Blood At Her Hands

4 Capítulo 4 - Chase


- Chefe, más notícias.

Brian virou-se abruptamente quase derramando o whisky de seu copo em cima dos papéis espalhados pela mesa e cadeira. Ele adorava ser chamado de chefe, pois se sentia superior – não que gostasse de esnobar, ele simplesmente gostava do prazer de ser “poderoso” – mas odiava quando essa palavra vinha acompanhada de algo que piorasse sua situação na Scotland Yard.

- Recebemos uma ligação anônima do empresarial Pristle. Encontraram o Sr. Pristle com uma mulher em sua sala. Ambos mortos.

Depois de alguns segundos de incredulidade, o Sr. Haner saiu em disparada de sua sala, atravessando o quarto andar em direção ao hall dos elevadores, o qual dobrou e abriu a primeira porta de madeira sem incomodar-se em bater. Scott estava lendo alguns papeis com duas mulheres nas cadeiras em frente a sua mesa. Ele parecia nervoso e entretido o bastante com o que lia para se sobressaltar-se com o barulho que seu chefe fez ao entrar na sala.

Trocaram olhares inquietos, dando a entender que Scott já sabia da ligação e estava justamente investigando aquilo.

- Marian separou uma equipe da perícia e foi até lá em uma viatura – balançou o papel em suas mãos – Já me enviaram um relatório.

E pela primeira vez em sua vida, ele viu Marian cometer um erro. Uma viatura chamaria atenção demais e se o assassino ou assassina ainda estivesse por lá, veria a movimentação e fugiria. Uma viatura seria como um alarme de “perigo iminente”.

Ninguém naquela maldita polícia sabia se virar sem ele?

Outra mulher adentrou a sala e se Brian não tivesse reconhecido-a poucos segundos depois acharia que aquele lugar estava tornando-se um prostíbulo/um shopping ou algo que fosse espalhafatoso o suficiente para ser freqüentado por tantas mulheres.

Notou de primeira suas feições preocupadas e urgentes, sabendo que outra bomba estava por vir.

- Acabei de receber por telefone a informação de que um dos donos da boate Pacha London foi encurralado na floresta. – disse, atropelando algumas palavras.

Só poderia ser o mesmo assassino! Duas mortes em série e uma em potencial com quarenta metros de distância de um local pra outro e percorrido em menos de quinze minutos era muita coincidência para um dia só, não?

- Vamos Scott. Chegou a nossa hora.

xx

Antes que a SUV preta parasse completamente, o “chefe” saltou, puxando a arma preta bem polida do cinto e movendo-se floresta adentro enquanto ouvia as instruções serem dadas por Scott, seu braço-direito. Por conta do caráter impulsivo de Brian, ele não era homem de teorias e sim, ações, atitudes. Não adiantava de nada dizer que impulsividade não levava a nada porque bem, ele era o chefe da unidade mais importante da Scotland Yard e esse “título” era indiscutível.

- Vai com calma, cara. A gente nem sabe a localização deles – ouviu Scott sussurrar não muito distante de si.

A cada passo que dava, seu sapato afundava no chão lamacento, fazendo um barulho irritante de algo sendo espremido. O ar na floresta estava úmido e quase gelado. As árvores eram tão próximas umas as outras que em alguns lugares pareciam formar paredes, com quinas e tudo o mais. O cheiro, que misturava orvalho, barro molhado e sabe-se Deus o que mais, não era um dos mais agradáveis. Sua posição era tensa, seus músculos dos braços e costas salientavam-se por manterem-se retesados enquanto apertava forte a arma em suas mãos.

Perscrutou cada milímetro a sua volta, apurando ainda mais seus sentidos, tentando notar qualquer coisa fora do comum, mas até o momento... Nada. Andou mais alguns metros floresta adentro, sabendo que estava aproximando-se do lago – que provavelmente estaria congelado a esta época do ano –, mas logo em seguida, ouviu uma série de ruídos fracos e entrou em alerta máximo, movendo-se mais habilmente, na direção do som.

Flexionou os cotovelos, mantendo a arma mais próxima ao rosto com a parte mais escura da floresta em sua mira constante. O ruído que ouviu ficou mais alto e mudou de direção. Brian acompanhou-o e ao virar-se para finalmente ver o que diachos estava produzindo aquele arrastar de folhas irritantes, frustrou-se. Era apenas uma raposa.

Virou-se novamente para a direção de onde tinha vindo e viu Scott olhar ao redor. Assim que abriu a boca para comentar algo, ouviu um grito agudo.

Aquilo sim era uma pista. Aquilo sim, não poderia de jeito algum, ser som de um animal.

Se sua intuição não lhe faltava, não adiantava mais manter a discrição. Correu a todo vapor, sentindo suas pernas doerem pela falta de exercícios, mas não se deixou vencer pelo cansaço, impôs-se um ritmo ainda mais rápido, confiando apenas em sua audição, novamente.

Avistou vultos a uma distância não muito longa e mais um grito foi produzido. À medida que chegava mais perto, a cena ficava mais nítida, mesmo com sua visão parcialmente bloqueada pela penumbra que assolava o centro do floresta/bosque. Duas pessoas, uma caída – parecendo morta – e a outra em pé, segurando algo que não conseguia distinguir, poucos metros antes do lago, que como havia suposto, estava congelado.

Mesmo que o único barulho ali fossem os gritos e o chão fazendo barulhos quando as folhas eram movidas pela corrida louca de Brian e Scott, o assassino alarmou-se e olhou na direção deles, sacudindo, involuntariamente, seus longos cabelos que pareciam ser pretos. Assim que os avistou, tomou um caminho quase contrário ao que deveria, fazendo seus perseguidores se desnortearem por alguns segundos.

Então, ele havia vislumbrado a assassina.

Tomaram um caminho paralelo ao da mulher e conseguiram vê-la correr a seu lado. Àquela distância, qualquer um poderia ver seu rosto se não estivesse tão preocupado em desviar das árvores e raízes pelas quais passavam e mantê-la em seu campo de visão.

Diachos, aquilo estava acabando com os pulmões de Brian. Uma corrida como aquela não era nem de longe comum para um fumante como ele, e agora, que lhe era exigido tanto esforço, ele sentia-se inútil por não conseguir corresponder ao que lhe era esperado.

Passaram por uma árvore meio inclinada que não havia sido percebida por Brian antes, o que o fez relaxar os músculos da mão e braço, quase derrubando a arma. A arma.

Ele poderia atirar e consegui-la ferida ou morta, ou poderia não atirar e perder a oportunidade de capturá-la.

Sem hesitar, levantou o braço direito – confiando que daria conta de apoiar a arma com apenas um braço – e disparou três vezes na direção dela. Na última vez, pensou ter acertado-a.

Ela fez um caminho em ziguezague, cambaleou como se estivesse ferida e sumiu.

Mero engano. A maldita assassina simplesmente sumiu.

Mas que diabos a lei de Murphy tinha contra o universo?

Diminuiu o ritmo e parou, vendo Scott comunicar-se pelo celular com o resto da equipe.

- Estou mandando cercarem o bosque. Diga a Marian que vá se ferrar, quem está dando as instruções hoje sou eu. – disse alterado – Caralho, estou mandando cercarem logo a porra do bosque!

Desligou, jogando o celular contra uma árvore. Passou as mãos pelo rosto e bagunçou os cabelos, tentando estabilizar a respiração para que pudesse falar com Brian.

Já este sabia que era desnecessário tentar fechar uma barreira ao redor de seja lá o que fosse, apesar de manter-se calado. Se ele não havia conseguido pegá-la, quem mais conseguiria? Mesmo tendo feito tanto esforço por nada, seu ego não poderia estar mais inchado.

Era sempre assim quando perdia uma corrida contra o crime. Brian parecia um guepardo quando queria. Apesar de seus pulmões não serem lá os melhores ele conseguia correr mais rápido que qualquer um de sua equipe, era tão feroz quanto um animal quando queria e por isso e outras coisas, nunca aguentava perder. Seu instinto era impulsivo e orgulhoso o suficiente para querer vencer acima de tudo.

Devia estar maquinando alguma vingança terrível – apesar de tortura não ser permitido como punição, segundo a lei – para aquela criminosa terrível que estava ameaçando a vida dos cidadãos da cidade que estava sob sua proteção.

Ah, se ele pegasse aquela mulher... Ela iria conhecer o verdadeiro significado da palavra sofrer.