Blecaute (Kim Seokjin Friends to Lovers)
1 Quando a Luz Apaga
S/N ON
Eu e o Jin sempre fomos muito próximos e íntimos desde a época do colegial. Sei de muitos segredos dele — medos, paixões passageiras e manias —, assim como ele conhece perfeitamente os meus. Sempre fomos unidos e íamos a praticamente todos os lugares juntos. Nossas famílias davam o maior apoio para a nossa amizade, até por sermos filhos únicos de cada lado. Bem, menos a minha mãe, que vivia dizendo que parecíamos mais namorados do que amigos e jurava que via algo diferente no jeito que nos olhávamos.
Éramos vizinhos de parede. Às vezes eu ficava na casa dele até tarde, às vezes era ele quem passava a noite na minha. Como nossos pais também eram grandes amigos, costumavam viajar juntos. Nessas épocas, ficávamos sozinhos, um cuidando do outro — embora, para ser sincera, ele sempre cuidasse muito mais de mim. Passávamos o tempo jogando, assistindo a séries, pedindo delivery ou inventando de cozinhar alguma coisa de última hora.
Dessa vez, de surpresa, nossos pais decidiram fazer um cruzeiro de oito dias. Como de costume, ficaríamos por nossa conta. Meu pai, precavido, deixou a geladeira lotada de comida e guloseimas para eu não torrar toda a minha mesada logo nos primeiros dias.
— Filha, já estamos indo. Se cuida! E se ficar com medo, peça para o Jin vir ficar aqui com você — disse minha mãe, despedindo-se. — Tá bom, mãe. Boa viagem!
Depois das despedidas, a casa mergulhou num silêncio profundo. Joguei-me no sofá e comecei a passar os canais na TV, procurando algo para assistir.
O Jin sempre teve a liberdade de entrar na minha casa sem precisar bater. E, claro, ele adorava se aproximar de mansinho, no maior silêncio, só para me dar um susto.
— Nossa, Jin! Que susto! Isso não tem graça... — reclamei, embora já estivesse rindo logo em seguida, como sempre acontecia depois do sobressalto. — Desculpa, não foi por mal — ele disse, com aquele tom de sarcasmo que eu conhecia tão bem. — É que você esqueceu seu telefone lá em casa de novo. Sua mãe ligou para lá pedindo para avisar que é para você trancar tudo direitinho antes de deitar, seja aqui ou lá em casa. E ela me pediu para não te deixar sozinha, então vim fazer companhia.
Ele deu um sorriso fofo e se sentou bem ao meu lado no sofá.
— Vamos fazer o que agora? — perguntou ele. — Podíamos assistir a um filme, que tal? — Que tal um de terror? — sugeriu, com um sorriso travesso. — Terror não! Você sabe que sou super medrosa e não vou conseguir dormir depois. — Vamos decidir no pedra, papel e tesoura então — propôs Jin, animado. — Quem ganhar escolhe o filme. Quem perder tem que assistir até o final, caladinho, sem reclamar, e ainda preparar a comida. Estou morrendo de fome!
Bem na hora, a barriga dele roncou alto, e nós dois caímos na risada.
— Fechado! Bora! — aceitei.
— Pedra, papel, tesoura... vai! — Papel! — anunciei. — Tesoura! Ganhei! — comemorou ele, levantando os braços com um sorriso vitorioso.
Cumpri minha parte: fui até a cozinha e preparei um belo lanche para nós. Quando voltei, o filme já estava começando. E, confesso, o pavor já estava tomando conta de mim. Odeio filmes de terror e suspense com todas as minhas forças.
À medida que o filme avançava e a tensão na tela aumentava, eu me encolhia mais e mais, arrastando-me para perto do Jin no sofá, morrendo de medo das cenas.
JIN ON
O filme mal tinha começado e, a cada cena de suspense, a S/N se aproximava um pouco mais de mim. Dava para ver que ela estava realmente assustada, e fiquei com uma ponta de pena. Para tentar confortá-la, tomei a liberdade de abraçá-la de lado. Ela não recuou; pelo contrário, aceitou o gesto imediatamente, apoiando a cabeça no meu ombro enquanto eu passava o braço em volta de sua cintura.
O problema é que ela não parava quieta. A cada susto, ela se mexia, e a blusa leve que ela usava acabou subindo um pouco. Quando meus dedos tocaram diretamente a pele macia da sua cintura, um arrepio forte subiu pela minha espinha. Senti meu corpo reagir de uma forma completamente diferente, uma onda de calor que me deixou totalmente sem jeito. Há momentos em que o autocontrole parece escapar pelas fendas, e aquele era um deles. Tentando disfarçar o incômodo e o nervosismo antes que ela percebesse, mudei a mão de lugar de forma sutil, subindo-a para o ombro dela. Felizmente, pareceu funcionar.
Quando os créditos finais subiram, a S/N parecia em choque, de tão assustada. Bateu um arrependimento enorme por ter insistido naquele filme. Eu estava louco para ir para a minha casa jogar no computador com os meninos, mas não tinha coragem de deixá-la naquele estado sozinha. Foi aí que tive uma ideia que não me pareceu nada má.
— Vamos lá para casa? Quero jogar com os meninos e assim você não fica sozinha aqui. — Aff... vamos! Não fico nesta casa sozinha por nada neste mundo — ela cedeu, levantando-se depressa. — Mas você vai me pagar caro, Senhor Kim Seok-jin! — Ai, que medo de você — brinquei, rindo do bico que ela fazia.
Chegando à minha casa, fomos direto para o meu quarto. Liguei o computador sem perder tempo e já me conectei à chamada para jogar com o Jimin e o Jungkook.
QUEBRA DE TEMPO
Já estávamos naquela rotina há cerca de uma hora e meia. Eu estava concentrado na partida enquanto a S/N estava deitada na minha cama, bem ao meu lado, distraída no celular. De repente, sem aviso nenhum, tudo se apagou. Um blecaute total no bairro.
O susto foi tão grande que, num reflexo, a S/N deu um pulo e aterrissou direto no meu colo. Eu não estava preparado para aquilo. Meu coração disparou e, por puro instinto de proteção, minhas mãos seguraram firme a cintura dela para que não caísse.
— Jin, estou com medo! O que aconteceu? Por que apagou tudo? — ela perguntou, a voz trêmula na escuridão. — Eu também não sei, vou lá fora dar uma olhada no padrão de energia — respondi, fazendo menção de me levantar.
Ela me segurou com força, impedindo-me de mover um centímetro sequer. A única claridade no quarto vinha da tela do computador e do celular, deixando o ambiente na penumbra.
— Você não vai a lugar nenhum! Não vou ficar aqui sozinha no escuro — ela protestou. — Mas a luz do PC não vai apagar agora, o nobreak segura por um tempo... — Não quero saber, Jin! Fica aqui comigo.
Nisso, ela mudou de posição, passando as pernas por fora das minhas e sentando-se de frente para mim, montada no meu colo. Meu corpo travou na hora. Nunca tínhamos quebrado essa barreira de intimidade física de forma tão explícita. Ela escondeu o rosto no meu pescoço, abraçando-me apertado.
— Por favor, vamos ficar assim até a luz voltar. É tudo culpa sua por causa daquele maldito filme de terror — ela sussurrou contra a minha pele, e aquele sopro quente me fez arrepiar por inteiro. — Me desculpa... Eu não achei que você fosse ficar tão assustada assim. Sinto muito — falei, sentindo minha voz falhar um pouco. — Te desculpo, mas não saio do seu colo por nada até a energia voltar — avisou ela, ajeitando-se sobre mim.
Ter os nossos corpos tão colados daquele jeito, com ela se movendo o tempo todo em cima de mim, estava se tornando uma tortura maravilhosa. Eu tento ser um cara controlado, mas o corpo tem limites, principalmente com o atrito constante que ela provocava sem perceber — ou percebendo.
— S/N... se você continuar se mexendo desse jeito, vai ter uma parte do meu corpo que vai acordar, e você não vai querer saber qual é — confessei, sentindo o rosto queimar de vergonha no escuro. — Meu Deus, Jin... Que isso! Vou tentar ficar quieta, ok?
Ela se acomodou novamente no meu ombro, mas agora o rosto dela estava virado direto para o meu pescoço. A respiração ritmada batendo na minha pele estava me levando à loucura. A S/N é uma mulher incrivelmente atraente, tem um corpo perfeito, e o fato de ser tão meiga e me contar tudo da vida dela sempre mexeu comigo. Para ser sincero, eu morria de ciúmes quando ela falava de outros caras, mas ela parecia não notar. Já fazia uns anos que meus sentimentos por ela tinham mudado, mas eu nunca tive coragem de avançar o sinal por medo de estragar a nossa amizade. Só que hoje, com ela ali, no meu colo, o autocontrole estava escorrendo pelos dedos.
S/N ON
O Jin começou a ficar completamente inquieto na cadeira. Ele tinha acabado de me pedir para não me mexer, mas ele próprio se movimentava o tempo todo, o que acabava fazendo com que eu me movesse junto, criando um leve atrito na minha região íntima. Eu sentia uma ponta de nervosismo, mas, no fundo, uma onda deliciosa de prazer começou a subir.
Eu mentiria se dissesse que nunca tinha pensado no Jin como homem. A atração física sempre esteve ali, guardada a sete chaves pelo medo de arruinar tudo o que construímos. Mas, naquela penumbra, decidi aproveitar a situação. O Jin é alto, lindo, tem ombros largos incríveis e um jeito tímido que me fascina. Às vezes, quando conversávamos sobre intimidades e ele mencionava outras garotas, meu corpo reagia de um jeito louco; eu ficava excitada só de imaginar. Pensar nele de calção de banho no clube, com a pele molhada pelo sol, já tinha sido o combustível para muitas fantasias minhas sozinha no meu quarto. Sim, eu sei, sou bem safada.
Estar ali no colo dele estava me deixando nas nuvens. Resolvi arriscar, testar os limites. Juntei toda a minha coragem, lacei a cintura dele com os braços e deslizei uma das mãos por dentro da sua camiseta, acariciando a pele quente das suas costas. Senti o corpo dele enrijecer na hora, dando um leve sobressalto na cadeira.
Ele desviou totalmente os olhos do monitor e me encarou. Como nossos rostos estavam a centímetros de distância, nossos narizes se roçaram de leve.
— O... o que você está fazendo? — ele gaguejou, com a voz falha. — Não posso mais fazer carinho no meu melhor amigo? — perguntei, com um tom provocativo. — Pode... mas acho que não é uma boa ideia agora — ele murmurou, visivelmente tenso e envergonhado. — E por que não seria? Eu sempre fiz isso. — Assim você me complica, S/N... — foi tudo o que ele conseguiu dizer, tentando focar os olhos na tela novamente, em vão.
Continuei o carinho pelas costas dele, subindo os dedos devagar e me acomodando de um jeito ainda mais ousado no seu colo.
— É sério, é melhor eu levantar e ver se o disjuntor desarmou — ele insistiu, a respiração já alterada. — Eu não vou sair daqui e muito menos você. Está com medo de ficar perto de mim, Seokjin? — Não é medo, é respeito. Você é minha melhor amiga. Se continuar assim, eu não vou responder por mim. É melhor pararmos.
Em vez de responder, apertei o abraço com mais força e dei uma rebolada lenta e deliberada no colo dele. O efeito foi imediato. As mãos largas e grandes do Jin agarraram a minha cintura com força, fixando-me no lugar. Aquele toque firme mandou uma descarga elétrica direto para o meu ventre, e um gemido baixo escapou dos meus lábios, bem perto do ouvido dele. Sentir meu som fez com que ele apertasse ainda mais os meus quadris.
De repente, senti perfeitamente o volume rígido crescendo sob mim. Afastei um pouco a cabeça para olhar nos olhos dele, que estavam iluminados apenas pelo brilho azulado do computador.
— Eu não consigo mais me controlar... — ele confessou, com os olhos escuros de desejo. — Então não se controle... Deixa acontecer...
Antes que eu pudesse terminar a frase, fui calada.
As mãos dele largaram minha cintura e subiram para o meu rosto, segurando minhas bochechas com firmeza enquanto ele colava nossos lábios em um beijo urgente. Começou intenso e logo se transformou em algo feroz, quente e cheio de uma vontade guardada por anos. Os lábios dele eram tão macios e sedosos quanto eu imaginava.
Jin deslizou uma das mãos para a minha nuca, aprofundando o contato, enquanto a outra pressionava minhas costas para nos colar ainda mais. Eu não perdi tempo: enfiei as duas mãos por dentro da blusa dele, tateando os músculos definidos do seu abdômen. Quando meus dedos arranharam levemente a pele dele, ouvi um gemido rouco ecoar contra a minha boca. A língua dele pedia passagem, invadindo meu espaço com uma fome que me deixou completamente tonta.
Esfreguei-me mais uma vez contra ele, sentindo seu membro completamente duro sob o tecido das roupas, o que me fez soltar um suspiro sôfrego. O ar começou a fazer falta e o beijo foi diminuindo o ritmo, transformando-se em selares molhados. A mão do Jin desceu para a minha coxa, apertando a carne com tanta força que eu soube que deixaria marcas, mas aquela possessividade só me excitava mais.
Ele começou a subir as mãos por dentro da minha blusa, os dedos frios contrastando com a minha pele ardendo em febre. Quando ele alcançou a base dos meus seios, parou por um segundo e me encarou, pedindo permissão silenciosa com o olhar. Eu apenas balancei a cabeça de leve, assentindo.
No momento em que os dedos dele cobriram meu seio esquerdo por cima do sutiã, um gemido alto ecoou pelo quarto. Meus mamilos enrijeceram instantaneamente. Jin desceu os lábios para o meu pescoço, trilhando um caminho de beijos ardentes até o colo do meu busto. Num movimento rápido e vigoroso, ele se levantou da cadeira comigo no colo. Prendi minhas pernas firmes ao redor da cintura dele enquanto ele dava os poucos passos até a cama, deitando-me com cuidado, mas sem quebrar o magnetismo entre nós.
Inverti as posições rapidamente, ficando por cima dele. Voltamos a nos beijar com uma sede insaciável, como se estivéssemos recuperando cada segundo dos últimos anos. As mãos de Jin mapeavam todo o meu corpo, apertando meus quadris e subindo até meus seios, dando uma rasteira no meu juízo com um aperto firme que me fez arquear as costas e gemer alto. Ele sorriu entre o beijo, satisfeito com a minha reação.
Sedenta por mais contato, comecei a esfregar minha intimidade contra a coxa dele. Percebendo a minha urgência, Jin usou sua força para girar nossos corpos na cama, ficando por cima de mim novamente. Sem perder tempo, ele puxou minha blusa para cima e a tirou pelos meus braços. Ficou posicionado entre as minhas pernas; como nossas roupas eram finas, dava para ver nitidamente o formato do seu membro rígido. Ver o quanto ele me desejava era a melhor visão do mundo.
Seokjin voltou a me morder de leve no pescoço, descendo até os meus seios expostos enquanto iniciava um movimento de vai e vem com o quadril, aumentando o tesão a níveis insuportáveis. Levei minhas mãos até a barra da camiseta dele e a puxei, livrando-o da peça. Parei por dois segundos apenas para admirar aquele peitoral largo e definido no escuro, até que ele me puxou de volta para um beijo de tirar o fôlego. Deslizei minhas mãos pelas costas dele, descendo até sua bunda e dando um aperto firme, implorando por mais atrito.
Num impulso, mudei de posição novamente, ficando por cima. Comecei a abrir a calça dele, distribuindo beijos sôfregos por cada centímetro de pele que ia se revelando. Quando puxei o tecido para baixo, junto com sua cueca, meu olhar encontrou seu membro pulsante e completamente ereto. Não pensei duas vezes: passei a mão pela extensão dele, sentindo seu tamanho e calor, e logo em seguida deslizei a língua por toda a sua extensão. Jin soltou um gemido alto, segurando meus cabelos para guiar o ritmo dos meus movimentos enquanto eu o chupava com toda a vontade que tinha guardada. O som do prazer dele me deixava ainda mais acesa. Pouco tempo depois, sentindo que estava no limite, ele segurou meus ombros com delicadeza e me empurrou levemente para cima, controlando-se.
Ele me puxou para baixo e inverteu as posições mais uma vez. Num movimento rápido, desfez o fecho do meu sutiã, deixando-me totalmente livre. Seus olhos devoraram meu corpo antes de ele avançar, abocanhando meu seio direito com vontade enquanto sua mão massageava o esquerdo com firmeza. Meus gemidos perderam totalmente o controle, ecoando altos pelo quarto.
Jin desceu os beijos pela minha barriga até chegar à minha cintura. Ele se levantou na beira da cama por um instante, puxando minha calça e minha calcinha de uma vez só. Ele parou, respirando fundo, admirando minha nudez na penumbra. O brilho de desejo puro nos olhos dele me despiu de qualquer timidez.
JIN ON
Ver a S/N totalmente nua, entregue a mim daquele jeito na minha cama, fez meu membro pulsar com ainda mais força. Subi de volta para o colchão, posicionando-me entre suas pernas. Comecei a trilhar um caminho de beijos molhados pelas suas coxas, sentindo o corpo dela tremer. Quando me aproximei do centro do seu corpo, soprei levemente a região, e ela soltou um suspiro sôfrego, arqueando o quadril.
Sem aviso, aproximei meu rosto e comecei a chupar seu clitóris com vontade, usando a língua em movimentos rápidos e firmes. A S/N soltou um grito abafado, cravando as unhas no lençol enquanto tentava lidar com a onda de prazer.
— Jin... isso é trapaça... — ela protestou com a voz completamente embargada. — Foi você quem começou trapaceando com aquela rebolada no meu colo — brinquei entre dentes, dando uma leve risada antes de voltar a focar toda a minha atenção ali, fazendo-a gemer ainda mais alto.
O calor no quarto estava quase insuportável. Levantei meu corpo devagar, com a respiração completamente desregulada, e me posicionei sobre ela. Meus braços sustentavam meu peso enquanto eu olhava fixamente nos seus olhos, acariciando seu rosto com o polegar para afastar alguns fios de cabelo suados.
— Tem certeza, S/N? — perguntei, com a voz extremamente grave e rouca. — Depois disso aqui... não tem mais volta. Nossa amizade nunca mais vai ser a mesma. — Eu não quero que seja a mesma, Jin... Eu quero você — ela respondeu, puxando-me pela nuca para selar nossos lábios em um beijo cheio de urgência.
Não esperei mais. Estiquei o braço até a gaveta do criado-mudo e pegou o que precisava. Quando voltei a me alinhar ao corpo dela, o contato direto das nossas peles parecia eletricidade pura.
Guiei-me calmamente, entrando nela em um encaixe perfeito e profundo. A S/N soltou um suspiro longo, jogando a cabeça para trás e apertando meus ombros largos com as unhas. Parei por alguns segundos, colando minha testa na dela, dando tempo para que ela se acostumasse com a sensação de estarmos finalmente unidos.
— Você está bem? — sussurrei, segurando o ritmo a duras penas. — Estou... por favor, Jin... continua — ela pediu, movendo o quadril de leve contra o meu.
Comecei a me mover. O ritmo inicial, lento e profundo, logo foi engolido pela paixão que guardávamos há anos. O som das nossas respirações ofegantes e dos nossos corpos se encontrando preenchia o quarto escuro. A cada estocada mais firme, ela correspondia perfeitamente, rebolando e buscando mais calor, o que arrancava gemidos graves do fundo da minha garganta. Minhas mãos desceram para a sua cintura, segurando-a com firmeza, ditando a velocidade e deixando claro o quanto eu a queria.
O ápice estava incrivelmente perto. O prazer era tão intenso que parecia que o quarto ia entrar em combustão. Acelerei os movimentos, distribuindo beijos famintos pelo pescoço e colo dela, ouvindo-a chamar meu nome entre delírios de prazer. Juntos, no mesmo compasso, fomos atingidos por uma onda avassaladora. Um espasmo forte percorreu nossos corpos e nós desabamos um nos braços do outro, com os corações batendo tão forte que pareciam um só.
Ficamos em silêncio por um bom tempo, apenas tentando recuperar o fôlego. Saí de cima dela com cuidado e me deitei ao seu lado, puxando o lençol para nos cobrir contra o vento frio que começava a entrar pela janela. Puxei o corpo dela para perto, trazendo-a de costas contra o meu peito e envolvendo sua cintura com o meu braço — exatamente como tínhamos feito no sofá horas antes, mas agora com tudo totalmente transformado.
Dei um beijo carinhoso na curva do ombro dela e sussurrei bem baixinho:
— Sabe... acho que a sua mãe sempre esteve certa sobre nós dois.
Senti a S/N sorrir no escuro e ela segurou a minha mão que estava em sua cintura, apertando-a com carinho. Não havia arrependimento, apenas a certeza de que a nossa história estava só começando.
S/N ON
Acordei sentindo um peso quentinho abraçado à minha cintura. O quarto ainda estava na penumbra, mas os raios de sol começavam a insistir em passar pelas frestas da janela. Demorei alguns segundos para processar onde estava, até que o cheiro familiar do perfume do Jin e o toque da pele dele contra as minhas costas me fizeram lembrar de tudo o que tinha acontecido na noite anterior.
Um sorriso bobo brotou nos meus lábios. Eu estava ali, completamente nua sob os lençóis, protegida pelo abraço do meu melhor amigo — ou melhor, do homem que agora significava muito mais do que isso.
De repente, senti o aperto na minha cintura se intensificar de leve. Jin se mexeu atrás de mim, colando ainda mais o peito dele nas minhas costas, e enterrou o rosto no meu pescoço, soltando uma risadinha anasalada com a voz rouca de sono.
— Você já está acordada? — ele sussurrou, e o hálito quente dele me fez arrepiar instantaneamente. — Acabei de acordar... — respondi, virando o corpo devagar para ficar de frente para ele.
Mesmo com o cabelo todo bagunçado e os olhos meio cheios de sono, o Kim Seokjin conseguia ser o homem mais lindo do mundo. Ele me encarou com um brilho suave nos olhos, parecendo me estudar para ter certeza de que tudo aquilo era real.
— Está tudo bem? — ele perguntou, de repente ficando um pouco tímido, resgatando aquele Jin que eu conhecia tão bem. — Sem arrependimentos? — Nenhum, Jin. Foi... perfeito — confessei, sentindo minhas bochechas esquentarem um pouco. — E com você? — Eu passei os últimos anos imaginando como seria isso. Mas a realidade superou qualquer fantasia, S/N.
Ele se aproximou e selou nossos lábios em um selinho demorado, calmo e cheio de carinho, bem diferente da urgência da noite anterior. Quando nos afastamos, a barriga dele — para variar — soltou um ronco monstruoso, cortando totalmente o clima romântico. Nós dois caímos na risada na hora.
— Pelo visto, o Senhor Kim Seokjin continua o mesmo esfomeado de sempre — brinquei, dando um tapinha de leve no ombro largo dele. — Ei! Gastamos muita energia ontem à noite, ok? Estou em fase de recuperação — ele se defendeu, fazendo um bico fofo. — Vamos fazer o seguinte: você fica aqui bem quietinha e eu vou lá embaixo preparar o café da manhã. Ontem você fez o lanche, hoje é meu turno.
— Hmm, o privilégio de ter um namorado que cozinha... — a palavra saiu da minha boca antes que eu pudesse pensar, e eu congelei na hora.
Jin, que já estava quase jogando as pernas para fora da cama para se levantar, parou no meio do movimento. Ele se virou para mim lentamente, com um sorriso de canto que ia de orelha a orelha.
— O que você disse? Repete, por favor. — Nada! Eu disse... "um amigo que cozinha" — tentei disfarçar, puxando o lençol até o nariz. — Não, não, não. Eu ouvi muito bem a palavra com "N" — ele riu, subindo de volta na cama e engatinhando até ficar por cima de mim, apoiando o peso nos cotovelos. — Então, quer dizer que eu fui promovido de cargo?
Olhei naqueles olhos castanhos que sabiam tudo sobre mim e decidi não fugir. Nós já tínhamos cruzado a linha, e não havia motivos para fingir que queríamos voltar atrás.
— E você não quer a promoção? — desafiei, arqueando a sobrancelha. — É tudo o que eu mais quero — ele respondeu com sinceridade, o olhar ficando intenso novamente. — S/N, se dependesse de mim, nós já estaríamos namorando há muito tempo.
Ele me deu mais um beijo, dessa vez um pouco mais profundo, que me fez esquecer completamente da fome e do café da manhã. Minhas mãos subiram por instinto para o cabelo dele, puxando-o para mais perto. Quando nos separamos, ele encostou a ponta do nariz no meu.
— Agora, deixa eu ir lá fazer nossa comida antes que eu desmaie ou mude de ideia e resolva ficar trancado nesse quarto com você o dia inteiro — ele brincou, dando um tapa leve e estalado na minha coxa por cima do lençol antes de se levantar e vestir a calça de moletom que estava jogada no chão.
Fiquei deitada olhando ele sair pela porta, sentindo meu coração transbordar de felicidade. Meus pais iam passar oito dias naquele cruzeiro, a geladeira estava cheia de comida, a luz já tinha voltado... e eu tinha o meu melhor amigo, agora oficialmente meu namorado, cozinhando para mim no andar de baixo. Os próximos sete dias prometiam ser os melhores da minha vida.
Enquanto o Jin descia as escadas, puxei o lençol até o queixo, sentindo o calor suave que ele havia deixado no colchão. O som distante dele mexendo nas panelas e abrindo a geladeira na cozinha começou a ecoar pela casa, trazendo uma sensação de aconchego que eu nunca tinha sentido antes. Não era apenas a nossa rotina de sempre; tudo parecia ter ganhado uma cor nova, mais intensa.
Não aguentei ficar muito tempo deitada. Peguei uma camiseta antiga e larga do Jin que estava pendurada na cadeira, vesti-me e desci os degraus descalça, tentando não fazer barulho.
Quando cheguei à entrada da cozinha, parei apenas para observá-lo. Ele estava de costas, concentrado, cortando algumas frutas enquanto cantarolava uma melodia baixinho. Aqueles ombros largos, que eu sempre admirei à distância, agora pareciam carregar um significado completamente diferente.
Aproximei-me de mansinho e, imitando o que ele sempre fazia comigo, passei meus braços em volta da cintura dele, colando meu rosto em suas costas.
Jin deu um leve sobressalto, mas relaxou imediatamente ao sentir meu toque. Ele soltou uma risada gostosa, aquela que parecia o som de uma janela sendo limpa, e cobriu minhas mãos com as dele.
— Olha só, parece que o jogo virou — ele disse, virando a cabeça de lado para tentar me olhar. — Quem está assustando quem agora? — Só vim ver se o meu cozinheiro particular precisa de ajuda — brinquei, apertando-o um pouco mais. — Na verdade, preciso sim. Pode pegar os pratos para mim? O banquete está quase pronto.
Afastei-me e comecei a arrumar a mesa enquanto ele colocava um prato cheio de panquecas americanas douradas, frutas picadas e duas canecas de café fumegante. Sentamos um de frente para o outro, e o Jin, que costumava comer de forma rápida e focada, dessa vez passava metade do tempo me encarando com um sorriso bobo no rosto.
— O que foi? Tenho alguma coisa suja na cara? — perguntei, rindo do jeito dele. — Não... é só que... é estranho — ele confessou, deixando os talheres de lado por um momento e apoiando o queixo nas mãos. — No bom sentido, claro. Passamos anos sentados exatamente aqui, nesta mesma mesa, conversando sobre bobeiras. Mas hoje, olhar para você sabendo o gosto do seu beijo... faz meu coração bater rápido demais.
Senti minhas bochechas arderem. Por mais que eu fosse confiante na noite anterior, a luz do dia e a honestidade do Jin me deixavam desarmada.
— Eu também sinto isso, Jin. Parece que a ficha está caindo aos poucos — estiquei o braço pela mesa, segurando a mão dele. — Mas fico feliz que tenha sido com você. Que seja você.
Ele apertou meus dedos com carinho e levou minha mão até os lábios, deixando um beijo suave ali.
— Temos sete dias inteiros pela frente sozinhos, S/N. Sem pais, sem regras, só nós dois — ele disse, os olhos brilhando com uma ponta de malícia e diversão. — O que você quer fazer hoje, minha namorada?
Ouvir ele me chamar daquela forma fez meu estômago dar voltas de ansiedade positiva.
— Bem... — comecei, com um sorriso travesso. — Para começar, você me deve uma revanche no pedra, papel e tesoura. E dessa vez, eu vou escolher o filme. E garanto que não vai ser de terror.
— Ah, não! Isso é injustiça — ele protestou, fingindo indignação. — Eu ganhei de forma justa! — Mas ontem você usou táticas de distração! — brinquei, levantando-me e começando a recolher os pratos vazios.
Jin se levantou logo em seguida, pegando os copos da minha mão e os colocando na pia. Ele me encurralou de leve contra o balcão, segurando minha cintura com aquela mesma firmeza da noite anterior, fazendo meu corpo se lembrar instantaneamente de cada toque.
— Tudo bem, eu aceito a revanche — ele sussurrou, aproximando o rosto do meu, a respiração misturando-se à minha. — Mas se eu ganhar de novo... você vai ter que passar o resto do dia deitada comigo assistindo ao que eu quiser. Fechado?
— Fechado — respondi, quase sem fôlego pela proximidade.
Antes que pudéssemos começar o jogo, ele selou nossos lábios em um beijo profundo e lento, mostrando que aquela semana seria apenas o começo da nossa nova história.
— Então vamos lá. No três — avisei, tentando manter a postura confiante enquanto meu coração insistia em errar as batidas por causa das mãos dele que ainda faziam um carinho suave nos meus quadris.
— Preparada para perder de novo, S/N? — Jin provocou, aquele sorriso convencido e lindo que eu conhecia tão bem brilhando nos lábios dele.
— Nem nos seus sonhos, Kim Seokjin. Um, dois, três e... já!
— Pedra! — gritei, estendendo a mão fechada. — Papel! — ele rebateu, cobrindo a minha mão com a dele, comemorando logo em seguida com aquela risada escandalosa. — Ganhei de novo! Não adianta, o destino quer você assistindo o que eu escolho.
— Ah, não vale! Você leu a minha mente, tenho certeza — reclamei, fazendo bico, mas ele não me deu tempo de continuar protestando.
Jin me puxou pela cintura, colando nossos corpos, e me deu um beijo rápido e estalado.
— Uma promessa é uma promessa. Vamos para o quarto — ele disse, pegando minha mão e me guiando escada acima antes que eu mudasse de ideia.
Voltamos para a cama que ainda estava bagunçada da noite anterior. O Jin se deitou e deu tapinhas no espaço ao lado dele, convidando-me para deitar em seu peito. Ajeitei-me ali, sentindo o calor do corpo dele e o ritmo tranquilo do seu coração. Ele ligou a TV, mas, para a minha surpresa, não colocou em nenhum filme de terror. Em vez disso, começou a rodar a lista de comédias românticas.
— Ué... Cadê o terror de madrugada? — perguntei, olhando para ele de lado.
Jin deu de ombros, um pouco sem jeito, passando o braço pelos meus ombros para me trazer ainda mais para perto.
— Eu quero jogar videogame mais tarde com os meninos sem ter uma garota assustada pulando no meu colo... Quer dizer, não que eu tenha achado ruim a parte de você no meu colo — ele riu, as orelhas ficando levemente vermelhas. — Mas não quero ver você com medo de verdade de novo. Minha cota de arrependimento já deu por essa semana.
Olhei para ele, sentindo um calorzinho gostoso no peito. O Jin fingia ser todo provocador, mas no fundo era o cara mais protetor e cuidadoso do mundo.
— Obrigada, Jin — sussurrei, subindo um pouco o corpo para dar um beijo na bochecha dele.
— De nada. Mas ó, não se acostuma, não — ele brincou, voltando a atenção para a TV.
Passamos o resto da tarde ali, divididos entre o filme que passava na tela, conversas bobas sobre o futuro e selares calmos que surgiam do nada, sem pressa. Era estranho pensar que, até o dia anterior, éramos "apenas" os melhores amigos do mundo. Agora, o toque dele tinha um peso diferente, a voz dele parecia mais doce e o meu plano para os próximos sete dias era, definitivamente, não sair do lado dele por nada.
O filme de comédia passava na TV, mas a verdade é que nenhum de nós dois estava prestando muita atenção na tela. Meus dedos desenhavam formas aleatórias no peitoral dele, sentindo os músculos relaxados, enquanto o Jin acariciava meu cabelo, enrolando as mechas entre os dedos com uma calma que me dava sono.
— S/N... — ele chamou de repente, a voz um pouco mais baixa, ecoando no meu ouvido.
— Hum? — murmurei, preguiçosa, sem abrir os olhos.
— O que a gente vai falar para os nossos pais quando eles voltarem do cruzeiro?
Aquela pergunta me fez abrir os olhos na hora. Apoiei o queixo no peito dele e o encarei. O Jin estava olhando para o teto, pensativo, com uma expressão que misturava diversão e uma pontinha de preocupação real.
— Bem... — comecei a rir, imaginando a cena. — A minha mãe vai olhar para a sua cara e dizer: "Eu não falei?". Ela vai passar o resto da vida jogando isso na nossa roda.
Jin soltou aquela risada alta dele, os ombros chacoalhando embaixo de mim.
— Disso eu não tenho dúvida. Consigo até ver o sorriso vitorioso dela — ele disse, descendo o olhar para mim e acariciando minha bochecha com o polegar. — Mas e o seu pai? Você acha que ele vai querer me expulsar da vizinhança?
— Meu pai te adora, Jin. Mas acho que ele vai te dar aquele sermão clássico de "se você magoar a minha filha...", mesmo sabendo que você nunca faria isso.
O olhar do Jin mudou, ficando sério por um instante, cheio de uma sinceridade que me desarmou por completo.
— Eu nunca faria isso. Você sabe, não sabe? Foram anos guardando isso aqui dentro, morrendo de medo de te perder. Agora que eu finalmente tenho você... a última coisa que quero no mundo é te ver mal.
Senti um nó quentinho na garganta. Aproximei meu rosto do dele e o beijei, um beijo calmo, mas cheio de sentimento, daqueles que dizem mais do que qualquer palavra.
— Eu sei, Jin. Eu também sei — respondi, colando nossas testas.
— Ótimo — ele disse, quebrando o momento tenso com aquele sorriso travesso de sempre. — Porque se o seu pai vier falar comigo, eu vou dizer que a culpa foi toda sua, da sua rebolada e do apagão.
— Ei! Que mentira! — protestei, dando um tapa leve no peito dele, mas ele me puxou rápido, prendendo-me em seus braços e rolando na cama até ficar por cima de mim novamente.
— Mentira nada, foi legítima defesa do meu coração — ele sussurrou, os olhos brilhando cheios de malícia na penumbra do quarto. — E já que a tarde está quase acabando e a gente não tem que dar satisfação para ninguém por uma semana... o que você acha de aproveitarmos mais um pouco antes de eu ter que ligar o computador para os meninos?
Não precisei responder. Lacei o pescoço dele com os braços, puxando-o para mim, deixando claro que a nossa resposta para os próximos dias seria sempre a mesma.
O Jin sorriu contra os meus lábios, aquele sorriso quente que agora eu conhecia tão bem, e não perdeu tempo. O peso do corpo dele sobre o meu era confortável, uma âncora que me afastava de qualquer resquício de medo que o filme de terror tivesse deixado no dia anterior.
As mãos dele, sempre tão grandes e firmes, deslizaram pelas minhas costelas por baixo da camiseta dele que eu estava usando. Cada centímetro que os dedos dele tocavam parecia incendiar. Eu arqueei de leve as costas, entregando-me completamente ao ritmo dele, enquanto os beijos dele desciam do meu queixo para o meu pescoço, encontrando aquele ponto exato perto da minha clavícula que me fazia soltar um suspiro sôfrego.
— Jin... — murmurei, apertando os ombros dele, sentindo os músculos das suas costas se contraírem sob os meus dedos.
— Você é linda demais, S/N — ele sussurrou com a voz rouca, subindo o olhar para me encarar. Havia uma intensidade ali que me deixava sem fôlego, uma mistura perfeita do cara carinhoso que cuidava de mim com o homem possessivo que tinha se revelado na noite anterior.
Sem pressa, como se tivéssemos todo o tempo do mundo — e nós realmente tínhamos —, ele puxou a barra da camiseta para cima, livrando-me da peça. Seus olhos mapearam meu corpo com uma admiração que me fazia sentir única, e logo ele voltou a se encaixar entre as minhas pernas, o volume rígido dele pressionando contra a minha intimidade mesmo por cima do moletom dele.
O atrito era uma tortura deliciosa. Comecei a me mover devagar sob ele, buscando mais daquele calor, arrancando um gemido abafado do fundo da garganta do Jin. Ele segurou meus quadris com força, travando meus movimentos por um segundo enquanto respirava fundo, tentando buscar um autocontrole que claramente já estava por um fio.
— Desse jeito você quebra todas as minhas defesas de novo... — ele provocou, com um sorriso de canto, embora estivesse tão arfante quanto eu.
— Essa é a ideia, Seokjin — respondi com um sorriso atrevido, passando minhas pernas ao redor do quadril dele, puxando-o para mais perto.
Ele riu baixinho, aquele som gostoso e rouco, antes de puxar o cordão do próprio moletom para se livrar da calça. Em poucos segundos, não havia mais barreiras entre nós. O contato direto da nossa pele fez meu corpo inteiro se arrepiar, e quando ele uniu nossos corpos novamente, o quarto pareceu sumir ao nosso redor.
O ritmo que começou lento logo ganhou a força da nossa urgência. Cada estocada dele era profunda, precisa, fazendo-me agarrar os lençóis com força enquanto meu nome escapava dos lábios dele como um mantra. O Jin sabia exatamente como me levar ao limite, e ele parecia se deliciar com cada gemido mais alto que conseguia arrancar de mim. Fomos seguindo aquela dança frenética, o calor da penumbra nos envolvendo até que o prazer se tornou insuportável de tão bom. Segurei-me firme no pescoço dele quando sentimos o ápice nos dominar por completo, uma explosão que nos deixou flutuando, completamente esgotados e felizes, colados um ao outro enquanto nossas respirações tentavam voltar ao normal.
Mais tarde, o quarto já estava completamente escuro, exceto pelo brilho azulado do monitor do computador que o Jin finalmente tinha ligado. Ele estava sentado na cadeira gamer, de fone de ouvido, concentrado na partida com o Jimin e o Jungkook. A voz dele ecoava pelo quarto, rindo alto e provocando os meninos como sempre fazia.
Eu estava deitada na cama dele, vestindo novamente a camiseta larga, observando-o de lado com o queixo apoiado na mão. Era engraçado ver como ele conseguia mudar do homem intenso de minutos atrás para o garoto competitivo que gritava porque tinha perdido um round no jogo.
De repente, o Jin puxou o microfone do headset para o lado, pausando o jogo por um segundo, e se virou na cadeira para me olhar. Ele piscou para mim e mandou um beijo no ar, com aquele jeito fofo e palhaço dele.
— O que foi, Jin? Perdeu de novo? — brinquei da cama.
— O Jungkook me pegou de surpresa pelas costas, mas a culpa é sua — ele respondeu, com um sorriso enorme. — Não consigo me concentrar 100% no jogo com você deitada aí desse jeito, me olhando.
— Ih, não coloca a culpa em mim não! Joga direito, Kim Seokjin! — ri, jogando uma almofada leve na direção dele, que ele pegou com uma mão só, rindo daquela forma escandalosa.
Ele voltou para a chamada com os meninos, mas o olhar que ele me mandou antes de colocar o fone de novo deixou claro que, assim que aquela partida acabasse, a atenção dele seria totalmente minha outra vez. Eu tinha mais sete dias inteiros daquela rotina perfeita, e não mudaria absolutamente nada.
A partida com os meninos parecia longe de acabar. De onde eu estava deitada, conseguia ouvir a voz abafada do Jungkook e os gritos indignados do Jimin saindo pelo headset do Jin. O Jin continuava com a postura focada na tela, os dedos voando pelo teclado e pelo mouse, mas, de vez em quando, ele dava uma giradinha sutil na cadeira só para checar se eu ainda estava ali olhando para ele.
Num desses momentos, peguei meu celular e decidi entrar no chat do jogo só para provocar.
S/N: O Jimin está jogando muito melhor que você hoje, hein, Seokjin?
Vi o exato momento em que a notificação brilhou na segunda tela dele. O Jin parou de mover o personagem por dois segundos — o suficiente para o boneco dele levar um tiro no jogo — e soltou um resmungo audível, virando-se para trás com uma expressão falsamente ofendida.
— Ei! Eu ouvi isso, tá? E o Jimin deu sorte, só isso! — ele reclamou em voz alta, esquecendo completamente que o microfone estava aberto.
Do outro lado da linha, a voz do Jungkook ecoou no viva-voz do headset, tão alta que consegui ouvir perfeitamente da cama: — Espera aí... Jin? Você está conversando com a S/N? Ela está aí na sua casa uma hora dessas com tudo apagado?
O quarto, que até então estava na penumbra do monitor, pareceu ficar ainda mais tenso. O Jin congelou na cadeira, as orelhas ficando instantaneamente vermelhas — o sinal clássico de que ele estava completamente desarmado e sem saber o que responder.
— Não... quer dizer, sim, ela está aqui, mas... o bairro ficou sem luz e ela estava com medo de ficar sozinha, então... — gaguejou ele, tentando achar uma desculpa plausível que justificasse o fato de estarmos trancados no quarto dele no meio da noite.
— Ah, sei... com medo sei — o Jimin entrou na conversa, rindo com aquele tom de provocação que só ele sabia fazer. — Vocês dois moram grudados desde o colegial e agora que os pais viajaram você usa a desculpa do apagão? Conta outra, Hyung!
Jin bufou, desligando o microfone da chamada em um clique rápido antes de olhar para mim.
— Olha o que você causou, dona S/N. Agora eles não vão me deixar em paz até o final do ano — ele disse, embora o sorriso de canto denunciasse que ele não estava realmente bravo.
— Eu não fiz nada! Você que se entregou sozinho gaguejando — brinquei, sentando-me na cama e puxando os joelhos contra o peito.
Ele balançou a cabeça, rindo da própria derrota, e voltou para a chamada apenas para dizer: — Quer saber? Cansei de apanhar de vocês no jogo. Vou sair, tchau.
Antes que os meninos pudessem protestar, o Jin fechou o jogo e desligou o computador de uma vez, deixando o quarto completamente às escuras por alguns segundos até que nossos olhos se acostumassem com a luz do luar que entrava pela janela.
Ele se levantou da cadeira e caminhou devagar até a cama. O peso do corpo dele fez o colchão afundar quando ele se deitou ao meu lado, puxando-me pela cintura para que eu deitasse a cabeça em seu peito novamente. O silêncio do quarto era confortável, quebrado apenas pelo som das nossas respirações.
— Sabe de uma coisa? — ele sussurrou, a mão traçando caminhos lentos pelas minhas costas por cima da camiseta larga.
— O que? — perguntei, fechando os olhos, entregue ao carinho.
— Eles podem zoar o quanto quiserem. Eu não ligo. Na verdade... dá um alívio enorme não ter mais que esconder de ninguém o quanto eu sou louco por você.
Aquelas palavras, ditas com tanta simplicidade e doçura no meio da noite, fizeram meu coração dar um salto. Abracei a cintura dele com um pouco mais de força, colando meu corpo ao dele. Faltavam muitos dias para os nossos pais voltarem da viagem, mas, olhando para o Jin ali comigo, eu tinha a certeza absoluta de que o nosso "silêncio" de anos tinha valido a pena para chegarmos exatamente aqui.
Apertei o abraço na cintura dele, sentindo o tecido macio do moletom sob os meus dedos e o calor reconfortante que o corpo do Jin sempre emanava.
— Eu também sinto um alívio enorme, Jin — confessei, subindo o olhar para encontrar o dele na penumbra. — Passar esse tempo todo fingindo que meu coração não dava um salto cada vez que você chegava perto... foi uma tortura.
Jin sorriu, aquele sorriso aberto e sincero que desarmava qualquer um. Ele segurou meu queixo com delicadeza, inclinando a cabeça para me dar um beijo calmo, daqueles que pareciam saborear o fato de que agora tínhamos todo o tempo do mundo. A língua dele envolveu a minha de um jeito lento, sem a pressa selvagem de antes, mas com uma intensidade que ainda me fazia flutuar.
Quando nos afastamos, ele colou a testa na minha, a respiração misturada com a minha.
— Sabe o que eu estava pensando? — ele murmurou, a voz vibrando baixinho contra a minha pele. — Já que a vizinhança inteira e os meninos já devem estar desconfiando, e como a gente tem a casa só para nós... amanhã eu podia cozinhar aquele kimchi jjigae que você tanto gosta. A gente come na sala, assiste ao filme que você escolher, e depois... bem, depois a gente decide o que faz.
— Isso parece perfeito, Senhor Kim — respondi, rindo baixinho e acariciando a nuca dele, sentindo os fios de cabelo macios entre os meus dedos. — Mas com uma condição: sem sustos atrás da porta amanhã. Meu coração já aguentou emoções demais por hoje.
— Ah, mas assustar você é a minha atividade favorita desde os dezessete anos! — ele protestou, fingindo indignação e me apertando um pouco mais contra o peito. — Mas tudo bem, abro uma exceção temporária pelo bem da harmonia do nosso... novo status.
Ele me puxou para cima, fazendo com que eu deitasse a cabeça bem no vão do seu pescoço. O Jin voltou a traçar caminhos calmos com os dedos pelas minhas costas, um carinho ritmado que, aos poucos, foi pesando minhas pálpebras. O cansaço da noite longa e cheia de reviravoltas finalmente começou a vencer a adrenalina.
— Dorme bem, S/N — ele sussurrou perto do meu ouvido, deixando um beijo terno na minha têmpora. — Eu estou aqui.
— Dorme bem, Jin — respondi, quase num sussurro, fechando os olhos com a certeza absoluta de que aquele quarto escuro, envolvida pelos braços dele, era o lugar mais seguro e feliz de todo o mundo.
Os dias seguintes passaram como um borrão perfeito. A promessa do Jin foi cumprida à risca: a casa virou o nosso próprio universo particular. Teve kimchi jjigae queimando a língua, maratonas de comédias românticas em que ele passava metade do tempo reclamando dos clichês só para me fazer rir, e tardes inteiras jogando videogame na sala, onde eu descobri que ele era um péssimo perdedor, mas um excelente namorado na hora de pedir desculpas com selares roubados.
Agora, era a nossa última noite antes do retorno dos nossos pais.
O céu do lado de fora estava limpo, estrelado, e o vento fresco da noite balançava as cortinas do quarto do Jin. Estávamos deitados de qualquer jeito na cama dele, dividindo um pote enorme de pipoca que tínhamos feito de madrugada. O silêncio que se instalou entre nós não era desconfortável; era o silêncio de quem finalmente tinha encontrado o encaixe certo na vida.
— S/N? — Jin chamou quebrando o silêncio, a voz mansa, os olhos fixos no teto.
— Hum? — respondi, virando o rosto para olhar o perfil perfeito dele desenhado pela luz do luar.
— Amanhã eles chegam. A nossa "bolha" de oito dias vai estourar um pouquinho quando o cruzeiro atracar — ele disse, virando a cabeça para me encarar. Não havia medo na voz dele, apenas uma seriedade bonita. — Você está pronta para o interrogatório que vai ser o almoço de amanhã? Porque eu conheço a minha mãe, e ela vai notar a diferença no primeiro minuto.
Sorri, deixando o pote de pipoca de lado no criado-mudo e me arrastando para mais perto dele, apoiando meu braço no peito do Jin.
— Deixa eles falarem, Jin. A minha mãe vai passar o almoço inteiro dizendo "eu avisei", o seu pai vai rir e abrir uma cerveja, e a gente finalmente vai poder sentar um do lado do outro sem ter que disfarçar quando nossas mãos se tocarem por baixo da mesa.
Jin soltou aquela risada anasalada dele, o peito subindo e descendo embaixo de mim. Ele passou o braço pelos meus ombros, me trazendo para o abraço, e deixou um beijo demorado no topo da minha cabeça.
— É... você tem razão. Vai ser bom não ter que disfarçar — ele murmurou, a mão descendo para fazer um carinho lento nas minhas costas. — Sabe, esses anos em que guardei o que sentia por você pareceram uma eternidade. Mas esses oito dias... esses oito dias fizeram parecer que todo o tempo de espera valeu a pena. Eu não mudaria nada na nossa história. Nem o filme de terror, nem o apagão.
— Nem eu, Seokjin. Nem eu — sussurrei, subindo o corpo para alcançar os lábios dele.
O beijo começou calmo, um pacto silencioso de que o fim daquela semana era apenas o começo de tudo o que ainda iríamos viver juntos. As mãos dele subiram para o meu rosto, os dedos grandes acariciando minhas bochechas com uma ternura que me aquecia por dentro, antes de o beijo se aprofundar, ganhando aquele calor familiar que sempre nos incendiava.
Quando nos separamos, ele sorriu, os olhos brilhando no escuro.
— Agora, é melhor a gente dormir — ele brincou, puxando o lençol sobre nós dois e me acomodando bem perto do seu coração. — Porque amanhã eu preciso estar bem descansado para aguentar os sorrisos vitoriosos das nossas mães.
Rimos juntos, e eu fechei os olhos, embalada pelo batimento firme do peito dele. A nossa amizade tinha sido a base de tudo, mas o amor que nasceu dali era o que nos manteria juntos por muito, muito tempo.
O som alto e insistente da campainha no andar de baixo me fez dar um pulo da cama, meu coração disparando na hora. Olhei para o lado e vi o Jin esfregando os olhos, completamente grogue de sono, com o cabelo castanho apontando para todos os lados possíveis.
— Mas já?... — ele resmungou com a voz terrivelmente rouca, tateando o colchão à procura do celular. — Caramba, S/N. São dez da manhã. Eles chegaram mais cedo.
O pânico cômico tomou conta do quarto. Começamos uma corrida silenciosa e desesperada para recolher as evidências dos últimos sete dias. Eu juntei as canecas de café e o pote de pipoca da madrugada, enquanto o Jin, num reflexo rápido, começou a arrumar os lençóis da cama e a chutar as meias jogadas para debaixo do guarda-roupa.
Vesti correndo um short e passei a mão no cabelo, tentando parecer o mais natural possível enquanto descia os degraus atrás dele.
Quando o Jin abriu a porta da frente, o corredor foi invadido pelas risadas altas dos nossos pais, carregados de malas, sacolas de presentes e com aquele bronzeado clássico de quem passou a semana inteira na beira da piscina de um navio.
— Olá, meus filhos! Que saudade! — a mãe do Jin entrou primeiro, já deixando as malas de lado e puxando o filho para um abraço apertado, daqueles que quase tiram o ar.
— Oi, mãe... oi, pai — o Jin disse, a voz ainda meio travada pelo susto do despertar. Ele me olhou de soslaio, e eu precisei morder o lábio de dentro para não rir do desespero silencioso dele.
Minha mãe entrou logo em seguida, com os óculos de sol pendurados no decote da blusa. Ela olhou para o Jin, olhou para mim, desceu os olhos para a camiseta dele que eu ainda estava usando — sim, eu tinha esquecido completamente de trocar de roupa no meio do desespero — e um sorriso lento e absurdamente vitorioso começou a brotar nos lábios dela.
— Tudo bem por aqui, querida? — minha mãe perguntou, caminhando até mim com passos calmos e me dando um beijo na bochecha, sem tirar aquele olhar semicerrado de cima de nós dois. — O Jin cuidou bem de você durante o apagão de terça-feira? Ele nos ligou dizendo que você estava com... muito medo.
Olhei para o Jin, que de repente achou o teto da sala a coisa mais interessante do mundo, as pontas das orelhas dele ficando vermelhas numa velocidade recorde.
— C-cuidou sim, mãe. Foi tudo bem tranquilo — respondi, tentando manter a voz mais firme que conseguia, embora sentisse meu rosto queimar de vergonha.
Meu pai e o pai do Jin entraram logo atrás, rindo e conversando sobre o almoço. — Bom, já que estamos todos de volta e morrendo de fome, vamos fazer aquele churrasco no quintal! Seokjin, me ajuda a carregar o carvão lá da garagem? — meu pai chamou, batendo de leve nos ombros largos do Jin.
— Claro, tio. Já vou indo — o Jin respondeu, parecendo aliviado por escapar do raio de visão das nossas mães por alguns minutos. Antes de sair, ele passou por mim e deu um leve toque com o ombro no meu, um código secreto só nosso que dizia: "Sobrevivemos à primeira onda."
Enquanto os homens iam para o quintal, minha mãe e a mãe do Jin se sentaram no sofá, cruzando as pernas quase ao mesmo tempo. Minha mãe me encarou, apoiando o queixo na mão.
— S/N, minha filha... — ela começou, o tom de voz carregado de pura ironia divertida. — Você realmente acha que, depois de trinta e sete anos conhecendo cada expressão sua, eu não sei diferenciar a sua cara de 'fui assistir a um filme' da sua cara de 'estou namorando o meu melhor amigo'?
A mãe do Jin soltou uma risada contida, batendo palminhas. — Eu não disse, Cristina? Eu falei que esse cruzeiro era a oportunidade perfeita! Ganhei a aposta!
Arregalei os olhos, olhando para as duas. Elas tinham planejado aquilo? Ou pelo menos torcido muito para que acontecesse?
— Mãe! — protestei, sentindo que não adiantava mais esconder absolutamente nada.
— Não adianta fazer essa cara, S/N — minha mãe se levantou, rindo e vindo me abraçar de verdade, dessa vez com um carinho imenso. — Nós conhecemos vocês dois melhor do que vocês mesmos. E honestamente? Já era hora. Aquele menino é louco por você desde a escola, e você sempre foi teimosa demais para admitir.
Suspirei, deixando o peso dos ombros cair, e sorri de verdade. Olhei pela janela de vidro que dava para o quintal e vi o Jin rindo com o meu pai enquanto tentavam acender a churrasqueira. Ele parecia feliz, relaxado.
A nossa bolha de oito dias tinha estourado, sim, mas o mundo real do lado de fora parecia ainda mais acolhedor agora que não precisávamos mais esconder o que sentíamos. A nossa história de vizinhos, melhores amigos e confidentes tinha ganhado o capítulo mais bonito de todos, e, pelo visto, com a benção e o "eu avisei" oficial de toda a família.
O churrasco no quintal seguiu com o melhor clima possível. O cheiro da carne assando preenchia o ar, a música tocava baixinho ao fundo e os nossos pais conversavam animados sobre as histórias do navio. Mas, para mim e para o Jin, a melhor parte era a liberdade.
Enquanto eu fingia ajudar a arrumar os pratos na mesa externa, senti a aproximação dele. Jin parou ao meu lado, pegou uma fatia de abacaxi grelhado que estava no balcão e, sem se importar com quem estava olhando, levou diretamente à minha boca com um sorriso de canto.
— E aí? Como foi o interrogatório das agentes do FBI lá dentro? — ele sussurrou perto do meu ouvido, a voz divertida enquanto o meu pai estava de costas cuidando da grelha.
— Digamos que a minha mãe já tinha até uma aposta com a sua — ri baixo, mastigando. — Elas sabiam antes mesmo da gente, Jin. Não deu nem para tentar disfarçar.
Jin soltou aquela risada gostosa dele, os ombros largos relaxando.
— Bom, se o segredo já era, então acho que não preciso mais fazer isso — ele disse. Antes que eu pudesse perguntar o que era, ele deslizou a mão pela minha cintura e me puxou para um abraço de lado, bem na frente de todo mundo.
Meu pai virou o rosto bem nessa hora, segurando o pegador de carne. Ele olhou para a mão do Jin na minha cintura, depois para os nossos rostos e deu um meio sorriso de lado, balançando a cabeça.
— Seokjin, meu rapaz — meu pai chamou, assumindo aquele tom falsamente sério que todo pai usa. — Só espero que você continue cuidando da minha filha com o mesmo empenho de quando vocês eram só amigos. Caso contrário, eu conheço bem o caminho da sua casa, e o seu pai não vai te defender.
O pai do Jin, que vinha trazendo mais gelo para as bebidas, soltou uma gargalhada alta. — Defender? Que nada! Eu mesmo ajudo o vizinho. Juízo, Seokjin!
O Jin ficou instantaneamente vermelho, mas não soltou a minha cintura. Pelo contrário, ele limpou a garganta, estufou aquele peitoral de modelo e olhou bem nos olhos do meu pai com uma postura firme que me fez derreter por dentro.
— Pode deixar, tio. A S/N é a pessoa mais importante da minha vida. Eu passei tempo demais esperando para ter a chance de fazê-la feliz, não vou estragar isso agora.
Aquelas palavras fizeram o meu coração errar as batidas. Olhei para ele, orgulhosa do homem incrível que eu tinha ao meu lado. Minha mãe e a mãe dele surgiram na porta da cozinha, trocando olhares cúmplices e emocionados com a cena. A brincadeira dos pais tinha acabado, substituída por um respeito genuíno.
Quando o almoço finalmente foi servido, sentamos todos juntos à grande mesa do quintal. Pela primeira vez em anos, o Jin não sentou apenas como o vizinho ou o amigo de infância. Nossas cadeiras estavam coladas e, por baixo da mesa, as nossas mãos estavam firmemente entrelaçadas, os dedos dele acariciando os meus com um carinho constante.
A tarde caiu devagar, trazendo o pôr do sol dourado que iluminava o jardim. Nossos pais já tinham entrado para descansar da viagem, e nós dois ficamos sozinhos nas cadeiras de descanso do quintal, olhando para o céu que começava a ganhar tons de roxo e laranja.
— Sabe... — Jin começou, quebrando o silêncio confortável enquanto eu apoiava a cabeça em seu ombro. — A nossa rotina vai voltar ao normal amanhã. Você tem suas coisas, eu tenho os ensaios e os meninos... mas saber que eu vou voltar para casa e ter você me esperando como minha namorada muda tudo.
— Muda sim — respondi, subindo o rosto para olhar para ele. — Ficou muito melhor.
Jin sorriu, segurando meu rosto com as duas mãos e selando nossos lábios em um beijo doce, calmo e cheio de promessas para o futuro. O cruzeiro de oito dias tinha acabado, a casa não estava mais vazia e o apagão tinha passado, mas a luz que tinha se acendido entre nós dois nunca mais iria apagar.
A noite caiu de vez, trazendo um céu pontilhado de estrelas que parecia emoldurar o fim daquele dia tão intenso. O ventinho fresco do quintal fez com que eu me encolhesse um pouco mais contra o corpo do Jin, e ele, percebendo o meu movimento, me apertou ainda mais contra o seu peito, deixando um beijo quentinho no topo da minha cabeça.
— Acho melhor a gente entrar antes que você pegue um resfriado, dona S/N — ele murmurou, a voz grave e mansa, ecoando bem perto do meu ouvido. — E, para ser sincero, eu ainda tenho uma semana inteira de saudades acumuladas para tirar com você, sem ninguém na sala do lado.
Sorri, sentindo um frio gostoso na barriga.
— Você não existe, Seokjin — brinquei, levantando-me da cadeira de descanso e estendendo a mão para ele.
Ele segurou meus dedos, mas em vez de apenas se levantar, me puxou com força para o seu colo, fazendo-me rir com o susto. Seus braços circularam minha cintura com firmeza, e seus olhos me encararam com aquela mistura de carinho e desejo que me deixava completamente desarmada.
— Eu existo sim, e sou todo seu. Agora, oficialmente — ele disse, com um sorriso convencido, antes de colar nossos lábios em um beijo profundo.
Dessa vez, não havia a urgência desesperada do primeiro dia, mas sim a certeza deliciosa de posse, o sabor de quem sabia que não precisava mais ter pressa. Minhas mãos foram direto para a nuca dele, puxando os fios macios do seu cabelo enquanto a língua dele ditava um ritmo lento e viciante, fazendo meu corpo inteiro amolecer no seu colo.
Quando nos separamos por falta de ar, ele encostou a testa na minha, a respiração ainda um pouco acelerada.
— Vamos para o meu quarto? — ele sussurrou, a voz arrastada, os olhos fixos na minha boca. — Meus pais já pegaram no sono pesado por causa do fuso horário da viagem, e eu realmente quero você só para mim agora.
— Vamos — respondi quase num sussurro, sentindo meu coração bater acelerado.
Entramos na casa em silêncio, passando pela sala escura na ponta dos pés. Subimos os degraus da escada de mãos dadas, e a sensação de cumplicidade parecia ainda maior agora. Quando cruzamos a porta do quarto dele e o Jin a fechou com um clique suave, o mundo lá fora finalmente desapareceu de novo.
Ele não ligou as luzes. Apenas a claridade da lua atravessava a janela, banhando o quarto com tons de prata. O Jin caminhou até mim, segurando minha cintura com as duas mãos e me trazendo para perto até que minhas costas encontrassem a parede macia do quarto. Ele se aproximou, prendendo meu corpo com o dele, e começou a distribuir beijos molhados e trilhas de arrepios pelo meu pescoço, fazendo-me segurar seus ombros largos com força.
— S/N... — ele murmurou contra a minha pele, a voz carregada de uma intensidade que me fez tremer. — Eu te amo. Acho que sempre te amei, só era bobo demais para aceitar.
Aquelas palavras flutuaram no escuro do quarto, preenchendo cada espaço vazio que existia entre nós. Senti meus olhos marejarem de felicidade.
— Eu também te amo, Jin. Muito mais do que eu conseguia admitir — respondi, puxando-o para mais um beijo, deixando que nossos corpos e sentimentos falassem por nós pelo resto daquela noite eterna.
O Jin soltou um suspiro pesado contra os meus lábios, e aquela confissão pareceu quebrar a última barreira que restava entre nós. A urgência que tínhamos tentado controlar durante o dia inteiro com a presença dos nossos pais veio à tona com força total na penumbra do quarto.
Ele colou o corpo ainda mais contra o meu, prensando-me com suavidade contra a parede. Suas mãos subiram da minha cintura para o meu rosto, os polegares acariciando minhas bochechas com firmeza enquanto ele me beijava de um jeito faminto, profundo. Minha língua dançava com a dele em um ritmo frenético, e eu conseguia sentir o calor que emanava da pele dele, o cheiro do seu perfume misturado ao toque elétrico que nos unia.
Sem quebrar o beijo, o Jin deslizou as mãos para a barra da camiseta larga que eu usava. Com um movimento ágil, ele a puxou para cima, obrigando-me a erguer os braços para que ele a tirasse completamente. No segundo seguinte, suas mãos grandes e quentes encontraram a minha pele nua, espalhando arrepios por todo o meu tronco. Ele desceu os beijos para o meu queixo, depois para o meu pescoço, mordiscando de leve a lateral da minha pele e arrancando de mim um gemido sôfrego que ecoou pelo quarto silencioso.
— Jin... — murmurei, cravando as unhas nos ombros largos dele enquanto sentia meu corpo amolecer.
Ele não respondeu com palavras. Em vez disso, abaixou-se um pouco, segurando minhas coxas e me suspendendo do chão. Por puro instinto, lacei a cintura dele com as minhas pernas, prendendo-me firmemente ao seu corpo. Jin deu os poucos passos necessários até a cama, deitando-me no colchão macio sem romper o magnetismo que nos puxava.
Ficando por cima de mim, ele me encarou por alguns segundos. A luz do luar que entrava pela janela iluminava o contorno do seu peitoral definido e os olhos escuros, completamente tomados pelo desejo. Ele levou a mão até o cós do meu short, deslizando o tecido junto com a minha calcinha pelas minhas pernas até me deixar completamente despida sob o seu olhar. A forma como ele admirava o meu corpo, sem pressa, fazia com que eu me sentisse a mulher mais desejada do mundo.
— Você é perfeita, S/N — ele sussurrou, a voz rouca, quase um rosnado baixo de satisfação.
Com uma rapidez impaciente, o Jin se livrou da própria calça e da cueca. Quando ele voltou a se posicionar entre as minhas pernas, o contato direto de nossas peles nuas causou um choque térmico delicioso. Senti o membro dele, extremamente rígido e pulsante, roçar contra a minha intimidade que já estava completamente molhada de expectativa. Soltei um suspiro alto, arqueando o quadril em busca daquele contato.
Jin segurou minhas mãos, entrelaçando nossos dedos firmemente contra o colchão, e se inclinou para deixar um beijo terno na minha testa antes de se guiar para dentro de mim.
Ele entrou de uma vez só, em um encaixe profundo e perfeito que me fez soltar um gemido agudo, jogando a cabeça para trás. O quarto pareceu girar. Ele parou por alguns segundos, enterrado profundamente em mim, os músculos do seu abdômen contraídos enquanto ele tentava recuperar o fôlego e me dar tempo para me acostumar com o seu tamanho.
— Está tudo bem? — ele perguntou, os olhos fixos nos meus, cheios de cuidado.
— Sim... por favor, Jin, move... — pedi, apertando os dedos entrelaçados aos dele.
Ele começou a ditar o ritmo. As primeiras estocadas foram lentas, deliberadas, feitas para saborear cada centímetro daquela união que havíamos esperado por anos. Mas o atrito e o calor logo consumiram qualquer tentativa de lentidão. Jin soltou minhas mãos e segurou firmemente o meu quadril, erguendo-me levemente para tornar o encaixe ainda mais profundo. O ritmo tornou-se rápido, forte, e o som dos nossos corpos se encontrando preenchia o ambiente.
Eu envolvia a cintura dele com as pernas, rebolando contra cada investida, buscando o limite daquele prazer avassalador. Cada gemido meu parecia servir de combustível para ele; o Jin mordia os lábios, soltando exclamações roucas e graves no meu ouvido a cada vez que eu me contraía ao redor dele. Os beijos dele voltaram para a minha boca, famintos, abafando os meus sons enquanto nossos quadris se moviam em uma sincronia perfeita.
A sensação era intensa demais, uma onda de calor que começava no centro do meu corpo e se espalhava por cada terminação nervosa. Eu conseguia sentir o ápice chegando, a tensão se acumulando rapidamente.
— Jin... eu estou quase... — avisei com dificuldade, a respiração completamente cortada.
— Vai comigo, S/N... olha para mim — ele pediu, a voz falhando pelo esforço físico, os olhos fixos nos meus.
Ele acelerou o ritmo, dando estocadas rápidas e profundas que me levaram direto para o limite. Minhas paredes vaginais se contraíram fortemente ao redor dele quando o orgasmo me atingiu em cheio, fazendo-me soltar um grito abafado contra o ombro dele. Sentir a minha intensidade quebrou o último resto de controle do Jin. Com mais alguns movimentos fortes e necessitados, ele soltou um gemido longo e rouco, desabando o peso do corpo sobre o meu enquanto derramava seu calor dentro de mim, compartilhando da mesma explosão de prazer.
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Seu apoio é fundamental. Torne-se um herói!Ficamos ali por longos minutos, colados pelo suor e pela exaustão, ouvindo apenas as batidas descompassadas dos nossos corações que tentavam voltar ao ritmo normal. O Jin rolou vagarosamente para o lado, puxando-me junto com ele para que eu ficasse deitada com a cabeça em seu peito. Ele puxou o lençol sobre nós dois, protegendo-nos do vento da noite, e voltou a acariciar os meus cabelos com uma calma infinita.
A sensação de segurança e plenitude era total. A nossa história tinha mudado de rumo definitivamente, e enquanto eu ouvia o coração do meu namorado bater ritmado sob o meu ouvido, eu sabia que aquele era apenas o primeiro de muitos capítulos que ainda escreveríamos juntos.
Aos poucos, as nossas respirações foram se alinhando e o silêncio do quarto voltou a ser preenchido apenas pelo som do vento balançando de leve a cortina. O Jin mantinha os dedos em um carinho suave e contínuo pelo meu braço, deixando selares esporádicos no topo da minha cabeça. Eu conseguia sentir o peito dele subir e descer devagar, o coração recuperando os batimentos normais depois da tempestade de sensações que tínhamos acabado de viver.
— S/N... — ele sussurrou depois de um tempo, a voz ainda mais grave por causa do cansaço, vibrando contra o meu ouvido.
— Hum? — respondi, aninhando-me ainda mais no vão do pescoço dele, inalando o cheiro da pele dele misturado ao suor do nosso momento.
— Acho que se a gente continuar morando na casa ao lado um do outro, eu vou acabar furando a parede só para não ter que dar a volta pela calçada para te ver — ele brincou, soltando aquela risadinha anasalada tão característica.
Ri baixinho, abrindo os olhos e olhando para o contorno do rosto dele iluminado pela lua.
— Não precisa furar parede nenhuma, bobo. Você já tem a chave da minha casa e entra sem bater mesmo. A única diferença é que agora você não vai mais precisar inventar desculpa de telefone esquecido para passar a noite comigo.
Jin deu um sorriso largo, os olhos brilhando no escuro. Ele inclinou o rosto para baixo e selou nossos lábios em um beijo calmo, demorado e cheio de uma doçura preguiçosa. A mão dele descera para a minha cintura, puxando-me para que eu ficasse meio montada sobre a perna dele, mantendo o contato direto dos nossos corpos sob o lençol.
— É... você tem toda razão — ele murmurou contra a minha boca. — Mas confessa, a desculpa do telefone foi genial. Se eu não tivesse ido ali naquela hora, a gente não estaria aqui agora.
— Foi golpe de sorte, Kim Seokjin. O destino só resolveu dar uma mãozinha porque não aguentava mais ver você sofrendo em silêncio por anos — brinquei, dando um leve peteleco no peito dele.
— Olha só quem fala! Como se você também não estivesse se segurando — ele rebateu, apertando de leve a minha cintura antes de dar uma risada gostosa. — Mas quer saber? Que bom que o destino cansou de esperar.
Ele me puxou para mais perto, acomodando minha cabeça em seu ombro e puxando o cobertor até cobrir totalmente os nossos ombros, protegendo-nos do ventinho da madrugada. Fiquei ali ouvindo o ritmo tranquilo do mundo lá fora, sentindo uma paz imensa. Sabíamos que, com o amanhecer, a rotina pesada de ensaios dele e os meus compromissos voltariam com tudo, mas a certeza de que éramos um do outro mudava o peso de qualquer dia.
— Dorme bem, minha namorada — ele sussurrou, a voz quase sumindo pelo sono que finalmente o vencia.
— Dorme bem, Jin — respondi, fechando os olhos com um sorriso nos lábios, embalada pelo calor do homem que sempre foi o meu porto seguro e que agora era o meu amor.
S/N ON
Os meses se passaram voando após aquela semana em que tudo mudou. Como o Jin havia previsto, a nossa rotina voltou com força total — entre a agenda dele e a minha rotina —, mas o nosso mundo particular continuava intacto. Deixamos de ser os vizinhos que se escondiam atrás de desculpas e passamos a ser o porto seguro um do outro. Nossos pais, claro, continuaram com as piadinhas por um tempo, mas o orgulho e a felicidade nos olhos deles a cada almoço de domingo em família deixavam claro que todos sabiam que estávamos exatamente onde deveríamos estar.
Hoje era uma noite especial. O céu estava limpo, muito parecido com o daquela noite do apagão, um ano atrás.
Estávamos na sala da minha casa. Eu estava sentada no tapete, apoiada no sofá, enquanto o Jin tentava — pela milésima vez — me ensinar a jogar um dos seus jogos favoritos no videogame.
— Não, S/N! Você apertou o botão errado de novo! O seu personagem vai cair no penhasco! — ele gritava, gesticulando dramaticamente com as mãos para cima, exatamente igual ao jeito que fazia quando jogava com o Jimin e o Jungkook.
— Jin, eu não sei fazer esses combos rápidos! Você que joga isso há anos! — protestei, largando o controle no sofá e rindo da indignação dele.
Jin pausou o jogo e se jogou no tapete logo atrás de mim, passando as pernas ao redor do meu corpo e me puxando para trás, colando minhas costas ao seu peitoral largo. Seus braços circularam minha cintura com aquela mesma firmeza e carinho que eu conhecia tão bem, e ele apoiou o queixo no meu ombro.
— Tudo bem, eu te perdoo por ser uma péssima jogadora — ele sussurrou perto do meu ouvido, a voz grave e mansa me causando um arrepio gostoso. — Afinal, você tem outras qualidades que compensam isso.
— Ah, é? E quais seriam, Senhor Kim Seokjin? — perguntei, virando o rosto de lado para encarar aqueles olhos castanhos que sempre sabiam tudo sobre mim.
— Você tem um ótimo gosto para namorados, por exemplo — ele respondeu com aquele sorriso convencido e lindo de morrer, antes de colar nossos lábios em um beijo calmo e profundo.
Era um beijo que carregava a nossa história inteira: a cumplicidade do colegial, os segredos divididos na cerca do quintal, a intensidade daquela noite de tempestade e a certeza de um futuro que estávamos construindo dia após dia. Quando nos separamos, ele manteve o rosto bem próximo ao meu, acariciando minha bochecha com o polegar.
De repente, as luzes da sala piscaram uma, duas vezes, e se apagaram por completo, deixando a casa na mais absoluta escuridão, iluminada apenas pelo brilho fraco do luar que passava pela janela da sala.
Soltei uma risada clara no escuro, sem sentir um pingo do medo que eu sentia no passado.
— Um apagão? De novo? — perguntei, estendendo as mãos para achar o rosto dele na penumbra.
Jin soltou aquela risada gostosa dele, o peito chacoalhando contra as minhas costas enquanto ele me apertava ainda mais forte em seus braços, beijando o meu pescoço de um jeito manhoso.
— Sabe... eu acho que o destino realmente gosta da nossa história no escuro — ele sussurrou, a voz carregada de uma malícia divertida. — E já que está tudo apagado e você não pode jogar videogame... o que você acha da gente subir para o quarto e comemorar o nosso aniversário de namoro do jeito certo?
Não precisei responder. Virei-me nos braços dele, selando nossos lábios com urgência e paixão, deixando claro que a minha resposta para ele seria sempre a mesma. Nós tínhamos começado como os melhores amigos de infância, mas tínhamos nos tornado o amor da vida um do outro. E, no final das contas, aquela maldita noite com um filme de terror e um apagão tinha sido o início do nosso "para sempre".
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