Blindness Is A Blessing?
1 Capítulo 1
Notas iniciais
A cidade era completamente viva até mesmo à alvorada. As luzes altas o cegavam na forma preguiçosa que dirigia. Olhou-se pelo retrovisor apenas por impulso, desde que fazia tempos onde a aparência era um requisito esquecido. Os cabelos cor de mel encontravam-se em total desalinhamento, e os olhos verdes vibrantes se concentravam unicamente às avenidas transitadas pelo carro que dirigia. O frio de março deixava a sua pele incessantemente pálida e gélida. Os dedos eram sempre como blocos de gelo muito bem esculpidos. A barba para variar estava crescendo, o que particularmente não o incomodaria tão cedo.
Assistia a abadia crescer diante das fortes íris, e o barulho de gente já o incomodava. Estacionou imprudentemente próximo à calçada e apanhou em baixo do banco do carona sua pistola Sug-Sauer P220, encaixando sua capa na parte detrás da calça. Apreciou hesitante o sopro congelante que a pele exposta enfrentou diretamente ao sair do veículo. Muitos outros carros faziam companhia ao velho Opel, pessoas já rondavam pelo local, e uma faixa amarela com os dizeres ‘Keep out’ fizeram os passos do investigador acelerar.
Mostrou o distintivo para poder cruzar pelo perímetro de segurança da área e logo ultrapassou as enormes portas em estilo gótico Anglo-Francês, o que o permitiu avistar uma multidão de sujeitos composta por peritos, legistas, fotógrafos entre outros. No que abriu caminho para poder olhar, descobriu o acontecimento daquela noite. Havia um corpo no chão. O corpo de um padre. A túnica simples e marrom que o senhor, aparentemente com cerca de cinqüenta anos, usava estava úmida em vermelho na região do pescoço, que podia se ver ainda um fio não muito grosso em volta, largo após ter deixado a marca funda e fatal na região banhada pelo cheiro de ferrugem, de sangue.
Policiais são preparados para tudo. Principalmente encarar a morte. Mas alguma coisa na ocasião fez Kyle arrepiar-se por completo. O cheiro que impregnou todo o saguão principal e o já conhecido clima de morbidez agravado pelas paredes religiosas do local praticamente o fez amaldiçoado naquela noite. As várias pinturas doentias que tentavam enfeitar encontravam-se espalhadas pelas paredes, mostrando a morte de Jesus, a última ceia, até o próprio céu e inferno. O verde dos olhos percorreu a cena do crime com dificuldade graças à escuridão, a única fonte de luz que podiam contar no momento, vinha da lua, tão cheia e macilenta aquela noite.
Mendes logo chegou ao seu lado, com calma e em silêncio. Os dois policias observavam o cadáver ao chão. O pedaço de corda, na qual um dia fora branca, reluzia em toda a imagem que seus olhos podiam admirar. Os flashs das câmeras não cessavam, as pessoas acostumadas com o trabalho, olhavam o defunto como um pedaço de papel sujo jogado na calçada. A perícia aguardava a autorização para finalmente poder mexer no corpo.
- Isaac Windsor, 54 anos, formado em teologia por Oxford, padre e forte candidato para bispo. – O superior sempre direto e ríspido na hora de soltar as principais informações. Nem era preciso lhe perguntar.
- Forte candidato a bispo, huh? Testemunhas?
- E era aí que queria entrar. – Andrew mostrou as costas ao investigador, que já entendeu ter que segui-lo. Os dois adentraram por um corredor longo e estreito. A escuridão ainda os banhava, e logo se viu Mendes parar contra a primeira porta que se apareceu, ao lado esquerdo. – Joshua Spencer, 19 anos, naturalmente irlandês, discípulo do falecido, estava na Abadia o tempo inteiro, e ouviu claramente vozes estranhas.
- Vai me deixar interroga-lo por ser uma testemunha fácil? – O cenho de Kyle franziu. Queria demostrar sua capacidade, que era capaz de fazer de tudo, mas era como se não lhe dessem a oportunidade. Se duvidasse ainda chamariam Wood para cuidar de tudo, aliás, ele sempre cuidava de tudo. – Ele estava aqui, não é possível que não tenha visto nada de estranho.
- Ele é cego, Ferguson. – O londrino de olhos verdes calou-se, certamente pensativo com a nova informação recebida. O outro homem girou a maçaneta, e um novo e menor cômodo surgiu diante dele.
A tapeçaria vermelha de veludo foi a primeira coisa que chamou atenção as íris de esmeraldas. O ateísmo que lhe corria pelas veias palpitou defronte a todo o luxo daquela sala. A mesa alta que centralizava entre as quatro paredes de pedras era feita de pau preto, o mesmo material de suas cadeiras e da pequena estante ali. Cálices de ouro decorados com rubis eram guardados dentro da empoeirada porta do móvel, podendo ser visto pelo vidro já arranhado entalhado à mesma. A grande janela logo ao fundo era tampada por cortinas de seda, também na cor vermelha, cor do sangue, do inferno, que deixava o lugar já escondido, mal iluminado. Um castiçal de cobre sobre a superfície central era aos poucos selado pela vela que queimava sobre a peça. O teto apresentava bem uma lâmpada branca apagada e comprida e o interruptor decorado ao estilo antigo que se localizava ao lado da porta. O investigador não entendeu o porquê da luz natural, que deu um clima ainda mais sombrio sobre a ocasião.
Mas inevitavelmente, apesar de todo o luxo, o mais belo do ambiente não fora ainda descrito. O jovem sentado em uma das quatro cadeiras de pau preto. A visão congelou Kyle, que por um instante esqueceu-se até do que fazia por ali. O púbere estava com a coluna ereta sobre o encosto da cadeira estofada de pano vermelho, as mãos ele cultivava em cima da mesa, apresentava os dedos entrelaçados uns aos outros, apertados, como quem reza com louvor. O olhar elusivo e cego, negro como há de ser aquela noite, estava inconscientemente hipnotizando o jovem à porta. Um olhar instantaneamente penetrante, dono de íris grandes, completamente inúteis. Em contraste tinha a cor do rapaz. Sua pele era como mármore grego, limpa, branquíssima, e absurdamente lisa. A região em volta dos olhos pareceu avermelhada, chorosa. Possuidor de traços finíssimos tinha apenas às escuras e grossas sobrancelhas como agressivo ao rosto terno. Os fios nigérrimos e curtos caíam pela testa pálida do pupilo, aparentava umidade, um possível suor por conta de toda a adrenalida da noite. Os finos lábios estavam secos, e claramente sem cor. O nariz longo e fino respirava fundo incontáveis vezes.
- Este é o senhor Spencer, nossa testemunha, Joshua, este é Kyle Ferguson. – Andrew ainda estava na porta, e apontou apenas para a única pessoa que ocupava a câmara.
- Cortaram as luzes? – Perguntou o subordinado enquanto olhava para a lâmpada sem qualquer sinal de eletricidade. Ignorando sem intenção a superficial apresentação.
- É, cortaram. A porta não tinha sinais de arrombamento, nem as janelas. A luz foi cortada pelo lado de dentro. Na verdade, desligada na caixa de força que ainda não localizamos. Só se encontravam os dois na Abadia. Kyle, você está no caso.
- Wood não quis ficar com ele? – Debochou o mais jovem.
- Wood está fora da cidade. Bem, vou liberar a perícia e ficarei por aqui. Leve-o para a delegacia, o inquérito tem que ser instaurado. Interrogue-o agora para descobrir se tem algo que nos possa ser útil agora. Depois faça o oficial. – O superior fechou a porta para poder prosseguir com as análises ao corpo.
- Sim, senhor. – Ferguson finalmente olhou para o jovem com ainda mais atenção, e percebeu ser impossível não achá-lo lindo. Ignorando os pensamentos fúteis, não tinha intenção de entrar naquela câmara, só queria trabalhar. – Vamos, levante, te levarei até a delegacia.
Não houve um mínimo movimento, nem resposta. O irlandês parecia congelado, concentrado em seus próprios pensamentos, em luto por dentro, em lágrimas já secas por fora. Minutos de silêncio passaram e o jovem investigador já começava a pensar que além de cego, era surdo. Isso sim seria um abalo a carreira que ele ainda não possuía. A única testemunha de um crime instigante era um rapaz cego e surdo. Seria azar demais. Já irritado, o mais velho suspirou fundo, porém antes de qualquer movimento que viesse a gesticular, o mais novo se levantou da cadeira. Os olhos foram tapados com uma venda na cor roxa que jazia sobre a mesa, os passos soaram firmes sobre o chão de pedra, e ao passar pelo investigador, dirigiu-se até a entrada da abadia, subindo sem erro um pequeno degrau que o outro nem havia percebido que descera.
Kyle, distraído, apertou o passo para alcançar o mais jovem que já se achava pelo jardim da igreja. Sem notar, o estômago do dono das íris como a grama já estava congelado. Algo naquela situação excitava-o. Por alguma razão, começava a acreditar que o assassino estava diante de si, agora parado esperando orientação para entrar no carro. A energia teria sido desligada pelo lado de dentro do santuário e por alguém que conhecia muito bem sua estrutura, só havia os dois na Abadia, e como saber se a cegueira do rapaz era verdadeira? Poderia ser um disfarce para não aparentar autoria do crime. Respirando fundo para se concentrar em cada detalhe do interrogatório ao rapaz, abriu a porta do carro, guiando-o pelo braço a se sentar no banco do carona, e dando a volta, dominou o banco do motorista do velho Opel Astra.
O motor se aqueceu, e o carro passou a percorrer, devagar pelas ruas de Londres, com o destino único a delegacia. Os olhos de Kyle alternavam a visão das ruas para o jovem constantemente. Havia algum motivo que não sabia para que o cego fosse livre de suspeitas, mas o que ele iria descobrir naquele exato momento. O veículo foi obrigado a parar diante de um semáforo que reluzia a luz vermelha, e o mais velho se virou para o outro:
- Então, Joshua, o que aconteceu essa noite? – O sigilo dominou o refúgio do frio a qual se abrigavam, e o brilho se alterou para a cor verde, deixando os vidros com a visão ambulante da cidade que passava.
- Eu... — A jovial voz misturada ao medo e ao trauma, saiu trêmula, e até um pouco rouca. O volume baixo de suas palavras obrigaria o motorista a inclinar precariamente a cabeça para o lado, podendo assim ouvir melhor sua declaração. -... Eu estava guardando uns livros em uma das salas do segundo andar, pois ele costumava ler para mim. Não existe uma versão braile desses livros antigos. Padre Isaac sempre me ajudou, talvez por ver meu interesse na vida religiosa. Quando já descia as escadas, ouvi vozes altas, alteradas, elas discutiam no salão de entrada. Uma era a de Windsor. A outra me pareceu familiar, mas não sei dizer se o conhecia. De repente, elas se calaram, e ouvi a porta bater. Sinto muito, mas não sei por que, nem quando a luz foi cortada. Quando cheguei ao salão, chamei por meu tutor várias vezes, mas ninguém respondeu. Foi quando, andando, eu senti que bati o pé em algo ao chão.
- Hum... — O investigador ouvia com atenção. De certo ponto de vista, podia fazer sentido. A pessoa que cortara a luz sabia que o padre estaria acompanhado, mas não estava ciente da deficiência visual do pupilo. Chegou então a um ponto interessante. O assassino conhecia o interior da igreja e seu funcionamento, desde a localização da caixa de força no interior, até como e por onde entrar, mas não sabia que o fiel acompanhante de sua vítima, era cego, fazendo inútil o corte de energia. — E o Padre Windsor tinha inimigos?
- Não que eu saiba. Ele estava sendo bem aclamado como forte candidato a bispo. Ele e o Padre John McGrovy, seu amigo de infância. Acho que o pobrezinho terá um ataque do coração ao saber. Não sei de ninguém, nem de motivos para que tentassem impedir que ele alcançasse esse título. Ele era bem querido na região. Uma... Ótima pessoa.
- O senhor nasceu cego, Sr. Spencer? Ou é alguma seqüela?
- Deus nunca me concedeu o dom de ver o mundo. Agora passo achar que não me permitiu assistir a morte daquele que foi como um pai para mim, Deus é justo.
- Por isso tem interesse na religião? Acha que é uma boa justificativa para sua deficiência? – Já era possível avistar a delegacia do início da rua, e Ferguson estava incrédulo com o que ouvia. Certamente a mãe do menino, lhe dissera aquelas coisas na infância, como para justificar sua diferença as outras crianças, e Joshua absorveu aquilo como verdade absoluta, como o motivo real, e não um simples erro de fecundação, formação, genética, sabe-se lá.
- Tenho fé naquele que me fez assim. – A resposta do mais novo foi ríspida. Discutir sobre religião com um assassino do governo que finge empregar a ordem com uma arma não era o que ele precisava em um momento de dificuldade.
Sem mais tempo para conversa, no exato momento em que o Opel perdeu velocidade, preparando-se para estacionar em frente à delegacia, as íris verdíssimas captaram alguma coisa relativamente peculiar. Ou o jovem investigador já estava vendo coisas, ou havia uma sombra próxima à entrada da unidade policial. Antes de qualquer reação, a sombra se moveu, e a primeira coisa que Ferguson conseguiu tempo de fazer, foi levar uma das mãos às costas do rapaz ao seu lado, forçando-o a abaixar enquanto gritava algo do tipo:
- ABAIXE-SE, AGORA. – Um disparo foi ouvido, bateu diretamente no vidro blindado do velho carro. Sem dúvidas o atirador não esperava isso de uma espelunca como aquela. O pé do motorista pisou fundo no acelerador. A pistola foi puxada, e ainda ouvia-se tiros, tanto os de reação, tanto os de agressão. O irlandês tremia, com a cabeça deitada no colo do outro homem. Aos poucos as rodas se afastavam do atacante, e os barulhos do tiroteio cessavam.
O coração do irlandês batia descontroladamente. Aquele ataque era a prova do que ele mais temia. Estavam a sua procura. Ainda agachado dentro do veículo, sentia-se protegido embaixo do estranho policial. Ouvia os disparos, e o tumulto das rodas ao asfalto, sentiu tudo balançar em alguma possível curva, e na mesma rapidez que o ataque começara, ele fora concluído. Criou coragem para se levantar, votando a sentar-se no banco de pano rasgado. O suor produto de toda a adrenalina começava a escorrer-lhe no rosto, e o frio fugiu sem rédeas. O outro homem guardou a pistola, xingando sem parar, tão nervoso quanto ele pelo ataque.
- Filho da puta! Mas que caralho, de onde ele surgiu?! – Ele dirigia sem rumo certo, a única coisa que importava era manter a testemunha salva, e afastar-se da ameaça que lhe foi apresentada. – Amigo, agora as coisas complicam. – A naturalidade das palavras foi sentida pela audição beneficiada do mais novo, que já estava congelado. O policial tirou o celular do bolso, tinha que avisar Mendes. – Senhor? Acabo de receber um ataque... Não, provavelmente queima de arquivo... Mas e agora? O que eu faço com ele? ... Saco, está bem, irei para a Rebecca.
- Eu vou morrer. Ele vai me matar. – Os olhos verdes se prenderam mais uma vez a visão estupenda que tinham o privilégio de apreciar. Apesar do desespero nos olhos vazios, era impressionante toda a beleza do rapaz. As rodas continuavam a mover-se aceleradamente.
- Não vai, não vou deixar a única testemunha ser eliminada. Vou te levar a um lugar seguro. Relaxa garoto. – O dito do investigador não acalmou o mais jovem que ainda podia sentir as mãos úmidas de apreensão.
O Velho Opel e seus novos furinhos paravam aos poucos. Joshua sentiu todo o movimento do carro desaparecer quando o policial estacionou seu veículo em um dos mais nobres bairros londrinos. O apartamento logo a frente mostrava às íris verdes a riqueza de seus habitantes. Um elegante gramado, decorado por roseiras de variadas cores recebeu os dois homens que caminhavam entre a trilha até a portaria. A mão do rapaz clerical o guiava, apertada firme contra o tecido do casaco preto vestido pelo investigador, que sem cerimônia apertou o botão do andar desejado. A luz que teria sido acesa automaticamente quando o luxuoso portão de vidro foi aberto refletia pelas laterais espelhadas, iluminando mais e mais o pequeno cômodo. As portas do elevador fizeram barulho ao se separar, e os dois homens se puseram dentre as quatros paredes do cubículo ambulante, na qual já se podia sentir subir.
O silêncio dominou o elevador tomado por eles, e só foi rompido pelo já conhecido alarde das portas que se apartavam. Em receosos passos pelo desconhecido corredor, Spencer deixou de escutar os tênis de Kyle tocarem ao chão. O som da campainha soou uma vez. Minutos se passaram, e a inexistente paciência do investigador fez seu dedo indicador parar sobre o interruptor responsável pelo chamado outra vez. A porta foi aberta. O que Joshua não pôde ver foi a expressão de cansaço e de surpresa no rosto da mulher que surgiu detrás da porta. Vestindo um roupão de seda japonesa na cor azul claro, Rebecca McGrovery observava o estranho suposto padre em seu corredor. Dona de belos cabelos negros que lhe caiam pelos ombros, a jovem de olhos azuis mostrou a decepção de se tratar de trabalho em apenas um olhar ao policial a sua frente. Um suspiro foi ouvido, acompanhado por um ‘entrem’ na voz que caiu tão doce aos ouvidos apurados do mais jovem. Tomado pelo pulso, por dedos frios como gelo de Ferguson, foi parar dentro do aquecido apartamento, tão grande como o edifício.
- O que aconteceu, Kyle? – Após trancar a porta, a investigadora seguiu até o próprio sofá, sentando-se sobre o estofado vermelho e macio. A parede que ficava atrás da sala era apenas vidro, na qual se podia apreciar as luzes da capital da Inglaterra. Os vários quadros pendurados pelas paredes de concreto deixavam a câmara com um ar de seriedade. O bom gosto da rica mulher era evidente em sua decoração. Filha de uma família milionária, Rebecca foi a irmã rebelde, que não quis seguir com os negócios do pai, envolvendo-se na polícia civil, se tornando uma formidável investigadora de apenas vinte e seis anos.
- Houve um assassinato na Abadia Westminster. Isaac Windsor, 54 anos. Padre e candidato a bispo. — O homem mais velho ainda segurava o pulso do rapaz enquanto caminhava lentamente até o sofá próximo a dona do apartamento. – Nossa única testemunha é esse rapaz, Joshua Spencer, cego, não pôde ver o assassino. Alguns minutos atrás, quando o levava para a delegacia, alguém surgiu e tentou o matar, Mendes mandou que eu o levasse para um lugar seguro, e eu o trouxe para cá.
- Um assassinato? Mas não tinha motivos? Por que matariam um padre? – A mente de Rebecca já trabalhava em tentar encontrar soluções para o caso. Os olhos azuis perderam-se em seus próprios pensamentos.
- É, eu também não sei, e nem o nosso garotão sabe. – No mesmo momento, Joshua se permitiu sentar-se sobre o sofá também vermelho de apenas dois assentos em frente ao da McGrovery.
- Sinto muito. – A voz trêmula do rapaz ainda sobressaltado fez Kyle amolecer. O coração do investigador disparou, batendo mais incontrolavelmente do que há minutos atrás quando era ameaçado por tiros. Os olhos verdes caíram sobre o tapete felpudo no chão, e a policial desperta de seus próprios pensamentos.
- Bem, durmam, e amanhã saberemos das novidades com Andrew. Kyle, você sabe onde fica o quarto de hóspedes, e de tudo que precisam, então vou voltar para o meu sono, antes que esse caso me intrigue demais e eu não consiga parar de pensar. – Ela se levantou do sofá, se dirigindo para o corredor.
- Obrigado, Becca. E Wood não está na cidade, sabia? – A morena parou de caminhar ao que o nome citado chegou em seus ouvidos. Ela sorriu, mesmo que de costas aos visitantes, não pudesse ser vista. – Vocês brigaram?
- Eu não sabia. E eu rompi nosso noivado, juntamente ao nosso relacionamento. Boa noite aos dois. E está em segurança, senhor Spencer. Durma bem.
A surpresa de Ferguson com a nova informação foi omitida. Rebecca era uma mulher extremamente atraente, e John Wood um reconhecido jovem investigador. Sempre achou que eram feitos um para outro, o casamento já tinha até data marcada. O que será que havia dado em Becca para desistir de tudo? Bem, também não importava, a única coisa que passava em sua mente era conseguir desfrutar de uma boa noite de sono.
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