Bleach - Mysterious Blizzard
3 O Primeiro dia
Notas iniciais
Ou eu tive muita sorte, ou o nervosismo agiu por mim. Levantei antes da hora e logo comecei a pensar em como seria quando eu chegasse lá, para onde deveria ir e etc. Não estava com vontade de ser observada pelos outros Shinigamis, ainda mais sabendo que a escola era na Seireitei. Eu sabia que seria avaliada e então enviada para algum esquadrão e não tinha escolha, teria que tentar de qualquer jeito.
Consegui me arrumar bem rápido, não sabia se deveria ou não levar a Zanpakutou para a academia, mas em todo o caso resolvi que seria bom tê-la por perto, arrumei-a na bainha e saí. Não demorou muito para que eu chegasse à academia, assim que entrei fui conferir o meu nome na lista de classe, então desviei da multidão que a princípio não esperava encontrar e fui para a minha formação, quando um homem que parecia ser um dos professores nos informou que o tempo preciso para a conclusão dos ensinos havia sido modificado, mas não deu muitos detalhes. Quando ele terminou de falar, fui designada para uma sala junto com os outros alunos que estavam comigo, alguns pareciam bem animados enquanto outros pareciam estar com medo, o que era normal, eu também não sabia como conseguia me manter tão tranquila daquele jeito.
Logo na primeira lição, coisas estranhas aconteceram, não usei nada mais nada menos que a minha força e a pouca habilidade que tinha. Pouco depois de ter encontrado aquela casa abandonada eu achei uma espada fincada no chão próxima a uma arvore que havia na frente da casa e comecei a treinar com ela, para caso precisasse me defender algum dia. Aquilo pareceu ter sido o suficiente para que eu me saísse bem na aula... Ou pelo menos no início dela. A única pessoa que conseguiu me derrubar foi o professor, mas ele não parecia muito impressionado, talvez porque quase todos os alunos presentes não tinham muita habilidade com a espada. Mesmo assim não acreditei que tinha posto ao chão todos os alunos daquela modalidade. Durante o treinamento eu fiquei procurando por Matsumoto, mas não consegui encontrá-la, o que me fez pensar que ela deveria estar muito ocupada. Na verdade eu nem me incomodava muito com a presença dos tenentes, o meu maior medo era o julgamento dos capitães.
O professor fez algumas demonstrações e depois mandou que eu me aproximasse, sua ideia era: Ele colocaria todos os alunos contra mim, para testar a minha habilidade com a espada. Depois ele aplicaria a mesma lição aos outros, e de certa forma aquilo me deixou bem animada.
O primeiro a tentar me enfrentar foi um aluno chamado Daisuke Akira, tinha cabelos negros e olhos castanhos, parecia bem confiante. Como eu já esperava não poderia usar a minha Zanpakutou, o professor nos entregou espadas de madeira para que não feríssemos gravemente algum aluno, o que me deixou tranquila, pois às vezes não conseguia controlar minha força.
Akira investiu contra mim e tentou me golpear na cabeça, agachei e simplesmente empurrei-o com a espada, derrubando-o. Logo, mais um aluno chegou de surpresa e tentou me atingir, mas sua espada colidiu com a minha, desviei de mais um de seus golpes e contra-ataquei, mas ele foi um pouco mais ágil e desviou, tentou me atingir diretamente inúmeras vezes, mas eu o bloqueei rapidamente e o atirei ao chão usando toda a força que podia. O terceiro aluno que investiu contra mim acabou me chamando bastante atenção, possuía cabelos negros azulados e olhos negros, seu olhar o fazia parecer muito sério. Foi um tanto difícil derrubá-lo, mas consegui, e não demorou muito me vi rodeada por alunos jogados ao chão, o professor me observava dessa vez satisfeito e, para a minha surpresa, Matsumoto estava ao lado dele. Fiquei feliz com a conquista, mas sabia que comparada às outras aulas aquela não significaria quase nada, eu ainda tinha muito o que aprender (E de acordo com o que o professor falou na cerimônia de iniciação dos novos alunos, teríamos muito pouco tempo para provarmos nosso valor).
Depois que todos os alunos se levantaram o professor se aproximou. – Muito bem, o que acha de me enfrentar agora? – perguntou ele, enquanto retirava sua espada de treino da bainha.
– Quer dizer qu-
– Jamais baixe a guarda – interrompeu-me e iniciou a luta.
Seus golpes eram rápidos demais, eu ainda não conseguia acompanhá-lo. Tentei me esquivar da melhor maneira possível até que ele finalmente conseguiu provocar com pequeno corte na minha bochecha, tentei me concentrar e contra-ataquei, ele bloqueou e nossas espadas encontraram-se em um ‘X’. Definitivamente ele era mais forte que eu, perdi a força nos braços e vacilei, acabando por ter a espada arrancada das mãos.
Agora a espada de treino do professor encontrava-se bem perto da minha garganta. – Você tem habilidade, mas ainda precisa trabalhá-la bastante – ele entrou em posição de ataque – melhore seus reflexos, nós não estamos dançando!
Recuperei a espada e me preparei, dei uma rápida olhada e vi que todos os alunos estavam nos observando, eu precisava mostrar do que realmente era capaz. – Certo!
Ele me atacou, sua idéia era me atingir da barriga, mas eu defendi e investi contra ele, tentei empurrá-lo, mas ele conseguiu manter-se firme no chão. Ele tentou acertar meus pés, mas eu saltei bem na hora e usei seus ombros como apoio, indo parar bem atrás dele. Tentei atingi-lo nas costas, porém ele se virou rapidamente e defendeu, fazendo nossas espadas formarem uma cruz. Diminui a força nos punhos e desviei-me no exato momento em que ele tentou me atingir, provavelmente pensando em usar o meu “descuido” para derrotar-me novamente, mas eu fui mais esperta. Joguei-me para o lado quando ele se aproximou, desviei-me do corte de sua espada e acertei seu ombro, causando um pequeno rasgo em seu kimono.
– Vamos, garota – disse ele – ainda não é suficiente!
O professor investiu contra mim novamente e tentou acertar meu rosto, mas eu agachei, deixando a espada atingir apenas o meu cabelo. Levantei-me rapidamente e usei toda a minha força para empurrá-lo, o qual acabou cedendo e caiu. Observei-o se recompor, e antes de ajudá-lo a se levantar, disse: — Se estivéssemos em uma batalha de verdade, aquele seria o momento perfeito para ferir gravemente o inimigo – eu estendi a mão para ele – com a espada normal, só causaria um ferimento, mas utilizando as técnicas desenvolvidas ao longo dos treinamentos, poderia ser um golpe mortal.
O professor conseguiu dar uma pequena risada. – Certo nada mal, garota – ele segurou minha mão, levantou-se e arrumou o kimono que parecia estar amassado, depois se voltou para os outros alunos – Iremos repetir esta aula até que todos aprendam tudo o que puderem sobre a luta com as espadas. Estejam preparados!
“Sim, senhor!” responderam os alunos.
O professor me cumprimentou e então nos dispensou. Naquele momento eu me lembrei de Matsumoto, não me lembrava de tê-la visto desde o início da luta contra o professor, calculei que tivesse de voltar ao trabalho ou algo assim, e por isso saiu sem dizer nada.
Concentrei-me, a próxima aula era a de Kidou, e eu estava bem mais ansiosa agora, pois queria ver do que era capaz. Saímos da sala e nos deparamos com outro homem, esse carregava alguns livros, tinha cabelos compridos presos para trás e usava óculos. Ele nos guiou até uma grande arena onde podíamos ver alguns alvos, e de acordo com a aparência era lá que estudaríamos as técnicas de kidou.
O professor mandou que os alunos se sentassem em grupos, e quando todos estavam em seus devidos lugares, ele parou diante de nós. – Olá a todos, eu serei seu professor de Kidous, Nanaba Yousuke, irei ensinar as noções básicas de qualquer kidou, desde os mais simples até os mais avançados, bem como algumas dessas técnicas – ele abriu um dos livros que segurava e continuou – Para começar, vocês devem concentrar sua energia espiritual, logo depois, tudo se resume a criar um círculo em seu coração escurecendo e reforçando a cor, depois imaginem-se mergulhando nele. Esta é a imagem básica de qualquer kidou.
Ele entregou um livro a cada um de nós. – Agora, poremos em prática o que entenderam. Faremos as demonstrações e depois nos aprofundaremos nas técnicas. Leiam, escolham algum para começar e aguardem até que sejam chamados para trabalhar o que aprenderam, entendido?
“Certo!” respondemos em uníssono.
Eu abri o livro e comecei a ler sobre os kidous, não demorou muito para que um deles me chamasse atenção, mesmo que parecesse bem complicado para alguém que estava apenas começando. Era o Hadou n4, comecei a ler sobre ele e aprender da melhor forma possível enquanto esperava pela minha vez de ir para a demonstração.
Depois de um tempo o professor finalmente me chamou, levantei-me, fui até o centro da arena e posicionei-me de frente para um dos alvos. Fechei os olhos e tentei concentrar a minha reiatsu, comecei a imaginar o circulo e então pude-me ver mergulhando na escuridão, finalmente apontei o dedo indicador para o alvo, mas quando tentei pronunciar as palavras acabei me atrapalhando, assim abri os olhos.
– Tente novamente – disse o professor em um tom quase rígido – concentre sua força espiritual em apenas um ponto, então pronuncie as palavras certas quando estiver pronta.
Repeti tudo passo a passo, concentrei-me, me vi mais uma vez naquele circulo negro mergulhando na escuridão. Senti minha reiatsu corresponder aos meus comandos, apontei o dedo indicador para o alvo e disse: — Hadou n4, Byakurai!
Desta vez um raio branco atingiu o alvo em cheio, destruindo-o.
O professor me olhou satisfeito, cruzou os braços e se voltou para os outros alunos. – Assim que concluirmos nossa aula eu irei liberar a arena para que treinem sozinhos por algum tempo, entendido? Ficarei aqui para lhes dar auxilio caso precisem, então não hesitem em mostrar sua habilidade!
Os alunos pareceram ter gostado da idéia. Então definitivamente eles estavam correndo com o aprendizado dos alunos mais avançados, os novatos com poderes espirituais mais desenvolvidos... Mas por quê? Diria que não ficaríamos ali por mais de um ano se as coisas funcionassem do jeito que eu planejava, e acreditem, eu faria de tudo para ser aceita em uma das divisões da Gotei 13 o mais rápido possível.
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