido ou ladrão a ser preso, mas o homem que entrou trajava um terno risca de giz perfeitamente alinhado e uma expressão triunfante tão conhecida.


Como ele soubera o que acontecera tão rápido? se perguntou, enquanto via Azazel se aproximar do guarda que vigiava. Ele se levantou confuso e abriu a boca para, provavelmente, explicar que não era permitido entrar ali, mas Azazel foi mais rápido e com um simples estralar dos dedos, o pescoço do homem quase virou ao avesso.



Adam procurou por sua pistola imediatamente ao ver o que o homem havia feito, enquanto os outros se afastavam para o canto da cela. E então lembrou-se de que ela tinha sido tirada antes dele entrar ali. Não podia fazer nada enquanto aquele demônio se curvava do corpo do guarda e pegava as chaves, indiferente ao que fizera, e se aproximava dele.



- Olá, Sr. Jackman – ele disse com um sorriso sarcástico. – O senhor tem causado muitos problemas para o meu mestre, e agora...



Antes que ele terminasse, uma figura saltou das vigas do teto e caiu sobre suas costas. Azazel caiu surpreso, enquanto Justin pegava as chaves de sua mão e corria para a tranca. Levou menos de um segundo para encontrar a chave certa, e abriu a porta tão rápido que quase a arrancou fora.



- Vamos! – gritou enquanto Adam disparava para fora, mas fechando a porta antes que os outros saíssem. – Qual de vocês tem uma arma aí?


Os homens se entreolharam, e um deles jogou uma faca em sua direção. – Ok, caiam fora! – disse Justin, pegando a arma e abrindo a porta de novo e se virando para Adam. – Nós também vamos!



Ele disparou a frente de Adam, escancarando a porta enquanto Azazel se levantava, os olhos antes comuns, ficando completamente negros. Adam entrou na sala a frente, a entrada, e começou a olhar para todos os lados a procura da pistola.



- Não vai precisar dela. – disse Justin, erguendo a faca e fazendo um corte sobre a mão direita. Um sangue preto molhou a lâmina, mas o corte cicatrizou quase imediatamente, enquanto a faca ficava da mesma cor que o sangue. Depois a jogou para Adam. – Isso é mais eficaz, agora ela pode matar demônios também, se precisar.


- Ótimo, dois demônios pra matar em um dia. – ele se virou para a porta onde Azazel andava em um passo rápido, os olhos cravados nos dois. – Que saco.


- Nós não vamos enfrentar Azazel! – retrucou Justin.


- E porque não?


- Ele é o cara que me contratou, vai precisar de muito mais do que essa faca pra ganhar dele!



Nesse momento, Azazel irrompeu pela porta, tirando o pó do terno com força e passando os olhos de um para outro. – Essa foi a primeira coisa inteligente que ouvi você dizer, Justin.



Adam ergueu a faca e estava prestes a avançar, mas antes que desse um passo, vários rosnados tomaram o ar. Azazel pareceu acalmar-se com o som, enquanto Adam procurava de onde ele saía, uma vez que não via nada. Justin ergueu os olhos, pois demônios, sim, podiam ver o que fazia aquilo.



- Cães infernais! – ele avisou, antes de puxar Adam pelo casaco para trás, segundos antes do chão ser rachado, como se algo muito grande e pesado caísse sobre ele.


- O que? – perguntou ele confuso, olhando para o chão.


- Vamos! – interrompeu Justin, chutando a porta e o empurrando para a rua. – Temos que sair daqui agora!


- Posso lidar com os cães infernais. – disse Adam, enquanto o outro segurava a porta que em segundos se encheu de rasgos.


- Eu sei, — Justin se virou para ele, estranhamente sério. – Mas se Azazel está aqui, Lilith pode ter ido atrás do Stuart.


- Vamos sair rápido daqui então! – Adam colocou uma barra de ferro prendendo a porta por algum tempo, enquanto começava a correr com Justin. – O Stuart precisa da gente! – retrucou sério.