Blood Moon: A ascensão
2 Capitulo 02: A descoberta
Notas iniciais
... Atlas ...
Eu vi Abnara ser fundada, crescer e se tornar este grande império feito de pedra. O clima por aqui é agradável no verão, mas no inverno o frio é assustador. No momento os raios de luz do verão preenchem as lacunas das grandes construções feitas de pedra.
Mas é a vila que me encanta. Por séculos observo as gerações nascerem e morrerem por aqui. É triste mas é necessário entender que quando você é imortal você não pode amar a ninguém. Se eu ao menos pudesse doar um pouco dos meus infinitos dias para essas pessoas...
Acorrentei os meus sentimentos a vida inteira. Sou proibido de amar. Não posso ter envolvimento com nenhuma mulher, nem mesmo amizade. Embora não seja um, ainda tenho traços de um humano, eu sinto amor.
Vivo minha vida com inúmeras restrições, a vida inteira sendo guiado e controlado por quatro entidades fazendo tudo que sou requisitado. Sou necessário para o equilíbrio do mundo, eles dizem. Você é o único que pode nos proteger, eles dizem. Mas sejamos francos, o que EU ganho com tudo isso? Equilíbrio no mundinho dos humanos que eu não posso amar?!
Sinceramente, eu cansei de ser um escravo dos elementos. Eu acho que finalmente encontrei alguém que eu ame de coração e alma, alguém que eu largaria tudo apenas para tentar.
Ela se chama Syndra. Nunca cheguei muito perto dela, desde criança observo ela em forma de pássaro. Mas, conforme o tempo passou, me apaixonei por seus longos cabelos negros caindo de forma organizada pelas costas e me encantei pelo brilho de seus olhos, azuis como o mar.
Já pensei várias vezes em falar com ela, chegar e dar um ''olá'', me apresentar. Um dia cheguei suficientemente perto dela para enxergar os detalhes de sua face e de suas roupas surradas de plebeia. Mas eu não estava com minha aparência de humano, eu estava na forma de um corvo.
...
Estou voando, em forma de um falcão, saindo da grande Abnara e indo em direção do que eu costumo chamar de casa. Depois de voar por um bom tempo, chego a um pequeno vilarejo. Mesmo visto de cima esse pequeno aglomerado de barracos feitos com madeira é quase impercebível no meio da rica fauna da região.
É aqui nesse conjunto de simples barracas feitas com a matéria prima da região (madeira) que eu ''moro'', apesar de não passar a maior parte do tempo por aqui.
Pouso na terra e me transmuto, assumindo agora a forma humana. Caminho por meio das barracas, com meus longos cabelos presos balançando devido à desnivelação do solo. Ouço suaves sons de passos atrás de mim e então me viro, já imaginando o que iria acontecer: "minha onça de estimação", um animal que eu tenho muito carinho. Chamo-a de Misty. Aqui costuma ser um centro para os animais da região, eles gostam de mim.
Aos poucos chega o restante dos animais que costumam habitar a região, interajo com eles por algum tempo e vou atrás de algumas frutas para comer. Subo em uma pequena árvore, seus galhos lotados com pequeninas frutas roxas, doce como o mel. Apenas deslizo minhas grandes mãos pelos galhos para que os frutos caiam no chão. Percebo que as folhas estão balançando velozmente, fora do normal.
Desço da árvore e junto nas mãos uma boa quantidade das frutinhas recolhidas no chão. O clima mudou repentinamente, agora está frio.
Volto para o vilarejo e percebo que todos os animais haviam desaparecido. O frio aumentava cada vez mais enquanto meu cabelo balançava com a forte brisa que passava por ali.
Ouço uma voz forte vinda de trás de mim. Não era uma voz comum, tinha um tom sombrio misturado com a fúria dos ventos.
– Para que comer se você não sente fome?
Largo as frutinhas no chão e me viro o mais rápido que posso. A aparência do Ar não a melhor, todo esse tempo e ele ainda me causaa calafrios. Você pode ver ele, e também não pode, ao mesmo tempo. Não existia um corpo estruturado. Você não pode tocar nele.
– Posso te ajudar em algo? — Digo com um tom firme.
– Responda minha pergunta primeiro meu querido, ia comer ou leva-las para alguém? — Há pequenos sopros em sua voz.
– Oras, e para quem eu levaria?! Não é do gosto das feras esses pequenos frutos. — Encaro-o com muita seriedade.
– Não ignore a situação rapaz. Eu conheço claramente seus sentimentos e intenções. — Ele passa a se mover em círculos ao meu redor. Está me cercando.
– Eu não sei do que está falando. — Tento esconder, mas com certeza ele sabe. Ele me observa o tempo todo, ele é o Ar e o Ar está em todo lugar.
– Meu querido, você não conhece aquela mulher. Você a viu crescendo, eu sei, mas não é de seu conhecimento os detalhes da vida dessa dama.
– E o que eu preciso saber?
O Ar ri.
– Conte logo! — Grito.
– Todo esse tempo e você ainda pensa que ela é humana, não é? — Diz com um tom de deboche em suas palavras.
– S-Se ela não é humana... O que ela é?
– Ela é uma Filha da Lua. (Risos). Você é um palerma mesmo, não? Sua paixão te cegou e você não enxergou isso.
Sem reação fico olhando para o nada, ainda raciocinando a informação.
– E se mesmo assim, se você não desistir dessa ideia maluca de falar com ela EU irei interferir. Eu tenho certeza que você não quer ver a garota machucada.
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