Notas iniciais
Espero que gostem.

Era terça-feira, tinha marcado de jogar Quadribol, ele ficava mais feliz do que nos dias normais e só por isso eu já gostava.

No alto dos meus 14 anos, ainda não tinha muita habilidade com os cabelos, eu simplesmente prendia em um rabo baixo e colocava uma touca por cima, parecendo um pivete, sempre gostei de andar entre os garotos e se eu quisesse andar com eles teria que parecer um deles, pelo menos era o que eu achava.

Cheguei atrasada. Bato na porta da sala, o professor abre a porta olha pra mim e faz sinal pra que entre.

– Bom dia iluminada – diz bem humorado o professor de porções

– Bom dia 'sor – respondo sorrindo

Olho pra turma e vejo que ele já tá em dupla com o Scorpius, suspiro e sigo pro fundo da sala, onde sento ao lado de Ramon Zabini, passando por ele e puxando uma de suas chuquinhas, Ramon sempre fazia coisas estranhas no cabelo, hoje ele estava com várias chuquinhas coloridas.

– E ai Mon, tudo bem? — pergunto abrindo um sorriso

– Ai Rose, não puxa, tá estragando – responde tentando ficar sério mas com sombra de riso.

– Foi mal, gostei do colorido

– O modelo ajuda – responde sorrindo

– Concordo – falo

– Sei, tá querendo o que? — ele pergunta rindo de lado

– Ah, nada demais, a gente podia ir na festa que o 6º ano da Grifinória vai fazer no banheiro dos monitores hoje, a Lily me contou sem querer

– Cara, não sei como sua prima consegue ser tão popular, ela tá no terceiro ano, nem o Scorpius tá sabendo dessa festa – ele me diz com ar de assustado

– A Lily é a Lily né – digo mostrando desinteresse – Vamos ou não?

– Por mim tudo bem, vou mandar um bilhete pro Scorpius

Ramon pega um pedaço de pergaminho, escreve alguma coisa, faz um feitiço e ele voa na direção de Scorpius, mas acerta a cabeça de Alvo, que olha pra trás, fez um gesto obsceno que me faz rir alto e vira abrindo o bilhete e lendo, viu que não era pra ele e passou pra Scorpius, que logo que lê se vira e faz sinal de positivo pra nós.

Continuo conversando com Ramon sobre várias coisas até que tomo um leve tapa na orelha.

– Ai professor, eu estou quietinha – falo indignada

– Estou tentando ouvir meus pensamentos, mas só consigo ouvir suas risadas, senhorita Weasley – ele diz sem me olhar.

Olho pra frete e vejo Alvo me fitando com cara de reprovação, ah, qual é, porque ele tem que ser perfeito assim.

– Desculpa – eu resmungo e o professor pede que eu leia um trecho do livro, o que eu faço sem hesitar.

Logo depois ele pede pra que Alvo continue e eu me pego viajando em como a voz dele é tão lindamente sonora e combina com a minha. Puts, esse garoto vai me enlouquecer.

–

O professor passa uma redação sobre uma porção que eu não faço ideia de qual seja, porque estava muito ocupada imaginando um futuro impossível com o meu primo, preciso parar com isso, agora vou ter que me matar de estudar pra recuperar esse tempo todo de devaneio.

– Tá fumando maconha com o James antes da aula, Rose? — Ramon me pergunta rindo – Anda tão desligada ultimamente, não prestou atenção em nenhuma palavra do professor, nem parece filha da notável Hermione Granger

– Ramon, não enche – respondo entre dentes com uma cara ameaçadora

– Não tá mais aqui quem falou – ele diz levantando os braços com um leve sorriso

Começamos a caminhar para o campo de quadribol. Olho para o lado e vejo Alvo e Scorpius se aproximando

– Oi minha linda princesa – diz Scorp já me abraçando e me beijando na bochecha com vontade

– Oi príncipe – digo entrando na brincadeira

– Ela me chamou de príncipe, você ouviu isso Alvo? — Scorp diz parecendo uma criança no natal, de tão feliz – Ela me chamou de príncipe, nem acredito, vou mandar uma carta para a tia Mione, Rose finalmente aceitou meu amor

– Não acho que seja uma boa ideia – diz Alvo sem demostrar emoção – Tio Rony definitivamente não vai ficar feliz com um Malfoy na família, eu e ela sermos sonserinos já é muito pra ele

– Eu não sou um Malfoy qualquer, a tia Mione me defende, ninguém nunca vai amar a Rose como eu – diz ofendido

– Menos Scorp, eu falei brincando e nós somos amigos não somos? — falo pra amenizar

– É somos – Scorp diz desanimado

Ramon, que até agora só ria, resolve dar sua opinião:

– Eu acho que vocês formam um casal lindo – diz alargando ainda mais o sorriso

– Não põe pilha Ramon – falo dando um tapa em seu braço.

Percebo que Alvo está sério demais com a conversa, ás vezes acho que ele pode gostar de mim. Porque na verdade papai até gostaria do Scorp na família, ele sempre frequentou a nossa casa desde pequeno com tio Draco e tia Astória, não há mais preconceito de nenhuma das duas partes.

– Vamos ou não vamos à festa? Pelo que a Lily comentou irá começar meia noite – Falo mudando completamente de assunto

– A Lily vai nessa festa? Mas é do 6º ano e ela só tem 13 anos, e ainda te convidou, não acredito nisso – Alvo diz indignado

– Ah, qual é Al, você só tem 14 e tecnicamente ela não me convidou, só deixou escapar que tava ansiosa pra ir numa festa ilegal onde só terá pessoas mais velhas, e ela vai levar o Hugo, não tem perigo – rebato pra Alvo que apenas bufa

– E como nós vamos entrar no banheiro dos monitores, minha princesa? — Scorp fala perto do meu ouvido me abraçando pela cintura

– Posso pedir, com meu irresistível charme, a capa da invisibilidade pro James – Falo piscando pro Scorp que me solta na mesma hora com o rosto em uma careta

– Vamos jogar? Depois pensamos na festa – Pergunta Ramon

– Falou minha língua agora – Fala Alvo já andando pro vestiário.

Viro as costas pros meninos sem nada dizer e vou colocar minhas vestes de quadribol no vestiário feminino.

Enquanto me visto percebo a presença de duas amigas terminando de tirar suas vestes da Grifinória

– Oi Rose – Fala uma quintanista chamada Alene – Tem um tempo que não te vejo, não tem mais tempo pras meninas?

– Oi Alene, tenho sim, é que ando tendo muito trabalho — respondo sem graça

– Sei, pra jogar quadribol com os garotos não tem trabalho né – fala Joan, uma também quintanista

– Ah que isso meninas, vocês sabem que não faz sentido jogar quadribol com a Grifinória né – falo me defendendo

– Tudo bem, te perdoamos se pra compensar você vir na festa que o Chester Snow tá organizando essa noite, e não quero ouvir desculpas – diz a Joan com uma expressão divertida

– Na verdade eu já estava pensando em invadir com os meninos, pelo jeito meninas de todos os anos estão convidadas né, típico do Snow – respondo

– Exatamente, só não ser certinha nem da sonserina que está convidada, sem ofensas – diz Joan

– Não ofende, ele vai ter uma surpresa com a chegada do quarteto sonserino – falo rindo

– O Scorpuis vai?! Bem que eu queria uma chance de conversar com ele sem sonserinos vigiando – Alene fala suspirando – Será que ele ainda se importa com sangue?

– Claro que não, o Scorp é perfeito, não tem essas palhaçadas, nem o tio Draco tem mais – falo convicta

– É sério? Eu sou apaixonada por ele desde sempre, nunca tive coragem de chegar perto, sou nascida trouxa e ele um sonserino, sempre achei que não teria chance – diz Alene sonhadora

– Você deveria tentar, garanto que ele não vai te tratar mal – falo sentindo um estranho aperto no peito, porque estou com ciúme do Scorp!? Logo afasto o pensamento – Como vou entrar na festa? — pergunto mudando o assunto

– A senha é torta de abobora – diz Joan – Só não fala que fui eu quem te disse

– Obrigada meninas, vou lá porque eles devem estar me esperando – Até a noite

No caminho do vestiário ao campo não consigo fazer a sensação de aperto no peito parar, deve ser ciúme porque sempre fomos muito unidos, afinal não se pode amar duas pessoas ao mesmo tempo.

–

– Estava costurando o uniforme? — Me pregunta Ramon

– Não brinco em serviço querido, estava descobrindo a senha do banheiro dos monitores- Falo piscando

– Como exatamente? — Me pergunta Scorpius

Na hora me lembro da Alene e instantaneamente me sinto enjoada

– De nenhuma forma que te interesse – Respondo já subindo na vassoura e indo pro meio do campo, de lá eu grito – Vamos jogar hoje ainda?

– O que deu nela? — Scorpius pergunta aos meninos que apenas dão de ombros e voam em minha direção

–

– Minhas maravilhosas companheiras de quarto, muito amadas – Falo entrando no meu dormitório com o maior sorriso que consigo

– Tudo bem Rose, seja lá o que você estiver aprontando, não vamos contar – Responde Lolita

– Fale por você – Retruca Sarah com seu mal humor natural

– Que isso Sarinha! Eu te amo, não faz assim – falo segurando o riso

– Sei, você só quer saber de aprontar, assim a Sonserina vai ficar em último na competição da Taça das casas – Sarah diz com ar de chateada

– Dessa vez se eu for pega não vão tirar pontos da Sonserina e sim da Grifinória, pode ficar despreocupada Sarinha – falo

– Como assim? — pergunta Lolita

– Amanhã eu explico, porque sei bem que se eu explicar agora vocês darão um jeito de acabar com a diversão – respondo

– Tudo bem, mas se a Sonserina perder nem que seja 1 ponto a diretora ficará sabendo – Fala Sarah séria

– Combinado – respondo já entrando no banheiro pra tomar meu banho

Tomo um banho relaxante e demorado, começo a pensar no Al, ele estava lindo jogando hoje, me lembro de quando o papai, tio Harry, tia Gina e tio Draco nos ensinaram a jogar quadribol, foi no mesmo dia que Scorpius, James, Hugo e Lily aprenderam...

Sentados no sofá da sala, na casa de Hermione e Rony, Rose e Alvo esperavam ansiosamente Scorpius chegar com seu pai pela lareira. Harry, Rony, Gina e Draco haviam prometido as crianças que ensinariam hoje o quadribol a todos eles, James estava com 10 anos e já sabia muita coisa, Rose, Alvo e Scorpius com 8 sabiam pouco e Hugo e Lily que tinham apenas 7 não sabiam quase nada.

– Tô com medo de me machucar, aqueles balaços são muito violentos – fala Rose pro primo, eles haviam a pouco espiado a caixa com as bolas

– Se você quiser eu fico de batedor pra te proteger – diz docemente Alvo

– Mas você sempre quis ser apanhador como o tio Harry e seu avô – fala Rose desconfiada

– Tudo bem prefiro cuidar de você – Alvo diz sorrindo tímido

Rose cora e o abraça forte, quando solta percebe que ele também está corado.

– Obrigada – ela diz sorrindo frouxo

Eles ficam um tempo olhando um pro outro com sorrisos bobos nos lábios até que ouvem um barulho na lareira.

– Scorp – grita Rose eufórica – Porque demoraram tanto?

– Oi Rose, foi papai quem demorou a chegar em casa – Responde Scorpius a abraçando e plantando um beijo em sua bochecha

– Oi Al – fala Scorpius apertando a mão de Alvo que o puxa pra um abraço

– Oi Scorp, oi tio Draco – Alvo diz sorrindo

– Desculpe crianças, tive alguns imprevistos no trabalho- fala Draco abraçando Rose e Alvo ao mesmo tempo

– Tudo bem tio, vamos logo jogar, vou chamar o resto do povo – Rose fala saindo correndo escada acima gritando pelos outros.

No jardim, todos já equipados com as proteções e em suas vassouras, escutam atentamente enquanto Harry fala sobre as regras e distribui as posições, quando Alvo diz que quer ficar de batedor Harry não intende, mas não diz nada, mais tarde, quando o vê voando ao lado de Rose o tempo inteiro a defendendo, percebe o motivo.

Estavam jogando de um lado: James com apanhador, Hugo como goleiro, Draco e Scorpius como artilheiros e Lily como batedora; do outro: Harry como apanhador, Rony como goleiro, Rose e Gina como artilheiras e Alvo como batedor.

Rose tinha a posse da goles e voava em direção aos aros defendidos por Hugo, Alvo voava ao seu lado quando veio um balaço em sua direção que ele rebateu com facilidade e olhou pra Harry que fez sinal de positivo, foi tempo suficiente para Lily rebater outro balaço na direção de Rose que não conseguiu desviar e tomou um forte golpe da perna que a fez rodopiar no ar e ir desabando para o chão. Os olhos de Alvo se encheram de água ao mesmo tempo em que ele acelerava a vassoura pra tentar pegar Rose antes de bater no chão, Draco, Rony, Gina e Harry também voavam em sua direção. Alvo conseguiu segurar a prima pelo braço, ela se agarrou a ele e subiu em sua vassoura, logo que aterrissaram ele correu pra dentro com ela nos braços gritando por Hermione, os adultos vieram logo atrás.

– Tia Mione, tia Mione, preciso de ajuda, Rose se machucou – Alvo disse a colocando no sofá com o rosto coberto por lágrimas.

Rose também chorava.

– Não precisa chorar, vou pingar essa porção e você irá ficar melhor em alguns segundos – Hermione diz passando a mão pelos cabelos castanhos da filha – Vai arder só um pouco – ela diz enquanto pinga a porção e vê o rosto da filha em uma careta

Alvo segurou na mão da prima e não soltou nem quando ela apertou muito seus dedos os fazendo doer.

– Vamos pro seu quarto, chega de quadribol por hoje – Fala Hermione pegando Rose no colo e subindo com ela as escadas.

Alvo vai junto ainda segurando a mão de Rose.

Quando chegam ao quarto, Alvo pede a Hermione pra ficar lá e ajudar a cuidar de Rose, Hermione tenta dizer que não precisa, que não é nada demais, mas o menino insiste tanto que ela acaba deixando.

– Como se sente? — Pergunta o menino a prima

– Melhor, mais ainda doe um pouco – ela diz – Obrigada por ter ficado

– Não tem que agradecer, eu não te protegi, minha culpa – ele diz frustrado

– Protegeu sim, se não, eu teria tomado dois balaços – Fala Rose

– A Lily vai se ver comigo depois – Alvo diz com um brilho negro nos olhos

– Lily não teve culpa, é um jogo, e eu já estou bem melhor – Rose fala forçando um sorriso – Vamos ver Shrek?

– Vamos – ele responde sorrindo

Na metade do filme Rose já dormia e Alvo estava quase, Hermione entrou no quarto, arrumou uma cama para Alvo do lado da de Rose e perguntou a eles se queriam comer algo, com a resposta negativa deu um beijo em cada um e deixou o quarto. Como Hermione havia acordado Rose pra perguntar se queria comer, eles assistiram mais um pouco do filme, mas logo ela caiu novamente no sono. Alvo saia do seu lado quando ela abriu os olhos e o abraçou.

– Fica aqui Al – ela pede sonolenta

Alvo responde com um acenar de cabeça, sentindo uma sensação estranha no estomago, que ele não sabia, mas Rose também sentia.

Eles se ajeitaram na cama dela e ela pegou no sono imediatamente, ele ainda ficou acariciando seus cabelos e inspirando o perfume natural deles, para o menino era o melhor cheiro do mundo, até que adormeceu sem perceber.

Estava ainda relaxando na banheira quando Lily entra como um furacão no banheiro.

– É pra hoje esse banho?! — ela fala gesticulando – Estou no seu dormitório a meia hora esperando e olha que quando cheguei as meninas falaram que você já estava ai há muito tempo

– Me perdi em pensamentos – falo me virando pra ela – Como entrou aqui?

– Encontrei o Zabine e o Scorpius saindo da sala comunal – ela diz – Vamos, sai dessa banheira e me deixa te arrumar

– Nem pensar Lily, sair eu vou, mas deixar você me arrumar, isso nunca! — falo me levantando

– Nunca é muito tempo – ela fala sorrindo

Saio do banheiro com a Lily que me ajuda a escolher uma roupa, na verdade atrapalha, fica perturbando pra eu ir de vestido, mas ela não me ganha fácil e acabo pondo uma calça jeans preta, uma camiseta com franjas que eu mesma cortei do AC/DC e um tênis Nike preto com marinho de cano alto. Deixo Lily usar um feitiço que tia Gina a ensinou pra domar meus grossos e volumosos cabelos castanhos e passar um lápis nos meus olhos, o que já a deixa muito feliz. Lily estava bem mais bonita do que normalmente, o que é estranho porque ela é normalmente perfeita, vestia um vestido em vários tons de azul puxando pro claro, era amarrado no pescoço e levemente rodado em baixo, nos pés uma sandália com um pequeno salto de 10 cm branca e delicada e tinha no rosto uma maquiagem quase imperceptível que só valorizava seus traços perfeitos.

– Apesar dessa roupa quase toda preta, tenho que dizer que você está linda – Lily fala divertida – Mas ficaria melhor num dos meus vestidos

– Lily, seus vestidos nem cabem em mim! — respondo rindo – Mas obrigada mesmo assim

– Então vamos? — Lily pergunta

– Vamos — respondo a puxando pela mão e seguindo para sala comunal

Notas finais
Qualquer opinião é muito bem vinda :)