Bloco de Notas

2 Dia das Mães obscuro


Notas iniciais
Proposta: Uma história onde Wandinha tenta planejar um ótimo Dia das Mães para Mortícia, com uma leve ajuda de Feioso, Mãozinha e Gomez.

•》(Titulin Top kkkk)《•

• Capítulo Único •

Wandinha detesta muitas coisas. E o Dia das Mães era uma delas.

Qual era o sentido? Um dia inteiro para dar presentes à mulher que tinha deu à luz e te criou, sendo que você nunca pediu nada disso? Que besteira! E tudo ficava ainda mais irritante e detestável com todas aquelas... arg, flores, cartões e ursinhos fofos. Eca, qual é a necessidade de tanta melosidade?! Poderia ficar com diabetes em um único maldito Dia das Mães!

Mas, mesmo assim, Wandinha decidiu que, esse ano, ela faria algo para sua mãe, Mortícia. O motivo disso? Talvez ela apenas quisesse provar que era capaz de ser "legal" com os outros, ou talvez ela quisesse, de certa forma, agradecer sua mãe por tudo. Não importa! A regra desse Dia das Mães seria: "Sem perguntas, apenas ações!".

Então a jovem Addams já havia planejado tudo. Infelizmente, ela não poderia fazer isso sozinha, por mais que ela quisesse.

— É o seguinte: esse provavelmente será o único Dia das Mães comemorado nessa casa, então ele precisa ser memorável. – Wandinha anda de um lado para o outro pela sala, com a voz de uma autoridade. — E eu não vou deixar você três, patetas, destruírem tudo.

— Perguntinha rápida – interrompe Gomez. — Por que eu estou aqui? A mãe é de vocês, não minha.

— Porque eu sei que você com certeza fará questão de que tudo saia perfeito, assim como eu. Afinal, você não quer ver sua amada esposa triste, não é? – Provoca a mais nova, naquele tom sarcástico que apenas ela tem.

Gomez apenas fica em silêncio, pois sabia que a filha estava certa. Ele sempre impediria a todo custo que algo machucasse ou magoasse sua tão amada esposa.

— Tarefas separadas. Pai, você irá cuidar de distrair a vítima. Ela não pode suspeitar de jeito nenhum o que estamos planejando. Entendido? – Pergunta Wandinha, levemente ameaçadora.

— Sim, senhorita! – Gomez bate continência, em um tom levemente brincalhão, apenas para descontrair. Sua filha revira os olhos, mas ignora.

— Mãozinha, você cuidará da decoração da sala. E nada de florzinhas, arco-íris, unicórnios ou qualquer outra dessas baboseira que as mães adoram. Lembre-se de que estamos falando da minha mãe, e a minha mãe não é uma qualquer como as outras.

Mãozinha responde Wandinha com um simples gesto de "entendido", e nem diz mais nada, apenas para não arrumar confusão. Deu certo.

— Feioso, cuide dos presentes. Tem que ser algo tenebroso, horrendo, pavoroso... algo que ela vá gostar. E a mesma coisa do Mãozinha: não me apareça com baboseiras clichês, ou vai para a guilhotina — ameaça a mais velha.

— T-Tá bom, Wandinha! – Concorda Feioso. — Mas o quê você vai fazer para a mamãe?

A garota de tranças no cabelo revira os olhos, mas resolve responder mesmo assim:

Coisas básicas, como comida e música. Além do planejamento e da direção estar tudo por minha conta, então não reclame.

Os três ficam em silêncio, o que irrita Wandinha.

— O que vocês estão esperando?! Andem logo!

Gomez sai logo para encontrar com sua amada Mortícia, Feioso sai para comprar presentes para sua mãe e Mãozinha vai arrumar a decoração.

— Ah, espero que dê tudo certo... – Wandinha suspira.

A Addams então sai da sala onde estava para ir começar sua parte dos preparativos para o Dia das Mães.

•》•《•

Mortícia estava feliz, mas ainda havia algo que a incomodava.

A mulher passou o dia inteiro junto de Gomez. E foi um dia terrivelmente delicioso! Mas, mesmo assim, algo a incomodava, a... chateava.

Não que ela não gostasse de passar o tempo assim junto de seu marido. Não, claro que não! Ela adorava, afinal, era seu marido, o homem por quem era perdidamente apaixonada, aquele que ficaria consigo da vida até a morte, e da morte até depois dela.

Porém ela não viu o dia inteiro seus filhos, Feioso e Wandinha. Era o segundo domingo de maio, e ela sabia que esse era o famoso Dia das Mães.

A Addams sabia que não teria toda aquela comemoração especial como as outras mães – e até ficava aliviada com isso, afinal, quem gostaria de um dia com tantas flores coloridas e ursinhos fofos? Mas, apesar disso, ela gostaria de passar o dia com seus filhos.

Se era o Dia das Mães, ela tinha esse direito, não é? Ah, quando crianças eles adoram ficar com você, cortando rosas e decepado com a guilhotina. Mas quando crescem, até parece que não têm mãe... E essa era uma dor terrível, e não no bom sentido.

— Cara mia, já está anoitecendo... Vamos voltar para casa? – Pergunta Gomez, sentado ao seu lado em um simples banco.

— Acho que sim... – Mortícia responde, não conseguindo esconder a tristeza e preocupação.

— Algo a aflige? – Gomez pergunta, um tanto preocupado, apesar de já imaginar sobre o que se trata. — Pode se abrir comigo, mi amor.

— Não é nada demais... Apenas... – A Addams hesita um pouco antes de lhe contar. — Apenas senti falta de meus filhos hoje.

É, Gomez estava certo. Porém agora vinha o problema: detestava ser sua amada Mortícia triste, mas não queria estragar a surpresa que Wandinha havia planejado. A solução seria correr para casa.

— Ah, às vezes eles já estão em casa. Podemos jantar lá, em família! O que acha?

Mortícia não demora muito a sentir que algo de diferente estava acontecendo. Gomez era um péssimo mentiroso, e também péssimo em enrolar as pessoas. Mesmo assim, a mulher resolve não questionar sobre.

— Você está certo. Então vamos, mon cher – diz Mortícia, dando um leve sorriso.

— Vamos, mi amor.

Os dois se levantam do banco, saindo de mãos dadas do cemitério onde viram o sol se pôr – o que foi extremamente romântico, pelo menos, no conceito deles.

O cemitério onde estavam não era muito longe da casa onde moravam, então eles voltaram andando tranquilamente, de mãos dadas, apenas aproveitando o silêncio da noite.

Ao chegarem em casa, Gomez faz questão de tapar os olhos de Mortícia.

— Temos uma surpresa para você, cara mia... – Ele sussurra em seu ouvido.

— Temos? No plural? – A mulher se faz de desentendida, afinal, já suspeitava sobre o que se tratava.

Gomez então abre a porta da casa, e leva Mortícia para a sala de jantar, onde estavam seus filhos.

Claramente, eles ainda não estavam prontos para a chegada da mãe. Mãozinha puxava uma das tranças de Wandinha, enquanto ela brigava com o irmão. Feioso, por sua vez, estava dividido entre brigar de volta com a irmã ou apenas ficar quieto.

— Feioso! Eu te avisei que não queria nada de flores! – Briga a primogênita.

— Mas são rosas! São as flores favoritas da mamãe! Você não sabia?! – Retruca o mais novo.

— Claro que sabia! Mas ela não gosta das flores em si, só dos espinhos! E, Mãozinha, para de puxar o meu cabelo!

Wandinha arranca Mãozinha de sua trança, e o joga na mesa.

— Crianças! – Gomez chama a atenção do trio, enquanto grita em um sussurro.

Os três se viram para o pai, e percebem que ele havia chegado com Mortícia, e que, provavelmente, haviam presenciado parte da briga. Pelo menos, Gomez ainda estava tapando os olhos dela, por mais que eles soubessem que a mãe não era surda.

Feioso ajuda Mãozinha a subir em seu ombro, segurando o buquê de flores. Wandinha, por sua vez, pega um embrulho preto que estava em cima da mesa.

Gomez, ao ver que os três agora estavam mais organizados, tira as mãos dos olhos de Mortícia.

— Surpresa! – Ele diz, baixinho.

— Feliz Dia das Mães, mãe! – Feioso sorri, com Mãozinha acenando animadamente em seu ombro.

— Feliz Dia das Mães – Wandinha diz, com a voz mais fria e séria de costume, mas com um leve (quase minúsculo) sorriso no rosto.

Mortícia olha emocionada para os filhos, enquanto seus lábios avermelhados de batom se curvam em um sorriso. Mas que lindo! Parece que ela teria, sim, a companhia de seus amados filhos nesse Dia das Mães. E isso era tudo o que ela queria.

— Ah, mas que lindo! Muito obrigada!

Feioso corre até a mãe, a abraçando, mas com cuidado para não amassar o buquê. Mãozinha aproveita a chance para subir no ombro da Addams mais velha.

— Aqui, mãe! – Diz Feioso, entregando-lhe o buquê de rosas vermelhas enquanto solta o abraço. — São suas favoritas, não é?

Mortícia pega o buquê com cuidado, e faz um leve carinho nos cabelos do filho.

— São, sim. Obrigada!

Feioso se vira para Wandinha, mostrando a língua, como forma de provocação.

— Eu estava certo! Eu estava certo, e você estava errada! – Irrita o mais novo.

— Ah, seu pirralho, sabe que não vou me rebaixar ao seu nível – Responde Wandinha, mas lançando-lhe um olhar mortal, que faz Feioso calar a boca.

Satisfeita com a submissão do irmão, Wandinha se aproxima da mãe, apenas lhe entregando o presente.

— Aqui, é para você. De nós dois. – Ao perceber Mãozinha irritado no ombro de Mortícia, a garota logo corrige. — Três. É de nós três.

— Oh, então obrigada aos três!

Mortícia coloca o buquê em um canto, em cima da mesa, e logo pega o presente das mãos da filha mais velha. Não era muito grande, e parecia ser um pouco pesado.

Ao desfazer o laço com fita vermelha e retirar o embrulho preto, a mulher se depara com um crânio de porcelana.

— Um novo crânio para a minha coleção! É horroroso! – Elogia Mortícia.

— Irônico, pois ele é "O Rei do Horror" – comenta Wandinha, sarcástica.

— É, o nome dele é Jack, o Rei do Halloween, ou Rei do Horror! – Feioso diz animadamente ao fundo.

— Ah, entendo... Muito obrigada, é um presente terrível. — A mulher sorri.

Wandinha apenas se vira para o irmão, com aquele jeito autoritário.

— Feioso, vá terminar de ajeitar a comida e a traga aqui, pois eu vou tocar alguma coisa.

— Tá bom! – Concorda o garoto, indo para a cozinha fazer o que a irmã pediu.

Wandinha, por sua vez, se aproxima de Mortícia, apenas para que Mãozinha suba em seu ombro. Depois disso, a garota vai até seu violoncelo, que já estava ali, apenas esperando para ser tocado.

A garota não diz nada, apenas começa a tocar uma bela melodia, bem a cara da família. De tempos em tempos, Mãozinha estralava os dedos, ou virava a folha onde estava a partitura que Wandinha lia para tocar.

Gomez se aproxima de Mortícia, colocando seu braço no ombro dela, meio que a puxando para o abraço, enquanto ambos assistem a filha tocar seu violoncelo.

A melodia era bonita, mas também não demora muito até Feioso retornar, trazendo travessas com a comida que sua irmã havia feito mais cedo.

A família então se senta à mesa e começa a se servir com a comida feita por Wandinha. Cérebro de vaca ao molho de tinta de lula. O que é isso? O nome é auto-explicativo, e completamente bizarro. De onde ela tirou isso? Não faço a menor ideia, e nem quero saber. Mas se estava gostoso? Bem, sua mãe parece ter gostado.

— Está horrivelmente delicioso, Wandinha! Não imaginei que sabia cozinhar assim – elogia Mortícia.

— Eu tive uma... ajudinha – comenta Wandinha, mas sem dar mais informações.

A família janta, todos unidos para essa refeição em juntos nada-tradicional de Dia das Mães. Enquanto isso, eles vão batendo papo, uma conversa leve e tranquila (bem, para os parâmetros dos Addams). Fazia tempo que eles não se reuniam desse jeito, e era... tenebrosamente maravilhoso.

Após o jantar, Gomez se retira com um "te espero lá em cima, mi amor", enquanto Feioso se retira com um "até amanhã, mãe, e feliz Dia das Mães!", levando Mãozinha junto. Então Mortícia e Wandinha ficam sozinhas na sala.

— Seu irmão aceitou ao comprar rosas para mim. Mas... ah, eu realmente gosto dos espinhos! – Comenta Mortícia. — Gostaria de me ajudar a cortar fora as flores dos caules?

— Não vejo porquê não – Responde Wandinha, sem demonstrar grandes emoções.

As duas então se sentam juntas, cada uma com sua tesoura, e começam a cortar fora as flores de seus caules, para deixar apenas os espinhos, como Mortícia tanto apreciava.

— Foi você quem planejou tudo, não foi, Wandinha? – Pergunta a mais velha, quebrando o silêncio.

— Não, fizemos isso juntos – responde a mais nova, sem nem tirar os olhos da rosa que estava decepando, como se não se importasse.

— Você sabe que não adianta mentir para mim, eu te carreguei por nove meses antes de você nascer, e te crio até hoje.

— Sim, por isso que estamos comemorando o tal "Dia das Mães". Comemorar essa data sem ter uma mãe seria mais idiota ainda – resmunga Wandinha.

Mortícia revira os olhos com a fala da filha, mas não consegue evitar de dar uma leve risada com o jeito dela.

— Enfim... Obrigada, Wandinha. Esse foi um tenebroso Dia das Mães – agradece, depositando um beijo na testa da menina.

— Não por isso – responde Wandinha, como se não se importasse com nada disso.

Mas, no fundo, ela se importa sim, se importa muito. E Mortícia sabia muito bem disso.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.