Notas iniciais
Desculpem a demora, são tantos motivos que se eu fosse falar iria ficar quase do tamanho do capítulo! Mas espero não demorar mais tanto! Esse cap. não acontece muita coisa, mas é bom para entenderem melhor a cabeça confusa da Rose.

Eu e Alvo estamos deitados num campo de quadribol, tudo parece meio suspenso, nas nuvens, ele sorri para mim de uma forma que é impossível não sorrir de volta. O céu está incrivelmente lindo, tem tantas cores que se eu não estivesse vendo, duvidaria ser possível. Desvio meus olhos e vejo duas silhuetas se aproximando no meio das nuvens, pareciam vir a pé e quando mais perto, de vassouras.

Eram Hugo e Lily, que desceram quase como se flutuassem, olhei pra Alvo com uma expressão interrogativa, mas ele olhava para os dois a nossa frente sorrindo e acenando.

Quando volto a olhar para frente Hugo e Lily já estão muito próximos, eles têm a aparência um casal de idosos.

Sinto alguma coisa cutucando minhas costelas, mas olho e não há nada, levanto a blusa e vejo a pele se mexer, como se tivesse sendo empurrada por um dedo. Ouço meu nome ao fundo e tento me concentrar.

– Rose, acorda! – Ouço Lolita falar me cutucando

– Se demorar mais um segundo vou te jogar um balde d'água – Sarah diz – Ele já está até flutuando sobre você — completa me fazendo despertar de uma vez

– Não será necessário – respondo ainda sem abrir os olhos – Já acordei – completo enquanto enfio um pouco mais o rosto no travesseiro

– Então pode levantando, porque já são oito horas, eu estou com fome e a curiosidade da Lolita não me deixa tomar café da manhã enquanto não souber o motivo do Alvo ter te trazido apagada até aqui quase quatro da manhã, e de você ter repetido o nome dele o resto da noite – Sarah fala num só folego.

Abro um olho só e fito a cara sempre emburrada da Sarah. Lolita sorri radiante para mim.

– Admito que não entendi nada além de café da manhã e Alvo – falo me sentando na cama

Sinto minha cabeça latejar, tem um buraco gigante na minha barriga e minha boca está incrivelmente seca, além dos meus olhos ofuscados. Prometo para mim mesma que irei matar o Snow afogado nas suas porcarias e só tomar Firewhisky daqui para frente.

Sarah continua me encarando, como se esperasse uma resposta.

– Já entendi que você não vai repetir – falo para ela – Lola? — pergunto para loira sorridente

– É que essa noite eu acordei com um barulho e quando vi, era Alvo te trazendo para cá, não posso deixar de comentar que ele te colocou na cama com o maior cuidado do mundo, trocou suas roupas com a varinha e depois ficou um tempo te olhando dormir, eu não aguentei com tanta fofura e soltei um suspiro, ele deve ter ouvido porque logo depois te deu um beijo na testa e saiu do quarto. Depois de uns dez minutos ele voltou trazendo sua varinha e colocando na mesinha, te deu outro beijo e foi embora. E você ficou sussurrando o nome dele depois disso — ela resumiu – Agora conta, vocês estão juntos? Onde você estava?

Com as perguntas dela, mergulho nas lembranças da noite anterior. Conto para as meninas tudo que aconteceu, afinal são minhas amigas e podem me ajudar a formar um pensamento coerente nessa minha mente nebulosa e confusa.

Sarah me xinga bastante e repete, pela primeira vez no dia e provavelmente a milésima do ano, seu sermão sobre como a Sonserina nunca vai ganhar nada se eu continuar me comportando assim; quando descobre que ao invés de dedurar uma festa ilegal da Grifinória, fui de penetra. Pergunta se eu enlouqueci quando conto do Scorpius, e dá um quase sorriso quando conto que Alvo disse querer ficar comigo. Já Lolita, diz que queria ter ido à festa e eu prometo que na próxima a levo. Fica mais confusa do que eu quando conto de Scorpius e dá gritinhos e pulinhos de alegria na parte do Al.

Mesmo com temperamentos diferentes elas têm a mesma reação em relação ao Snow, me lembram do quanto ele é desprezível e idiota e que eu não deveria dirigir nem um comprimento aquele tipo de gente. Enfim, só tive o que mereci por tentar me comunicar com ele. Acabo concordando, mesmo ainda achando que exagerei um pouco. As duas também concordam que eu deveria sair correndo para os braços do Al, e Sarah faz questão de repetir algumas vezes o quanto eu sou retardada por ficar em dúvida sobre algo que eu esperei a vida inteira. E Por mais grosseira que a Sarah seja, sei que tem razão.

Sigo para o salão principal junto delas para o café, Lily levanta da mesa da Grifinória com um grande sorriso e me entrega sua taça com uma boa quantidade de sua poção revigorante, tio Harry sempre diz que ela herdou o talento natural para poções da avó de quem também tem o nome, tomo e instantaneamente me sinto melhor. Lily não parece se lembrar que provoquei a ela e ao Mon ontem, espero que ele também não lembre. Se tem alguém que pode me ajudar, é o Ramon, ele sempre sabe das coisas. Aceno para James, ignorando completamente a existência do Snow, e sigo para a mesa da minha casa.

Encontro Ramon e Scorpius com cara de poucos amigos. Ramon estava com os cabelos soltos; algo muito raro e que uma vez a Lily, alterada pela quantidade imensa de açúcar que tínhamos consumido na ocasião, admitiu achar lindo; fico tentada a comentar, mas resolvo que não é uma boa hora. Entrego a poção a eles, que bebem e logo parecem melhorar, pergunto por Alvo e Ramon diz que quando acordou ele já não estava no dormitório e ainda me informa que o mapa também sumiu.

– Espertinho — falo baixo para mim mesma.

Ramon ouve e me fita com seus olhos negros estreitos, como se me fizesse uma pergunta muda.

– Depois – respondo pondo meus olhos sobre Scorpius que come sua torta de amora distraído.

Assistimos a aula de Feitiços, e Alvo não apareceu, Scorpius queria ir procurá-lo, mas o convenci de que não tínhamos chance sem o mapa, e que ele provavelmente nem estava na escola.

– Alvo nunca mata aula, alguma coisa muita séria deve ter acontecido – Scorpius diz enquanto caminhamos para a aula de História da Magia

– Não deve ser nada, se ele não aparecer para o almoço, nós iremos procurá-lo – Ramon fala

Chegamos à sala do professor Binns quando alunos da Grifinória ainda saiam dela, olho para o relógio percebo que ainda faltam 15 minutos para a aula, a aula de Feitiços terminou mais cedo e não percebi.

– Oi pessoal

Giro minha cabeça e vejo Alene nos cumprimentando, ela parece apreensiva e logo me lembro da cena que fiz ontem.

– Desculpa por ontem Lene, eu não estava bem – falo quase totalmente sincera

– Tudo bem – ela diz ao mesmo tempo em que Scorpius a puxa para um abraço

Sinto como se garras muito afiadas estivessem me revirando por dentro, mas tento disfarçar.

– Scorp, vou ali com o Ramon e já voltamos, nos espere aqui – falo puxando Ramon pela mão não dando tempo de resposta.

Quando tínhamos nos afastado um pouco, olho pra trás e logo me arrependo, vejo Scorpius e Alene quase se beijando, no meio do corredor, sou tomada por um ódio imediato.

Ramon parece perceber, mas me deixa guiá-lo para longe sem fazer comentários. Entro com ele em uma sala vazia.

– Ok, eu tenho um problema mental muito sério e não sei o que fazer – falo demonstrando desespero.

Ele ri e faz um movimento de negação com a cabeça.

– Estou falando sério – continuo exasperada

– Só porque você está com ciúmes do Scorpius não quer dizer que está louca – Ramon fala ainda sorrindo

– Claro que quer, qual é Ramon, você sabe muito bem que eu gosto do Al

– E ele de você – ele completa – E aliás, o que você tem haver com o sumiço dele?

– Tudo bem, melhor eu te contar desde o início.

Ramon faz cara de interesse e um sinal para eu continuar, conto para ele toda a história da noite anterior e ele permanece mudo, apenas apertando os olhos quando me refiro a Alene como “aquela piranha atirada”, e os arregalando durante a declaração de Alvo.

– Eu sei que é o meu sonho e eu devia andar saltitando por ai e ir correndo para os braços do Al, mas eu não consigo, é como se esse amor não fosse pra acontecer sabe – fito o rosto incrédulo de Ramon – tá talvez não faça sentido, mas é o que eu sinto – falo confusa

– Estou realmente impressionado com o Alvo, achei que ele nunca teria coragem – ele fala rindo – Mas você se esqueceu de explicar da onde vem esse ciúme pelo Scorpius

– Não esqueci nada, não tem explicação – respondo irritada – Eu só não gosto dele com a Alene

– Porque ele gosta dela, diferente das outras

– Ele disse isso? — pergunto com a voz esganiçada

Ramon não responde e ri do meu desespero.

– Disse? — repito um pouco mais alto

– Não é preciso que diga – me responde agora sério – Você também notou, tanto que está com ciúmes

– Mas porque ele iria gostar dela, ela é tão sem graça e atirada, não tem nada de diferente das outras

– Rose, apesar de concordar que ela é sem graça, tenho que te dizer que você também gostava dela, pelo menos até o Scorpius demonstrar interesse

Não consigo pensar em nada para responder, Ramon tem razão, eu gostava dela, e não tenho motivo nenhum para agir assim, a não ser esse monstro com garras super afiadas que reside dentro de mim e fatia os meus órgãos sempre que vejo os dois juntos.

– Você sempre teve os dois Rose, sempre, mas o Scorpius tem que viver a vida dele, não pode ficar assistindo você e o Alvo nesse chove não molha esperando que um dia você olhe para ele com outros olhos e se quer saber, ontem no bar quando Alene e Joan saíram de perto, ele me disse que gostava dela porque ela lembra você, claro que bem mais educada e menos ácida – ele diz – O que faz a Alene ser diferente para ele é ela ser parecida contigo

– Ela não parece comigo – respondo ofendida – A Alene é uma mosca morta

– Deixa de ser infantil Rose, você gostava da garota até dois dias atrás – Ramon fala sério — E nós temos que ir para a aula

– Não quero ir à aula, preciso da sua ajuda Mon...

– Eu estou tentando ajudar, mas você é uma cabeça dura. E sabe como meu pai é, preciso ter um bom desempenho

– Fica tranquilo que eu traduzo as anotações do Scorp para você, mas me ajuda a resolver isso – falo em tom de suplica – Não sei o que fazer Mon

– Não posso te dizer o que fazer Rose, mas o seu coração pode, é só perguntar

– Que gay! — afirmo rindo e ele também ri – Eu não sei falar com o meu coração, preciso de ajuda prática, isso é metafórico demais! Por favor...

– Tudo bem. Você não sentiu nada quando o Alvo falou contigo? Porque se não, você nunca o amou e sempre se iludiu nessa questão!

– Obvio que eu senti né! Poxa, eu quase desmaiei de emoção e, como eu disse antes, se o Scorp não tivesse se jogado na banheira com a Lene eu estaria com o Alvo ao meu lado saltitando de felicidade nesse momento

– Mas você não está – ele me interrompe

– Exato! Esse é o problema, eu fiquei com ciúmes da forma como eles estavam, que dizer, quem consegue jogar o Scorpius na banheira de roupa e tudo? Ele é uma mocinha com essas coisas! Imagino que se eu o tivesse jogado ele nem estaria falando comigo agora!

– Talvez não, mas era uma aposta e eu já te disse, ele gosta dela porque ela parece com você

– Acha que devo tentar me aproximar romanticamente do Scorpius?

– “Aproximar romanticamente”? — Ramon fala rindo – Isso é algum tipo de piada? Porque se for sério eu vou te zoar para o resto da vida

– Para Ramon! É só uma expressão, porque eu já sou próxima dele né, eu só teria que, sei lá, levar a sério as brincadeiras dele ou fazê-las com ele também, nem sei como agir

– Eu não disse que era para você escolher o Scorpius, você é quem está dizendo, mas se quer saber mesmo, eu acho a melhor opção, porque se fosse para ser o Alvo você não deveria estar nessa dúvida toda

– Mas e o Alvo? Como vou agir? Eu disse que o amava...

– E ama?

– Claro que amo, a primeira pessoa para quem eu disse eu te amo foi para ele, e se tudo der certo será a última!

– Ah! Eu desisto, você não sabe o que quer! — Ramon fala exasperado – Você não pode falar que ama um e querer, usando suas palavras, se aproximar romanticamente do outro, isso não faz nenhum sentido Rose!

– Eu sei que não faz e é por isso que preciso de ajuda!

– De ajuda? Você precisa é ir para o St Mungus porque está louca! — ele fala levemente irritado

– Mon...

– Tá ok! Vamos fazer o seguinte; você vai ser sincera com o Alvo, até porque não acredito que tenha outra opção, diz para ele que está confusa e que acha que pode estar gostando do Scorpius, ele vai se sentir mal, mas é melhor do que enganar o garoto; e deixa rolar, sem pressão, com o Scorpius

– Será que vai dar certo? — pergunto num sussuro

– Só pagando para ver Rose...

– Ok. Já está quase na hora do almoço melhor nós irmos indo para o salão principal ver se encontramos o Al...

– É, vamos – Ramon concorda

– Mas antes queria te dizer mais uma coisa, que não tem nada haver com o resto, mas só vou dizer se prometer que não irá se zangar comigo – digo sorrindo – Promete?

– Fala logo! — ele diz

– Promete? — repito

– Tá tá, prometo – Ramon diz impaciente

– Há algum tempo a Lily me disse que adora o seu cabelo quando está assim...

– Ah! Fala sério, duvido que a Lily goste de alguma coisa em mim... – ele fala numa tentativa falha de parecer indiferente – Não que eu me importe

– Eu sei que você se importa, e ela também se importa – faço um movimento com as mãos para ele se manter em silêncio — Posso não ser a pessoa ideal para te dar conselhos, mas se o que vocês têm não é amor, eu não sei mais o que pode ser...

– Não é bem assim Rose, só nos falamos para brigar!

– E eu acho que já está na hora de vocês pararem com isso! Você deveria pedir desculpas a ela por ontem, e ver o que acontece

– Isso seria dar uma oportunidade para ela pisar em mim mais um pouquinho, e acabar com o meu dia assim como acabou com a minha noite ontem – ele fala irritado

– Você também acabou com a noite dela e se não tentar nunca vai saber – digo enquanto sorrio – Mas não precisa me responder, só pensa nisso! E vamos logo – digo enquanto o puxo para fora da sala

Ramon não diz mais nada enquanto caminhamos para o salão principal. Encontramos um Scorpius bastante irritado na porta do salão nos esperando.

– Vocês agora vão ficar me excluindo? – ele pergunta – Fiquei plantado esperando vocês chegarem, o que não aconteceu, e ainda tive que assistir à aula maçante do Binns sozinho!

– Você fez as anotações? – eu pergunto não dando atenção a reclamação

– Fiz sim, mas não vou te emprestar! – ele fala irritado

– Desde quando eu preciso da sua autorização para fazer alguma coisa? – pergunto rindo

Ele faz uma cara de ódio e abre a boca para retrucar, mas Ramon interrompe:

– Scorpius, não pretendíamos demorar, foi erro de calculo, desculpe

– Ok! – ela fala ainda irritado – Alvo não apareceu

– Vamos procurá-lo – digo já saindo pela porta

– Mas eu estou com fome! – Scorpius fala – Não podemos comer um pouquinho antes?

– Não, depois de encontrá-lo vamos até a cozinha – falo convicta

E seguimos os três em direção ao Jardim.

Notas finais
Não é uma promessa, mas vou tentar postar o próximo em no máximo 5 dias. Se eu for digna de comentários...