Blessed
1 Capítulo Único - Par
Notas iniciais
--POV JAEJOONG--
Se você pode me ouvir, por favor, me de uma resposta. Uma resposta que sirva para todas as perguntas as quais tenho. Por que estou sozinho? Por que ninguém me vê? Por que ninguém me escuta? Seria tão bom ter uma resposta diferente daquela que já sei. Alguma que não me ponha nessa vida como um amaldiçoado.
Se para cada pessoa no mundo existe alguém especial, eu também teria uma pessoa assim? Ou minha existência fora criada apenas para sofrer na eterna solidão dessa escura noite que mais uma vez cai. Como gostaria de ser uma estrela e poder ter a companhia de outros. Poder brilhar ao lado da lua. Poder não me sentir tão só.
Por que todas as coisas vivas em que toco se ferem? Por algum motivo me dera esse dom do qual nem ao menos posso me orgulhar. Será que algum dia poderei me encontrar com a pessoa que me fora prometida? Por favor... Se me ouve, venha até mim e me resgate desse véu negro que cobre todos os meus dias.
Uma pomba se aproxima aos poucos. Um forte intuito me faz querer tocá-la, mas minhas mãos sabem que seria errado. Mais uma frustração... Mais um peso que meus ombros seriam fadados a carregar. Não quero ser responsável por isso. Ela continua a se aproximar. Tento me afastar. Em um breve voar ela pousa sobre meus dedos e já era tarde demais para aquela pobre vida.
Tentei segurá-la em meus braços, mas suas asas agiram mais rápido. Logo ela atravessava a rua esperando que a luz do caminhão tomasse a luz de sua alma. Um piado de dor e o barulho dos frágeis ossos se quebrando. Chorei mais uma perda por minha causa e amaldiçoei meu corpo por todos aqueles que já fiz sofrer.
A rua torna-se deserta mais uma vez. O barulho da cidade emudeceu-se em respeito aquele ser que partiu. Escondo meu rosto por entre as pernas desejando desaparecer. Os negrumes de minhas pálpebras relaxam minha mente. Sinto-me alheio e isso tranqüiliza minha dor.
O vento volta a entrar naquela construção abandonada, judiando do meu corpo. Aqueles panos rasgados que me cobrem não garantem meu conforto e muito menos minha proteção. Volto a me encolher em uma das pilastras de sustentação. O concreto gélido me faz tremer e soltar um leve gemido. Tento esquentar minhas mãos com meu hálito.
Olho para a rua mais uma vez. A luz de prata continua a iluminar ralamente aquela noite sinistra. Assim que o vento cessa começo a engatinhar em direção ao exterior. Vislumbro a lua mais uma vez. Pergunto se ela me velaria durante meu sono como sempre. Nunca recebi uma única resposta, mas mesmo assim gosto de imaginar que ela se preocupa.
Faço uma oração ainda sob a luz daquele luar. Se alguém aí em cima consegue escutar o que eu peço, por favor, realize meu único desejo. Se alguém no mundo me escuta, por favor, venha até mim e não se vá como os demais. Lágrimas voltam a se formar no canto de meus olhos. É impossível não chorar ao saber que o dia seguinte será o mesmo.
Começo a ouvir passos se aproximando. Abro meus olhos e vejo uma figura a caminhar cada vez mais perto. Saio de seu caminho entrando em meu refúgio, esperando que ele passe. Por alguma razão ele para na minha frente. Ergo minha cabeça fitando os olhos que me encaram docemente. Uma mão é erguida para mim. Essa era a primeira vez depois de muito tempo que alguém tentava se aproximar. Que alguém me notava.
- Precisa de ajuda? – aquele sorriso me cativara. Iluminava minha vida assim como a lua clareava a noite. Um forte intuito me fez querer segurar aquela mão, mas não podia. Recuei um pouco sem dizer uma única palavra. Tanto havia pedido por alguém assim e agora o recusava. Mas seria melhor. Melhor para ele e isso era o que importava – Não precisa ter medo de mim – falava mansamente enquanto continuava a se aproximar.
- Por favor, não me toque... – abaixei minha cabeça – Você vai acabar se ferindo se o fizer...
- Por que iria me ferir? – agachou-se procurando meus olhos que fitavam o chão.
- Digamos que eu dou azar... – voltava a me afastar dentro do velho esqueleto da construção.
- E você acredita nisso?
- Gostaria de não acreditar, mas é verdade – ele parou de me seguir. Provavelmente estava com medo e era assim que deveria ser. Ele precisava ir. Não queria que se ferisse também, mesmo que eu cresse que ele era meu par no mundo.
- Bom... Eu não acredito – sorriu voltando a se aproximar. Por um momento quis correr em direção a ele, mas não podia. Parei de recuar. Estávamos um de frente para o outro – Qual é o seu nome?
- JaeJoong... – disse um tanto envergonhado.
- Que nome lindo! – tornou a sorrir – Meu nome é YunHo, mas se quiser pode me chamar de Yun.
- Obrigado...
- Você pode segurar minha mão agora? – estendeu-me novamente a mesma mão que ousei tocar mentalmente. Aos poucos meus dedos procuravam os dedos daquele rapaz que fora tão gentil. Não sabia se o que estava prestes a fazer era certo. Na verdade tinha plena consciência de que estava agindo errado. Hesitei por mais um momento tocá-lo – Não se preocupe... Não vou me machucar – sorriu.
Segurei sua mão. Sentia o calor de uma mão humana depois de tanto tempo. Ergui-me com ajuda daquele que ainda não fugira. Colocou seu casaco sobre mim. Aspirava seu doce perfume que me tentava a cada segundo. Sentia-me aquecido e protegido do frio daquele vento que invadia minha morada.
Começou a me puxar para fora daquele lugar. A calçada suportava nossos passos. Por ela começamos a caminhar em direção ao crepúsculo que acordava naquela fina linha do horizonte. Por hora nada havia acontecido. Meu coração se aliviou daquela angústia que me corroera por anos. Minhas preces haviam sido atendidas naquele dia. Olhei para o céu e as estrelas que se fizeram ausentes durante aquela noite apareciam quando já era tempo de irem.
Ele parou de caminhar. Encarei sua face. Mais uma vez um medo de perder alguém tomou conta de meu corpo. Senti meu rosto ser acariciado gentilmente. Um sorriso fora desenhado em ambos os lábios. Não sabia por que ele fazia isso ou porque fora tão carinhoso comigo... Alguém tão imundo, mas agora eu já não me importava.
- Vou te proteger para sempre JaeJoong – beijou minha testa e sua mão voltou a acariciar a minha.
Retomamos a caminhada por aquela calçada. Olhei para trás e vi minha triste vida. Uma vida da qual não sentirei falta. Meus olhos voltaram a encarar o moreno que andava ao meu lado. Sorri depositando minha cabeça em seu ombro. Fitei o amanhecer com a certeza de que minha maldição não passara de uma benção.
Notas finais
Wah!! Ficou curtinha eu sei, mas... Bom... pelo menos escrevi e postei né 8DD??? *apanha* Anyway... espero que tenham entendido o plot e como disse não é tão literal como as outras coisas que já escrevi então acho que pra ler precisa de um pouco de sensibilidade pra compreender a fic mesmo >.>"... mas então... Gostaram ^^??? Fiz meio as pressas assim como a capa então espero que não me judiem demais nas reviews ioi (se eu receber alguma *crise emo*) Mereço reviews i.i??
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