Bleach: The Return Of The Nightmare
1 Introdução: Presságios
Notas iniciais
– Onde? Onde eu estou? – Perguntava-se Ichigo, abrindo lentamente os olhos. Levantou-se, aguçou a visão, reconheceu o lugar agora tão familiar. Os prédios altos, a total ausência de vida ou de sons, algumas poucas nuvens brancas dispersas no azul do céu. – Esse lugar... O que eu estou fazendo aqui? – Era seu mundo interior, a morada de Zangetsu. Mas Ichigo não entendia o que estava fazendo ali, muito menos lembrava de como chegara. Estranho, Não via Zangetsu em lugar algum. Onde estaria? Olhou em todas as direções, não o via. Resolveu chamá-lo.
– Osan! Zangetsu-osan! Apareça! — Gritava o jovem de cabelos excentricamente alaranjados. – Droga! Aonde será que ele se meteu? Osaaaan! – Continuava chamando. Andou a passos lentos pelo lugar à procura do companheiro. Seu mundo interior... Sim, lembrava perfeitamente da primeira vez que o visitara. Ichigo sempre achou inusitado aquele local, principalmente a posição como ficavam os prédios em relação ao seu corpo. Não havia chão propriamente dito, e as poucas vezes que ali esteve, seus pés, assim como os de Zangetsu, repousavam sobre as paredes dos edifícios. Tudo aquilo era surreal. Mas hoje, nada mais o surpreendia. Já tinha visto de tudo desde que se tornara shinigami.
Continuou andando e nada encontrou. Aquilo já o estava preocupando. Definitivamente não era normal. Havia algo errado ali. Sentia. O ar misteriosamente começava a pesar, isso, somado a ausência de Zangestu despertou em Ichigo um sentimento de inquietação. De repente, um arrepio subiu-lhe pela espinha. Foi tomado por uma sensação desagradável de estar sendo observado. Olhou atento aos arredores, mas não via nada. Porém aquela sentimento aumentava gradativamente, incomodando-o cada vez mais.
– Zangetsu, é você? — Chamava.
Não obteve resposta. E apesar da aparente tranquilidade, o clima começara a ficar hostil. Após se envolver em tantas batalhas e ter beirado a morte em algumas delas, Ichigo havia aprendido a confiar em seus instintos, e o que eles diziam agora significava que tudo aquilo não era nada bom.
– Quem está aí? Apareça! – Gritou Ichigo, sacando das costas sua espada e a pondo em posição de ataque. Por alguns instantes não se ouviu nada além da respiração descompassada de Ichigo. Nada ali, porém a inquietação só aumentava. Uma angustia acompanhada de medo começavam a perturbá-lo. Um medo que já sentira antes, algo que ele achava ter ficado no passado. Tudo aquilo parecia um dejá vu. O que estava acontecendo afinal? Droga! Precisava de respostas.
Repentinamente, o céu azul deu lugar a nuvens negras, seguidas por um forte tremor. O lugar começava a desmoronar. Os prédios ruindo, pedaços de concreto caiam aos montes. Ichigo não tinha tempo de pensar mais em nada, teria que sair dali de algum jeito, e rápido! Corria sem saber que direção tomar. Não lembrava como chegara ali e agora não sabia como sair. Avistou uma forte luz à sua frente. Não pensou duas vezes e seguiu em sua direção, desaparecendo logo em seguida.
...
– ICHIGO! ICHIGOOOOO!!! – Uma voz familiar chamava pelo rapaz que começava a despertar.
Ichigo abriu vagarosamente os olhos e se deparou com Kon em cima dele, gritando escandalosamente como de costume. – Aha! Finalmente acordou. Você parecia agitado enquanto dormia, então decidi acordá-lo. Vamos, me diga, com o que estava sonhando? – Perguntava o bichinho de pelúcia amarelado. – Espera! Eu já sei. Você estava sonhando com lindas garotas de biquíni na praia, não é Ichigo? Haha! Não seja tímido, admita! – Dizia Kon, enquanto fechava os olhos e começava imaginar perversões.
– Não me compare a você. Não sou nenhum pervertido.
– O QUE?! REPITA ISSO E VOCÊ SERÁ UM HOMEM MORTO, ICHIGO! – Ameaçava Kon. — Eu não sou pervertido. Eu tenho apenas um interesse saudável, só isso.
– É isso que faz de você um pervertido – falou Ichigo, sentando-se à beirada da cama, ainda sonolento.
– Eu avisei, Ichigo! — Kon deu um salto e avançou com tudo contra Ichigo. Bastou um soco. O rapaz acertou a alma modificada, jogando-a contra a parede. – Não enche! – Falou Kurosaki, levantando-se e indo trocar de roupas.
– Você venceu essa, Ichigo! Mas vai ter volta! Ninguém trata Kon-sama assim! Quando eu me encontrar com a Nee-san, vou contar tudo que você faz comigo. Com certeza vai me levar pra morar com ela, e seremos felizes juntos! – Sonhava Kon, com coisas que definitivamente não aconteceriam.
Apesar da constante implicância entre os dois, eles se gostavam, só não admitiam. É como se fossem irmãos. E essas discussões eram mais engraçadas do que sérias, pra falar a verdade. Mas agora Ichigo estava pensativo, lembrando-se do sonho que acabara de ter. Parecia tão real. E apesar de acordado, a inquietação permanecia, causando-lhe certo desconforto. Será que não passava de um mero sonho ou tinha algum significado que ainda não conhecia? Tentou tirar esses pensamentos da cabeça e foi em direção a outro cômodo da casa.
Chegando à cozinha, notou que a mesa do café da manhã já estava pronta, como de hábito. Yuzu sempre acordava cedo e preparava tudo com muito capricho. Ela era muito parecida com a mãe, sem dúvidas.
– Bom dia, Yuzu! Bom dia, Karin! – Cumprimentou as irmãs que estavam sentadas à mesa.
– Bom dia, Onii-chan! – Respondeu Yuzu, com um sorriso de ponta a ponta e olhar sereno.
– Bom dia, Ichi-nii! – Agora foi Karin quem cumprimentou, demonstrando menos empolgação que a irmã, mas esse era o jeito dela, então tudo bem.
Sentou-se à mesa e passou os próximos minutos tomando café da manhã e batendo papo com as irmãs. Só depois, estranhando a calmaria, notou a ausência de Isshin.
– Onde está o papai? – Perguntava enquanto levava um copo de leite à boca.
– Teve que sair cedo. Falou algo sobre ir a um congresso de medicina na cidade – respondeu Karin.
– Entendo. Bem, estou indo, não quero me atrasar para a aula. Cuidem-se vocês duas, ouviram? Se acontecer algo, me liguem. Eu venho o mais rápido que puder – Ichigo deixava evidente o forte instinto de proteção que tinha por sua família.
...
Havia se passado quase dois anos após batalha decisiva contra Aizen Sousuke. O vilão foi julgado e condenado a passar os próximos 20 mil anos trancafiado na 8° prisão subterrânea, Muken. Aonde não representaria mais uma ameaça... à princípio. Kurosaki Ichigo havia recuperado seus poderes shinigamis graças à engenhosidade de Urahara Kisuke e a colaboração de toda Gotei 13. Estava cursando agora o último ano do ensino médio, vivendo tranquilamente em Karakura Town. Os hollows continuavam aparecendo, normal. Mas no geral, eram hollows fracos, e Zennosuke conseguia lidar. Tempos de paz reinaram, tanto no mundo humano quanto na Soul Society. Mas que não durariam muito... Um forte inimigo iria surgir, despertando em Ichigo um medo que estava adormecido. Um pesadelo que voltaria a assombrá-lo, pondo em risco não só a sua vida, como a de todos que mais amava.
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