Blood Moon (HIATUS)
14 Jantar desconfortável e conversa mais ainda
Mais tarde em minha casa, meu pai estava preparando um frango para comermos — oh! -, e eu estava na sala esperando o Collin. Atrasado, como se não bastasse a vergonha que eu iria passar em apresentá-lo pro meu queridíssimo pai — ainda te mato, Collin!
E por uma breve demonstração de como seria minha noite, meu pai me fez algumas perguntas sobre o meu suposto colega de trabalho escolar- que ótimo. Algumas do tipo: vocês namoram?; ele fuma?; quem são os pais dele?; e enfim. Eu respondia assim: nós deveríamos?; quem precisa saber? não somos nós que pagamos; não sei nem se ele tem pais. Dá pra ter uma noção de como estavam minhas maçãs do rosto, não dá? Claro que dá.
Por fim, a tão inesperada visita chegou. E como será que a Lauren ficou? Com o coração à mil, corando, com vontade de arrancar-lhe um beijo. E por quê seria diferente? O garoto era um pedaço de mal caminho. E que pedaço de mal caminho... Emos nunca foram meu ponto fraco, mas nas últimas semanas, Collin Donovan vem sendo seu anjo- da-guarda. Talvez literalmente.
– Olá, sou Collin — o rapaz ao qual eu tinha uma queda — e ele por mim, inclusive -, disse ao meu pai, que apertou a mão do mesmo.
– Prazer, Collin. Lauren fala muito de você — pra me fazer virar um pimentão, o cara que ousa se autochamar de meu pai disse.
– É mesmo? — Collin me lançou um sorriso malicioso, e eu sorri timidamente, mas por dentro eu queria era estrangular os dois.
– Entre, por favor — meu pai o convidou, e ele entrou.
Collin passou os olhos por cima dos móveis, todos perfeitamente lustrados e brilhosos.
– É uma bela casa — ele elogiou.
Após alguns assuntos aleatórios, nós fomos todos pra mesa de jantar comer. O frango estava douradinho, como meu pai sempre fazia. O arroz, soltinho e branquinho. Também havia picles e tomate como salada, e para acompanhar, suco de tangerina feat laranja. Terminamos de comer, e meu pai disse que poderíamos fazer nosso trabalho, que ele lavaria a louça, então eu e Collin subimos para meu quarto — aquela carinha.
Eu realmente não sei como meu pai deixou nós ficarmos sozinhos no meu quarto. Pode ser que... Collin criou uma ilusão na cabeça do meu pai? É óbvio que sim, um pai não deixaria uma filha sozinha com um cara que mal conhece — pelo menos ele acha que não -, que pode muito bem ser um estuprador, ou deixaria? Dúvida eterna...
– Podemos falar sobre aquele assunto? — perguntei, quase sussurrando.
– Acho que sim — ele respondeu, anotando algumas coisas no caderno.
– Então... Eu acredito mesmo que você seja um... anjo caído...
Ele parou de escrever, e voltou sua atenção à mim.
– Olha, Lauren, eu sei que deve ser meio complicado entender esta história, e se você não quiser acreditar, não posso forçá-la.
– Está insinuando que estou mentindo? — Me levantei, e ele também, coçando sua nuca. — Como assim? Claro que eu acredito, talvez uma parte de eu não esteja totalmente certa de que é verdade, mas eu acredito.
– Bem, isso foi mais fácil do que eu imaginei — ele sorriu de lado.
– O que você quer dizer com isso? — perguntei, surpresa comigo mesmo por ter ficado tão surpresa.
– Uh, eu pensei que você ficaria irada, que não falaria mais comigo, que diria que eu sou um psicopata querendo te estuprar, um mentiroso, hipócrita, enfim, a lista das minhas teorias é longa.
Eu soltei uma breve gargalhada, e ele acabou rindo, mas acho que mais da minha risada do que da situação.
Nós voltamos ao trabalho, e logo ele foi embora, mas antes rolou um selinho — aquela carinha.
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