Bleach Vs Chaves
3 Sode no Shirayuki vs El grito de la Banshee
A atmosfera está tão densa que Rukia sequer nota o cabelo estranho, as sardas no rosto, a blusa estapafúrdia, e todo aquele conjunto dantesco. Fixa-se somente nos olhos. Aqueles olhos não são de uma menina habituada à comédia. São olhos de uma guerreira.
Mae, Sode no Shirayuki!
Chiquinha vê a zanpakutou de Rukia mudar de forma; de repente a katana se transforma numa linda espada branca, e próximo a ela o ar lembra uma neblina, pouco espessa. Como o momento não comporta longas divagações, ela toma sua postura de luta. Não aquela com a qual estamos habituados: mãos cerradas, girando em frente ao rosto. Desta vez as mãos estão espalmadas, imóveis, ambas à frente do peito, com a esquerda à frente da direita. As pernas ligeiramente flexionadas, com a esquerda à frente também.
Rukia então titubeia. Olha para sua zanpakutou, sem saber porque seu oponente não era Aizen, ou algum daqueles que o seguiam.
Vocês entendem...
Está tudo bem, Rukia. Não hesite, pois eu não hesitarei.
Era tudo o que Rukia precisava ouvir. Imediatamente se lembra do olhar de Ichigo, antes de se virar e voltar para a Vila. Sente que sua resolução volta. Ela poderia não saber o motivo, mas faria o seu melhor. Confiaria em Ichigo, como confiou até ali.
Some no Mai: Tsukishiro!
Chiquinha vê um círculo branco se formar no lugar aonde está, e instintivamente afasta-se, com uma velocidade extraordinária.
Shunpo!? — pensa Rukia — Não... é uma técnica muito veloz, mas não é o shunpo.
Chiquinha não sabe ao certo o que aquele círculo branco no chão fará, mas prefere não se arriscar. Ela precisa de algum tempo. Se conseguir o tempo que precisa, e se algumas condições forem satisfeitas...
Então Chiquinha resolve atacar.
Rukia somente vê uma onda vindo em sua direção, acompanhada de um som estridente e perturbador. Por pouco a onda não lhe acerta. Só então percebe que Chiquinha gritou.
Quando olha novamente para sua adversária, percebendo que ela gritará novamente, rapidamente Rukia diz:
Tsugi no Mai: Hakuren!
Chiquinha vê unicamente uma onda branca vindo em sua direção. Não fosse seu grito, e a onda a teria acertado. O grito deu o tempo necessário para Chiquinha se esquivar. No entanto seu grito não foi forte o suficiente para deter aquele ataque, pois ela ainda está utilizando somente parte de seu poder, na tentativa de compreender melhor o poder de seu adversário. Por pouco esta postura não a leva a receber um ataque que, ao que tudo indica, seria muito perigoso, talvez letal.
Chiquinha decide que deve utilizar uma parcela maior de seu poder; uma postura plausível, considera.
Rukia imediatamente nota que a reiatsu de sua oponente aumenta. Muito. No entanto Rukia também, apesar de ter usado duas de suas melhores técnicas, está usando somente uma parcela de seu poder, para compreender melhor a adversária. E decide tomar a mesma postura de Chiquinha.
Naquela situação, caso um ataque de uma duas atinja a outra, as consequências serão certamente desastrosas.
Dessa vez o grito de Chiquinha não provoca uma onda direcionada à Rukia; mais se assemelha a uma pedra que atinge um lago. As ondas enchem toda casa, e repentinamente Chiquinha faz um movimento com as mãos, como se atingisse um golpe no ar. Aparentemente ela acertou o ar, dado que Rukia está a uma distância considerável, no entanto Rukia sente um forte golpe em seu estômago, como se o tivessem atingido com as costas da mão, mesma postura que Chiquinha está. Rukia ajoelha-se sobre uma perna, mas pode perceber a sombra de Chiquinha se movendo.
Some no Mai: Tsukishiro!
Chiquinha para no momento exato. Ela imaginou que Rukia não se abalaria somente com aquele golpe, por isso quando foi em sua direção atacá-la, não o fez com seu verdadeiro potencial. Fez como quem poderia parar a qualquer instante. E parou.
Rukia percebe, assim como percebe que sua oponente certamente lutara inúmeras vezes, pois é uma adversária muito habilidosa.
Novamente Chiquinha grita, enchendo o quarto com ondas circulares, que emanam dela própria. Ao preparar novamente um golpe em Rukia, ela ouve:
Tsugi no Mai: Hakuren!
Chiquinha desvia-se. Dessa vez o golpe foi mais rápido que o anterior. E seu grito não auxiliou a retardá-lo. Quando olha seu braço esquerdo, percebe que parte dele está congelado, exatamente o braço que estava à frente.
Rukia, por algum motivo, não se sente aliviada. Algo lhe diz que Chiquinha poderia ter se esquivado completamente daquele golpe, mas que não o fez.
Some no Mai: Tsukishiro!
Chiquinha tenta se esquivar, mas o círculo branco forma-se rapidamente. Do chão alvo sobe uma torrente de gelo, atingindo seu pé esquerdo; provavelmente seu braço esquerdo, parcialmente congelado, atrasou seu movimento.
Temo que tenha terminado, Chiquinha.
Sim, Rukia, temo que sim. O gelo de ambas as técnicas é o mesmo, não é?
Como?
Só faltava eu me assegurar disto. Era um movimento arriscado, pois se os gelos fossem distintos, neste momento eu estaria derrotada. No entanto era um risco calculado. Dificilmente você manipularia dois tipos de gelo.
Por algum motivo Rukia sente que não era um blefe. Os olhos de Chiquinha permaneciam confiantes.
Tsugi no Mai: Hakuren!
Chiquinha então grita. Um grito estranho, contínuo, e não exatamente alto como os outros. Como se o grito aos poucos se sintonizasse com algo. Rukia sente sua zanpakutou tremer. E num instante não mais treme; sua zanpakutou se agita de tal forma que começa a se estilhaçar, até que se quebra por completo. E isto acontece antes que Rukia consiga fazer qualquer coisa. Quando olha Chiquinha novamente, ela está intacta; o gelo sumiu.
O gelo entrou em ressonância com o meu grito.
Entendo.
Confesso que estou surpresa; sua zanpakutou se quebrou. Imaginei que afetaria somente o gelo que estava em mim.
Chiquinha fita Rukia com seriedade.
Creio que agora tenha acabado, Rukia.
E indo na direção de Rukia numa velocidade incrível, só pode ouvir Rukia dizer:
San no Mai: Shirafune!
E com a mão sobre o braço de Rukia, ela vê a zanpakutou sendo empunhada novamente. E não só isto, mas a zanpakutou a trespassou.
Rukia puxa a zanpakutou, que perfurou o abdômen de Chiquinha. E prepara-se para dar o golpe final, pois ali não haveria um roteiro que retirasse o sangue de suas mãos, e o depusesse sobre algum personagem ordinário.
Não gostaria de usar isto, Rukia, mas quando vi que seria atingida, só me restava lhe tocar para perceber como é a estrutura do seu corpo, assim como percebi a estrutura do gelo.
Quer dizer? — Rukia sequer teve tempo de pensar no gelo e na sua zanpakutou.
Isso foi um grito? — Renji, diante de Seu Madruga.
Rá! Parece que alguém está gritando! Deve ter começado! — Zaraki.
Tive a impressão de ouvir alguém gritando. — pensa Byakuya.
Lamento, Rukia, mas desta vez foi o seu corpo que entrou em ressonância com o meu grito.
Dizendo isto, Chiquinha deita-se sobre o sofá. O golpe foi mais profundo do que imaginou. É melhor descansar, pois a batalha continuará enquanto houver um shinigami de pé. E ainda restam quatro.
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