Blank Page - Litor

3 Capítulo 2 - Garota Diferente


Entrei na imensa mansão, junto com Ju e Gil, que estavam abraçados, e que logo, provavelmente, iriam para um canto se agarrar, me deixando ali, sem conhecer ninguém. Alías, nem o próprio dono da festa eu conhecia. Há, estava completamente ferrada.

- Oi gata. — Um menino de aproximadamente 1,75, olhos castanhos escuros, chegou dizendo por trás, no meu ouvido, o que me fez virar bruscamente com o susto. — Ei, ei, calma gata, não vou fazer nada que você não queira. — Disse ele, segurando na minha cintura e aproximando sua boca da minha.

- Então faz o seguinte: sai de perto de mim. — Falei, o empurrando.

- Não faz assim, lindinha. Vamos nos divertir hoje, que tal? — Ele voltou a me agarrar, beijando meu pescoço. Impressionante como esse tipo de coisa só acontece comigo, beleza que ele era gatinho, mas podia rolar pelo menos um papo antes, só pra saber o nome dele... Dane-se, hoje não vai ter essa de ser correta, do meu jeito, claro. Vim com a ideia de me divertir, e é isso que eu vou fazer.

Beijei o garoto com urgência, o empurrando para a parede mais próxima. Atropelamos algumas pessoas no caminho, mas eu não liguei. Logo ele estava encostado na parede, comigo o pressionando, e enquanto nos beijávamos ele passava a mão por todas as partes em que alcançava do meu corpo.


Depois de um tempo só ficando com esse garoto, que mais tarde fui descobrir que o nome era André, decidi ir procurar a Ju e o Gil pelo sobrado. Eram só 22 horas ainda, mas a música alta, e os meninos bebâdos, que conseguiam ficar mais abusados ainda, já estavam me cansando. Dei uma olhada geral pela sala e nada, eles não estavam por ali. Subi as escadas, e procurei em todos os cômodos, e o máximo que eu conseguia ver eram casais se agarrando, mas nada da minha amiga.

Ok, eu estava ferrada, eu não tinha levado bolsa nenhuma, estava sem celular, sem dinheiro pra táxi, e pra variar não encontrava a Ju. Isso que dá sair confiando só na Juliana, vê se aprende dessa vez Lia.

Desci as escadas e fui pra fora do sobrado, depois de ter sido parada umas 3 vezes por garotos bebâdos, realmente, eu fui muito burra em não trazer nem o celular. Decidi sentar em um degrau, na frente da porta, mas por precaução fui um pouco pro lado, não queria que pessoas que saíssem de lá de dentro completamente descontroladas e loucas me chutassem.

Fiquei ali sentada olhando pro nada por uns 10 minutos, até escutar a porta abrir e sair um garoto de lá de dentro.

- Ei, o que tá fazendo aí? — Disse ele, quando me viu sentada ali. — A festa está tão ruim assim? — Ele sorriu e sentou do meu lado.

- Não, o problema sou eu mesmo. — Sorri e olhei pra ele e, cara, os olhos dele eram lindos, azuis. O cabelo preto, e o sorriso, perfeito. Eu sorri. — Então, você é o dono da festa?

- Não, na verdade... Sei lá, eu moro aqui, com mais 3 amigos, mas a festa é deles. — Ele riu e olhou pra baixo. — Mas porque você está aqui fora?

- Eu só to um pouco cansada, com dor de cabeça, mas tudo bem. — Olhei pra baixo — Então... qual o seu nome?

- Vitor, e você deve ser a Lia, né?

- Uau, como você sabe?

- O André disse que tinha ficado com uma menina de mechas rosas com esse nome. — Quando ele disse isso eu senti que já podia morrer. — E olha, tá de parabéns, é difícil uma garota o surpreender e você conseguiu. — Ele olhou pra mim sorrindo.

Sério? Ele tava de deboche com a minha cara? Não era possível que logo ele tinha que ser amigo daquele idiota.

- Normal... — Foi tudo que eu consigui dizer. O que deu em mim? "Normal"? Fala sério, eu tava com a cara no chão. Ele riu.

- Juro que se tivesse um lugar lá dentro pra gente conversar melhor eu te levava, mas tem gente pra todo canto. Não sei porque convidaram tanta gente, é inútil.

- Olha, como eu gostei de você, dá pra gente ir pro meu apartamento. — Eu falei e ele me olhou, segurando o riso. — Não, sério. Não estou te oferecendo meu corpo nem nada do tipo, é só que eu não aguento mais ficar aqui e preciso de uma carona, e já que parece que você não tá muito afim de ficar aqui, você pode me levar e ficar um pouco lá. — Abusada, eu sei.

- Olha, como eu gostei de você... — Ele repetiu, sorrindo. — Eu te levo sim.


Tudo completamente normal, eu estava no carro, com um total desconhecido, mas tudo bem se ele parasse em um lugar no meio do nada e me estuprasse, eu precisava de carona mesmo. Só pensei na burrada que tinha cometido quando já estava no meio do caminho, e não tinhamos trocado uma palavra sequer.

- Eu acho que você me achou meio atirada, ou sei lá, mas eu só precisava de carona mesmo tá? Não que eu esteja te usando, você pode entrar lá se quiser, sem...

- Calma. — Ele me interrompeu e riu. — Você tá meio nervosa, tudo bem, eu aceitei te dar carona não aceitei? — Eu balancei a cabeça, afirmando. — Então, eu te levo sem problemas... — Ele olhou pra mim, sorrindo. Ok, se ele soubesse como aquele sorriso era perfeito, acho que não ficava distribuindo-o a todo momento.

- Beleza, mas sei lá, não sei o que seu amigo falou que aconteceu, mas não sou uma piriguete. — Eu disse e ele riu. — Não, to falando sério, não ri. Eu nem sei o que ele possa ter falado de mim, mas foi sei lá, só queria me divertir um pouco, e eu fui obrigada a vir... — O olhei. Ele olhava fixamente para o caminho.

- Já falei, Lia, está tudo bem. Eu sei que você não é uma qualquer. Talvez por isso eu tenha aceitado te dar carona. — Agora ele olhava pra mim.

- Tá bom, então me fala um pouco sobre você...

- O que você quer saber, Lia?

- Me fala sobre a sua vida, sei lá. — Ele riu e começou:

- Tenho 22 anos, terminei a faculdade de direito ano passado, moro com 3 amigos... Só isso, eu acho.

- É... Uau, sério que você fez direito?

- Claro. Mas agora me fala sobre você. — Ele disse, desviando o olhar da estrada, por alguns segundos, e olhando pra mim.

- 17 anos, estou no terceirão, pretendo fazer jornalismo e moro com uma amiga. — Olhei pra baixo, e logo depois voltei meu olhar para ele. — E aí?

- O que?

- Não temos nada em comum... Eu acho. — Falei e ele riu.


Ficamos em silêncio por pouco tempo depois disso, pois chegamos na frente do meu prédio.

- Quer entrar? — Falei tirando o cinto.

- Vou aceitar só porque a minha casa está uma zona. — Ele respondeu, rindo e saindo do carro.

Entramos no prédio e pegamos o elevador. Vitor recebeu uma mensagem, e depois de ler, continuou olhando para o visor do celular, espantado.

- Vitor? O que aconteceu?


Notas finais
E aí meninas... Juro que quase não postei hoje, mas decidi fazer isso para não torturar algumas amigas minhas haha
Esse é um dos meus capítulos preferidos, então espero que gostem. Não esqueçam de comentar.