Blood Machine - Uma Banda de Rock
3 Integrantes
- Você ainda se lembra? Lembra-se de quando nos conhecemos? – falava uma voz meio metálica no interfone de uma penitenciaria
O detento ficou alguns minutos em silêncio do outro lado do vidro. Em seguida, mirou o indivíduo que havia ido visitá-lo.
- Lógico que eu me lembro, foi a partir desse dia que minha vida começou a mudar. – respondeu
***
11 anos atrás...
- Esse é William e esse aqui – disse Tommy apontando para o homem ao lado de William – é Rodrigo.
William havia finalmente chegado ao QG da sua nova banda. Havia sido uma viagem e tanto para chegar até lá. Durante todo o percurso até ali, o guitarrista havia pensado no caminho que Tom havia percorrido para falar com ele e agradecia a si mesmo por ter aceitado aquele convite. Na verdade, William estava realmente entusiasmado com aquele projeto e sabia que daria tudo de si por aquela banda. Afinal de contas, alguém que ele respeitava muito que havia o chamado e não gostaria de decepcioná-lo. Rodrigo estava meio sem-jeito de estar ali, mas Tom havia insistido para ele acompanhá-los.
- Esse é George, o vocalista da banda – falou apresentando William ao homem que estava a sua frente. George aparentava ser bem-humorado. Possuía cabelos curtos e loiros que contrastava com sua pele parda. William apertou a mão dele e Tom prosseguia com as apresentações – e esse é Ren, o baixista.
Já Ren, possuía um estilo mais reservado. Ambos se cumprimentaram apenas com um tímido: “Oi.”
- Onde está Jenny? – perguntou Tom a procurando pelos vários quartos daquela residência.
- Onde ela sempre está. – respondeu George
- Venham! Vou apresentá-los a companheira de instrumento de William. – disse Tom caminhando em direção a única porta fechada.
Ao atravessar aquela porta foi que William teve a consciência do tamanho do comprometimento de cada membro daquela banda. Havia um estúdio próprio naquele quarto com tudo que havia de mais moderno. Dentro da sala acústica estava uma menina de cabelos pretos longos com um caderno apoiado em suas pernas e cantarolando uma canção de acordo com que a anotava em seu caderno. O pouco que William conseguiu ouvir foram frases sem sentido como: Nã nã nã nã familiar faces Nã nã places Nã Nã out faces. Ela ainda estava construindo a letra, mas já possuía na cabeça toda a melodia. William achava aquilo tão bonito que ficou com pena quando Tommy apertou uma espécie de interfone para se comunicar com ela:
- Jennifer, venha conhecer William.
A menina levantou-se graciosamente de onde estava e foi para a parte técnica do estúdio. Ela era meio tímida, mas dentro dos olhos dela podiam-se enxergar muito carinho e amor.
- Essa menina, William, foi o que me manteve equilibrado durante todos esses anos. Ela é a irmã que eu nunca tive. Devo muito a ela. – discorria Tom sobre a garota
Após alguns minutos de conversa, Tommy falou:
- Rapazes, temos um plano para hoje a noite. Como vocês são novos na cidade, iremos levar vocês para um barzinho que nós costumamos a se apresentar.
- Obrigado pelo convite, Tom, mas terei que recusar. – falou Rodrigo – estou muito cansado e não vou poder acompanhar vocês.
- Tem certeza? – insistiu Tom
Essa já era a segunda vez que ele fazia isso e Rodrigo já estava começando a ficar irritado. Por esse motivo, teve que se opor. Pelo menos, dessa vez.
- Tom, foi mal. Sei que não faltaram oportunidades nós irmos nesse barzinho.
***
- Você sabe que nós tivemos muita sorte desde o começo e que você conseguiu estragar tudo, não é? – continuava a voz metálica no interfone
- Vocês que me obrigaram a fazer tal ação, Ren. – falou o prisioneiro para o homem do lado de fora
- Tchau, não agüento mais ouvir sua voz. – disse Ren se levantando da cadeira e indo em direção a saída
- Espere. Eu queria somente fazer mais uma pergunta: Naquela ultima apresentação, vocês sentiram remorso?
Ren deu uma ultima olhada para o prisioneiro e saiu daquela sala.
***
11 anos atrás...
- Hoje, senhoras e senhores, temos o prazer de apresentar William, ex-guitarrista da banda “Rest in Piece” e atual da banda “Red Herring”, fazendo uma incrível apresentação solo! – falou Tom no microfone do bar
William que descobriu que iria se apresentar no momento em que chegou ao local foi pego totalmente de surpresa. Mas, Tommy sabia no que estava metendo o amigo, sabia que William se apresentaria magistralmente. Ainda mais, se tratando da música que ele mais havia tocado em sua antiga banda.
- Queria dizer que é um prazer estar tocando com essa banda hoje. – dizia William para a platéia que o encarava
A introdução da música era impossível de não ser reconhecida e fez com que os pêlos da nuca de William se eriçassem, como sempre. Havia sido uma excelente escolha já que era uma das poucas músicas que estavam registradas no nome de William e que ele poderia cantá-la sem nenhum problema legal.
Am I going insane (insane)
My blood is boiling inside of my veins
An evil feeling attacks (attacks)
My body's shaking there's no turning back
Eles nunca haviam ensaiado, mas William sentia uma sintonia naquela banda. Jennifer, cujo qual William estava muito empolgado para vê-la tocar, fora uma excelente surpresa. Enquanto William solava em sua guitarra, a menina fazia a base com completa harmonia.
So take your eyes off the trigger
I'm not to blame if your world turns to black
As your eyes start to blister
There's just no hope for a final embrace
O que ele poderia dizer do vocalista, então... O cara possuía presença de palco. Podia sentir a energia em sua voz. Enquanto o baixo mantinha a ordem da bateria. Que, aliás, era um dos destaques da banda. Quando Tom falou que tocaria “caralhosamente” não estava mentindo.
You were told to to run away
Soak the place and light the flames
Pay the price for your betrayal
Your betrayal, Your Betrayal
I was told to stay away
Those two words I can't obey
Pay the price for your betrayal
Your betrayal, Your Betrayal
Quando havia escrito essa música, ele não esperava que a mesma fizesse tanto sucesso. Aliás, a história daquela música era um tanto quanto dramática. Nem os próprios membros da sua antiga banda sabiam a mesma, mas também eles nunca se importariam. Na verdade, eles nunca se importaram verdadeiramente com ele.
***
11 anos depois...
Todos já pressentiam que a música estava chegando ao fim e, querendo aproveitar ao máximo, faziam o backing vocal no lugar do baterista. Ao final da música, todos os integrantes do “Blood Machine” saíram do palco da mesma forma que entraram: sem serem percebidos. E, para a multidão de fãs, bastou olhar para o Bugatti Sport – símbolo da banda — para saberem que a banda estava de volta à ativa.
- Vamos, Jennifer! – disse Rodrigo
***
- Eu estou indo galera! – falou Jennifer colocando a bolsa da sua Fender Jazz '77 em seu ombro.
- Jennifer, a noite é uma criança! – dizia William um pouco alterado depois de beber tanto
- Valeu, mas eu passo. – disse ela se dirigindo a saída
Ela começou a andar em direção ao seu apartamento. Já havia se acostumado a carregar o peso do seu instrumento em seus ombros e por isso, nem ligava mais para esse fator. Olhava para o outro lado da rua, quando seu olho interrompeu-se em uma lanchonete. Dentro dela, sozinho, estava o amigo de William. “Qual era mesmo o nome?” pensava a menina “Ah, sim! Rodrigo!”. Por mais que ela quisesse nunca se esqueceria do nome dele.
Ele fora a primeira pessoa que ela olhou e simpatizou. Enquanto conversaram no estúdio foram descobrindo mais um sobre o outro e, inclusive, rolou uma espécie de atração. Mas, nada que realmente concretizasse. Essa poderia ser sua chance para ambos se conhecerem “melhor ainda”. Entrou no estabelecimento e foi logo se dirigindo aquele menino:
- Precisa de companhia?
***
11 anos depois...
Rodrigo e Jennifer foram saindo do show de reunião do “Blood Machine”. Na verdade, eles só tiveram do que acabaram de presenciar quando viram o carro preto passar por eles. O carro que era a marca-registrada da banda. Eles ainda tinham boas lembranças daquele carro e... Um estrondo fez com que os pensamentos de ambos se desviassem de sua linha de raciocínio. O Bugatti Sport havia explodido. Fagulhas planavam no ar e a platéia, que observava, estava atônita.
***
William, Tom, George e Ren riam enquanto conversavam no bar depois do show. Porém, uma reportagem que passava na televisão conseguiu prender a atenção de Tom. Ele logo avisou os outros para prestarem atenção também:
- Oi, aqui é a repórter Fernanda! Estamos em frente ao bar Highway To Hell onde o ônibus da banda “Rest in Piece” acaba de explodir. Não há relatos de sobreviventes e as autoridades acham que pode ter sido provocado por um ato criminoso...
William resumiu-se a um baixar de cabeça.
Notas finais
(*)Tradução dos trechos:
Am I going insane (insane) (Eu estou ficando louco? (louco))
My blood is boiling inside of my veins (Meu sangue está fervendo dentro das minhas veias)
An evil feeling attacks (attacks) (Um sentimento ruim me atordoa (atordoa ))
My body's shaking there's no turning back (Meu corpo está doendo não há mais volta!)
So take your eyes off the trigger (Então tire seus olhos do gatilho)
I'm not to blame if your world turns to black (Eu não vou culpar-me se seu mundo se tornar preto)
As your eyes start to blister (Enquanto seus olhos começam a falhar)
There's just no hope for a final embrace (Não há esperança pra um último abraço!)
You were told to to run away (Te disseram para correr pra longe)
Soak the place and light the flames (Mergulhe no local e veja a luz das chamas)
Pay the price for your betrayal (Pague o preço pela sua traição)
Your betrayal, Your Betrayal (Sua traição, Sua Traição)
I was told to stay away (Me disseram pra ficar longe)
Those two words I can't obey (Essas duas palavras eu não consigo obedecer)
Pay the price for your betrayal (Pague o preço pela sua traição)
Your betrayal, Your Betrayal (Sua traição, Sua Traição)
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