Bleach: Darkness of the Past
26 ESPECIAL - Dilemas e Presságios
Notas iniciais
Sede do 1º esquadrão
Algumas semanas depois da batalha...
Os capitães que sobreviveram à rigorosa batalha contra os hollows de Hueco Mundo estavam reunidos junto ao mais novo Comandante do Gotei 13, Kyouraku Shunsui. Desde o fim da batalha não houve reuniões entre os capitães, afinal, a maior prioridade era reconstruir Sereitei e evitar mais perdas, o que se mostrara uma tarefa árdua para os shinigamis sobreviventes ao massacre acarretado pelos vasto lordes.
O mais próximo de uma reunião comum entre os capitães foi durante a nomeação de Kyouraku como Comandante. Contudo, todos eles sabiam que só terminariam de se reerguer inteiramente da batalha quando os cargos vagos deixados pelos companheiros falecidos fossem preenchidos por outros shinigamis determinados a lutar pela sua casa.
Dentre os 13 capitães do Gotei, restaram apenas 10 e estes já se encontravam reunidos para uma reunião que todos já sabiam que seria complicada. Assuntos sérios precisariam ser discutidos ali. Decisões importantes haveriam de ser tomadas.
— Bom, acho que podemos começar agora. – Anunciou Kyouraku ajeitando seu tão amado chapéu. – Vocês sabem que desde o fim da batalha que travamos em Sereitei não nos reunimos para nenhuma outra reunião referente aos assuntos do Gotei 13. Estamos com problemas graves, mas é claro que todos sabem disso. A primeira coisa que devemos discutir aqui é: O que faremos agora? Nós estamos reconstruindo o que é nosso, mas, e quanto à ameaça que vem nos rondando? Precisamos entrar em um consenso.
— Tsc...- Resmungou Zaraki, cerrando os dentes. – Isso é óbvio! Temos que ir lá devolver essa merda toda que eles fizeram aqui!
— Isso não é viável. – Respondeu Byakuya, com um semblante dotado de seriedade. – Eles quase nos destruíram dentro de nosso próprio território, se corrermos atrás deles agora nessa fragilidade que estamos seremos massacrados.
— Byakuya-taichou tem toda razão. – Assentiu Unohana, parecendo preocupada. – Há apenas algumas semanas enterramos centenas de companheiros e nosso próprio Comandante. Muitos shinigamis ainda se encontram feridos tanto psicologicamente quanto fisicamente. Não estamos em condições de entrar em outra batalha.
— Diga isso do seu esquadrão! – Grunhiu Kenpachi. – O 11º esquadrão sempre está pronto pra lutar!
— Não importa o que pense, Zaraki-taichou. Esta é a realidade em que nos encontramos. Se formos até Hueco Mundo agora podemos não voltar mais. – Retrucou a capitã do Yonbantai.*
— Eu queria que as coisas não fossem dessa forma, mas Unohana está certa. – Disse Kensei a contragosto. Ainda estava amargurado com a morte de seu tenente. – Meu esquadrão está completamente destruído. Perdi mais da metade dos shinigamis da Nona divisão, e os que restaram ainda se recuperam da batalha.
— Infelizmente, o que acontece com o 9º esquadrão é a realidade de muitos outros esquadrões. – Respondeu o Comandante. – Principalmente aqueles que não têm mais um líder para guia-los.
— Não vou mentir. – Começou Kurotsuchi-taichou. – Nossa força de combate e poderio militar decaiu para níveis alarmantes. Estamos gastando o que nos restou de energia e esforço para reconstruir os esquadrões que agora não passam de escombros, e estamos aqui discutindo se vamos desafiar os inimigos ou não!? Isso é ridículo! Não temos a mínima chance de vencê-los no momento! Estamos em desvantagem em todos os quesitos possíveis, isso é outra realidade! Não há como ser otimista analisando os fatos!
As palavras do capitão do 12º esquadrão soaram pesadas e todos se deram conta da realidade terrível da qual faziam parte.
Kurotsuchi Mayuri só havia dito verdades.
Verdades cruéis.
Mas, ainda assim, verdades.
— O momento que estamos atravessando é delicado, precisamos ter cautela em qualquer decisão tomada agora. – Aconselhou Ukitake, que, mesmo não se sentindo muito bem desde a batalha, resolvera participar da reunião junto com os capitães. — Essa batalha nos mostrou a força dos nossos oponentes, mas vamos se lembrar do que discutimos antes da batalha! É bem provável que os hollows que estiveram aqui, incluindo os vasto lordes, não sejam os únicos desse exército de Hueco Mundo!
— Bem lembrado, Ukitake. – Respondeu Kyouraku com um semblante pensativo. – Yama-jii realmente nos disse antes da batalha que não viriam todos os inimigos para a batalha. Mesmo que seu líder tenha aparecido, não temos como provar que os hollows que estiveram aqui eram o exército completo.
— Se nossas suspeitas realmente se confirmarem e acabarmos descobrindo que o exército inimigo é muito maior do que o que invadiu Sereitei, então, o que faremos? – Inquiriu Hitsugaya. – Nós quase fomos aniquilados pelos que estiveram aqui! Se começarmos a especular que existam mais vasto lordes e adjuchas que estão se poupando para a próxima batalha teremos um grande problema pela frente! Os shinigamis não estão prontos para outra guerra. Se dissermos que eles irão lutar contra um exército muito maior do que aquele as chances de haver desertores serão enormes!
— Hitsugaya-taichou está certo. – Concordou Hirako, capitão da 5ª divisão. – Não podemos dizer algo assim para os shinigamis de nossos esquadrões. Seria uma catástrofe. O que precisamos fazer é confirmar nossa teoria antes de tomarmos qualquer decisão hoje.
— O que quer dizer, Hirako-taichou? – Perguntou Komamura, que ainda carregava grandes sequelas dos ferimentos de batalhas.
— Quero dizer que precisamos de fatos. – Respondeu ele. – Temos que descobrir o que eles andam tramando em Hueco Mundo ao invés de ficar aqui tentando prever qual será o próximo passo daquele rei medíocre.
— Está sugerindo uma missão de espionagem? – Perguntou o Comandante, seriamente.
— Sim, exatamente. Todos nós sabemos que os shinigamis no geral estão sem condições de enfrentar uma guerra novamente. Mas isso não significa que um pequeno número de shinigamis treinados especificamente para uma missão de sigilo absoluto vá falhar.
— É uma ideia interessante, Hirako-taichou. Muito interessante! – Exclamou Mayuri. – Devo dizer que meu esquadrão poderia monitorar todo o processo da missão. Temos equipamentos ótimos para a tarefa, só precisamos treinar alguns shinigamis para instala-los em Hueco Mundo.
— Seria uma missão extremamente perigosa. – Refletiu Unohana. – Mas, se for feita com êxito nos daria informações valiosas.
— Realmente. – Concordou Byakuya. – Contudo, o esquadrão mais apropriado para tal tarefa se encontra em crise. A Onmitsukido é treinada especificamente para missões desse porte, mas desde a morte de Soi Fong eles estão administrando seu sistema penitenciário sem um líder e estão passando por sérios problemas. Assim como o 3º esquadrão que foi de Rose. Nós também deveríamos começar a pensar em eleger novos líderes para esses esquadrões.
— Byakuya-taichou está certo. – Disse Kyouraku. – A Onmitsukido é essencial para que o plano de espionagem funcione, mas sem um líder não há como formarmos uma equipe com êxito total. Devemos começar a pensar também em preencher os cargos vazios. Mas precisamos de um tempo para podermos observar aqueles shingigamis com potencial para carregar o haori de um dos esquadrões.
— Precisamos incentivar os treinos dos shinigamis sobreviventes para descobrirmos os mais talentosos dentre estes. – Disse Unohana.
— A partir de amanhã, sugiro que começem a observar os possíveis candidatos as vagas deixadas por nossos ex-companheiros. Quando resolvermos nossas prioridades em Sereitei e restituirmos pelo menos parte da paz e segurança na Soul Soiety, será o momento de nos reunirmos novamente para resolvermos essa questão. Por hora, vamos apenas reerguer nossos esquadrões e iniciar novamente a rotina de treinamento. Precisamos se shinigamis preparados para a guerra! Também reforçaremos a segurança de Sereitei e discutiremos o plano de espionagem a Hueco Mundo! Estão dispensados!
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Mundo Interior de Hisana
A vida é perfeita em todas as suas condições e constantes, pensava a menina de cabelos claros e que chorava por apenas o olho direito.
Madelline encontrava-se deitada no campo gramado e fitava o céu com ternura. A brisa delicada tocava em seu rosto infantil de forma tranquilizante e acolhedora. Mesmo que sua mestra estivesse passando por um momento árduo que exigia muito esforço e energia, sabia que o coração de Hisana estava em paz, pois esse era o seu objetivo desde o inicio. A determinação de sua mestra para ficar mais forte seria crucial para seu futuro como shinigami. A paz no coração de Hisana tornava aquele mundo repleto de perfeição cheio de quietude.
— Tudo está como deve ser. O ciclo continua sem interferências. Isso basta. – A voz infantil de Madelline soou de maneira suave, mas um pequena ruga surgiu na testa da criança que era símbolo da pureza e da vida.
Sentiu uma presença. Havia alguém deitada ao seu lado.
— Não permanecerá assim para sempre...mas você já sabe disso, Madelline. – A voz de uma segunda menina soou com frieza. A garota de olhos escuros e lágrimas de sangue tinha o rosto dotado de seriedade, contrastando com seu rosto delicadamente infantil.
Madelline sentiu a pequena ruga em sua testa se aprofundar. Fitou a menina deitada a seu lado.
Tão próximas, tão distantes. Companheiras eternas.
A preocupação se fincou no rosto pálido e perfeito de Madelline, lembrando-a do estranho pressentimento que tivera há alguns dias. No mesmo dia em que Hisana iniciou seus treinamentos. Foi um dia estranho, pensou a menina. Foram tantas coisas.
— Eu não irei perdoa-la por quebrar as regras. – A garota de cabelos negros voltou a falar com o tom ainda mais gélido do que antes. Madelline virou o rosto para fita-la e deu de cara com grandes olhos negros e lágrimas de sangue que desciam por apenas o lado esquerdo de seu rosto, manchando com rosto extremamente pálido com o líquido rubro.
— Ela não quebrará as regras. Não permitirei. Eu já avisei o que acontece quando se quebra minhas regras.
Mesmo que sua voz soasse com coragem e determinação, pronta para proteger aquela que servia, Madelline sabia que a garota ao seu lado estava certa em desconfiar que algo assim aconteceria.
Naquele dia um estranho mau presságio se abateu sobre Madelline. Algo bem no fundo de seu coração começou a gritar em alerta, despertando um medo que ela jamais gostaria que se concretizasse.
Subitamente, Madelline sentiu que deveria temer o futuro, principalmente o de sua mestra.
O pressentimento invadiu seu coração como uma visão de um futuro distante cheio de dor, lágrimas e um amor sem chance de florescer. Foram flashes de tormento, de tristezas e de orgulho. Foram memórias de segredos revelados que culminaram em culpa.
Madelline sentiu que o futuro de Hisana era tão incerto quanto seu mau presságio.
Contudo, dentre todas as coisas que conseguia sentir acerca do futuro incerto de sua mestra, havia uma que era certeza.
Hisana um dia quebraria as regras de sua zampakutou.
Essa única certeza surgiu no coração de Madelline e a fez temer o que estava por vir. Ela não sabia quando aconteceria, nem o porquê de tal ato. Mas sabia que um dia esse momento chegaria.
A menina ao seu lado também havia sentido.
Ela sempre sabe.
Não há nada que possam esconder uma da outra. Porque no fim de tudo, elas estão em uma eterna batalha da qual nem Madelline e nem sua irmã sairão vencedoras.
Eram próximas, porém inatingivelmente distantes.
— Em breve irei dizer o meu nome a ela. – Disse sua irmã, ainda deitada e fitando o céu com os olhos sanguinolentos.
Madelline fechou os olhos e suspirou. Também sabia daquilo, mas não era algo que gostaria de aceitar.
— Ela não precisará do seu poder.
— Ela vai sim...e você sabe disso, Maddie. – Respondeu a outra. Madelline se encolheu ao escutar a irmã chamar-lhe por um apelido. Porque fingir que somos próximas? Pensou.
— Hisana, vai se tornar forte o suficiente apenas com minha força.
— Está errada, Maddie. De novo. – A menina se ergueu, deixando que os cabelos escuros cobrissem o rosto coberto de sangue. – É por isso que você sempre perde no fim.
Madelline mordeu o lábio. Ela estava certa. Ela sempre está. Ela sempre dita a palavra final.
— Não perderei de novo! Protegerei Hisana de você.
Madelline viu sua irmã se levantar e caminhar de costas para ela, deixando-a sozinha na grama. Porém, antes que desaparecesse completamente, virou o lado esquerdo do rosto que chorava sangue.
— Eu não vou perdoa-la quando o momento chegar, Maddie. Pouco me importa se Hisana é ou não nossa mestra. Se ela tirar alguém de mim, receberá a punição apropriada.
Dito isso, a menina desapareceu misteriosamente no horizonte do campo banhado pelo sol, que refletia a pureza do coração de sua mestra.
Madelline encarou o céu com pesar. Decidiu que não tocaria neste assunto com Hisana. Talvez aquele tenha sido apenas um pressentimento.
Talvez...pensou.
Por fim, só poderia continuar ali, refletindo sobre o futuro temeroso e incerto que se tornava realidade a cada segundo que passava.
Ela sentia um futuro cheio de trevas e dor...tentou sentir um fio de esperança....
....mas não conseguiu.
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