Bleach Vs Chaves
1 A estrela das trevas
Aizen fita Ichigo com superioridade. Afinal ele é o vilão. Ele é mau. Muito mau! E sexy (ele acha; eu só escrevo o que passa pela cabeça desses caras malucos que querem destruir o mundo, usam uma mecha de cabelo na frente do rosto, e por aí vai). E antes que Ichigo vença, ele vai espancar cada shinigami que está ali. Um por um. Depois de espancar seus aliados, e matá-los em seguida, pois o anime proíbe o vilão de matar os aliados do protagonista em alguns casos, e no contrato do Bleach consta que Aizen não pode matar os aliados do Ichigo... pelo menos a maioria deles não. Nesse caso ele se diverte matando seus próprios aliados, pois ele é mau, é a encarnação da justiça, e não teve a oportunidade de consultar um psicólogo. Enfim, ele é o cara (ele acha isso)! Mas perderá pro Ichigo. Porquê? Porque alguém, algum infeliz decidiu que o bem sempre vence. Sempre. Por alguma razão eles não aceitam o triunfo do mal. Talvez porque isso roubaria a esperança das pessoas. Talvez porque isso não venderia tanto. Talvez...
Aizen desvia seu olhar de Ichigo, por um breve momento. E vê no céu a estrela negra, a estrela que carrega em si o poder de quebrar os paradigmas de animes, mangás, filmes, jogos, palavras cruzadas (e principalmente palavras cruzadas!), e se lembra de uma lenda antiga, que corre entre os vilões, de que uma vez feita a pergunta proibida para essa estrela, o final previsível poderia ser modificado. Lembra mesmo da ironia com que Bowser lhe falou: se fosse tão fácil, Mário não seria bem sucedido sempre! Seguida da pergunta que assombraria para sempre Aphrodite, fazendo com que ele/ela/sei lá abandonasse o convívio com os vilões e passasse a plantar rosas: que Mário?
Não tinha muito a perder. Mais alguns capítulos e estaria morto. Alguns vilões se regeneram: subalternos do vilão verdadeiro. Para este, não há a possibilidade da regeneração. Não, não. Aquele que encarnou o mal, deve morrer, para que assim o mal morra também, e sejamos todos felizes para sempre. Logo, estava fadado a sucumbir. Alguma coisa aconteceria que forçaria Ichigo a matá-lo; ou ele se mataria; ou alguma conjuntura externa faria com que ele morresse. Certo é que o roteiro é infalível. Mas o roteiro não previu aquela estrela nefasta. A estrela sombria passeava lentamente no céu, aguardando a pergunta escabrosa que poderia mudar o destino de dois heróis.
Aizen, agora olhando Ichigo novamente, conclui que o último não merece a vitória dos clichês e dos scripts. Ele, Aizen, é quem merece triunfar. Porquê? Porque ele é foda. Ele é sinistro. Tudo graças à sua mecha de cabelo, pendendo sobre sua face (como as pessoas se iludem...).
Não havia porque hesitar. Ele era mau, e por isso forte, e a hesitação é sinal de fraqueza. Não titubeou, desviou pela última vez seu olhar de Ichigo, e fez a pergunta proibida (aliás, é fascinante como todos, e realmente todos os vilões sabem a pergunta proibida), com o sorriso sombrio da vitória do mal: ares interrogation?
Por um instante, um breve instante, o tempo parece parar. Todos extáticos. Neste exato instante, outro universo, antes paralelo, passa a se inclinar, diante da força maléfica daquela estrela. E de tal forma se inclina, que passa a interceptar o universo de Bleach, naquele exato instante.
Ichigo não compreende. Num instante estava diante de Aizen, para uma batalha de vida e morte: vida pra ele, e morte pro Aizen. Estava mesmo um pouco enfastiado de quase se transformar completamente em hollow pela trigésima segunda vez. Desta última vez foi por pouco. Mais um milionésimo de segundo, e ele não poderia voltar à sua forma humana novamente. Mas, isso não o amedrontava. Ele é o herói: sempre voltará à sua forma humana. No entanto, voltando ao início desta estrofe, no outro instante ele se via num cenário... estranho. À sua frente uma casa. Distinguia uma porta e uma janela. Ao lado da casa, algo que lembrava um corredor. Compondo o corredor, estava outra casa, na qual só distinguia a porta, e no corredor, uma janela. Ao lado desta última casa, havia uma terceira; porta e janela também. Próximo a essa casa, viu um tanque para lavar roupas, uma escada, e... um barril? Um barril, no meio daquele pátio cinza, que terminava de compor aquele cenário estapafúrdio? Onde estavam todos? Aizen, Rukia, Orihime, e os outros personagens secundários?
Então ele sente uma reiatsu terrível, e a contragosto ele treme diante de uma energia tão poderosa, vinda do barril. Uma sombra, a pouco e pouco, surge do barril. À medida que a sombra ganha forma, a reiatsu passa a ser ainda maior, como se o barril estivesse impedindo a plena manifestação dos poderes do ser que emerge de sua escuridão. Seria aquele barril uma versão muito mais poderosa do tapa-olho do Kenpachi? Então Ichigo vê um gorro surgir do barril, e abaixo desse gorro olhos sombrios, fazendo Ichigo não mais tremer, e sim paralizar, tal o medo que se apossa dele. Então aquela sombra toma forma completamente, assim que aquele menino sai do barril. Sim, um menino.
Chaves não gostava daquilo. Com certa frequência o diretor o chamava para esclarecer alguma coisa. Ele não se importava. O espetáculo era um sucesso, e isso era o importante. Seu Madruga conquistava fãs aos milhões, enquanto a Vila era sempre lembrada com doçura e sorriso por parte das crianças. O que o diretor poderia ainda querer deles? No entanto, era preciso ir. Ele era o diretor. Era quem distribuia as cartas. Era.
Ele estava aflito, e não sabia como contar ao Chaves o que sucederia. No entanto, não poderia se preocupar com eufemismos: cada minuto contava para a sobrevivência ou aniquilação da vila. E decidiu ser direto.
Chaves, um vilão de outro universo fez a pergunta proibida.
Isto é uma lenda, diretor.
Ouça. Não é uma lenda. Neste exato instante este universo se inclina em direção ao nosso. E dois universos não poderão conviver no mesmo espaço. Mesmo que não queiram, vocês terão que lutar para decidir quem ficará com este universo.
Lutar? Não poderemos resolver de outra forma?
Em breve, Chaves, terão essa conversa com o protagonista desse universo de que te falei. E então como será? Assim que souberem que logo um dos dois universos deixarão de existir, e somente um ficará com a Vila, como eles reagirão?
Mas eles são heróis, como nós!
Sim, Chaves, mas são heróis sem scripts, sem roteiros...
Então Chaves cerrou seus punhos. Desde que começaram a gravar na Vila, ele e seus companheiros haviam desistido de lutar. Contudo, não poderiam hesitar naquele momento. Havia muito em jogo.
Eu falarei com os demais.
Não é preciso, Chaves, pois eles ouviram nossa conversa.
Chaves relanceou seus olhos pela sala, e viu o olhar consternado daquelas pessoas que novamente teriam que lutar... e desta vez para proteger a Vila.
Se isto torna as coisas mais fáceis para vocês, considerem que faremos isto pela Vila. Para proteger a Vila. Para que as crianças ainda possam sorrir, e se divertir conosco.
Mas a que custo, Chaves? — Questionou Seu Madruga.
Pela Vila. — Disse Chaves, num tom de tal forma sombrio, que mesmo o diretor recuou um passo.
Seu nome é Ichigo?
O menino enfim se dirigiu a ele.
Quem é você?
Chaves sorriu tristemente, um sorriso quase imperceptível, diante da ignorância que antecedia a tragédia.
Ainda não conversou com seu diretor, não é mesmo?
Porquê?
Vou esperar você conversar com seu diretor, para que então compreenda porque teremos que lutar.
Lutar? Ante a idéia de lutar com alguém que possui uma reiatsu tão imponente, Ichigo novamente treme. Nem mesmo Aizen possui aqueles olhos. Sim, ele está certo de que ele não enfrentará um ser qualquer, tampouco enfrentará um vilão poderoso... ele estava prestes a digladiar... com um herói.
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