Blood Moon (HIATUS)
11 Despercebida
– Onde você estava, Lauren? — perguntou meu pai enquanto eu sentava na mesa.
– Ahn...
– Ela... estava conversando com um amigo — me interrompeu Victoria, sentando ao meu lado na mesa.
– É, estava. Sobre nosso trabalho de biologia em dupla — falei com a voz trêmula.
– Tudo bem, então. — Ele sorriu.
Nós duas sorrimos também, e eu peguei meu suco que estava em cima da mesa e tomei um gole.
– Vou indo lá com o meu pai — Vic disse se levantando. — Aproveitem o baile! — ela disse de longe, acenando.
– Pai, podemos ir para casa? Estou cansada...
– Claro — ele respondeu. — Vamos.
Ele levantou-se e afastou minha cadeira da mesa, para que eu pudesse me levantar. Entrelacei meu braço no dele e fomos em direção ao guarda-volumes onde deixamos nossos casacos.
Fomos até o estacionamento e entramos no carro. Coloquei meu casaco, pois a brisa da noite estava gelada.
– Se divertiu, meu bem? — meu pai perguntou, manobrando o carro para sairmos de lá.
Lembrei-me do beijo que Collin me deu, e involuntariamente suspirei.
Demorei um pouco, mas por fim, respondi:
– Me diverti muito. Valeu a pena. E você, gostou? — perguntei.
– Claro. Viremos no ano que vem? — Ele olhou para mim, que estava olhando pela janela para as árvores beira-estrada.
– Pai, temos um ano ainda para pensar.
Ele soltou uma gargalhada, e disse:
– Temos mesmo.
Mal prestei atenção nas suas últimas palavras, pois estava prestando atenção na criatura familiar parada em frente à cerca de madeira branca.
Era ele. O homem de capuz preto.
Soltei um grito baixo de susto, mas que foi suficiente para meu pai voltar sua atenção para mim.
– Lauren? O que aconteceu? — Sua voz era de surpresa e susto.
– Nada. Desculpe. Achei ter visto um animal morto. Mas não era, foi só uma ilusão de ótica — menti.
– Ainda bem. Que bom que não foi nada.
Ele voltou a prestar a atenção na estrada.
Fiquei com tanta vontade de ligar para Collin quando cheguei em casa, mas contive esta vontade, e resolvi tomar um banho.
Peguei um lencinho demaquilante na gaveta da pia do banheiro e removi toda maquiagem. Tirei minha roupa e entrei debaixo do chuveiro. A água era quente, deliciosa. Lavei-me, desliguei o chuveiro e enxuguei-me. Coloquei meu pijama que estava pendurado atrás da porta do banheiro e voltei para meu quarto.
Um mão envolveu meu pescoço e prendeu minha boca. Gritei de pavor, achando que fosse o homem de capuz preto, mas a mão abafou o som da minha voz.
A mão me soltou, e eu virei-me para ver quem era. E era Collin. Ele fechou a porta atrás de mim.
– Graças a Deus!
Disparei em sua direção e ele me apertou em seus braços.
– Você não faz ideia do alívio que estou sentindo. Mas... Como você entrou? — perguntei.
– Eu tenho meus truques. — Ele deu aquele sorrisinho torto. — O que aconteceu para você estar tão assustada, Princesa?
– Eu o vi de novo — respondi. — Espera aí, Princesa?
– Não gostou? Posso te chamar de gracinha, ruivinha...
– Não! — interrompi. — Princesa tá ótimo. Mas esta não é a questão. Eu vi o cara que tava me perseguindo. Quando tava voltando para casa.
– Ele te machucou? Fez alguma coisa? O que ele disse? — ele disse rápido.
– Não, eu estava no carro. Ele estava de costas, acho que não me viu.
– Ainda bem. — Ele me abraçou de volta. — Fiquei preocupado.
Olhei para ele, e perguntei:
– É por isto que está aqui? Você não vai embora, não é?
– Seu pai não iria gostar se me visse aqui com você estas horas.
– A gente dá um jeito — eu disse, e ele me puxou para um beijo. O primeiro toque foi devagar, mas depois foi ficando mais rápido. Ele me pegou no colo e eu o prendi com minhas pernas. Ele me levou para minha cama, e ficamos lá nos beijando.
Coloquei a mão dentro da blusa dele, e toquei suas costas. E aquela sensação de estar chapada tornou.
"Eu estava em um lugar estranho. Parecia Itália. As casa tinham uma arquitetura antiga. Era dia, e o sol estava escondido sob as nuvens no céu. Gramas e flores, montanhas e árvores, rochas e uma brisa gelada. Desejei ter um casaco.
Um homem de aparência jovem — não parecia ter mais de 45 anos — com cabelos grisalhos, e um rapaz, que estava de costas para mim — mas eu sabia quem era ele, só não me recordava — conversavam baixo do outro lado da rua de paralelepípedos.
– Eu não vou fazer isso! — disse o rapaz.
– Você precisa fazer isso! Você sabe que tenho uma pena sua. Não é uma questão de escolha — respondeu o homem.
– Vou pensar no assunto. Preciso ir. Tenho um compromisso.
O rapaz — que agora sabia quem era — virou-se e foi embora.
Collin.
Era Collin falando com o homem.
Mas por que eu estava vendo aquilo? Seria um sonho?"
Abri os olhos e Collin estava do meu lado, olhando-me com uma expressão assustada.
– Collin? — falei com a voz baixa e trêmula. — O que aconteceu?
– Você tocou nas minhas costas, não foi? — ele perguntou, com a expressão vazia.
Me levantei e sentei, então respondi:
– Eu não sei. Não me lembro. Acho que sim. Mas porquê? — Franzi o cenho.
– Acho que está na hora de lhe contar tudo. Mas preciso que me ouça até o final. Prometo que vou responder tudo, mas primeiro me ouça.
†
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