Blind

27 "O melhor por do sol de todos os tempos!"


Notas iniciais
Sim, people. Esse é o último capítulo oficial da fic. Cara, nunca imaginei que poderia me apegar tanto a uma história. Foi a primeira que escrevi. A primeira de muitas, é claro. Muito obrigada a todos que acompanharam. E ainda tem o Epilogo, galera. Então não chorem ainda rs PS: Não é tarde pra você favoritar e recomendar a história. Tá esperando o que, cabeção? Faça logo! Aproveitam e espero que gostem!

Que dor, pensou Percy. Mas que dor do caralho ...

A única coisa que ele sabia era que seu corpo doía, e que doía demais. Suas costelas, seu olho, seu rosto e a sua cabeça, santo Deus, a sua cabeça doía mais do que qualquer dor que ele já havia sentido. Ele tentou se lembrar de alguma coisa.

Bem, pensou ele, meu nome é Percy Jackson. Eu tenho vinte e cincoanos, talvez quase vinte e seis. Eu acho que amo alguém .... Caramba, Annabeth!

E meu filho ou filha. E essa dor desgraçada!

Ele abriu os olhos, sentia a luz nascente do dia invadir o local onde ele estava. É, eu sou cego também, esqueci de me lembrar disso, ele pensou mais uma vez.

Ele não ouviu barulho algum no local onde ele estava. Ficou preocupado.

–Annabeth? -ele chamou. -Você está aí?

–Humm. -Alguém respondeu com uma voz de que tinha acabado de acordar. -Percy?

Ele sentiu alguém lhe encher de beijos no rosto e na testa. Ele gostou daqueles lábios, mas ele estava machucado demais, ou seja, aquilo também doía muito.

–Hã, pessoa que ainda não se identificou, eu acho que fui espancado a algum tempo atrás. Seus beijos e esse abraço apertado estão me machucando um pouco. -ele reforçou o que tinha acabado de dizer com um pequeno gemido de dor.

–Ah, me desculpe, meu amor. -Ele sentiu e ouviu a pessoa sorrir -Sou eu, seu idiota. Não sou uma pessoa não identificada.

Percy sorriu. Ela estava lá. Puta merda, ela estava lá!

–Você sobreviveu? O que aconteceu? -ele perguntou se levantando depressa. Mas logo se lembrou de que fora espancado e voltou a se deixar ainda gemendo.

–Calma, calma. Você estava no quarto do hospital agora. Apanhou muito, ficou três dias apagado. Não tente agir como uma criança num parque de diversões. -Annabeth falou com calma e em um tom gentil.

Percy assentiu. Fechou os olhos enquanto sentia a mão dela repousada em sua testa. Ele percebeu que seu olho esquerdo ardia e estava inchado. Até mesmo piscar lhe incomodava.

Ele perguntou a Annabeth o que tinha acontecido e ela explicou tudo. Falou que ele apanhou bastante e que a surra resultou em duas costelas quebradas, um olho roxo muito inchado, alguns ossos da face danificados e uma pancada muito forte na cabeça.

–Me disseram que quando você entrou no hospital estava quase morto ... -A voz dela falhou e tremeu um pouco. -Mas parece que depois tudo se estabilizou. Agora você é apenas um cara maltrapilho que foi surrado, nada perto da morte.

–Nossa, que coisa legal, não é? -Percy disse.

Annabeth gargalhou.

–Não seja irônico uma hora dessas.

Ela terminou de contar a ele toda a história. Percy ouviu tudo enquanto continuava de olhos fechados. Teve de se segurar pra não fazer nenhum comentário maldoso, ele sabia que era crueldade ficar feliz com a morte de alguém, mas se sentiu um pouco mais aliviado por saber que o tal Billy tinha morrido. Só lamento por ter sido Annabeth a mata-lo, mesmo que acidentalmente. Ela provavelmente deveria estar muito triste por isso. Ele percebia isso no tom melodioso da voz dela, ele detectava cada nota de tristeza, como uma nota menor numa escala de acordes maiores, a nota que fazia a música ganhar um tom mais trágico e tristonho.

–Luke fugiu, ninguém sabe dele. O FBI disse que iria a procura dele, mas eu implorei que deixassem isso pra lá. -Annabeth suspirou. -Ele, com toda certeza, não vai vir atrás de nós.

–Annabeth ... Esse cara te deu um tiro uma vez. -Percy tentou argumentar.

–Mas ele se redimiu, Percy. Ele praticamente salvou a minha vida ao me dar aquela arma. -ela falava com aquela mesma nota triste na voz. -Sei que você deve estar um pouco chateado com isso, mas a única forma de esquecer o meu passado é perdoando quem me fez mal. Afinal, você fez a mesma coisa comigo.

Ele pensou naquelas palavras e se deu conta de que ela tinha razão. Ele só pôde esquecer que um dia ela tentara o matar, quando de fato a perdoou. Percy se lembrou de outra coisa também e sentiu a pessoa mais horrível do mundo por ter se esquecido daquilo.

–Ah, meu amor. Como eu posso ter me esquecido? -ele negou devagar com a cabeça. -Sou um péssimo pai por ter me esquecido disso. Como está o nosso filho?

O coração dele se apertou com a ansiedade pra ouvir as noticias sobre a criança.

–Calma, querido. Está tudo bem. Depois que eu atirei em Billy, minha pressão abaixou, eu desmaiei e tive um pequeno sangramento. Mas os médicos disseram que vai ficar tudo bem comigo e com o bebê. Foi apenas o extresse. Eles só me avisaram pra relaxar durante a gravidez, preocupações não fazem bem ao bebê. -Ela se inclinou e deu um beijo molhado na testa dele. -O nosso filho ou filha é forte, igualzinho o pai.

Percy ignorou as pontadas de dor no rosto e se permitiu sorrir. Estava tudo bem afinal.

–Bem, eu tenho que avisar aos médicos que você acordou. -Ela se levantou e soltou a mão dele.

Quando ela estava chegando quase perto da porta, Percy se lembrou de outra coisa. Ele ouviu os passos dela se distanciando e chamou:

–Annabeth?

–Sim? -ela respondeu.

–Podemos nos casar agora? -ele perguntou com as sombracelas arqueadas, torcendo para que o seu olhar estivesse direcionado para ela e não para um lugar qualquer do quarto.

Ele escutou ela soltar uma gargalhada de felicidade. Agora sim, pensou ele. A nota maior, alegre e harmoniosa, finalmente presente na voz dela.

–Quando você quiser, meu amor. Quando você quiser. -ela disse e fechou com cuidado a porta atrás de si.

[...]

Alguns meses depois ...

Annabeth estava nervosa. Muito nervosa.

Piper segurava a mão dela e dizia que tudo ia ocorrer bem. Hazel ia falando sobre os detalhes da arrumação do local e sobre os convidados.

–Foi a melhor ideia de casamento que alguém já teve, Annie. -disse ela. -Se casar na praia com um cenário como o por do sol. Caramba, isso é lindo!

Annabeth sorriu vendo os olhos da amiga brilharem. Ela deu uma olhada em si. Estava com um vestido branco até os joelhos, a alça do vestido era prata e a parte debaixo dele era decorado com pequenos diamantes. A cauda do vestido era branca transparente, perfeita na opinião de Annabeth. As flores do seu boque eram azul marinho, mesmo que Percy não pudesse ver, ela queria que ele soubesse que o boque tinha a cor preferida dele, a única cor da qual ele se lembrava antes de ficar cego. O vestido poderia ser uma peça de roupa bem simples, mas com certeza era muito cara. Ela e Percy tinham decidido doa-lo para um orfanato muito pobre de NY, onde eles leiloariam o vestido.

Annabeth não tinha pensado em nada daquilo. Ela era ótima em desenhar projetos arquitetônicos, fazer contas aritméticas absurdas ou até mesmo projetar uma cidade inteira do zero. Mas com certeza não tinha criatividade para fazer nada daquilo que Percy havia pensado.

Eles iriam se casar em Mountauk, a praia aonde os pais de Percy se conheceram. A cerimônia estava marcada para as cinco da tarde em ponto, o horário em que o céu tinha a cor mesclada com o laranja e o amarelo do por do sol. Todos iriam usar roupas leves, como se estivessem em um luau havaiano, mas é claro que estariam vestidos com toda a elegância.

Eles tinham convidado no máximo umas 30 pessoas, amigos bem próximos que Percy e Annabeth descobriram ter em comum. Piper usava um vestido rosa bem claro, o cabelo cor de chocolate estava preso em um coque com uma flor o enfeitando. Annabeth não disse nada porque Piper com certeza ficaria muito brava, mas ela estava parecendo uma barbie Cherokee. Hazel estava com um vestido roxo escuro, mas também muito delicado. Os cabelos cacheados estavam soltos e o sorriso dele apenas ressaltava a cor negra de sua pele.

Annabeth passou a mão pelos cabelos loiros que estavam trançados de um lado só, caindo pelo o seu ombro direito. Acariciou a sua barriga de cinco meses e sussurrou para o seu filho (ela tinha descoberto o sexo da criança a uma semana atrás):

–É garotão, chegou a hora. Vamos nos encontrar com o papai no altar. -ela suspirou e segurou a mão de Piper que a ajudou a descer da limousine.

Quando chegaram lá as três, que ainda não tinham visto a decoração do local pois passaram o dia se embelezando, soltaram um arquejo de surpresa.

–Ah meu Deus ... -disse Piper.

O praia estava organizada com pequenos pedestais brancos que circundavam o pequeno local da praia em que ocorreria a cerimônia. As 30 cadeiras para os convidados estavam divididas em 15 para esquerda e as outras 15 restantes para a direita. Perto do altar tinha 5 caras tocando um música qualquer no violino. Frank, Jason e Leo, os padrinhos, estavam do lado de Percy. Ela podia jurar que estavam dizendo pra ele que ela iria sim aparecer, apesar de estar apenas alguns minutos atrasada.

Ninguém a tinha visto ainda, exceto Calipso, que também era madrinha dela, que foi de encontro a elas. Quando Calipso chegou até ela, Annabeth disse:

–Calipso, eu disse pra você fazer a ornamentação do casamento. Não construir um pedaço do paraíso na praia de Montauk.

–Ah deixa disso, Annabeth. Vocês dois merecem. -Calipso abriu um sorriso genuíno. -Vem, vamos. Você tem que se casar agora!

Annabeth se posicionou no caminho trilhado com pétalas de rosas vermelhas. Os convidados se levantaram e sorriram pra ela. Ela reconheceu uma mulher loira e muito bonita, ela tinha o sorriso de Piper. Então se lembrou que aquela era Afrodite, a mãe de sua amiga. Ela não via a muito tempo a filha, mas ressurgia das cinzas como uma fênix quando queria testemunhar uma linda história de amor. Pelo o que parecia Walter e Afrodite estavam bem "a vontade" um com o outro. Se é que vocês entendem.

Ela reconheceu Clarrisse La Rue e seu namorado Chris Rodrigez. Viu também Reyna uma amiga do colegial que era sócia de Percy. Cornol e Travis Stoll e a namorada de Travis, Katie Gardner. Viu Grover e Junipér também, Grover tinha sido um grande amigo de Percy, mas ele tinha ido morar no Brasil onde fazia parte de um programa da ONU para preservar a amazônia. Ela reconheceu também um homem com um presença sombria, olhos castanhos e cabelos da mesma cor que ia até o queixo e lhe cobria um pouco os olhos. O homem sorria enquanto tinha um dos braços nos ombros de uma mulher com olhos azuis elétricos e cabelos repicados. Aqueles eram os primos de Percy: Nico Di Angelo e Thalia Grace, que tinha vindo de Londres somente para participar da cerimônia.

Então o coração dela falhou uma batida. Percy estava de pé ao lado de Quíron, um amigo de Percy que trabalhava num famoso cartório de NY, ia realizar a cerimônia. Percy vestia uma blusa com gola V de mangas longas, tinha um blazer azul marinho que combinava perfeitamente com o boque de Annabeth. A calça era branca também e ele usava chinelos, como todos ali presentes.

Os olhos verdes estavam marejados e procuravam um direção para qual olhar. O sorriso mais lindo do mundo brincava nos seus lábios. Os cabelos negros curtos estavam penteados para trás.

O homem mais lindo do mundo, pensou Annabeth.

Ela caminhou até o altar enquanto os caras nos violinos tocavam a música Yellow do Coldplay. A música que Percy cantou uma vez no ouvido dela antes dela dormir.

Quando chegou ao altar, deu o boque para Piper segurar e segurou as mãos de Percy.

–Viu, seu babaca. Eu disse que ela viria. -sussurrou Leo no ouvido de Percy.

–Cale a boca, Valdez. -Percy respondeu rapidamente.

Leo bufou e voltou para o seu lugar, do lados dos outros padrinhos de Percy.

Quíron começou a cerimônia, mas Annabeth não prestava atenção em nada, apenas nos olhos alegres, sem vida, mas felizes do seu noivo. Ela ouviu Quíron perguntando se Percy a aceitava como legítima esposa, mas ele também não prestava atenção em nada, já que não respondeu.

Ela o cutucou.

–Hã? -ele disse fazendo todos rirem. Quíron repetiu a pergunta. -Claro, claro que sim. Ela é mãe do meu filho. Claro que quero que seja minha esposa!

Todos riram mais ainda. Annabeth também fez os votos e quando terminou eles trocaram as alianças.

–Pode beijar a senhorita Jackson, Percy. -disse Quíron sorrindo.

Percy assentiu. Ele se aproximou de Annabeth e lhe deu um beijo terno e calmo. Os outros explodiram com aplausos e gritos de "Até que enfim".

–E eu os declaro: Marido e mulher. -falou Quíron, finalizando a cerimônia.

O resto da festa ocorreu bem, foi ali mesmo na praia.

Annabeth jogou o boque, só não imaginou que seria uma cena tão hilária. O boque iria cair certamente nas mãos de Calipso, mas Leo, que sempre dizia que a ideia de casamento o apavorava, chutou o boque. O boque voou e foi parar nas mãos de Piper e de sua mãe Afrodite, que brigaram sem nenhum pudor pelo resto das flores.

Piper acabou conseguindo.

–Ah vamos, mãe, não fique com essa cara emburrada. -ela disse para a Afrodite. -Você já se casou vezes demais, cinco pra ser mais exata.

Mesmo assim a mãe dela ainda ficou emburrada por mais alguns instantes.

Faltando poucos segundos para o sol se por definitivamente, Percy chamou a atenção de todos. Ele tinha se livrado dos chinelos e estava a beira mar com os pés enterrados nas ondas que tocavam a areia. Ele chamou Annabeth e ela foi, se livrando também dos seus chinelos, e indo até ele.

Ele segurou um das mãos dela com a mão direita e com a esquerda segurava duas taças de champanhe.

–Fique tranquila, não vou ficar bêbado. É só pra fazer um brinde. -Ele disse sorrindo pra ela e lhe entregando a outra taça de champanhe.

–Tudo bem, querido. -ela respondeu.

Quando todos estavam fizeram um circulo em volta deles, Percy começou o seu discurso:

–Eu não tenho muito o que dizer, acho que a nossa felicidade fala por si só. Bem, nós passamos por muito pra chegar aqui hoje. Tivemos que andar por muitos lugares diferentes e acabamos nos esbarrando nos corredores da vida. De uma forma complica no começo, não podemos negar. Mas eu faria tudo de novo se me fosse permitido. Nunca fui tão feliz quanto sou hoje, sou pai, marido e o deficiente visual mais feliz do mundo. -Ele se virou para Annabeth. -Meu amor, eu sei que sou meio idiota as vezes ...

–Isso é verdade. -disse Leo, o interrompendo e fazendo todos rirem.

–Cale a boca, Valdez. -disseram Percy e Annabeth em uníssono.

–Enfim, Annabeth Jackson, eu te amo. Mais do que a mim mesmo. -Percy levantou a sua taça de champanhe. -E eu quero propor um brinde, por ela não só ser a mulher mais maravilhosa do mundo. Mas por ser a mãe do meu filho, a outra pessoa por quem eu morreria.

Os noivos beberam o champanhe e esperaram que os outros fizessem o mesmo.

Todos ergueram as suas taças, mas ao contrário do que Percy e Annabeth pensaram, eles não beberam o champanhe, jogaram em cima deles. Os famosos arroz branco foram jogados em cima deles também. Percy deu de ombros como se dissesse "fazer o que, não é?e les são loucos!".

E em meio aos aplausos e comemorações, Percy se ajoelhou e beijou a barriga de Annabeth. Depois ficou de pé novamente e envolveu os braços na cintura dela. Ela, por sua vez, abraçou o pescoço dele.

Aquele foi simplesmente o melhor beijo já testemunhado por qualquer pessoa que passasse pela praia de Montauk naquele momento.

Iluminados pela luz do sol poente, Percy e Annabeth tiveram o seu final feliz ou algo até melhor que isso.

Notas finais
No Epilogo eu deixo algumas informações sobre a minha nova fanfic. Beijos, meus lindos. E não esqueçam de comentar? Valeu? Falou!