Bleach: Darkness of the Past
13 Entre a Vida e a Morte
Notas iniciais
Madelline se esforçava para curar sua mestra que estava gravemente ferida. Suas folhas cobriam toda a extensão do ferimento, que novamente voltou a se fechar, permitindo que Hisana mesmo desacordada, soltasse um leve suspiro de alívio. Toda a tensão que a dor lhe causava ia embora lentamente.
Unohana correu até o corpo de Kaien, que estava deitado de bruços no chão. Se ajoelhou perto dele e lhe tocou a lateral do pescoço, vendo se o mesmo estava vivo. Suspirou de alívio ao constatar que havia pulsação, embora fosse quase imperceptível. Sua tenente ajoelhou-se ao seu lado, impressionada com a quantidade de sangue no corpo de Kaien, se perguntava como ele ainda podia estar vivo.
—Taichou?
—Sim?
—Não seria melhor virá-lo?
—Não. Ele pode ter quebrado muitos ossos, isso poderia matá-lo. Preciso curar os ferimentos mais graves primeiro, depois veremos como ele vai reagir ao tratamento. Mas, não será fácil, seu corpo está muito danificado.
Rukia estava de joelhos na frente do corpo de Kaien, não sabia como reagir, principalmente depois de escutar a conversar de Unohana e Isane. Temia por seu filho. Sabia que um dia esse dia chegaria, mas nunca imaginou que ele terminaria nesse estado. Ela se sentia culpada. Uma parte de seu coração estava aliviada pela recuperação de Hisana, mas a outra estava desfalecendo junto com seu filho.
—Isane, vamos começar curando os ferimentos das costas. — Unohana tocou de leve as costas de Kaien, examinando. Pôde sentir que seu tronco estava levemente fundo, isso significava que na hora que a haste do selamento caiu sobre ele quebrara algumas costelas. — Se não houver nenhuma lesão mais grave que esses cortes poderemos virá-lo, mas com cuidado, acredito que pelo menos duas costelas estão quebradas, deve estar prejudicando sua respiração.
—Hai taichou! — Isane respondeu, colocando as duas mãos sobre as costas de Kaien. Imediatamente começou o processo de cura. Uma luz envolveu sua mão, mas quando os cortes começaram a desaparecer, a luz simplesmente desapareceu, fazendo Isane arregalar os olhos. — Mas, o que foi isso?
—Isane, o que foi? — perguntou Unohana, que examinava os braços de Kaien. O esquerdo estava quebrado.
—Meu kidou de cura está sendo rejeitado por ele. — respondeu a tenente, perplexa. Isso nunca havia acontecido. Kidous de cura só eram rejeitados se houvesse um escudo de uma reiatsu muito densa em volta do ferido.
—Rejeitado? Tem certeza?
—Sim. É como...Se ele não quisesse ser curado.
Unohana tentou curar o braço fraturado. A mão reluziu, mas como Isane disse, ele rejeitou a cura, deixando-a preocupada. Se ele não fosse curado logo, morreria.
Antes que pudesse dizer algo, viu as folhas da zampakutou de Hisana se aproximarem, talvez funcionasse. Olhou para a lado e viu Hisana acordada, estava triste e não tirava os olhos do irmão. As folhas reluzentes se aproximaram, mas antes que pudesse tocar o corpo de Kaien, ela caíram secas no chão. Hisana arregalou os olhos. Ninguém nunca havia rejeitado Madelline.
—Mestra?
—Sim?
—Eu tentei curá-lo, mas há uma energia estranha em volta dele, me impede de me aproximar.
—É aquele hollow, não é Madelline?
—Provavelmente, mestra.
—Maldito! Mas isso não vai ficar assim, vamos arranjar uma maneira de curá-lo!
—Hai!
NO MUNDO INTERIOR DE KAIEN...
Kaien abriu lentamente os olhos. As pálpebras ainda pesavam e sua visão embaçada se acostumava com o ambiente. Ele se assustou ao perceber que aquele não era seu mundo interior. Estava em uma caverna escura e úmida. Havia um cheiro de mar ali, podia jurar que estava perto de um. Sobressaltou-se quando viu seus braços presos por correntes no alto da parede úmida da caverna obscura. Ouviu o barulho de passos. Balançou a cabeça, procurando avidamente saber quem estava ali, mas no meio de todo o breu da caverna ele nada podia enxergar, apenas a escuridão interminável. Ele se perguntou onde estava. Nunca havia estado em um lugar como aquele. Era nojento e desagradável.
Tentou puxar o braço para se libertar, mas seu esforço foi em vão.
Congelou ao escutar uma risada macabra. Pelo som, constatou que veio da sua frente, mas novamente não viu nada além do escuro.
—Q-quem está aí? — pergunto, meio hesitante.
—Você não se lembra de mim...mestre? — respondeu a voz. Kaien arregalou os olhos quando as memórias lhe vieram a mente como um turbilhão.
—Você...Quem é você?
Novamente escutou passos. Olhou atentamente para frente e segundos depois foi capaz de enxergar quem falava com ele. A criatura alta usava apenas metade do velho shihakusho. Sua máscara era preta e branca, os cabelos negros caíam pelas costas. O olhos amarelos o observavam de um modo divertido.
—Finalmente, podemos nos conhecer...mestre! — disse ele, ignorando a pergunta de Kaien.
— Mestre? Eu não sou o seu mestre! Onde eu estou?
— Como assim aonde? Você está no seu mundo interior!
— O que? Espera...Esse lugar não é meu mundo interior! Onde está a montanha e o pôr do sol?
— Estão muito acima de nós. É aqui que eu costumo ficar para me esconder de você, mestre. Dentro da montanha.
— Se esconder de mim? Está me dizendo que você sempre viveu no meu mundo interior?
— Sim, mestre. Seus pais nunca contaram a você?
— Me contaram...o que? — perguntou Kaien, apreensivo.
— Seus pais nunca contaram que você não é um simples shinigami. Você possui poderes de um hollow, mestre. Meu poder. Eu sempre estive aqui, esperando o dia em que você iria me fazer despertar.
— I-isso...é impossível...Eu não sou um hollow.
— Mas você é mestre. Assim como também é um shinigami. — admitiu o hollow com desgosto.
— Então, eu sou um vaizard?
— Não se compare a eles, mestre. Assim você me deixar envergonhado de minha própria capacidade. — disse o hollow. — Você é muito mais forte do que qualquer um desses Vaizards.
— Não...Eu não sou. — Kaien dizia. Sua mente estava sobrecarregada. Não se lembrava direito do que acontecera antes de estar ali. Se lembrava de ter ouvido a voz do hollow e depois disso ter acordado na caverna. Muitas coisas se passavam ao mesmo tempo em sua cabeça e ele tentava freneticamente organizar os pensamentos: Tinha um hollow vivendo dentro dele, seus pais esconderam isso durante toda a sua vida, era tão forte quanto Vaizards...
— Sim, você é, mestre. E sabe por quê?
Kaien não respondeu. O hollow então continuou:
— Porque eu evoluí. Agora eu faço parte da classe mais alta de hollows. Os Vasto Lordes.
— Você é um vasto Lorde?
— Sim.
Kaien novamente voltou a tentar organizar suas lembranças, quando subitamente, lembrou-se de Hisana sendo perfurada pela sua zampakutou. E então se lembrou de todo seu encontro com o hollow. Lembrou de ter tentando dizer para ele matar Avaritia, mas não conseguiu terminar a frase. Disse apenas: Matar.
— Hisana...O que aconteceu? Por que eu apaguei? O que está acontecendo? — Kaien soltou várias perguntas, lembrando da batalha contra o vasto lorde. Lembrou-se também de ver Hisana a sua frente com um olhar assombrado, ela parecia com medo. Com medo dele. Aquele olhar o feriu de todas as maneiras possíveis. Se assustou quando lembrou que seu próprio corpo enforcara a irmã e depois tentou matá-la, mas ele foi forte o suficiente para segurar o próprio braço descontrolado antes que uma tragédia acontecesse. — MALDITO! VOCÊ TENTOU MATAR A MINHA IRMÃ?
— Eu apenas segui suas ordens metre. — respondeu o hollow calmamente.
— Ordens!? Do que é que você está falando? Eu não dei ordens pra você atacar minha irmã!
— Você me deu uma única ordem mestre: Matar.
Kaien engoliu o seco. Aquilo não podia estar acontecendo. Isso significa que aquele hollow maldito havia tentado matar a todos? Ele não suportaria se tivesse tirado a vida de algum shinigami. Sentia-se envergonhado. Sentia-se um traídor.
— Desgraçado...- sussurrou. — Você tentou matar a todos?
— Eu apenas cumpri suas ordens, mestre.- disse o hollow, irônico.
Kaien fechou os olhos e se concentrou, precisava sair dali. Mas não conseguiu. Estava preso dentro de seu próprio mundo interior.
— Porque eu não consigo voltar!? — gritou, estava furioso.
— Porque eu não quero que você volte agora.
— O que está acontecendo lá fora? — Kaien ansiava por notícias.
— Nada demais, só estão tentando te salvar.
— O que? Me salvar...do que?
— Da morte.
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Com muito trabalho os shinigamis conseguiram levar Kaien para a sede do 4º esquadrão. Unohana temia por ele. Ter movido tanto seu corpo para trazê-lo não era uma boa ideia, mas era a única alternativa que possuíam no momento. Agora, o corpo dele estava sobre uma cama e os médicos do quarto esquadrão limpavam seus ferimentos.
Depois que terminaram, Unohana pode examinar melhor o estado em que o jovem shinigami se encontrava. Como ela previa, duas de suas costelas haviam sido quebradas; seu braço esquerdo estava quebrado; o tornozelo fora completamente esmagado pela haste de ferro; o ferimento causado pelo Byakurai por pouco não atingiu seu coração, mas mesmo assim, fez um enorme estrago, causando um grande corte e fazendo Kaien perder muito sangue.
Unohana sabia que se ninguém arranjasse uma maneira de quebrar a barreira que o rondava Kaien logo morreria.
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Ichigo, Urahara, Tessai e Mayuri estavam na sala do Comandante, que soubera de tudo o que aconteceu, inclusive da transformação de Kaien e nos estragos que o hollow invasor causou ao 9º esquadrão. Mas o verdadeiro motivo de estarem ali era que Urahara sabia uma forma de salvar Kaien, mas ele decidiu que precisariam primeiro falar com o Comandante, o que deixou Ichigo e Tessai confusos. Mayuri não estava muito interessado, mas Urahara explicou que o assunto era do interesse da 12º divisão, e mesmo contra a vontade, Mayuri foi junto com eles.
— E então, Urahara-san? O que queria dizer? — perguntou Ichigo, ansioso. Queria estar com sua família, mas se o que Urahara tinha a dizer era uma solução para salvar a vida de seu filho, ele não tardaria a ouvir.
— Eu sei um jeito de quebrar a barreira que está em volta de Kaien. Mas, para isso precisaria da sua permissão Comandante.
Yamamoto olhou para Urahara de uma maneira que exigia explicações, não estava compreendendo a situação.
— E para que precisa da minha permissão?
— Para usar o Hougyoku para salvar Kaien. — respondeu Urahara. Ichigo ficou surpreso, já havia visto o poder do Hougyoku em Aizen e não queria que seu filho acabasse da mesma maneira.
— O que? Como o Hougyoku pode ajudar Kaien? — perguntou ele.
— O Hougyoku pode fazer qualquer coisa. Como Aizen disse, ele obedece as vontades de seu mestre, podendo fazer tudo o que ele desejar. Porém, o Hougyoku possui vontades próprias portanto, pode ser que ele não queira curá-lo. Então, tem 50% de chance de dar certo e outras 50% para dar errado. — respondeu Urahara.
— Interessante. — disse Mayuri. — É uma solução um tanto interessante. Eu nunca tive a chance de ver o Hougyoku em ação. É por isso que você disse que o 12º esquadrão tinha a ver com isso?
— Sim. — respondeu Urahara. — Afinal, é lá que está o Hougyoku.
— Urahara-san? Tem certeza que isso pode salvá-lo? — perguntou Ichigo.
— Como eu disse o Hougyoku tem vontade própria. Se essa for a sua vontade, sim, ele pode ser curado.
— Há alguma chance de os poderes do Hougyoku perderem o controle? — perguntou Yamamoto, que escutava toda a conversa.
— Isso não dá para saber agora. — respondeu Urahara. — Imprevistos podem acontecer. Mas as chances são mínimas.
O Comandante ponderou por alguns minutos até, finalmente responder:
— Se é assim, estão autorizados a usar o Hougyoku para quebrar a barreira que impede a recuperação de Kaien. Dispensados!
Eles precisaram pegar o Hougyoku na sede do 12º esquadrão e levá-lo até onde estava Kaien, pois seu corpo não podia mais ser deslocado a grandes distâncias. Estava frágil demais.
Ichigo contou a Rukia sobre a solução de Urahara, ela ouviu tudo e, meio apreensiva, concordou. O medo de perder o filho superava qualquer outro.
Apenas Urahara, Mayuri, Ichigo e Rukia permaneceram na sala. Nenhum outro shinigami sabia sobre esse procedimento que seria usado para tentar salvar o menino.
Urahara estava com a pequena pedra cintilante em mãos, estava de frente para o corpo de Kaien. Ergueu os braços e antes de soltar a pedra sobre Kaien pensou:
“Quebre a barreira.”
Soltou a pedra que, lentamente, como se levitasse pairou sobre o corpo fraco e adormecido de Kaien. A pedra desceu lentamente em sua direção, quando parou, parecia ter se chocado levemente contra uma superfície invisível que estava bem acima do shinigami ferido. A pedra reluziu um pouco mais forte e um barulho pode ser ouvido.
A barreira de energia negra que estava em volta de Kaien pode finalmente ser vista. Logo depois ela se quebrou em milhões de pedaços microscópicos, como uma fina poeira negra. A pedra continuou seu trajeto até o corpo quase sem vida e parou quando tocou o peito de Kaien.
Urahara estava surpreso, havia pedido apenas para quebrar a berreira em volta dele, mas o Hougyoku continuou seu trajeto até Kaien, como se estivesse sendo atraído para o corpo do menino quase morto. Atônito, Urahara observou a pedra atravessar o peito de Kaien e se fixar dentro dele. ,
— Impossível...- disse Mayuri, que também se surpreendeu com a cena.
— Mas...O que aconteceu? — perguntou Rukia. Ichigo parecia igualmente confuso.
— O Hougyoku...Reconheceu Kaien como seu mestre.
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