.:Frank and Serena:.

Era sexta a noite, Max, Dot e os outros saíram a procura de Cassie e novamente eu e Serena ficamos como equipe de apoio (Fico pensando quando eu e ela finalmente teremos uma chance de mostrarmos do que somos capazes...) . Max decidiu que hoje a casa não iria abrir para o publico então aproveitei o tempo para mais um treinamento com ela, Serena tinha se ausentado ainda em sua visita com seus amigos da AVI mas eu a chamei para voltarmos as nossas atividades (Aproveitar agora que Sylvie sumiu misteriosamente..)

Eu estava junto a Maia, um mulher gordinha com braços fortes e largos, pernas largas e coxas grossas, seu rosto era rechonchudo e seu nariz era pequeno e achatado, Maia iria fazer parte do treinamento de hoje, ela estava sentada no meio do salão, em uma cadeira grande e acolchoada em que arranjei. Eu estava próximo ao balcão olhando a porta enquanto girava uma adaga nas mãos, combinados de que ela deveria estar aqui as 20h30 mas já eram 21h45.., de qualquer forma só podíamos esperar por sua chegada agora.

Corria o mais rápido que podia, mesclando-se às sombras da cidade. Perdera a noção da hora ao visitar Lincoln em sua casa, onde Joan também estava e uma recém conhecida, uma vampira chamada Lynn, pela qual simpatizou. Parecia ser uma boa pessoa.

Era bom vê-los novamente, depois de... bom, depois de ter morrido e se transformado em vampira.

Logo quando abraçou Joan ao chegar, ela fez um comentário revelador, mas com falsa cortesia:

"Há! Agora tenho dois dos meus amigos vampiros!" — Ela deu um tapa de leve no ombro de Lincoln, que deixou de sorrir, adquirindo uma feição de vergonha.

Se virou para Lincoln, franzindo o cenho, mas antes que ele pudesse falar algo, Joan logo a deixou a par dos dias perdidos; a missão de resgate que os ocupou nos últimos dias, e a revelação de que Lincoln era um híbrido, filho de um dos vampiros mais antigos do mundo.

Após essa notícia, Lincoln, que a encarava com medo de ela se afastar dele, ficou surpreso com o sorriso que recebia. Mas seus olhos brilhavam, como se visse uma coisa nova, tentando entender como funcionava...

– Um Dhampir? E nunca me contou isso?! — Ela deu-lhe um tapa na cabeça e, no instante seguinte o puxou para um abraço apertado, rindo. — Isso é incrível.

Ele estava sem jeito, sem saber como reagir diante daquilo, mas abriu um sorriso, retribuindo o abraço.

– Obrigado. — Disse ele de modo aliviado. — Senti sua falta.

Pouco tempo depois, após colocar os papos em dia e lamentar não ter Richard ali para completar o grupo, se despediu de todos na pressa, logo vendo que estava assombrosamente atrasada.

***

Sua camisa e jaqueta esvoaçavam ao vento diante da velocidade vampírica. Era incrível a sensação. Sentia seus cabelos ( seus cabelos reais! ) chicoteando sua nuca, lhe dando pontadas de dor. Mas não se importava. Ironicamente, agora sendo vampira, nunca tinha se sentido tão viva.

A fachada do Sexxx Dreams crescia aos poucos, quanto mais se aproximava. "Ah, deuses. Ele vai me matar..." Pensou, culpada, parando na soleira da porta de entrada. Mas antes de abrir a porta, ouvia um coração pulsante, e uma sensação de desconforto surgiu em sua garganta. "Ou talvez me impeça de matar..." Suspirou.

Respirou fundo, aproveitando as últimas lufadas de ar gélidas, e entrou no estabelecimento.

Ao ouvir seus passos próximos a entrada da porta, saltei velozmente pelo balcão e cai como um gato no chão caminhei rapidamente para próximo de Maia e fiquei ali para frente de Serena com os braços cruzados (Não é justo culpa-la, ela não os via a dias mas é sempre bacana dar um susto não é? , E claro tudo fazia parte do treinamento! )

–Por que diabos demorou tanto Serena? — Dei um único passo a frente e meticulosamente mexi meu braço rapidamente em um movimento brusco e lancei aquela adaga em que segurava na direção dela. (Se realmente tiver absorvido o treinamento longo em que passamos, essa adaga não será nada para ela.)

– Eu sei, me des- MAS QUE PO-... — No mesmo instante que vira o movimento brusco, ergueu a mão por reflexo, parando a adaga no ar ao segurar no cabo, embora de modo meio desengonçado.

Droga, tinha perdido seu suprimento de ar. O cheiro humano desconhecido arranhou-lhe o pescoço, mas tentou manter-se no controle. Evitou olhar para a humana presente.

– Isso é mesmo necessário? — E jogou a adaga de volta para ele, embora sem velocidade, vendo a adaga girar no ar, fazendo uma trajetória em arco até Frank.

– Enfim... — Retirou a jaqueta, jogando-a na cadeira mais próxima. — Eu não os via faz quase uma semana, me dê um desconto, vai...

E sorriu, saltitando pomposamente até Frank e lhe dando um abraço cordial.

– Me desculpe. Perdi a noção da hora.

E logo se afastou, fechando a porta de entrada.

Era estranho. Sentia uma empatia forte sobre Frank. Não sabia se eram seus legítimos sentimentos ou só por ele ser seu criador; ou ambos. Mas sentia-se segura perto dele. E isso era bom, eu acho.

Sorriu assim que a viu segurar no cabo da adaga, ergueu as mãos e bateu palmas cordialmente, era visível que de alguma forma toda a inteligência de Serena ainda se mantinha intacta com o vampirismo. Dei mais alguns passos a frente e segurei a adaga de volta pegando-a no ar com facilidade a logo a arremessando em direção ao balcão do bar.

–Sem problemas.., mas avise, mande mensagem ou algo do tipo e é bom ver que está feliz.. -E fui surpreendido por um abraço dela, e a abracei de volta e por fração de segundos fechei os olhos e pude sentir todos os aromas que percorriam seu corpo e todos o meu favorito era o seu, a essência original e única da vampira em que eu acabara de criar.

–Enfim, vamos seguir em frente com nosso treinamento.., essa aqui é a Maia. — Maia levantou e seguiu até Serena, a mulher vestia um vestido largo azul escuro que chegava na altura de seus joelhos gordinhos.

–Maia faz parte de uma empresa de alimentadores de vampiros, a XEON — Maia sorriu, assentindo e olhando Serena dos pés a cabeça. — Ela é uma funcionária responsável por alimentar vampiros por um preço, eu paguei Maia mais cedo e ela estará conosco a noite toda.

Indiquei a cadeira e Maia voltou a se sentar e fiz um gesto para Serena a chamando para mais perto, (É complicado dizer : ''Ei, Serena quero que você morda essa moça sem mata-la!'') qualquer palavra mau interpretada poderia dar no fim da engraçadinha moça.

–Serena..., no vamos treinar a alimentação.., seu objetivo hoje será se alimentar de Maia.., se alimentar sem machuca-la gravemente.- Espero que eu não tenha soado direto de mais. — Ficarei o tempo todo ao seu lado lhe dando dicas de como agir e manterei a paz e o controle ente vocês duas.., enfim comece quando estiver pronta.

Encarei Serena dando-lhe um sorriso encorajador, de primeira não seria nada fácil.., Serena se mantem passiva e com suas emoções humanas a flor da pele esse treinamento poderia causar sérios danos a sua ''Estabilidade Vampiresca'' (Lembro-me da minha primeira vitima.., o homem em que matei mal pode ter um enterro nobre.., eu estava tão desnorteado que joguei o corpo no riacho perto da floresta.., Ôh tempos de glória) Deixando a nostalgia de lado, era de vê-la em ação!

Já tinha ouvido falar da XEON, mas ver uma funcionária na frente dela era outra coisa. Imaginava o que levaria uma pessoa a vender seu corpo, vulgo sangue, para servir de alimento para vampiros. E o risco pela qual a pessoa passava? Bom... Naquele momento, eu mesma era o risco em questão, então decidiu deixar os pensamentos lógicos de lado.

– Não precisa me tratar como criança, Frank. — Disse com impaciência. — Eu tenho que morder e me saciar, sem matá-la. — E suspirou, fechando os olhos.

Desde que virou vampira, sobrevivera de bolsas de sangue, e até provara o famoso sangue sintético... Particularmente, parecia ter gosto de tofu. E não era um elogio.

– Desculpe-me caso eu faça algo que a fira, Maia. — Ela se aproximou da mulher rechonchuda e sempre cordial. Tinha leves impressões que um ser humano deveria estar ao menos sedado para ter essa calma perturbadora...

Circundou a cadeira até ficar atrás de Maia. Com delicadeza, se aproximou e afastou seus cabelos, deixando seu pescoço exposto, mas ele não era seu objetivo. Encarou seu ombro, onde tinha menos chances de causar algum estrago à alguma artéria. De repente, sentiu sua mente esvaziar-se, sendo dominada por apenas um desejo, no qual sua garganta ardia em protesto, reclamando o precioso líquido rubro que deveria consumir.

Então, movida por instinto, revelou os caninos afiados retráteis, logo mordendo o ombro da mulher sem pensar nas consequências. Aliás, não pensava em nada, só no sabor doce e viciante do sangue. E não pretendia parar.

Me inclinei e fiquei pertinho de Serena e Maia, pude ver aquele liquido vistoso derramando dos furos feitos por Serena, sua boca se alarmava de vermelho.., ela parecia desesperadamente faminta e sem perceber o que se passava, beber pela primeira vez o sangue humano é com certeza uma das melhores sensações que um vampiro pode sentir (Até mesmo mais do que um orgasmo! )

–Vá com calma e sinta o sangue fluir pelas veias dela.., você irá ouvir o coração pulsar mais devagar e essa é a hora de parar, quando os sinais vitais da vitima começarem a cair — Eu dizia próximo ao seu ouvido, estava me mantendo perto para intervir caso fosse necessário, Maia por sua vez expressa uma feições de dor mas acredito que ela fazia aquilo costumeiramente, não era nada fora de sua rotina sentir aquele tipo de dor.

A voz de Frank parecia distante para ela, como se não fosse importante. Sua única preocupação era beber mais e mais daquele fluido vital. Mas algo dentro de si a fez ir mais devagar, processando lentamente as informações. Sua parte racional entrava em conflito com a selvagem, em uma guerra para adquirir o controle de si.

De maneira receosa, permitiu-se sentir além do sangue da mulher; sentia suas pulsações, cada vez mais fracas, resultante da contínua absorção de sangue. Forçou-se a se afastar, mas algo a empurrava para frente. E ela sabia que não era Frank nem ninguém, era ela mesma. Por fim, retirou as presas do ombro da mulher, que remexia o tronco de modo tonteante, arfando e lambendo os beiços, engolindo o sangue ali acumulado e passando a costa da mão direita na boca. Sorriu com orgulho e satisfação, virando a cabeça, olhando Frank. Tinha conseguido.

–Você conseguiu! -Dei leves tapinhas em seu ombro e deu um largo sorriso (Ela é tão boa em tudo que faz.., é frustrante a mim saber que Serena foi dez vezes melhor vampira no começo do que eu..).

Caminhei rapidamente para o bar e peguei um copo tampado com um plástico da pia e levei a Maia, ela abriu e bebeu o sangue que eu tinha retirado mais cedo, ela não tomou mais de cinco gotas e os buraco em que Serena tinha feito logo sumiram.

–Sinto-me na obrigação de lhe compensar pelo seu trabalho nesse tempo Serena, você vem sendo uma ótima vampira, controlada e mantendo sua humanidade em um padrão altamente aceitável. — Dei alguns tapinhas no outro ombro de Maia e ela levantou, se despediu e logo saiu do Sexxx Dreams. — Me diga o que deseja e vamos lá! acho que você merece algo que sempre quis e agora você é capaz.

(Talvez se eu sugerisse abrirmos uma garrafa de Champagne iria parecer que quero embebeda-la para leva-la a cama? ) Com Serena as coisas deviam seguir um rumo diferente! , não posso deixar meus instintos sexuais falarem mais alto, ela é minha progênie e talvez eu seja tudo que ela tenha agora e preciso ser o melhor que ela tem, um amigo , um bom criador por que foi assim que Max me ensinou todos esses anos: ''Ser vampiro lhe dá anos de amor , ódio e força, mas acredite! anos de ódio são a pior forma de viver a eternidade com alguém.'' levarei isso a frente com ela.

– O que eu quiser...? — Pensa. Nunca parou para pensar no que queria fazer quando estivesse completamente bem e sã. Mordeu o lábio inferior, olhando para o chão.

– Eu não sei... Mas... — Olhou ele com um sorriso meio travesso, mas juvenil e ansioso. — Você pode me ajudar nisso, se quiser... — Diz, pensando que já que ele era um vampiro de longa data ( aliás, quantos anos ele deve ter? ), ele poderia mostrar quais eram os melhores prazeres de sua vida nova.

–Uhm..., A gente pode fazer inúmeras coisas mas quer saber? acho que está na hora de mostrarmos aos outros que úteis, o que acha de sair em uma aventura? Vamos achar Cassie antes deles! — Sorri travesso e caminhei em sua direção, agora que ela tinha acabado de beber o sangue humano uma explosão de adrenalina iria correr pelo seu corpo, Serena teria que se mostrar adapta aos desafios da noite agora.

Ela concordou e logo corremos para fora em direção a estrada, seguimos o caminho andando.., era só eu ela e som dos insetos e animais ao fundo vindo da Moon Forest, a estrada estava mal iluminada e o clima parecia animador para nós, mas de qualquer forma eu não fazia ideia onde Cassie poderia estar mas Serena é uma gênia! Eu havia lhe explicado tudo que acontecera no esconderijo dos Aniquiladores e o que houve com Cassie, e talvez ela pudesse saber onde uma garota de 17 anos, uma nova vampira depois de ter tido o pescoço quebrado poderia ter ido não é?

–Ei, Serena..., você sabe onde podemos encontrar Cassie? tem alguma ideia? eu realmente não sei o que pode ter acontecido para ela sumir ou fugir de nós.., ela faz parte de nós agora e claro eu e você temos que acha-la primeiro!

– Então... O tal do Cain, pai do Lincoln, mandou ela "desligar" antes de quebrar o.. Opa! — Desviou-se em alta velocidade do galho que quase passou despercebido. — Seu pescoço. — Retomou o passo.

Caminharam parecia ser quase 1 km antes de responder a própria pergunta.

– Eu não sou uma "profissional", mas relembrando dos dados que eu possuía na AVI, eu acho... Que ela deixou de ser humana. — Piscou os olhos, percebendo o que falara. — Digo... Ela perdeu sua humanidade. Mas nunca tinha ouvido falar de um caso verídico.

E logo após isso, se perguntava se poderia voltar à trabalhar agora que era uma vampira. Sentiu um aperto no peito. Amava seu trabalho. Não conseguia se imaginar fazendo outra coisa... Bom, não exatamente...

Era desperta dos pensamentos ao sentir o cheiro de sangue no ar. Era perto. Mas junto ao odor ouvia-se gritos, cada vez mais ficando abafados, até finalmente cessarem com um estalo de arrepiar a nuca. Reconhecia aquele som. Ossos. Olhou Frank, com uma expressão ao mesmo tempo de perturbada e amedrontada. Então, sem esperar uma autorização, correu na direção dos sons.

–Mas não faz sentido..., não pode ser Serena.. ele não teria esse poder, ele não seria capaz de fazer isso com ela.., Cassie é tão humana quanto você e simplesmente apagou?

Abafei o riso ao ver que ela quase trombou com um galho das arvores e seguimos estrada a frente se aproximando da cidade e foi ai que pude ouvir e sentir tudo aquilo em que Serena estava sentindo, algum vampiro ou outra criatura estava matando sua vitima a alguns quilômetros dali e logo Serena saiu na frente em disparada aos sons e odores, e eu sai atrás mesmo que ela tentasse ela não era mais rápida do que eu.. (Eu amo isso!) senti a brisa cortar meu rosto suavemente e corri na direção da O'lley Street.., passei sorrateiramente em um beco que cortava de frente a cena do crime; próxima a uma loja de conveniências ali estava três corpos jogados no chão e uma poça alarmante de sangue cobria boa parte do chão..., um deles estava com a cabeça deslocada o que mostrava que tinha sido mordido e depois seu pescoço foi quebrado violentamente.., eu estava a espreita e puxei Serena junto a mim, o assassino ainda pode estar ali mas algo dentro de mim não queria acreditar na possibilidade de ser Cassie, podia ser outro assassino, de qualquer forma esperamos alguns minutos até eu dar o sinal a ela e fomos a frente avistar o que tinha acontecido.

–Oh.. isso foi brutal.. — Caminhei silenciosamente e vi um dos corpos com os braços deslocados e a com perna totalmente envergada para trás e claro sangue para todo lado. Olhei Serena e esperei seu senso profissional e clinico me dizer mais de quem poderia ter feito aquilo.

– Me sinto humana de novo. — Riu, apesar da situação medonha que estava na frente dela. Era cruelmente cômico ainda poder usar sua sabedoria forense para solucionar um crime.

– Desculpe. — Olhou ele rapidamente, com a feição envergonhada.

Se agachou perto dos corpos, olhando a condição de cada um deles. Os sacudiu e verificou o que havia quebrado em cada um. Porém, era óbvio; o trio estava quase totalmente drenado e todos possuíam os pescoços quebrados de modo violento.

Ergueu após a análise, voltando para perto de Frank, de maneira receosa.

– Se não é a Cassie... Temos um assassino em série na cidade.

Notas finais
Capítulo produzido por: Thiago e Matheus.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.