Blazel

16 Luna e o dragãozinho


Notas iniciais
Meu povo, em primeiro lugar, eu queria agradecer muito, muito ao usuário "The Killer Banana" - obrigada pela recomendação meu amooor , eu nunca esperava receber uma, e acho que não vou receber outra, minha eternas gratidões =3
O ovinho do dragão finalmente se rompeu, mas devo admitir que esse capítulo ficou uma merda, por favor não me matem ok? (como eu espero ter mais recomendações escrevendo tão ruim assim?), foi mal, meus amados leitores, eu melhoro a partir de agora, prometo *--*
O capítulo ficou meio muito grande assim como essas notas iniciais, mas leiam mesmo assim, ok? foi mal-rs

POV-NICKY

Perdida em seus pensamentos, Nicky só acordou de seu momento hipnótico quando Jake cutucou seu ombro.

- Nicky, olha! – Ele disse apontando para o ovo.

Havia uma pequena rachadura que estava se alargando aos poucos. Jake se levantou e chegou mais perto para ver melhor. Depois Nicky e Charlie fizeram o mesmo. Jake apoiou as mãos nos joelhos e chegou mais perto.

O ovo se debatia agonizantemente como se estivesse desesperado para sair.

De repente começou a sair uma fumaça que parecia vir da casca do ovo. Suas manchas vermelhas pareciam se ressaltar agora.

Jake fez uma cara de confuso.

- Mas o que é isso? – Ele perguntou com uma sobrancelha erguida.

De repente o ovo pareceu explodir. Ele literalmente pegou fogo. As chamas o envolveram completamente.

Jake deu um pulo pra trás. Charlie se afastou rapidamente puxando Nicky pelo braço, evitando por pouco que ela fosse queimada.

“Pronto. Acabou. Agora o bichinho que eu fiquei tanto tempo esperando morreu queimado. Ótimo.” Nicky pensou.

Mas para a surpresa de todos, do meio das chamas pulou uma miniatura de dragão. Sua cabeça era redondinha e seu corpo era comprido, com uma cauda enorme, com três grandes espinhos na ponta. Seus olhos eram grandes e verdes, o que Nicky achou muito fofo.

Sua cor era de um vermelho escuro. Parecia que tinha alguma coisa entalada na garganta. Então ele cuspiu fogo.

Jake e Charlie se entreolharam com uma cara estranha.

Tá, primeiro: Charlie e Jake se entreolhando? Eles nunca olharam um na cara do outro e agora pareciam se comunicar telepaticamente através da mente?

E, segundo, que caras eram aquelas?

- O que foi? – Nicky perguntou olhando de um pra outro sem entender nada.

O pequeno dragãozinho abocanhou o cadarço do tênis de Nicky e o puxou, desamarrando-o. Nicky achou uma fofura.

- Isso é o que eu estou pensando?- Charlie falou a primeira frase depois de um tempão em silêncio.

- Parece que é. Temos que levá-lo pra Luna agora!- Jake disse.

- Opa! Opa! – Nicky exclamou interrompendo- Vocês não vão levar ele pra lugar nenhum até me explicar o que está acontecendo. Ele tem alguma deficiência? E quem é Luna?

Jake começou a falar:

- Te explico no caminho. – E puxou Nicky pelo braço.

Jake havia colocado o dragão em sua mochila só com a cabecinha pra fora. Parecia que seus olhos grandes e verdes olhavam assustados pra todos os cantos.

- Tá, pode ir me explicando. – Nicky falou olhando pra Jake.

- Nicky, dragões normais não cospem fogo.

- Claro que cospem!- Nicky se lembrou de vários filmes que ela tinha visto sobre dragões, e eles cuspiam fogo.

- Existe apenas um tipo de dragão que cospe fogo. É o Dragão de Fogo. Mas não nasce um a mais de mil anos!

- Por quê?

- Eles foram extintos e nunca se soube a razão. Mas o seu dragão é um deles! – Ele falou isso com uma cara meio empolgada, meio assustada.

- Que legal!

Charlie não falou uma palavra o caminho inteiro. E Nicky achou isso muito estranho.

Chegaram a uma mansão, a maior casa que Nicky já tinha visto, e a mais bonita. Era toda branca e seus detalhes eram perfeitos. Na frente havia um lago cercando a casa dos dois lados e uma ponte de pedra que dava acesso a casa. Havia várias estátuas de pedra no lago. E várias árvores na frente com flores cor-de-rosa. Era muito lindo.

- Que incrível! – Nicky exclamou.

- Não é? – Jake concordou. – Espere aqui que eu vou chamar a Luna.

- Não podemos ir com você?

- O pai dela não é muito receptivo. Ele não gosta nem que eu venha aqui.

Então ele entrou ainda com o dragãozinho na mochila.

Charlie se sentou no degrau da ponte.

- O que deu em você?- Nicky perguntou.

- Hã? – Ele fez um olhar de confuso.

- Você não fala uma palavra e fica com essa cara!

- Que cara?

- Charlie, para. Você sabe do que eu estou falando.

Ele suspirou.

- É que...

Mas quando ele ia falar Jake chegou com uma menina que segurava o dragão nos braços.

Seus olhos eram bonitos e azuis. Mas não eram azuis iguais os de Nicky. Os de Nicky eram escuros, como o céu de uma noite sem estrelas. Os dela eram de um azul claro que passava um sentimento de tranqüilidade.

Seus cabelos eram enormes, batiam no começo da coxa dela. E eram prateados, um pouco azulados nas pontas, quase brancos. Mas isso não diminuía sua beleza.

Ela vestia uma espécie de vestido que mais parecia uma camisola. Andava descalça, e parecia que quando ela passava uma espécie de ‘aura’ prateada a envolvia, como se ela fosse um anjo.

Chegou perto de Nicky com um sorriso meigo e simpático e disse:

- Será que eu poderia falar a sós com você, Nicoly?

Nicky balançou positivamente a cabeça, estranhando alguém chamá-la pelo nome verdadeiro.

Elas entraram em uma sala, e Nicky se sentou em um sofá branco. De frente pra ela, a garota estava em uma poltrona também branca. A maioria das coisas lá eram brancas.

- Eu sou Luna. – Ela sorriu. Ainda segurava o dragão nos braços. – O ovo que deu origem ao seu dragão pertencia a mim, e eu cedi para o seu amigo, que queria presenteá-la com uma coisa especial. – Sua voz era suave e ela falava como se fosse uma adulta, apesar de parecer ser da mesma idade de Nicky. – Você sempre pode confiar no Jake. Ele é uma das pessoas de coração mais puro que eu já conheci.

Nicky não sabia onde ela queria chegar com essa conversa, então continuou calada.

- Ouça, Nicoly, desde que um dragão nasce ele já sabe a quem é destinado e já nasce com fidelidade total ao seu dono. Seu dragão nunca iria te machucar, mesmo que você mandasse. – Com uma expressão mais séria ela prosseguiu-Mas ele pode machucar seus amigos.

Nicky olhou para o dragãozinho que parecia incapaz de fazer isso.

- Eu não quero que ele os machuque.

Luna acariciou a cabeça do dragãozinho.

- Posso te contar uma história? – Luna perguntou sorrindo.

Nicky não esperava essa pergunta.

- Anh... Claro. – Respondeu hesitante.

- Há dois mil anos atrás, aproximadamente, existia um morador aqui na vila que se chamava Bill. Ele era lenhador. –Nicky ouvia com atenção- E ele tinha um dragão de fogo, assim, que nem o seu. Bill confiava muito em seu dragão. Todos os dias, Bill saía de casa com seu machado e deixava o dragão em casa com seus dois filhos. Eles ficavam sozinhos em casa com o dragão de fogo. Todo dia que Bill saía de casa, seu vizinho aparecia e dizia: “Vizinho, vizinho! Um dia esse dragão vai ficar com fome e vai comer seus filhos!”. E como sempre, Bill voltava para casa, o dragão ia alegremente e pulava em seus braços e ele encontrava seus filhos sãos e salvos. No outro dia, acontecia a mesma coisa. Bill saía de casa, seu vizinho lhe dizia que seu dragão iria comer seus filhos, voltava pra casa, e tudo estava bem.- Luna fez uma pequena pausa.- Até que um dia, Bill se atrasou umas duas horas para voltar pra casa. Bill chegou e seu dragão foi recebê-lo na porta, alegre, pulando em seus braços. Mas quando Bill reparou, a boca do dragão estava toda suja de sangue - Nicky soltou um gemidinho- Bill ficou furioso por não ter dado ouvidos ao seu vizinho. Seu dragão tinha mesmo comido seus filhos! Furioso, pegou seu machado e golpeou a garganta do dragão, que se debateu até morrer. Ele foi para o quarto completamente deprimido, realmente não queria ver os corpos de seus filhos estripados, mas não se conteve. Abriu a porta e ficou completamente chocado. Seus filhos estavam lá, sãos e salvos. Olhou para o lado e viu uma enorme cobra, altamente venenosa, completamente dilacerada e ensangüentada. A realidade o atingiu muito bruscamente, mas Bill já não podia fazer nada.

Nicky estava chocada. Era uma história muito triste e deprimente. Foi horrível.

- Que horror!- Nicky falou.

- O que estou tentando te dizer, — Luna prosseguiu- É que você sempre vai cometer erros, e a vida nos prega muitas peças. Mas, — Ela se aproximou mais de Nicky- você tem que saber em quem confiar.

Nicky assentiu.

- E um dragão vai sempre ser fiel a você. Não cometa o mesmo erro que muitos outros. Não se deixe influenciar por pessoas erradas.

- Mas você disse que ele era perigoso.

- E ele é.

- E me manda confiar nele?

- Que bom que entendeu! – Luna sorriu e levantou. – Vamos lá pra fora.

Na verdade Nicky não tinha entendido nada. Apesar de Luna transpirar sabedoria, como podia confiar em algo que poderia matar seus amigos?