Bleach - Mysterious Blizzard
1 Shinigami Prodígio?
Notas iniciais
Rodeada de dúvidas mais uma vez, eu não deveria estar surpresa com o que estava me aguardando. As únicas coisas que eu consegui pensar assim que adentrei a Seireitei foram: Por que eu me tornei um membro da Gotei 13 tão rápido? Por que essas aparições estranhas me chamavam tanta atenção? E o mais importante, por que ela me escolheu?
Meu nome é Fuyu Satsuki, não lembro como foi a minha passagem do mundo real para a Soul Society, por isso não me pergunte. Contarei o que é mais importante no momento. Assim que Gyakuryu me chamou eu fiquei confusa, nunca tinha pensado em virar Shinigami antes, muito menos sabia que tinha algum potencial para tal, tirando as pequenas técnicas de Kidou que eu conseguia realizar. O que aconteceu foi, bem...
Morar sozinha na Soul Society é um grande desafio, principalmente em uma casa abandonada, sendo afastada de outras crianças por ser “violenta” demais. Assim que eu morri, fui encontrada por uma Shinigami, a responsável por me enviar para cá há alguns anos atrás. Os detalhes de seu rosto eram vagos quando eu tentava me lembrar, mas sabia que ela possuía cabelos curtos e negros. Lembrava dessas coisas sempre que saía de casa e ia matar o tempo olhando os moradores de Rukongai, ainda com uma pequena esperança de ver alguém conhecido... Perdi essa esperança poucos anos depois de ser enviada.
As noites eram frias, já não conseguia mais dormir. Meu corpo tremia e meus olhos ardiam, deixando-me inquieta. Levantei-me morrendo de raiva e fui para fora, esperando conseguir me ocupar com alguma coisa que fizesse aquilo sumir. Bem, o que aconteceu a seguir não era realmente o que eu esperava. Assim que me afastei da casa, uma grande luz branca e azul me cercou acompanhada de uma forte ventania, quase causando um furacão. Não conseguia me mexer, o vento prendia-me facilmente naquele lugar, tudo o que pude fazer foi observar enquanto uma enorme aura na forma de um lobo surgia da luz, com pelos brancos e olhos dourados. Uma coleira de gelo estava em seu pescoço, e a corrente que dela pendia parecia ter sido quebrada. O grande lobo (Ou deveria dizer, loba) bateu com a pata no chão e uivou, deixando-me meio desnorteada.
– Satsuki – disse ela, sua voz era tão calma e sussurrante misturando-se ao vento que mal podia ouvir.
– O que é? – gritei na esperança de que ela pudesse me ouvir – quem é você?
– Você pode me ouvir – ela tentou se aproximar, mas parecia ser puxada para trás – Sua mente é confusa demais, finalmente lhe encontrei.
– Eu não... Não consigo ouvir direito! – falei, tentando ignorar o frio.
– Eu sou Gyakuryu – ela piscou os grandes olhos dourados – você tem uma missão a cumprir, erga-se antes que seja tarde para nós. Mostre que é digna para que eu possa lhe seguir. Confie em mim para que eu possa confiar em você, concentre-se na minha voz.
E como se aquilo nunca tivesse acontecido, a luz se desfez levando junto a grande loba branca, deixando apenas o frio. Quando tudo ficou escuro novamente eu consegui abrir os olhos, estava sentada em minha cama ainda tremendo, com a voz da grande loba ecoando em meus ouvidos.
“Mostre que é digna para que eu possa lhe seguir. Confie em mim para que eu possa confiar em você, concentre-se na minha voz.” Ela dissera.
Olhei para as minhas mãos, eu segurava uma espada aparentemente simples com uma pequena corrente na empunhadura. Então era verdade, mas como? Aquela espada estava ali havia muito tempo, desde o dia em que eu encontrei aquela casa. Isso significava que ela sempre esteve comigo, mas nunca conseguiu fazer-me ouvir sua voz?
Levantei, dessa vez completamente desperta e corri para fora. Para onde eu tinha que ir? Eu sabia da existência da academia para Shinigamis, não era muito longe dali, mas eu não sabia onde realmente ficava. Coloquei a espada nas costas e comecei a andar, não sabia o que estava fazendo e nem para onde estava indo, mas não tinha nada a perder. Nem havia me afastado tanto da casa quando senti alguém se aproximar, a pessoa me chamou pouco depois de eu ter parado.
– Oi!- chamou. Eu me virei e vi um Shinigami, parecia ser um capitão, pela sua vestimenta. Seus cabelos eram prateados e os olhos verde turquesa. Parecia um pouco mais velho, mas tinha mais ou menos a minha altura. Eu já havia ouvido falar sobre ele em Rukongai, por isso não demorou muito para que eu o reconhecesse.
– Senhor capitão do décimo esquadrão – disse eu – Toushiro Hitsugaya?
– Então me conhece. Senti sua reiatsu quando estava voltando do mundo real, desculpe-me a intrusão, mas não é normal ver um espírito carregando uma Zanpakutou por aqui. Está procurando a academia, eu presumo.
– Sim – assenti e olhei para o lado – pode me ajudar? Eu ainda não conheço muito bem esse lugar, não sei como me alistar na academia Shinigami e nem sei onde fica, realmente.
Hitsugaya cruzou os braços. –Tudo bem, ela fica na Seireitei. Vou lhe mostrar o caminho – ele se aproximou – se eu demorar um pouco para te ajudar ninguém vai notar.
– Eu vou notar!
Reconheci a figura, era Matsumoto Rangiku, tenente do décimo esquadrão. Que ironia eu conhecer metade da Gotei 13, mas não conseguir achar um simples caminho, não? Matsumoto se aproximou e bagunçou ainda mais o meu cabelo.
–Quem é essa, capitão? – perguntou ela.
– Ela estava procurando a academia para Shinigamis – respondeu Hitsugaya – Não perguntei o seu nome.
– Satsuki Fuyu – disse eu.
– Haha, mas que gracinha. – Matsumoto começou a me fazer cócegas, tive de me segurar para não rir.
Hitsugaya colocou a mão no rosto. –Matsumoto, ela mal se inicia como Shinigami e já é atacada por você? E você está vermelha! Andou bebendo fora de hora novamente?
– Eeh... Uma garrafa ou duas – ela agitou as mãos como se dissesse “isso não é nada” – Até porque o estoque que eu escondia no seu escritório acabou.
– De novo no meu escritório?!
Eu os observava paciente, eram bem divertidos mesmo quando Hitsugaya queria lhe dar uma bronca. Finalmente, Matsumoto me deu um tapinha no ombro.
– Muito bem, Satsuki – falou ela – vou levá-la até a academia, quem sabe não se forma bem rápido e se junta a nós na Seireitei?
– Sim, é claro! – lancei-lhe um pequeno sorriso, depois encarei a empunhadura de Gyakuryu. Meu sangue gelou automaticamente, apertei a empunhadura e prometi naquele momento que seguiria em frente como ela havia pedido.
“Não vou deixá-la na mão, Gyakuryu... Você me chamou por algum motivo, quero descobrir porquê.”
Tirando-me de meus devaneios uma garota de cabelos marrons e pele morena, usando um kimono de shinigami praticamente pulou em cima de Matsumoto, quase fazendo a mesma cair no chão.
– Rangiku-saaan! – ela gritou e depois se voltou para mim ignorando completamente o antigo assunto que (pelo menos eu acreditava) tinha para tratar com Matsumoto – Ah, oi! Você já deve me conhecer, não é?
– Uh... Não, eu não te conheço. – respondi meio desinteressada – Acho que nunca te vi fora dos muros da Seireit-
– Como assim?! – ela gelou com um sorriso no rosto – C-como pode não me conhecer? Eu sou Yuka, da sétima divisão!
– Ah, foi mal... Não te conheço mesmo.
– Céus, o que você está fazendo aqui? Nem é do meu esquadrão! – Hitsugaya cruzou os braços.
– Eu vim depois da Rangiku-san, achei que ela fosse precisar de ajuda. – Yuka se encolheu.
– Que seja, eu já estou voltando — Hitsugaya se voltou para Matsumoto – explique tudo para ela e leve-a até o Shinōreijutsuin. Não está muito tarde, então certamente não irão implicar com a entrada dela na Seireitei.
– Está tudo bem, capitão – Matsumoto colocou as mãos na cintura – Certo, Satsuki, vamos andar um pouco?
– Certo! Lancei um olhar agradecido para Hitsugaya, que acenou de volta para mim, assim tomando seu caminho de volta para a Seireitei.
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