Blood Love Pain
4 IV - Pequenas Gotas de Desolação
Notas iniciais
:*
- Olá lindinha! — Os gritos debochados dos grande rapazes vestidos com o uniforme de futebol eram tristes de ser ouvidos pelo loiro que entrava na escola, chegava a ser doloroso, mas ele sempre soube que a partir do momento em que se assumisse teria esse problema, e o pior era ver a face de seu irmão, o preferido, lhe desaprovando, coisa que deixava Frank ainda mais enfurecido, pois ele havia feito coisa muito pior que o pobre Mikey, havia matado um garoto incrível e ainda por cima o estuprado. Não tinha direito de ferir o sentimentos de alguém tão bom quanto o loiro.
Mikey por sua vez preferiu manter o silêncio, somente por isso Frank não disse nada, ambos entraram sozinhos na escola, tentando conversar calmamente entre si. Nenhum dos dois sabia se tinha algum amigo, talvez Lucie ainda se considerasse amiga de Frank, sempre foram muito próximos, desde que eram bebês, mas ela havia se afastado após a morte de Brian, sabia que Frank triste gostava de ficar só, ela o conhecia mais do que bem.
- Oi Lu... — Frank disse baixo ao entrar na sala de aula, sem a companhia de Mickey, por ele ser mais novo e estar em outra série.
- FRAN! — Ela abraçou ele de um jeito que não fazia há um bom tempo. — Fazia um tempo que eu estava com vontade de falar com você! — A morena de olhos verdes como sempre trajava roupas pretas, muitos adereços xadrez de preto e branco e a camisa sempre era de uma bande de rock diferente, hoje a escolhida fora Good Charllot.
- Também senti falta de falar com você... Mas você sabe como é né? — Ele deu um sorriso torto para ela, meio tímido.
- Eu sei... Te conheço mais que bem. — Ela sempre fora alegre e expansiva, do tipo que gostava de abraçar, beijar, era o tipo de pessoa que transmitia seu sorriso para os outros, e mesmo depois de descobrir que seu grande amor, Danny, escolhera seu melhor amigo não havia deixado de lhe tratar com esse carinho intenso.
Assentaram-se perto um do outro, na última fila, Frank tentou não olhar para a figura de blusa vermelha que entrara na sala, seu maior problema, mas era quase impossível ignorar o rapaz de sorriso cínico cercado por pessoas não muito diferentes de si, somente menos cruéis, pois Frank de certa forma sabia que o resto do time nunca estuprara nem matara ninguém.
Ele olhou para o moreno, que como sempre, fez questão de lhe sorrir ainda mais ironicamente, chegou ao lado de Frank e se sentou.
— Olá Frankie, como é viver com o meu irmãozinho boiola? Vocês dois dividem o quartinho? E a caminha dividem? – A voz cruel e enlouquecida de Gerard causava em Frank terríveis náuseas, era como escutar o próprio demônio lhe dirigindo a palavra.
Ele preferiu não respondem Gerard por sua vez não parecia com mais vontade de brincar, ele somente ficava olhando para Frank, com uma face ilegível, era quase como se quisesse ler-lhe os pensamentos, se divertir com suas angústias.
(Frank Pov)
Eu não aguento ter o Gerard perto de mim a todo momento, ele é um verme desprezível, um idiota, um canalha, um louco... E o pior de tudo um assassino. Um maldito assassino, ele matou meu Danny... Ele me enlouqueceu, ele tirou toda a minha paz e eu burro como sou por um medo idiota e incondicional não tenho coragem de contar a ninguém o que eu vi.
A aula terminou finalmente, não aguento mas ficar aqui dentro escutando as palavras nojentas do bando de preconceituosos trogloditas descerebrados dessa maldita escola, ainda mais depois que vi um dos meninos do clube de luta ameaçar bater no Mikey, eu juro que se ele tivesse feito algo eu teria perdido o controle, não que eu baixinho e fracote do jeito que sou conseguiria causar algum da nele, mas eu tentaria.
— Hey Frank, chama o Mikey, vamos fazer um lancha antes de ir pra casa! Lá no Starbucks! – Lucie sempre foi assim, uma flor, sempre tentando fazer os outros sorrirem, esse é um dos principais motivos pelos quais eu sou amigo dela.
— Vai indo, eu vou esperar ele no jardim, agente combinou lá, parece que o Gerard queria falar com ele. — Isso me dá raiva, por algum motivo o Mikey se obriga a conviver com o irmão. Sabe eu intendo que ele queria conviver bem com a família, mas o Gerard provavelmente não quer falar nada de bom com ele, no máximo vai dar um soco na cara dele lhe xingar de qualquer coisa e ir embora.
— Não fica preocupada Fran, ele é grandinho, pode se cuidar... Mas ok eu espero você na nossa mesa de sempre. E já vou fazer o pedido de sempre. Sabe o que o Mikey gosta? – Ela sempre sabe quando eu estou preocupado, triste, ou qualquer coisa assim. E sempre sabe o que eu estou a fim de beber, são sempre os mesmo pedidos, desde que agente tinha 13 anos.
Eu a vi descendo as escadas rapidamente, ela mesmo tendo todos os problemas que tem, é filha de pai solteiro, tinha constantemente problemas de saúde e não tem muito dinheiro, ainda sim é animada e otimista, eu a admiro isso demais nela, nunca se deixa abater, tirando por alguns momentos, dias incertos de acontecimentos ruins, que ela ia se trancar na quarto e chorar, me ligava duas ou três da madrugada aos prantos dizendo que ia se matar, mas ai, algumas palavras doces, lembranças bonitas e ela voltava a dar suas gargalhadas, as vezes me pergunto como ela suportou os primeiros dias em que eu e Danny estávamos juntos, ela pode não saber disso, mas eu sempre soube que ela o amava, até mesmo mais do que eu, mas eu também o amava, amava muito, e estaria mentindo para mim mesmo ao recusar quaisquer sentimentos que ele tivesse por mim.
Melhor eu ir pro jardim, Mikey já deve até estar lá me esperando.
Fui chegando ao jardim, como esse jardim era lindo, escondido atrás da escola, poucas pessoas sabiam de sua existência, por isso as vezes eu vinha aqui com o Danny, Agente ficava abraçados olhando pras flores, era bem bonito, mas hoje me parece somente mais uma lembrança triste.
Mikey ainda não chegou. Melhor eu me sentar. Talvez a conversa seja séria.
— Oi... – Escutei a conhecida voz de Mikey em minha costas, ele não parece mal, mas também não me parece bem. Ele se sentou ao meu lado sem dizer mais nada.
— Como foi?
— Não dissemos nada, ele simplesmente sorriu pra mim de uma forma estranha, me entregou uma caneta que pegou emprestado há mais de dois anos e não disse mais nada.
— Uhm... Bom, vamos indo! Eu vou te apresentar uma amiga muito querida! Vamos tomar café do Starbucks! – Eu não quero ficar aqui vendo ele com essa face triste, quero vê-lo sorrir, assim como ele sem perceber faz comigo.
— Ok... – Ele está sorrindo como eu nunca vi. Sabe, é bem estranho pensar que nos conhecemos de verdade há tão pouco tempo e é como se fossemos amigos há anos. Acho que é por termos tantas dores em comum, acabamos sendo melhores em nos entender e em nos querer felizes.
Notas finais
:*
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