Blizzard

1 Capítulo Único


Notas iniciais
Finalmente vim postar uma Reituki aqui. Já tava na hora né <3 Essa aqui é o presente de Natal pra minha seme-chan linda & absoluta @miyazaki_haruko. É pequenininha, mas é de coração ok. Te amo, seme-chan. Obrigada por tudo e Feliz Natal. Espero que goste b29; Agradecimento especial pra Thami que betou pra mim e me ajudou com algumas ideias. Obrigada, sua linda *3* Agora vamos ao que interessa. Eu escrevi tudo ouvindo Xmas Day do SINCREA. Se alguém quiser escutar enquanto lê eu recomendo XD Boa leitura ~

Levei a caneca até a boca, saboreando devagar o fumegante chocolate quente. Delicioso. Até eu me surpreendia em como acertava, às vezes. Segui até a sala com cuidado para que nenhuma gota caísse no carpete. Me aproximei da janela, observando os flocos de neve caírem tranquilamente do céu escuro sobre a rua, os carros e a bela árvore de Natal da praça em frente ao meu prédio. Sim, hoje é véspera de Natal. E sim, eu estava encantado com a árvore da praça em frente. Havia várias luzes brancas ao seu redor, que somadas à neve acumulada nos galhos faziam com que tivesse um aspecto realmente belo.

Eu gosto do Natal. Sempre gostei. Nessa época todos se unem, trocam presentes e comemoram a data com sorrisos e abraços. Parece... aconchegante. E bonito, também. A nostálgica imagem que tenho da minha família reunida em frente a lareira no Natal quando eu era pequeno automaticamente me aquece e faz um sorriso terno brotar em meu rosto. Sinto falta disso.

Na verdade planejava aproveitar as férias da gravadora e visitá-los em Kanagawa nesse Natal, mas minha mãe ligou de manhã dizendo que a previsão do tempo avisou que uma nevasca forte abateria Tóquio e que seria perigoso se eu saísse da cidade naquele dia. Lamentei e insisti com ela, mas Sra. Suzuki estava irredutível, por mais que parecesse triste. Pediu que eu esperasse mais um ou dois dias e fosse para Kanagawa passar apenas o Réveillon com eles. Mesmo contrariado tive que assentir. E até agora nenhuma nevasca tinha dado a honra de sua presença, o que apenas aumentava o misto de raiva e tristeza em meu peito.

Depois que mamãe me disse que não poderia visitá-la, cogitei ligar para um dos membros da banda e convidá-lo para passar a noite de Natal aqui, mas logo descartei a idéia. Uruha e Aoi passariam o Natal juntos num chalé nas montanhas e Kai fora visitar sua família. Mandei uma mensagem para Ruki avisando que continuaria em Tóquio, mesmo sabendo que ele iria a um espetáculo de teatro natalino do qual falava há meses, cujos ingressos já tinham esgotado.

É, parece que passarei o Natal sozinho dessa vez.

Suspirei, bebendo mais um gole do chocolate quente e voltando a observar as luzes de Natal do outro lado da rua. Depois de um tempo devaneando percebi que os flocos de neve se aquietavam lá fora, balançando também as folhas das árvores num vento cada vez mais forte. As poucas pessoas que ainda estavam na rua foram desaparecendo em meio a brancura da neve se agitando e logo os vidros da minha própria janela balançavam fortemente devido a intensidade do vento. E agora a nevasca resolvia chegar.

Fechei a cortina, agradecendo mentalmente ao aquecedor do apartamento que me mantinha quente mesmo com o frio cortante do outro lado da parede. Sentei-me no sofá bebericando meu chocolate. Não queria ver TV, muito menos usar o computador. Me resignei em relembrar as noites de Natal em Kanagawa enquanto esperava o relógio soar meia-noite.

Alguns minutos depois ouvi batidas apressadas na porta do apartamento, fazendo-me pular e quase derramar a bebida no sofá. Desconfiado, rumei para a porta e abri-a devagar. Não pude ter maior surpresa ao me deparar com um homem baixo, loiro e coberto de neve a minha frente.

- Ruki!

- O-Oi Reita. – ele disse com um sorriso fraco, apertando os pequenos braços ao redor do corpo num abraço forte. Seus lábios tremiam levemente.

- Meu Deus, entre! – apressei-me em puxá-lo para dentro, preocupado, mesmo achando adorável a imagem do vocalista com os cabelos bagunçados e cobertos de neve. – O que aconteceu com você? Não era pra estar no teatro? Você está gelado!

- O espetáculo... foi cancelado. Eu só fiquei sabendo quando fui lá ver, e na volta peguei a nevasca. – Tirou o sobretudo e entregou-o a mim, de modo que chacoalhei o restante de neve nele e pendurei-o num cabide próximo ao aquecedor. As bochechas de Takanori começavam a ganhar um tom rosado devido ao calor que emanava dali. – Me desculpe por vir pra cá, mas era o lugar mais próximo e foi o único em que pensei e-

- Tudo bem, chibi. Você pode passar a noite aqui.

Não sei se suas bochechas coraram mais de raiva pelo apelido, de vergonha ou de felicidade. Talvez uma mistura dos três. E isso me fez sorrir.

- Obrigado, Reita. – ele fez uma leve reverência, que fiz questão de ignorar.

- De nada, Taka. Você sabe que pode vir quando quiser. Agora vai tomar um banho quente antes que fique resfriado. As toalhas estão no lugar de sempre e as roupas no quarto de hóspedes.

Ele sorriu grato, deu meio passo em minha direção e pareceu se deter no meio de seja lá o que pretendia fazer. Depois olhou para o chão, parecendo um tanto encabulado, e se virou para ir em direção ao banheiro. Observei-o entrar, curioso. Por fim chacoalhei a cabeça e segui para a cozinha, afim de preparar mais chocolate quente e arranjar um pedaço de bolo para o pequeno.

Assim que tudo estava pronto levei a bandeja para a sala e depositei-a na mesinha de centro. Ruki não tardou a acabar o banho, saindo do banheiro tranquilamente, apenas de toalha. Tive que morder meu lábio inferior para não arfar. Ele estava... lindo. Os cabelos molhados e bagunçados, algumas gotas escorrendo vagarosamente por seu peito, a pele clara iluminada fracamente pela luz da sala... E eu me peguei desejando-o. Desejando-o mais do que já havia desejado nesses anos todos. Querendo tomá-lo nos braços e sentir aquela pele macia, aquela boca avermelhada... Querendo possuí-lo ali, na sala, enquanto a nevasca rugia lá fora.

Espero inutilmente que ele não tenha percebido meu olhar desejoso quando parou no meio do caminho e se virou, fitando-me. Quis me socar depois dessa.

Sentei-me no sofá enquanto Taka colocava a roupa, já no quarto. Evitei pensar muito sobre o que ele possivelmente imaginou de minha expressão psicopata de minutos atrás. Mas quando finalmente saiu do quarto a única coisa que consegui fazer foi rir de seu estado. Minhas roupas de frio ficaram extremamente grandes para ele, de modo que as mangas da blusa faziam seus bracinhos sumirem e ele tinha que tomar cuidado para não pisar na barra da calça.

Era uma visão adorável.

- Você tá muito fofo desse jeito, Ruki. Aposto que uma foto dessas valeria uns 4000 ienes na internet.

- Haha, muito engraçado. – ele fez um bico que conseguiu deixá-lo mais adorável ainda.

- Toma aqui, fiz chocolate quente pra você. Vai ajudar a se aquecer. E tem bolo, também.

- Obrigado, Reita. Estou morrendo de fome!

O baixinho se sentou na poltrona e atacou a comida com vontade, fazendo-me sorrir ao observar o quanto ele parecia uma criança com isso. Apesar de já ser um adulto (e muitas vezes mais agressivo e pervertido do que uma criança jamais seria) em certos momentos Taka realmente parecia mais infantil.

- Você tem uma árvore de Natal?

Me surpreendi com sua pergunta. Aparentemente ele não tinha notado a pequena árvore ao canto, com algumas poucas luzes e bolas de vidro enfeitando-a.

- Ah, sim. Monto todos os anos. Me lembra minha infância em Kanagawa.

- Ah, claro...

Ele permaneceu fitando a árvore por um tempo, perdido em pensamentos. Uma pontada de tristeza perpassou seus olhos e eu soube que ele estava lembrando de sua própria infância, no Natal, e depois de como fora expulso de casa por seu pai sem escrúpulos. Já ia formulando qualquer assunto para fazê-lo esquecer disso quando, de repente, todas as luzes se apagaram.

- Ruki? Você tá bem? – chamei às cegas, tateando o espaço ao meu redor.

- Tô sim. O que aconteceu?

- Não sei. Acho que a nevasca rompeu os fios de energia.

- Mas o prédio tem um gerador particular, não tem?

- Tem, mas pelo visto não está funcionando. Talvez tenha congelado por causa da neve.

- Droga. – ouvi-o murmurar, me fazendo rir.

- Vou pegar uma vela, não sai daí.

Fui tateando até a cozinha e continuei assim até encontrar vela e fósforo, depois de alguns tropeções.

- Pronto, Taka. Assim a gente não tropeça em nada, espero.

Depositei o castiçal ao lado da bandeja vazia, sentando-me no sofá novamente. A luz era bem fraca se comparada àquela da minha arvorezinha de Natal, mas ainda era melhor do que nada.

Ficamos alguns minutos em silêncio, até que o vocalista se pronunciou.

- Reita...

- Que é, chibi?

- O aquecedor parou de funcionar também, né?

Merda.

- Tinha esquecido completamente disso.

Agora que o baixinho falou pude notar que a sala estava um pouco mais fria do que antes. E daqui pra frente só ia esfriar até que virássemos picolés.

- Nós vamos congelar aqui! – lamentou com a voz chorosa.

E de repente uma idéia me ocorreu. Era arriscada, mas provavelmente iria funcionar.

- Bom, tem um jeito de mantermos o calor.

- Qual?

- É só... nos abraçarmos.

Não pude ver por causa da pouca luz, mas nesse momento tive certeza que o rosto de Taka quase pegou fogo. Ele ficou em silêncio por um tempo, pensando sabe-se lá o que.

- T-Tudo bem... – concordou finalmente, se levantando e vindo em minha direção devagar. Eu me encostei meio deitado no móvel, dando espaço para que Ruki se colocasse entre minhas pernas. Ele assim o fez, apoiando as costas em meu peito. Logo em seguida fechei meus braços ao redor de seu corpo tenso e ajeitei minhas pernas numa posição mais confortável.

O silêncio depois disso foi quase palpável. Só se ouvia o vento zunindo do outro lado da parede. Eu vasculhei minha mente furiosamente em busca de qualquer assunto, sobre a gravadora ou sobre o último lançamento ou o último show, mas nada me ocorreu de imediato. Por sorte ele próprio veio ao meu resgate.

- Nee Aki... Obrigado por me deixar dormir aqui. De verdade. Quero te dar um bom presente de Natal pra retribuir isso.

- Não precisa, chibi. – Apertei-o mais contra meu corpo. – Sua presença aqui já é um grande presente. Sem ela eu passaria o Natal sozinho. E você, o que quer de Natal?

Ele pareceu em choque por um momento, mas depois fechou os olhos vagarosamente, parecendo mais relaxado. Deitou a cabeça sobre meu ombro, claramente aspirando meu cheiro e parecendo satisfeito com isso.

- Na verdade eu... – respirou fundo, parecendo decidido — O espetáculo não foi cancelado, Reita. Depois que soube que você não iria pra Kanagawa eu vim até o seu apartamento ao invés de ir pro teatro. Pretendia entrar no começo, mas já tinha desistido e estava voltando pra casa quando a nevasca chegou. Eu...queria passar o Natal com você. E o melhor presente de Natal que eu poderia ganhar, apesar de ser completamente inalcançável, é... – e de repente seus olhos se abriram, ele voltou a sua postura normal e pareceu se recompor. – Nada. Desculpe.

Me surpreendi com isso tudo. Não tinha sequer imaginado que Taka havia desistido de sua peça de teatro para passar o Natal comigo. Algo morno aqueceu meu peito quando a consciência me atingiu, mas eu queria que ele terminasse a frase primeiro. Queria muito.

- Vamos, continue!

- N-Não, não é nada. – insistiu, olhando para um ponto qualquer.

Apertei-o contra mim novamente, dessa vez quase colando minha boca ao seu ouvido e sussurrando devagar.

- Diga, Taka. Diga o que você quer de Natal.

O vi morder os lábios na tentativa de conter um gemido e me senti extremamente satisfeito com isso. E quando ele ia começar a falar, meu relógio de pulso disparou.

- O que é isso? – o vocalista perguntou, sobressaltado.

- Meu relógio. É meia-noite. – levei uma de minhas mãos até seu queixo, virando-o em minha direção. — Feliz Natal, Taka.

Olhei para ele intensamente, analisando seus olhos castanho-escuros, quase pretos, que brilhavam de uma maneira diferente agora. Pareciam desejar algo. E de alguma forma eu entendi o que era.

- Feliz Natal, Aki... – só um sussurro saiu de sua boca. Fitei-a uma última vez, antes de tomá-la num beijo apaixonado.

Calma e intensamente, explorei aquela boca única enquanto meu peito explodia em contentamento. Nossas línguas se encaixavam com perfeição, como se fossem feitas para ficarem grudadas. Roçavam-se e dançavam num ritmo lento.Deliciosamente lento. Deslizei minha mão até sua nuca, sentindo os pelos de seu pescoço se arrepiarem. E tudo era tão doce. Tão melhor que em qualquer fantasia. Quase surreal. E tudo o que eu pude fazer quando nos separamos foi sorrir. Sorrir como um idiota.

Ruki permaneceu de olhos fechados, como se não quisesse abri-los e descobrir que tudo fora um sonho. Como se não estivesse acreditando.

- Na verdade, Ruki... o melhor presente de Natal eu acabei de ganhar.

Segurei seu queixo e beijei-o novamente, tentando gravar aquele gosto maravilhoso a cada segundo. E ele correspondeu com vontade. Logo seus braços estavam em volta do meu pescoço e suas mãozinhas arranhavam minha nuca levemente. Segurei sua cintura, intensificando o beijo e invertendo as posições. Logo nossas roupas já estavam jogadas pela sala. Logo o frio já não fazia a menor diferença. Logo nós dois gemíamos descontroladamente, forçando nossos corpos um contra o outro com tanta vontade que parecíamos querer que se fundissem. E assim eu passei minha noite de Natal, em meio a uma nevasca que antes parecia tão fria e agora estava fervendo. Fervendo do amor tão forte que eu sentia por esse baixinho.

Fim.

Notas finais
E então, como foi? Muito bom? Muito ruim? Muito WTF? Me deixem reviews de presente de Natal dizendo o que acharam, por favor XD

Ah, só avisando também que essa oneshot é a primeira de uma série natalina com vários casais. Como não consegui escrever todas a tempo, vou postando ao longo do ano mesmo. E já que eu sou uma lerdeza extrema pra escrever não vou dar data nenhuma pra não pagar a língua q
Mas quem quiser dar sugestões de situações natalinas tá liberado o/

Bom, espero que tenham gostado! Muito obrigada a quem leu e Feliz Natal <3
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!