Blood Brothers

13 Não há mentiras perpétuas


Notas iniciais
Oi gente. Desculpem a demora, eu não abandonei a fic e nem irei! É só que a faculdade tá tomando todo meu tempo livre... Então mesmo tendo muitas ideias e as anotando, estou sem tempo de escrever os capítulos. Mas a medida do possível vou continuar postando. Esse cap é especial, tem PVO Chester. Rose viverá algumas aventuras daqui para frente... Espero que gostem...

PVO Rose

–

Estávamos no trem chegando a Londres, Chester não tinha o dinheiro trouxa necessário para sairmos do país, que era minha ideia inicial. Mas ele disse que tinha onde arrumar bastante dinheiro e uns documentos trouxas falsos para mim, não perguntei como, ainda não queria conversar.

Meu abdômen doía bastante, às vezes parecia que eu iria desmaiar, sentia uns calafrios na espinha que vinham de repente e depois passavam, mas a dor permanecia, estava cada vez mais difícil de suportar.

Chegamos à estação e o esforço que eu fiz para me levantar pareceu surreal. Chester me perguntou se eu estava bem, mas eu apenas rosnei em resposta. Desde quando ele se importa? Tínhamos combinado de falar apenas o necessário e assim seria.

Andávamos entre as pessoas e a cada passo eu sentia minhas pernas enfraquecendo. Quando chegamos às roletas percebi que não tinha força suficiente para empurrá-la, Chester já havia passado e tentei chamá-lo, mas minha voz não saiu. Senti que ia desmaiar, vi seus olhos negros fitando os meus, que logo se fecharam.

No segundo seguinte reabri os olhos e percebi estar no colo do Chester, tentei descer rápido, mas senti uma pontada enlouquecedora no abdômen. "Calma" ele me disse "Já vou te colocar no chão".

Ele me colocou sentada em um banco na estação e se abaixou a minha frente. Seus olhos estavam opacos e em seu rosto era clara a preocupação. Senti uma nova pontada no abdômen e pensei que desmaiaria novamente, mas para meu alívio ela passou. Dei uma piscada mais lenta, o suficiente para ele voltar a se preocupar.

– Rose — ele me chamou e eu o encarei – Não fecha os olhos, ok? O que você tem?

A verdade é que estava difícil manter os olhos abertos. Lembrei-me da queda e me pareceu ter acontecido há muito tempo. Levantei a blusa com o objetivo de observar como estava aquilo além de responder a pergunta dele. A mancha ainda estava lá, só que agora ela era quase negra.

– Oh Deus! — Chester exclamou assustado – Como fez isso?

Tentei sorrir, mas não deu muito certo.

– Suas crenças trouxas não irão ajudar — respondi – Cai de uma árvore.

– Direto para o St Mungus — ele disse e ao ver meu rosto insatisfeito, completou – É a melhor opção, médicos trouxas na melhor das hipóteses vão te cortar, remendar e depois imobilizar por seis meses.

– Minha mãe é amiga de uma Medibruxa, se formos até lá ela me encontra — rebati.

– Prefere sangrar por dentro até morrer?

Não respondi, senti mais outra pontada e dessa vez foi quase impossível não gritar. "Não fecha os olhos" o ouvi dizer mais uma vez. Eu não tinha opção.

– St Mungus. Não usaremos meu nome e nem iremos ao terceiro andar – decidi.

Ele sorriu. Colocou um de seus braços em volta na minha cintura e me levantou. A dor foi tão grande, que soltei uma dúzia de palavrões seguidos. Ele não respondeu, apenas continuou tentando sustentar meu peso sem me machucar.

Chegamos logo ao St Mungus, Chester sugeriu fingirmos ser irmãos, o que foi uma ótima ideia, pois ninguém desconfia de sobrenomes trouxas.

Ele estava certo sobre meu ferimento, eram costelas quebradas e o medibruxo que me atendeu disse que eu realmente poderia ter morrido se esperasse mais um pouco.

Resolvi que iríamos fazer um lanche no sexto andar. Precisava de comida bruxa uma última vez. Não gostava muito das comidas trouxas sem álcool que já experimentara. Estávamos comendo em uma mesa quando reparei a Sra. Anne Krafwood, a amiga da minha mãe, me olhando fixamente. Ela estava em uma mesa afastada, tinham algumas pessoas na frente, mas dava pare vê-la forçando a vista. Quando percebi me escondi atrás das pessoas e avisei ao Chester que tínhamos que sair de lá o mais rápido possível.

Mesmo sem ter certeza se a Sra. Krafwood havia me reconhecido, percebi que era melhor sair logo de Londres e decidimos que iriamos dormir só quando saíssemos da cidade. Ele disse que só iriamos até a casa da vó dele, onde ele arrumaria o dinheiro trouxa necessário.

Andávamos pelas ruas desertas do bairro de Shoreditch, ao leste de Londres. Já passava das duas da manhã e eu não parava de me perguntar como ele acordaria a avó há essa hora e ainda arrumaria dinheiro. Mas não valia a pergunta, o silêncio da rua deserta era extremamente bem vindo.

Achei ter ouvido alguém chamando o Chester, mas ignorei. Ouvi uma segunda vez e ao olhar para trás vi um garoto alto com os cabelos castanhos cacheados caindo sobre a testa acenando compulsivamente para nós. Chester estava alguns passos a minha frente. O chamei, ele virou para me olhar e antes de perguntar qualquer coisa, também viu o garoto acenando.

Chester, que tinha o rosto caído em uma expressão de cansaço, ao ver o garoto abriu um sorriso que o vi dar poucas vezes e disse para si, baixinho, "Brian". Ele saiu caminhando em direção ao garoto e eu o acompanhei alguns passos atrás.

– Quanto tempo mano! Reconheceria seu andar torto em qualquer lugar — o garoto disse antes mesmo de o alcançarmos.

À medida que nos aproximamos pude perceber o quando ele era bonito. Os cabelos cacheados caindo assimétricos sobre as sobrancelhas grossas, os olhos dourados de tão amarelos. A pele levemente morena, os ombros largos e um sorriso quase débil nos lábios. Parecia encantador. Ele abraçou o Chester com vontade e depois se virou para mim.

– Sua garota?

Chester me encarou por dois segundos esperando uma resposta. Levantei os ombros e vi uma sombra de riso em seu rosto.

– Pode ser — ele respondeu simplesmente.

– Prazer Milady — o garoto se curvou a minha frente — Brian, a seu dispor.

Adorável, pensei.

– Nessie, Nessie Malfoy — disse e fiz uma reverência.

Ele sorriu.

– Estou dando uma Pvt lá em casa, querem vir? Vai ser regada de tudo que você pode imaginar... — Brian convidou – Gosta de música eletrônica Milady?

– Não conheço — respondi espontaneamente sem me dar conta de que isso poderia ser estranho.

O garoto fez uma cara confusa.

– Nessie é de uma família tradicional, não conhece muitas coisas — Chester me justificou carregando no primeiro nome.

– Um bom motivo para vocês irem! — Brian insistiu.

Chester não parecia a fim de ir e apesar do meu crescente interesse pelo trouxa gentil, eu não queria nos desviar do caminho.

– Melhor não, estamos indo para a minha avó, precisamos descansar, já nem lembro a quantas horas estou acordado — ele disse ao amigo.

– Cara, se o problema for cansaço, tenho umas balinhas que resolvem rápido. Além do mais, como pretende acordar sua vó a essa hora? — Brian perguntou e sorriu.

Chester não respondeu o amigo. Me encarou e perguntou:

– O que acha?

A única coisa que veio a minha mente foi:

– De que balinhas vocês estão falando?

Ele não conseguiu conter a risada.

PVO Chester

–

Rose dançava descalça sem parar já havia algum tempo. O êxtase fez um efeito bom nela, pelo menos parecia, estava espontânea e sorridente, já havia conversado com meia festa e dançado com ela inteira. Ela não parava nem um segundo.

Eu a avisei que não se deve misturar êxtase com bebida, como sempre, ela não ouviu. Mas até que estava bem. Na primeira vez que misturei fui parar no hospital. Ela era uma menina forte.

Talvez ela tenha percebido que eu a observava do bar onde eu e Brian bebíamos. Sem parar de dançar ela começou a fazer diversos sinais para eu me juntar e ela. Acho que eu e o Brian éramos os únicos que ainda não haviam dançado com ela.

– Vai lá cara, sua garota te chamando — ele disse quando percebeu para quem eu negava coma a mão.

– Não é minha garota — disse automático e virei o resto do meu whisky.

Ele riu.

– Ela não pareceu muito resistente à ideia quando perguntei — Brian opinou — Vai até lá e torne-a sua garota, ao velho estilo do Chess.

Foi impossível não sorrir com a sugestão. Levantei, peguei dois whiskys e caminhei em direção a louca deusa, descabelada e descalça que não saia dos meus pensamentos.

– Chess! — ela gritou antes mesmo de eu alcança-la.

Continuei serio a encarando e caminhando em sua direção. Quando a alcancei, ela inesperadamente jogou os braços em volta do meu pescoço e me abraçou, encostou levemente os lábios no meu ouvido e disse "Jamais repita isso, mas eu gosto do seu sorriso. Que tal me presentear com um? Libero todos os outros".

Eu queria muito ter conseguido ficar serio e negar, o velho Chess faria isso e ainda pediria algo em troca do sorriso. Mas não, foi espontâneo, assim que ouvi aquelas palavras meus lábios se contorceram em um sorriso. A entreguei um dos copos e ela deu um gole longo de olhos fechados.

Quando fitei seus olhos tão claros e brilhantes, seu sorriso verdadeiro, eu percebi. Eu a queria muito, a queria como nunca quis alguém. Ela balançava o corpo ao ritmo da musica eletrônica como se sempre fizesse isso, perfeita. Tirei a touca de sua cabeça e ela quis me impedir, mas quando a coloquei em mim ela riu e deixou.

Rose jogou os cabelos para frente e sacudiu, fazendo a raiz ficar quase tão bagunçada e volumosa quanto as pontas. Me pareceu ainda mais perfeita. Talvez fosse isso que a tornava tão desejável, ela era selvagem, intensa, grosseira.

Não tenho noção do tempo que passei ali, dançando e sussurrando besteiras em seu ouvido só para vê-la gargalhar. Em nenhum momento fiz o que pretendia, não conseguia tentar conquistá-la, ela me hipnotizava.

Infelizmente a música parou. É, eu teria permanecido ali por séculos. Mas o tempo passa rápido quando fazemos o que nos agrada, e aquela altura já era uma da tarde e Rose começou a ficar sonolenta. O efeito da droga estava passando.

Brian nos ofereceu um quarto, provavelmente achando que eu conseguiria alguma coisa, mas disfarçou dizendo que era melhor tirarmos um cochilo antes de ir até a minha avó. Rose, que só queria uma cama, adorou a ideia de ter uma em menos de dois minutos. E eu não pude resistir à chance de dormir ao seu lado, mesmo que sem tocá-la.

Ela apagou rápido. Eu não, fiquei pensando no que havia me levado até ali. O decorrer dos fatos era inacreditável, eu não tinha certeza do que me esperava, não sabia se realmente poderia voltar a Hogwarts.

Olhei para Rose dormindo ao meu lado, com a mão sob o rosto, a boca entreaberta, a respiração lenta, calma. Parecia angelical, delicada, frágil. Nada parecida com a Rose que eu conhecia, mas mesmo assim me parecia perfeita.

Acordei com o Brian me cutucando. Olhei para o lado e vi que ela ainda dormia. Levantei e sai com o Brian em silêncio.

Sentamos na sala de jogos e ele colocou um Pro Evolution Soccer no Ps3.

– E ai? — ele perguntou se referindo a Rose.

– Nem tentei cara, sei lá, sou meio travado com ela — respondi sincero.

Ele riu e ainda me fez um gol no jogo.

– Não era para você estar naquela escola para mutantes?

Eu tive que rir.

– Que mutantes cara, não viaja — respondi e tomei outro gol.

– Bruxos então! — Brian disse e riu, tentei um chute, mas ele defendeu.

– É só um colégio interno comum, Rose também é de lá. — respondi e consegui defender um gol.

– Quem é Rose? — ele perguntou só então eu percebi que dissera o nome errado.

– Nessie — respondi — Rose é seu nome do meio — foi o melhor que consegui pensar.

– Manda a real cara, o que aconteceu? Desde o acidente no campeonato que você vai para essa escola desconhecida, não lembro muito do dia, mas sei que aconteceu alguma coisa estranha – ele falou.

A cena daquele dia voltou a minha mente.

Eu tinha apenas 11 anos, ainda não havia chegado minha carta para Hogwarts e eu não tinha ideia de que bruxos existiam muito menos de que eu era um deles.

Era a final do intercolegial de basquete, nós só precisávamos de um ponto, tínhamos ainda 30 segundos. Eu fiquei com tanta raiva, o garoto me deu uma cotovelada e o juiz não marcou nada, eu estava a centímetros da cesta e nós perdemos. Eu ainda não sei bem o que aconteceu, como fiz aquilo. Mas assim que o apito soou, o garoto voou cerca de dez metros e bateu com força no chão, o estádio se silenciou e segundos depois todos os vidros do local se estilhaçaram.

Foi terrivelmente assustador. Dois funcionários do Ministério da Magia apareceram para apagar a mente das pessoas e eu fiquei com muito medo de que me internassem num manicômio. Eles conversaram com a minha avó e foi nessa noite que eu descobri que receberia uma carta para Hogwarts e que magia existia de verdade.

– Chester, acorda. Já te fiz mais dois gols. Essa escola para mutantes está te deixando mongol cara!

– Não é uma escola para mutantes – respondi simplesmente.

– A é, bruxos. Nessie é bruxa também? – ele perguntou.

– Sou sim – Rose respondeu entrando na sala de jogos.

Olhei-a confuso e ela sorriu.

– Ele parece confiável – ela disse dando de ombros.

Brian gargalhou. Ela se sentou no braço do sofá ao meu lado com os pés em cima dele, de forma que ficou de frente para nós.

– Não tem uma poção revitalizante por ai? – ela perguntou colocando a mão na testa.

– Claro que não – respondi – Nem pergunta, bruxaria – acrescentei ao ver a cara interrogativa do Brian.

– Então é verdade mesmo? Vocês são bruxos?

– Somos sim e estamos fugindo de outros bruxos. Sabe onde podemos ir? – Rose perguntou.

Eu não acreditei no que ouvi, ela estava mesmo contando tudo para ele e ainda pedindo ajuda.

– Rose – chamei sua atenção.

– Nessie – ela corrigiu – E o que tem? Ele não é seu amigo de infância?

Brian riu mais. A partida acabou, quatro a zero para ele.

– Ok Nessie, como quiser – respondi seco.

– Estou com fome, bem que você podia arrumar alguma coisa para comermos – ela pediu, mas sem dispensar o tom de ordem.

Nesse momento eu voltei a questionar o que eu pretendia, mas não resisto a um pedido dessa garota. Brian sugeriu que eu fizesse uns sanduiches e eu acabei indo. Não sem antes ouvi-la planejando ir a América por sugestão do Brian.

Meu Deus trouxa, onde eu fui me meter?

PVO Hermione

–

Com certeza hoje já entrou para a lista dos dias mais importantes e difíceis da minha vida, até supera o dia em que contei ao Ron da gravidez. Acho que nunca estive tão nervosa. Não aguentava mais esperar por Minerva em seu gabinete, ela havia ido buscar meus filhos. Astória estava até pior, teve que tomar uma poção calmante.

Eu sabia que esse dia chegaria, mas sempre pensei em contar quando se formassem e já tivessem maturidade suficiente para não se revoltarem, ou se revoltarem menos. A verdade é que eu estava morrendo de medo. Se bem os conheço, o Scorpius aceitaria melhor, ele é bem mais compreensivo do que a irmã. Mas eu sabia que não seria fácil, mentimos para eles a vida inteira e agora estava na hora de arcar com as consequências.

Minerva entrou no gabinete e logo atrás Scorpius entrou, esperei por Rose, mas ela não apareceu.

– Onde está Rose? – Rony foi mais rápido na pergunta.

Minerva crispou os lábios.

– Não a encontramos. Ela não está em Hogwarts. – ela disse firme.

Soltei um grito involuntário. James tinha razão, ela não voltou de Hogsmeade. Já havia passado a noite inteira sozinha nem Merlin sabia onde. Precisávamos encontra-la.

– Rony, avise ao Harry e o peça para colocar a maior quantidade de aurores possíveis a procura dela. Eu vou ao St Mungus ver se ela passou por lá – disse o mais rápido que consegui já me levantando da cadeira.

– Vou ao Ministério investigar todo o uso de magia por menor nas últimas horas – Draco anunciou também se levantando.

– E eu vou a Hogsmeade, pode ser que ela ainda esteja por lá ou pelo menos que alguém a tenha visto. – Astória disse.

Já saíamos pela porta do gabinete quando ouvi um grito.

– Ei! – Scorpius berrou – Eu ainda estou aqui! E ainda quero saber por que minha mãe não é minha mãe de verdade!

Olhei em seus olhos e corri para abraça-lo. O que havia de errado em mim? Meu filho ali, cheio de questões sem respostas e eu sem dar importância.

Astória se sentou e puxou Scorpius para o seu colo, mesmo ele sendo do tamanho dela.

– Scorpius tem razão, vocês duas ficam e eu e o Rony encontraremos a Rose – Draco disse rapidamente e saiu apressado sem se despedir com Rony logo atrás.

Scorpius os observou em silêncio.

– Darei licença para que conversem melhor – Minerva falou – E não se preocupe Sr. Malfoy, avisarei aos seus professores.

A diretora saiu do gabinete e o silêncio reinou por um tempo. Astória acariciando as costas do filho em seu colo. E Hermione observando os dois.

– Então mães, como isso aconteceu? – Scorpius perguntou de repente.

Olhei dentro dos olhos de Astória em uma pergunta muda e ela assentiu com a cabeça. Chegara a hora da verdade.

– Querido, quero que você faça o possível para não nós condenar, relacionamentos adultos são muito complexos, muito mais do que você pode imaginar com sua mente jovem – comecei devagar e ele concordou – Você sabe que eu e Rony namorávamos depois da guerra, eu voltei a Hogwarts para terminar o sétimo ano enquanto ele e Harry foram direto para o curso de aurores...

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.