Blood Guardians
2 Capítulo I
A lua minguante despontara havia pouco mais de quatro horas e, sob sua luz, os amantes da escuridão acordavam. Suas vidas destinadas a durar para sempre eram renovadas a cada humano morto em seus braços, dando seus últimos suspiros de prazer enquanto seu sangue era drenado, pulsando cada vez mais fraco em suas veias...
O cheiro de vida se esvaindo enchia as narinas de Sebastian e Dalila. Caminhavam atentos por um reduto vampírico, lugar para onde as vítimas eram muitas vezes levadas por seus predadores para morrer. \"Não entendo por que estamos aqui. Deveríamos ir mais pro sul...\" Disse a vampira, tentando ser educada ao contrariar o veterano.
\"Calma, Dalila... eu sei o que eu tô fazendo. E pára de falar assim... daqui a pouco vai me chamar de senhor...\" Ele repondeu.
Caminharam por mais alguns minutos, durante os quais ela se manteve calada. Chegaram a uma porta de madeira, a qual Sebastian abriu rapidamente, empurrou Dalila para dentro, entrou e fechou. Não havia luz ali, mas eles enxergavam perfeitamente. Um homem vestido de forma muito simples sentado em um sofá antigo era a única presença na saleta apertada. \"Muito bem, muito bem... você sabe onde encontrar suas encomendas... Mas eu não sabia que \'o segundo vampiro\' seria uma mulher, Seb... devia ter me avisado.\" Ele falou enquanto se levantava e abria a porta na parede contrária à usada pela dupla para entrar. Sebastian sorriu, indicando à Dalila que fosse na frente. Subiram uma escada estreita, que rangia a cada passo, e chegaram em um corredor com várias portas. Sebastian tomou a dianteira e abriu uma delas, confiante. Depois de hesitar um momento, Dalila atravessou a porta. Uma cama de metal precária com duas belas jovens adormecidas era tudo que havia lá.
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Sylria dava passos apressados, fazendo voltas pela grande sala da mansão que servia de QG para o grupo. Tuomas sumira depois de poucas e misteriosas palavras. Sebastian levara a garota nova para uma cena de crime simples, mas estava demorando. Ela estava começando a se demorar muito em pensamentos sobre o quão certo teria sido mandar Sebastian, quando foi interrompida por Benjamin. Sorridente, o garoto emanava uma aura de alegria que não deixava margens para muita seriedade.
\"Sylria... pára com isso, já disse que daqui a pouco você vai abrir um buraco nesse chão!\"
\"Ah, garoto... acho que fiz besteira...\"
\"Que foi? Brigou com o Tuomas de novo?\"
\"Não... que Tuomas... Sebastian é o nome do problema...\" Seu olhos azuis transbordavam procupação.
\"Faz quanto tempo que ele saiu?\"
\"Uma hora. Eu sei que tá dentro do tempo, mas... ele levou a garota. Eu não devia ter deixado! Não devia!\"
\"Syl... se eles não voltarem em mais um hora, eu vou atrás deles, o.k.? Agora relaxa, vai. O Julian ainda tá machucado, não vai sair de casa. Vai, sai hoje. Esquece a gente e vai comer... você tá pálida demais. Eu sei que faz mais de uma semana que você não come... \" Pegando a mão dela, a conduziu até as grandes portas do casarão. Ela apenas lançou um olhar de gratidão a ele e sumiu na escuridão, correndo muito rápido. Seu pensamento estava longe de comida. Seu pensamento estava, como sempre, em Tuomas.
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\"Sebastian... eu não acho que nós devemos fazer isso...\" Dalila tentava, em vão, convencer seu parceiro a ir resolver o que tinham que resolver. Com um olhar de desdém, ele respondia.
\"Ah, por favor. Você nunca se alimentou, não? Olha só... é rápido, garota. Vamos... come logo e a gente vai.\" Mudando de expressão, ele caminhou até ela e, olhando em seus olhos, terminou. \"Eu prometo.\"
Dalila aceitou e caminhou pelo lado da cama até uma das garotas. Tinha as feições delicadas e suaves, o corpo de recém saída da adolescência, seios firmes sob a blusa leve de seda. Seus cabelos castanhos tinham mechas claras e iam até os ombros. Dalila beijou-lhe a boca de forma suave, mas ela não acordou. Lançou um olhar à Sebastian, que passava a mão de forma firme pelas costas da outra menina. \"Se-Sebastian...\"
O vampiro olhou com jeito de quem estava sendo interrompido por algo muito desagradável. \"Elas tão dopadas, guria. Come logo...\"
Dalila voltou sua atenção para a moça. Pegou-a pelos cabelos da nuca e cheirou seu pescoço. Era doce e ferroso... inebriava seus sentidos, a deixava com a cabeça leva, vazia. Colocando seu corpo sobre o corpo adormecido, firmou as presas na artéria do pescoço e mordeu enquanto pressionava seu corpo para baixo. Dalila não sentiu o tempo passar. Aproveitou cada segundo daquela maravilhosa sensação, roçando seu corpo no da menina, um prazer libidinoso preenchia seus pensamentos — ou melhor, sua ausencia de pensamentos. Arrepios percorriam sua espinha e ela respirava ofegante entre um gole e outro do sangue da vítima. Com o corpo cheio de vida, tremendo levemente, um filete de sangue escorrendo por seu lábio inferior e olhos fechados, a vampira rolou para o lado. Estava extasiada.
\"A cena foi linda...\", cochichou uma voz rouca no seu ouvido. Abrindo os olhos de repente, ela viu a sombra de Sebastian ao seu lado, e logo depois ele já estava na porta. \"Vamos, vamos... temos um caso pra resolver.\"
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Sangue escorria pela calçada suja. Os luminosos apagados deixavam o cenário mais sombrio e a cena que ele abrigava era digna de uma filme trash. Um garoto ruivo estava estirado no chão, o peito aberto, dilacerado. Uma garota com os olhos brilhantes sugava dali todo o sangue que podia, de forma desesperada e desajeitada. Ela parou de súbito ao sentir uma mão firme tocando seu ombro. \"Acho que agora já chega, não?\"
Sebastian puxou-a enquanto sua parceira lambia o peito rasgado do rapaz. A garota tentou reagir, virando-se e pulando com as presas a mostra para aquele que a segurava, mas foi surpreendida por sua força. De uma vez só, ele abriu a mão e, antes que ela pudesse fazer qualquer coisa, começou a sufocá-la. Levantou-a e jogou-a no chão, ainda pressionando seu pescoço, e abriu um corte logo abaixo do maxilar com as unhas. \"Dalila!\" Exclamou. Ela entendeu na mesma hora. Aproximou-se e chupou o corte aberto na garota que se debatia, tentava arranhar a ela e a Sebastian, seu olhos dourados brilhando de fúria, barulhos selvagens saindo indiscriminadamente por sua boca aberta que escorria o sangue do rapaz morto ao seu lado. Depois de estremecer, seu corpo amoleceu. \"Feito, parceira.\" Dalila sorria de leve, as respostas para a cena todas em sua cabeça. Sebastian levantou-se, botando o corpo inerte em seu ombro.
\"Demoraram, vocês dois. Já tava ficando preocupado...\" Benjamin estava escorado em uma parede. \"Irresponsáveis!\"
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