Blank
2 23
Notas iniciais
"Eu abri a porta de alguma lanchonete ou restaurante, eu não sei não estava claro, então eu procurei por alguém em meio a tantas mesas. Na hora não sabia quem eu procurava, mas sei que a pessoa está aqui. Então numa mesa do canto esquerdo encostada em uma janela eu vejo uma menina sentada de costas pra mim, cabelos curtos acima do ombro, um pouco ondulados de cor preta e senti no meu coração que era quem eu procurava. Caminhei em direção à mesa com uma alegria imensa. Ela virou para olhar a chuva que caia do lado de fora através da janela e a vi de perfil. Aqueles olhos azuis e a pele pálida como a de um vampiro me pareceram familiar demais. Era eu. Eu mesma. Eu me vi sentada olhando a chuva. E mesmo assim eu continuei caminhando em direção ao assento vazio em frente a ela. Era meu corpo mas não era eu. Quando sentei e a olhei ela sorriu pra mim.
– Hey Brad. — foi tudo que ela disse."
– O que mais? — Dr. L. falou.
– É isso. É todo o meu sonho.
– Você acordou logo depois que você disse isso?
– Eu não. Meu corpo.
– Certo, seu corpo, não você. — ele riu. — Por que não contou a Diana seu sonho?
– Eu não confio nela.
– Você confia em mim?
– Não foi o que eu disse. — ainda não tinha certeza se confiava ou não. Ele e Dra. Diana foram as únicas pessoas que eu falei aqui, e pelo visto será assim por algum tempo, tenho que confiar em alguém e Diana não me parece uma boa opção.
– Por que você não anotou nada como fez a Dra.?
– Não sou como ela.
– Eu sei que você não é.
– Olhe, eu quero que isso funcione, certo? Você não precisa confiar em Diana se não quiser, mas você pode confiar em mim. Quero que me veja como um amigo, certo?
– Eu não me lembro dos meus amigos Dr. L...
– Você pode me chamar de Logan.
– Eu prefiro assim.
– Como quiser.
– Eu não me lembro do rosto da minha mãe, eu não lembro do meu nome, a única coisa que me lembro é desse nome estúpido que vive me atormentando. — ele passou a mão na barba mal feita.
– Eu sei que você não se lembra, mas eu posso te ajudar... Veja, tem um tratamento que a Diana...
– Eu posso assistir tv? — interrompi descaradamente ele. — Por que vocês me trancam aqui toda noite?
– Bom... — ele ficou um pouco sem graça — eu entendi, você não quer falar sobre sua...
– Doença?
– Perda de memória.
– Não. Eu não sei o que vocês estão fazendo. — me reclinei ficando mais perto do dr. — como eu posso confiar em você desse jeito? — sussurrei. Ele riu.
– O que posso fazer pra você confiar em mim?
– Você pode começar me respondendo algumas perguntas.
– Não sei se estou permitido a fazer isso.
– Não se preocupe, são perguntas simples. — falei ironizando a frase dele.
– Duas.
– Ok, posso trabalhar com isso. — olhei pela janela para pensar nas duas perguntas e resolvi perguntar o que eu mais estava curiosa.
– Eu estava em coma certo? — ele se preparou para responder — Isso não foi uma pergunta, eu sei disso, a pergunta é: Quanto tempo?
– Quatro anos e meio. – eu pensei que ele ia enrolar, tentar me acalmar primeiro, mas a resposta dele foi tão rápida e direta que tornou-se mais chocante do que eu esperava.. Minha expressão foi séria, vazia. Olhei pro meus dedos e contei quantos anos tenho. Meus olhos se encheram de lágrimas.
– Eu não tenho 22 anos. — ele engoliu o seco.
– Na verdade... 23... Feliz aniversário.
– O que? — minha cabeça começou a rodar e eu olhei pro chão. Olhei pra minha margarida lilás depois pro Dr. L novamente.
– Hey, você está bem?
–---
– O que porra você fez Logan?
– Eu só queria que ela confiasse em mim, sabe quanto dói ter que fingir que não a conheço? Eu a quero de volta, Diana.
– Fale baixo seu imbecil! Ela manipulou você não foi?
– Não, não, ela não lembra de nada.
– Logan, o que você fez foi muito arriscado, o que você fazia perto do quarto dela na noite em que ela acordou? Você foi proibido de passar por aqui.
– Eu sei, me desculpe, estava indo pegar a chave com a Dora, como eu ia adivinhar que ela ia acordar? Os equipamentos iam ser desligados hoje, não podia me despedir?
– Diana, se ele estragar tudo a culpa é sua por ter permitido o contato deles desde que ela acordou.
– Não é culpa dela, eu insisti.
– Você tinha que ver quando ela acordou como ele ficou, meu coração não é de pedra e eu pensei que a faria bem.
– É sua responsabilidade! E Logan, sem conversas desse tipo, a garota acabou de acordar pelo amor de Deus, você sabe que ela é instável e não conseguimos controlá-la.
– Eu sei mas...
– Nós demos doses muito altas de sedativos pra ela Tom, provavelmente ela não acordará ainda hoje, nós precisamos decidir o que fazer com ela nesse meio tempo.
– Não aqui Diana, ficar no mesmo quarto que ela me da arrepios.
– Não fale como se ela fosse um monstro!
– Ah não me venha com essa, todos nós sabemos o que ela é aqui! Ouse encostar um dedo em mim e nunca mais verá sua linda flor. Diana, cuide do seu cão, eu tenho mais o que fazer.
– Logan, você está dificultando as coisas pra você, deixe-me cuidar do Tom, mas você precisa se controlar tudo bem? Se ela lembrar do que pode fazer estamos todos ferrados.
– Ela não é uma ameaça, acredite em mim.
– Eu estou tentando, querido, mas você terá que confiar em mim. Você teve sorte de ter sido Tom, se eles mandassem Travis aqui embaixo teríamos um problema.
– Tom, Travis, não confio em nenhum deles.
– Eu consigo falar com o Tom perfeitamente já o Travis... Bom, não se preocupe, a terá de volta eu prometo, agora vamos, temos que falar com os familiares dela, nem uma palavra sobre o que aconteceu hoje, me ouviu?
– Ok, vamos.
Permaneci imóvel até as portas se fecharem e eu ouvi um barulho da chave sendo rodada me mantendo trancada por mais um dia.
Sentei na cama e olhei em volta, não sei bem porque os sedativos da Diana não estavam funcionando, mas eu estou feliz que não. Ouvir essa conversa só me deixa pior do que antes, mais confusa. Enchi o copo que continha a minha flor e a coloquei perto da janela para que ela recebesse sol e não murchasse. Puxei a cadeira e fiquei olhando o movimento do lado de fora do hospital que dava para uma praça, não tenho ideia de que horas são, mas parece ser perto de meio-dia pela localização do sol. Olhei umas crianças brincarem e sorri.
“Parabéns pra você, estranha...” – falei pra mim mesma, pensando no meu nome que ainda não sei. Olhei pra minha margarida novamente, dessa vez a encarei por um bom tempo. Puxei a lista de nomes que Dr. L tinha me dado pra mais perto e comecei a rele-la.
Alison.
Pam.
Molly.
Ryan.
Alex.
Kristen.
Matt.
Paris.
Violet.
Taylor.
Melissa.
Ian.
Brad.
“Violet... Meu nome é Violet.” Abri um sorriso. Ele estava me ajudando mesmo, o Dr. está me ajudando a lembrar.
Alison.
Pam.
Molly.
Ryan.
Alex.
Kristen.
Matt.
Paris.
Violet. THAT’S ME!
Taylor.
Melissa.
Ian.
Brad. ???
“Eu confio em você” – falei como se Logan estivesse lá para me ouvir.
Continua...
Fale com o autor