Notas iniciais
[Atenção]
Talvez eu demore um pouco para postar os próximos capítulos de Bleach (Não significa que estou dando um tempo ou abandonando a fanfic, só vou demorar um pouquinho) pois eu preciso de tempo para me dedicar a outras fanfics também e ultimamente eu só estou usando meu tempo para escrever Bleach, por isso peço que tenham um pouco de paciência ^^
Obrigada, boa leitura.

Atravessamos o Dangai seguidos por nossas Zanpakutous. Hyourinmaru estava tranqüilo como sempre, Gyakuryu mais séria que o normal e Senbonzakura, a zanpakutou do capitão Byakuya, parecia simplesmente não se importar com presença alguma a não ser a de seu dono. Saímos do portal em Karakura onde tudo parecia normal... Mas só parecia mesmo, assim que dei o primeiro passo, pude sentir um reiatsu muito forte na área, calculei que os outros também sentiram e então olhei para trás, Hitsugaya assentiu para mim e então nós continuamos. O Reiatsu vinha de vários lugares diferentes e eu já estava ficando confusa, mesmo assim não nos separamos, queríamos saber o que era, mas sempre que chegávamos a determinado local, ele mudava de lugar. Finalmente ao virar uma rua avistamos cinco Hollows, e para o meu azar, todos eram Grand Fishers.

-Isso de fato é estranho – Comentou Hitsugaya – Então é essa a espécie que você relatou não foi, Satsuki?

-Sim... – Retirei a espada da bainha e olhei para Gyakuryu que chegou mais perto de mim – Mas não tinha visto tantos em um lugar só...

-Que seja – Disse o capitão Byakuya calmamente – Vamos terminar logo isso. Pelos meus cálculos esse não é o único problema com o qual teremos de lidar aqui.

-Ora vejam! – Um dos hollows nos avistou – Comida.

Os outros riram.

- Hey, deixe a mulher para mim! – Disse outro.

- Nem pensar, seu idiota. – Respondeu.

Hitsugaya e Byakuya já estavam preparados para avançar, mas meu real desejo era voltar para o Seireitei... Eu queria ficar longe daquelas criaturas, os Grand Fisher. Desde aquele curto diálogo quando tive que enviar Mayu e Mafuyu para a Soul Society... Eu poderia tê-lo deixado falar, mas tive medo do que iria escutar. “Seu pai” ele ia me dizer algo sobre o meu pai, mas como ele o conhecia? Meu pai em momento algum fora atacado por um hollow, ele provavelmente enxergou isso em mim, como se lesse meu passado de alguma forma... Desde aquele dia eu tive mais raiva, tive mais vontade de avançar, mas também tive medo. Tentei não pensar mais naquilo, até porque eu não teria tempo para colocar as idéias no lugar, eles estavam nos atacando. Tivemos uma boa sincronia, os hollows podiam ser muito fortes, mas não duraram muito perto de nós, pois pelos ataques rápidos, eles quase não tinham tempo de revidar. Achei que tudo estivesse terminado, mas um dos hollows me chamou a atenção, o que estava disposto a me disputar com o aliado, ele fez com que eu me afastasse dos outros que ainda lutavam, sendo seguida apenas por minha Zanpakutou, finalmente, parei perto a um pequeno parque onde perdi a presença dele.

-Mestra... – Avisou-me Gyakuryu – Está vindo!

Meus reflexos eram ótimos então não tive dificuldade para desviar de seu primeiro ataque, a cada vez que eu o fitava, ele ria. Eu estava bem longe dos outros o enfrentando sozinha, o que de certa forma eu achava ser melhor, apontei a espada em sua direção enquanto Gyakuryu postava-se ao meu lado como se nada estivesse acontecendo.

- Duas mulheres! Estou com sorte! - Disse o hollow.

- Desculpe – Liberei a forma de minha espada – mas eu to meio atrasada.

Investi contra ele em uma tentativa inútil de cortar sua mascara de primeira, ele desviou e tentou me acertar com a garra, defendi com a espada, mas ele usou seu pelo como arma e tentou perfurar meu ombro, agachei rapidamente antes que isso pudesse acontecer e então saltei para trás tomando distancia. Gyakuryu havia removido a espada de sua bainha e aguardava tranquilamente por ordens minhas. O Grand Fisher ondulou seu pelo e os transformou novamente, desta vez tentou atingir nós duas de uma só vez, mas conseguimos desviar a tempo. Acenei com a cabeça para Gyakuryu que entendendo meu recado, investiu contra ele junto a mim. O meu plano era bem simples: Atingiríamos o hollow com o “Tamashi o Kurosu” por ambos os ângulos, assim ele não teria chances de fugir e provavelmente com apenas mais um ataque, morreria. Colocamos o plano em prática. Saltei para a cabeça do hollow desviando de seu pelo que crescia tentando me atingir, ela conseguiu prender minha perna, mas cortei-a com a lâmina da espada antes que ele pudesse me atrapalhar. Apoiei-me em suas costas e saltei para trás do mesmo, então esperei Gyakuryu agir. Assim que o hollow virou pude ver melhor o que acontecia, infelizmente o hollow não esqueceu sua presença e enquanto tentava me atacar com suas garras, ele procurava também tentar atingir Gyakuryu que parecia tão perturbada quanto eu. Vendo que o plano não daria certo, ela saltou e fincou a espada em seu braço depois tomou distancia e olhou para mim a procura de uma solução. Em minha diagonal pude ver alguém se aproximar, eram os capitães.

Vi Hitsugaya prestes a desembainhar a espada.

-Não venha! – Alarmei – Essa luta é minha.

-Isso não é hora para ser heróica.

-E não é minha intenção ser. – Nesse momento, o hollow tentou me atingir com suas garras, saltei para o lado e lancei um olhar intimidador para Hitsugaya – Se preciso vão à frente, mas não interfira!

Ele pareceu incomodado, ameaçou sair de seu lugar, mas Byakuya o impediu segurando seu ombro.

- Você a ouviu... Deixe-a – Ouvi-o disser – Não se deve interferir na batalha de alguém, principalmente se for para defender o orgulho. Vá se quiser, mas é um conselho meu. – Byakuya se virou para ir embora com Senbonzakura. – Irei à frente para garantir que nada dê errado.

Hitsugaya o olhou se afastar por um momento e então se voltou para mim novamente.

-Teimosa...

-Já lhe disse, é quase um dom!

Voltei-me para o hollow que parecia sorrir para mim, saltei em sua direção e tentei mais uma vez cortar sua máscara. Ele desviou, e de trás de mim Gyakuryu surgiu.

-Hyosho! – Gyakuryu cortou o vento com a lâmina da espada e grandes espinhos de gelo foram lançados em direção ao hollow.

Desviando-se, ele fez o pelo crescer e engolir toda a nossa visão olhei para o lado com o tempo que me restava e vi Hitsugaya segurar novamente a empunhadura de sua espada, mas logo a soltou. Não deixei o hollow nós prendesse, Gyakuryu e eu nos distanciamos e cortamos o pelo antes que ele pudesse nos engolir por completo, finalmente tomei distancia e saltei novamente para sua mascara.

-Acabou maldito! –gritei e ergui e espada prestes a cortar sua mascara ao meio.

Gostaria de poder dizer que tudo acabou por aí, mas então veio a pior parte... Ele pulou para trás e jogou para frente, a barbatana que tinha em sua testa, colocou sua garra na frente do rosto do fantoche e quando retirou... O que vi foi horrível. Eu tive raiva, medo, um monte de sentimentos negativos ao mesmo tempo tomou conta de mim e de repente eu não conseguia me mexer. No lugar do fantoche estava agora, a figura de um homem, cabelos negros e olhos castanhos, o homem me olhou com uma expressão de medo e então abriu a boca para falar.

-Satsuki... Por que está me olhando desse jeito? – Sua voz era vaga para mim, eu sabia que já a tinha escutado, mas não lembrava onde – Abaixe essa espada.

Eu podia sentir o hollow se aproximando, mas não conseguia tirar meus olhos daquela figura... Eu sabia quem era, mas não conseguia me lembrar e a angustia crescia cada vez mais em que ele se aproximava, ouvia alguém gritar meu nome, mas não conseguia parar para ouvir, eu apenas conseguia olhar.

-O que... – Tentei dizer, mas o homem me interrompeu ao ficar de cara a cara comigo.

-Satsuki, por favor. – Disse – Você não vai machucar... O seu pai, ou vai?

Foi como se tudo ao meu redor se congelasse, eu não conseguia me mexer e nem falar nada... Era ele, era a figura do meu pai! Fiquei mais angustiada por finalmente lembrar-me de sua aparência. Fazia tanto tempo, eu não lembrava como ele era não lembrava como ninguém era... Todas as minhas lembranças foram apagadas no momento em que fiz a minha passagem, mas agora... Não! Não era o meu pai! Eu não podia deixar que aquela criatura usasse a imagem dele para me vencer, eu não podia deixar aquela criatura se aproveitar de minha maior fraqueza e de minhas vagas memórias. Voltei a mim no momento em que seria atingida por sua garra que parecia uma grande pata de passarinho, bloqueei-o e afastei com um chute a barbatana onde estava a imagem de meu pai.

-Isso doeu, Satsuki... Por que você machucou o papai?

Ignorei-o. Então tudo ficou escuro, vi a mascara do Grand Fisher algumas vezes e desviei de vários de seus ataques, sua risada me dava mais ânimo ainda para matá-lo, mas sempre que eu avançava, era impedida pelo mesmo. Quando finalmente ele cessou seus truques, pude ver que estava mais afastada ainda, a luta já se tornava mais complicada para mim e se não fosse pela companhia de Gyakuryu provavelmente eu estaria acabada. O hollow lançou-se em minha direção e tentou me agarrar usando seu pelo, mas eu desviei e consegui subir em seu braço, seria a minha chance de cortar sua mascara se a figura de meu pai não tivesse me atrapalhado. Sempre que era obrigada a olhar para ele, eu travava, mesmo sabendo que não era ele ali... Eu não conseguia machucá-lo. Afastei-o novamente e mudei de posição. O hollow aproveitou a chance para agarrar minha perna e me atirar longe.

-Mestra! – Gritou Gyakuryu.

-Não me atrapalhe! – Disse o hollow voltando-se para ela. Ele tentou atingi-la na barriga usando suas garras, mas a mesma saltou e desferiu um golpe em sua barriga, ele protestou com um rosnado de raiva e continuou a atacá-la.

Levantei-me rapidamente e investi contra ele, desta vez estava decidida a pará-lo. Aproveitei a distração que Gyakuryu estava causando e tentei fincar a lâmina de minha espada em suas costas, mas ao invés disso eu atingi...

-Querida... – Agora a figura de meu pai tinha os olhos arregalados e uma expressão de dor – Por quê? Por que você fez isso?

Ergui-me para olhar meu pai nos olhos, ele chorava e sangue escorria de sua boca, quando retirei minha espada de sua barriga e olhei de volta para o hollow, infelizmente meu raciocínio foi lento de mais. As garras do dele cresceram e se fincaram em meus ombros e na região perto do meu pescoço, perdi o ar por alguns segundos e vi o rosto de meu pai sorrindo para mim.

-Por que, Satsuki?

-Ei, maldito! – Soou uma voz perto de mim – Seu joguinho acaba aqui!

Gyakuryu cortou as garras fincadas em mim e observou-me caindo de joelhos no chão, derrotada... Eu me senti um lixo. Em um movimento rápido, vi Gyakuryu decepar a barbatana do Grand Fisher e segurar seu pelo que se espalhou por suas garras, ela rosnou e se deixou engolir pelo ataque do hollow, não demorou muito para vê-la destruir as garras dele e cortar fora o seu braço. Por fim, enquanto o mesmo gritava de dor, ela saltou e desferiu um único golpe em sua mascara.

-NÃO! MULHER MALDITA! – Gritou inutilmente enquanto se esvaia em cinzas... Então finalmente estava terminado.

-Satsuki! – Hitsugaya veio correndo em minha direção – Idiota! Você poderia ter morrido... O que diabos aconteceu?! – Ele se ajoelhou ao meu lado.

Eu queria respondê-lo, mas impedi a mim mesma. Gyakuryu se voltou para mim e me olhou apreensiva... Ela viu tudo o que eu vi, ela com certeza sentiu o meu desespero... Por que aquilo estava acontecendo comigo? Por que estava tendo tantas lembranças em um momento como aquele? Eu me xinguei mentalmente, mal conseguia me mexer. Por fim senti uma tontura muito forte e desabei no chão, depois daquilo, lembro-me apenas de Gyakuryu chamando meu nome.

Eu estava mais tranqüila, quase não sentia a dor de meus ferimentos. Sonhei com algo estranho, sonhei com o dia de minha morte. Eu não conseguia ver o meu rosto e nem o rosto de meu pai, foi tudo muito rápido, vi meu pai ser atingido por algo e logo depois me vi fugindo, eu estava chorando e não demorou muito para que eu fosse atingida. O sonho mudou, eu estava deitada num lugar escuro e abaixo de mim, terra. Ouvi uma voz rouca me chamar e então vi uma mão sendo oferecida a mim como ajuda para levantar.

Seja bem-vinda” disse a voz, e antes que eu pudesse ver o rosto da pessoa que estava me ajudando, acordei com alguém me sacudindo.

-Vamos acorde, Fuyu! – Hitsugaya sacudia meus ombros enquanto ainda estava sentada no chão desnorteada – O que vou dizer ao Ukitake se você morrer agora?

-Eu não vou morrer Toushiro! – Olhei-o meio frustrada – Foi apenas um deslize, eu já enfrentei um daqueles filhos da puta antes.

-Então o que aconteceu, afinal?

De fato, o que ocorreu? Depois de meus pesadelos eu não conseguia lembrar mais nada.

-Eu... – Coloquei a mão na cabeça – Eu realmente não...

-Ele a enganou usando a imagem de seu pai. – Ouvi a voz de Gyakuryu vinda da minha diagonal – Acho que sabe, é um dos truques dos Grand Fisher.

-Sim... – disse Hitsugaya — Havia apenas um Grand Fisher conhecido, e ele enganou os Shinigamis durante cinqüenta e quatro anos.

-E agora a sua raça está de volta. – Conclui – Talvez eles estivessem escondidos até agora por medo, mas quando surgiu à oportunidade eles vieram para cá.

-Oportunidade?

-Sim... Ah, bem, eu devo estar viajando! – Levantei-me como se nada tivesse acontecido – Já terminamos aqui, desculpe fazer esperar.

-Não tem problema – Hitsugaya se levantou também – O Kuchiki me contatou e disse que a grande quantidade de reiatsu diminuiu, mais nada aconteceu. Acho que podemos ir agora.

Encarei-o com uma expressão séria no rosto – Ficou louco? Não nos enviaram aqui apenas para matar estes hollows!

-Na verdade não TE enviaram aqui...

-Que seja, acha mesmo que era só para isso? Se fosse assim teriam deixado tudo nas mãos de Rukia ou de Ichigo.

-Sim, mas não á indícios de batalhas ou mortes...

-Desculpe interromper, mestre... – Hyourinmaru se aproximou de nós – Mas ela tem razão, não seria melhor ficar um pouco mais por aqui?

Hitsugaya me olhou entediado – Tudo bem, mas não vamos nos demorar muito. O Kuchiki já deve estar fazendo o seu caminho de volta e eu não quero nem ver quando você chegar lá, Satsuki.

-O que? Por quê?

-Nem mesmo a Matsumoto burla tanto as regras quanto você!

-Ei, ei! Eu não burlo as regras!

Ele limpou a garganta – “Eu vou com você” Você disse “Não vão dar por minha falta” Você disse...

-Ok, mas isso não significa que eu seja irresponsável.

-Ah, claro que não...

-Ah, fica frio aí! – Fiquei de costas para ele e cruzei os braços.

-Não sei por que ainda te levo a sério. Veja só como fala comigo... – Ele pareceu irritado.

-É você quem pede por isso. – Joguei meu corpo para trás como que formando uma ponte e o encarei com um pequeno sorriso torto – Toushiro.

-Você é muito chata, sinceramente. – Ele saiu andando deixando-me para trás, logo Hyourinmaru o seguiu.

Arrumei a postura e corri atrás dele junto com Gyakuryu.

-Ta, foi mal. Acredite capitão, eu não sou sempre assim.

-Acredito...

-É sério. – guardei a espada, que ainda segurava, na bainha – É que... Não sei explicar. Quando estou frustrada com algo tento espantar a frustração de ambos os jeitos: Ignorando-a ou cobrindo-a com coisas alheias, como irritar você.

-E com o que você está frustrada? – Ele se voltou para mim, interessado.

-Vai saber...

Fizemos nosso caminho, andamos bastante por Karakura, passamos pela escola, pelo parque e nada, até mesmo eu já estava desistindo. Mas então quando finalmente estávamos prontos para voltar, senti-me paralisar por um momento e um estrondo sacudiu a área, o clima estava mais pesado que o normal, foi quando o que eu disse se concretizou, não estava terminado.

-Esse reiatsu...

-No final das contas, eu e Hyourinmaru tínhamos razão. Melhor irmos.

-Certo.

Agora que estava lúcida conseguia me lembrar do combate anterior, e sinceramente eu gostaria de tê-lo esquecido. A recompensa era que agora nada mais poderia me ferir... Foi por isso que matei aquele Grand Fisher com tanta facilidade, ele já não tinha mais como me enganar com seu truque, mas sabia de minha história, e esse de alguma forma também sabia, mas teve mais chances para me atingir. Eu iria descobrir o porquê e como eles sabiam sobre mim, e com certeza... Eu não ia ter pena.