Bleed Out
1 Prólogo
Notas iniciais
Scorpius Malfoy
Fui acordado com água gelada sendo jogada em meu rosto e quase que por instinto soltei um palavrão amaldiçoando o imbecil que havia me acordado.
— Você — escutei a voz cortante de minha mãe enquanto ela abria as janelas, deixando uma claridade insuportável entrar no meu quarto — Saia daqui agora.
Essa não.
A morena que estava deitada do meu lado, rapidamente se levantou assustada e começou a catar suas roupas espalhadas pelo chão. Me espreguicei na cama, me certificando que o lençol ainda cobria minhas partes íntimas.
— Se vista lá fora — Astória a apressou, impaciente. — Anda garota, não tenho todo o tempo do mundo!
Bastou o baque da porta para que minha mãe se voltasse para mim, afundei no travesseiro, porra eu estava de ressaca e ainda teria que escutar mais um daqueles discursos estúpidos sobre meu comportamento.
— Hyperion, francamente, se você quer se comportar como um irresponsável mimado, é assim que irei tratá—lo.
Abri a gaveta do criado mudo ao lado da minha cama e tirei um charuto cubano, acendendo-o em seguida.
— Garoto insolente — minha mãe rugiu de raiva — APAGUE ESSE CIGARRO AGORA , SCORPIUS HYPERION MALFOY!
Me segurando muito, consegui não revirar os olhos e apaguei um ótimo cigarro. Que desperdício. No entanto, nem isso pareceu deixar minha mãe menos furiosa.
— Acho melhor você escutar o que eu tenho a dizer, pois acabei de esvaziar toda sua conta no Gringotts.
— COMO É QUE É? — levantei da cama num sobressalto.
— Abaixe a voz para falar comigo Hyperion — seus olhos faiscaram — Falhei consideravelmente como mãe em te impor limites, mas não mais!
Ela se aproximou da cama, onde eu ainda estava deitado. Astoria Malfoy não deixava nada a desejar quando o assunto era ser ameaçadora.
— Onde já se viu, usando minha casa como um puteiro qualquer, dando as festas que bem entende, jogando toda a educação que eu e seu pai lhe demos no LIXO! — ela parou para respirar, nunca tinha visto minha mãe tão irritada antes — Já chega, cansamos desse comportamento ridículo e ontem foi a gota d’’água! Não percebe que dia é hoje, Hyperion?
Puta merda. Olhei para o relógio na cabeceira da minha cama e vi que há duas horas atrás devia ter pegado o trem para Hogwarts. E a julgar pela expressão no rosto da minha mãe, ela percebeu que eu tinha me tocado.
— IMAGINE A MINHA SURPRESA QUANDO EU CHEGO DE VIAGEM COM MEU MARIDO E ENCONTRO A MINHA CASA DESTRUÍDA POR CONTA DE MAIS UMA FESTA QUE O IRRESPONSÁVEL DO MEU FILHO DEU — para que minha mãe estivesse gritando a coisa realmente estava séria para o meu lado — E IMAGINE A MINHA SURPRESA AO PERCEBER QUE, ALÉM DE TUDO, ELE NÃO ESTAVA NA ESCOLA MAS SIM DEITADO COM UMA QUALQUER NA CAMA!
Acho que isso deixava bem claro que eu estava fudido. Astória andou de um lado para o outro procurando se acalmar, claramente tentando não me estuporar ou algo assim.
— Eu devia te deixar fora da escola durante o resto do ano todo, mas você ganharia mais do que perderia com isso — ela cruzou os braços na frente do peito, outro mal sinal — Agora levanta essa bunda da cama AGORA e se arrume porque a Minerva fez a gentileza de deixar você entrar na escola, eu e seu pai levaremos você até a Hogsmeade. E essa conversa não acabou aqui!
Furiosa, ela fechou a porta com violência. Levantei as pressas para o banheiro e tive vontade de rastejar para dentro da cama quando a água fria me atingiu. Dessa vez eu realmente tinha fudido as coisas, dar festas e dormir por ai fazia parte da minha rotina, mas perder o expresso para Hogwarts por causa de uma noitada? Ó, isso me fez bater o record realmente. Astória com certeza ficaria sem falar comigo por um bom tempo depois disso e eu não queria nem pensar no que ela e o meu pai tinham planejado como castigo. Quer dizer, eles já esvaziaram minha conta no Gringotts — o que, na minha opinião, já era um absurdo, então não havia muito mais o que fazer, certo?
[...]
Errado!
Já na frente dos portões de Hogwarts, no vilarejo de Hogsmeade, minha mãe não estava nem um pouco perto de terminar seu esporro.
— Você está proibido de qualquer atividade extra-curricular, não autorizamos nenhuma visita sua a Hogsmeade e caso você não mude o seu comportamento pode dizer adeus a sua viagem de formatura! E caso tenha esquecido, você não tem mais um centavo para gastar mocinho!
— O QUE? Mãe, você não acha que tá exagerando, não? Podia ter parado na parte de esvaziar a minha conta.
— VOCÊ AINDA TEM A AUDÁCIA DE RECLAMAR? SCORPIUS EU — ela parou de repente respirando fundo, tá eu tenho certeza que minha mãe me mataria agora se pudesse — O castigo que estamos lhe dando é pouco pro que você faz! E não se engane Scorpius, mas o único motivo que você não vai ser removido do time de Quadribol é que seu pai me convenceu que perder essa temporada prejudicaria sua carreira como jogador profissional e por ser sua mãe eu ainda me importo com seu futuro, o que é muito mais do que você parece fazer, desperdiçando sua vida dessa forma!
Meu pai ainda não tinha dito uma única palavra sobre isso, o que me deixava preocupado, pois Draco Malfoy não era de aceitar desaforos e eu com certeza o desrespeitei. Sabia pelo seu olhar que estava furioso, no entanto ele sempre fora mais contido que minha mãe.
— Fiz questão de falar pessoalmente com a Diretora Minerva para castigá—lo de maneira que você mude seu comportamento até o final do ano e em conjunto chegamos a uma punição bem satisfatória — a voz fria, que Draco Malfoy levou anos para aperfeiçoar, com certeza era pior do que os gritos enraivecidos de minha mãe — Para o seu bem, Scorpius, é melhor que você mude de atitude ou não defenderei seu futuro com quadribol novamente. Agora ande, já está muito atrasado, vá direto para a sala da Diretora.
E sem mais nem menos, os dois aparataram, me deixando sozinho com meu malão e ego pisoteado. Bufei de raiva, idiotas, os dois!
[...]
— Por favor, sente-se Senhor Malfoy.
Minerva sempre teve essa voz irritantemente calma e a mesma expressão no rosto, uma mistura bizarra entre serena e ríspida, que juntas tiravam qualquer um do sério. Bom, pelo menos me tirava do sério.
— Estamos apenas esperando a… — ela foi interrompida por três batidas na porta — Ah, fantástico! Entre Senhorita Weasley!
Weasley?!
Foi inevitável não reprimir a careta em meu rosto ao ouvir esse nome e pior foi vê—la entrando com aquele ridículo distintivo de monitora, que ela usava tão orgulhosamente, pregado em suas vestes da grifinória.
Dei um sorriso torto no segundo em que seus olhos pousaram em mim e seu rosto se transformou numa expressão de mais puro desprezo. Estreitei os olhos para ela, Weasley não queira me vencer no meu próprio jogo. Ela desviou o olhar para a mesa da McGonagall.
— A senhora gostaria de me ver, Diretora McGonagall?
Sempre tão malditamente educada.
— Sim, Senhorita Weasley — ela fez um gesto com a mão — Por favor, sente-se.
A Weasley parecia extremamente relutante em ter que sentar na cadeira do meu lado, mas é claro que a aluna de ouro jamais recusaria um pedido da sua amada Diretora. Falando na velha, ela se voltou para mim e cruzou as mãos em cima da mesa.
Ah não, se eu tivesse que ouvir mais um sermão eu iria me tacar da torre de astronomia.
— Senhor Malfoy, creio que seus pais tenham conversado com você sobre o castigo que fui autorizada a lhe dar diante da atual, hm — ela pausou parecendo procurar a melhor palavra para usar — circunstâncias.
A Weasley — maldita seja — parecia um tanto quanto satisfeita pela minha desgraça, ainda que curiosa pois McGonagall não tinha revelado o motivo daquele castigo estúpido. E por isso eu tinha muito que agradecer a velha.
— Sim diretora.
Ajeitando seus óculos, Minerva olhou de mim para a Weasley algumas vezes antes de retomar a fala.
— Bom, sendo assim gostaria de informá—lo que a Senhorita Weasley, por ser uma de minhas melhores alunas e extremamente responsável, será encarregada de acompanhá—lo durante o ano escolar, certificando-se que o Senhor esteja sempre dentro do melhor comportamento possível e…
— COMO É QUE É? — explodi pouco me lixando se a estava interrompendo — Você só pode estar louca!
— SENHOR MALFOY! Isso não são modos de…
A Weasley ficou tão atordoada que nem ao menos ligou para o fato da velha maluca estar falando e cortou-a. Foi o que bastou para que virasse um caos.
— Diretora isso não é justo, ele faz sabe-se lá o que e EU sou castigada?
— EU não preciso dessa sabe-tudo irritante atrás de mim…
— Ele é um irresponsável Diretora e eu nunca fiz nada…
— Ela não sabe o conceito de diversão, essa garota…
— Não posso perder meu tempo com o Malfoy!
— Uma nerd, certinha, monitora, arrogante…
— Me recuso a ser babá desse ser ignorante que…
— Não existe ninguém mais insuportável…
— De jeito nenhum é possível aguentar…
— SILÊNCIO! — Minerva nos olhava furiosa — Senhorita Weasley francamente eu esperava mais da senhorita! Deveria sentir-se honrada por considerá—la tanto e quanto as suas desavenças com o Senhor Malfoy, bem já está mais do que na hora de superá—las!
A ruiva afundou-se mais na cadeira e cruzou os braços.
— E quanto a você Senhor Malfoy, se não quisesse uma “babá" durante o ano todo deveria ter pensado nisso antes de manter um comportamento tão infantil e irresponsável! Seus pais foram bem claros quanto as punições e eles confiam em mim para que mude seu comportamento e eu acho que a Senhorita Weasley será excepcional para o trabalho!
Queria bufar de raiva, estuporar aquela sem noção da McGonagall e quebrar metade da sala dela. Mas é óbvio que isso não me levaria a lugar nenhum, a não ser para a detenção e de problemas eu já estava cheio. Por isso, me contentei em ficar de frente para aquela velha maluca com uma carranca.
— Como eu ia dizendo antes de ser tão brutalmente interrompida — ela lançou um olhar de desaprovação para os dois — a Senhorita Weasley será encarregada de acompanhar o Senhor Malfoy em todas as aulas, trabalhos e quaisquer atividades que dizem respeito a escola. Seu objetivo é mantê—lo, como eu já havia dito, no melhor comportamento, longe de qualquer confusão.
Eu não sei quem tinha a pior carranca, eu ou a Weasley. Nesse momento, eu seria capaz de matar qualquer um que cruzasse o meu caminho, pois estava tendo um dia infernal que parecia piorar a cada segundo. Já a Weasley parecia que tinha sido possuída por um demônio vingativo e se eu não estivesse tão puto da vida, com certeza riria da cara dela.
— Creio que seus pais já lhe informaram que será permitido prática de quadribol mas nada além disso, Senhor Malfoy. Deixando bem claro que isso implica: nada de festas, comemorações ou visitas a Hogsmeade. — ela pegou um pergaminho que estava em sua mesa e me estendeu — Aqui está o seu horário, pode perceber que todas as suas aulas são juntas com a Grifinória.
Obviamente tive vontade de cuspir no pergaminho e rasgá-lo em mil pedaços, mas — como vocês já devem saber — novamente eu não fiz nada além de ficar sentado com meu rosto inexpressivo. Ah mas aquilo não ia ficar assim, não mesmo.
— E quanto a você, Senhorita Weasley, espero um relatório semanal do comportamento do Senhor Malfoy! — Ora essa, ainda vou ter que ser avaliado por essa cabeça de fósforo — Dispensados!
A Weasley saiu marchando na minha frente, virei para pegar meu malão mas quando não o vi imaginei que McGonagall já tinha o mandado para o dormitório da Sonserina. Quando cheguei no final da escada, a ruiva me aguardava de braços cruzados e expressão furiosa.
— Mas que merda que você fez dessa vez, Malfoy?! — rugiu enfurecida, agitando os braços para cima de mim.
— Não lembro disso ser da sua conta — provoquei irritante
— QUE? É ÓBVIO QUE ISSO É DA MINHA CONTA, MALFOY! POR SUA CULPA, VOU PASSAR MEU ÚLTIMO ANO NO INFERNO!
— Weasley, além de tudo é surda? — reclamei colocando a mão no ouvido — Estou do seu lado, garota para que gritar tanto?
Nunca vi ninguém atingir tantos tons de vermelhos diferentes de uma maneira tão rápida, a garota na minha frente respirou tão fundo que me surpreendi com a quantidade de ar que poderia caber em um ser tão pequeno. E assim sem dizer mais nada, me deu as costas pisando em passos duros e praguejando alguma coisa que eu não pude ouvir, não que eu desse a mínima.
[…]
Rose não conseguia lembrar qual fora a última vez que estivera tão mal humorada. Podia sentir os olhares de Dominique e Roxanne queimando, com certeza se questionamento o que havia acontecido para a ruiva estar daquela forma.
Ah, maldito seja Scorpius Malfoy.
Rose havia feito um trilhão de planos para aquele ano, seu último em Hogwarts. Havia tantas coisas para se preocupar, os N.I.E.M.s, a formatura, a viagem, o que faria quando finalmente se formasse. Rose conseguiria pensar em muitas formas de se despedir do lugar que considerava seu lar, mas passar seu último ano na companhia do Malfoy não chegava nem perto de ser uma delas. Não mesmo.
Não era novidade para ninguém em Hogwarts que Rose Weasley e Scorpius Malfoy não se dessem bem. Os dois não conseguiam se suportar o suficiente para manter uma conversa civilizada e, por isso, evitavam a presença um do outro. Tirando algumas farpas trocadas em aulas e nos corredores, Rose não mantinha nenhum contato com o Malfoy e assim estava ótimo. Para os dois...
Bom, aparentemente não estava bom para McGonagall, honestamente o que a diretora poderia estar pensando? Ela não era babá, pelas barbas de Merlim!
Sentiu vontade de estuporar o aluno do primeiro ano que não parava de enchê-la com perguntas sobre Hogwarts. Rose amava ser monitora e qualquer um que a conhecesse sabia bem disso. No entanto, naquele momento, Weasley estava tão mal humorada que não conseguia sentir vontade de mais nada além de socar alguma coisa. E alguma coisa poderia muito bem ser a cara arrogante e presunçosa do Malfoy. Com curtas palavras dispensou os alunos no salão da grifinória dizendo que retornaria o tour amanhã, sabia que estava sendo negligente e em uma situação normal jamais se perdoaria, mas estava irritada demais para ser simpática e acolhedora. Pelas barbas de Merlin, mal conseguia manter um pensamento coerente. Só não conseguia entender em que mundo era justo que ela precisasse se sacrificar daquela forma por alguém que ela nem ao menos gostava, por um problema que não tinha nada a ver com ela, ou melhor, que nem tinham se dado ao trabalho de lhe contar.
— Hm, Rose? — Dominique a olhava com a cara preocupada — O que aconteceu, por Merlin, sua cara está péssima.
— Quem se importa com a cara dela — Roxanne interrompeu com olhos esbugalhados — Nunca vi Rose Weasley não ter paciência com primanistas, quer dizer todo mundo sabe que eles são insuportáveis mas Rose sempre tem uma santa paciência com os pestinhas.
— Aconteceu que meu último ano em Hogwarts está apenas arruinado porque McGonagall realmente perdeu a cabeça e porque Scorpius Malfoy é o maior imbecil que poderia existir em todo mundo bruxo!
E sem ao menos dar tempo para as primas se recomporem da expressão confusa Rose saiu disparada pelas escadarias até chegar em seu dormitório e começar a desfazer seu malão como se tivessem bombas de fedor das Gemialidades Weasley dentro dele. Sabendo melhor do que incomodar a prima naquele estado Rox e Domi apenas a observaram de longe com a curiosidade praticamente comendo-as viva porque qualquer coisa que envolvesse Rose Weasley e o arrogante sonserino era, no mínimo, uma história para render o ano inteiro. E elas estavam ansiosas para assisti-la.
Notas finais
QUERO SABER DE VOCÊS, o que amam tanto nesse casalzinho perfeito? Quem aqui era leitor de MOH e agora ta se aventurando por aqui? hehehe
BEM-VINDXS TODXS AMORES! Espero que tenham gostado e nos vemos no próximo cap que inclusive já tá escritinho preparado pra vocês *-*
Beijinhosssssss
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