Blame
4 Capítulo 4: Senhora Storm - Parte 1
Notas iniciais
Eram oito horas em ponto. A campainha tocou e eu sabia exatamente quem era, Tayson.
– Você é britânico por acaso?
– Meus pais sim, eu não.
– Você chegou exatamente oito horas.
– Não foi esse o combinado? Ivy, onde você acha que está indo? Você leu o relatório todo por acaso?
– Hm, primeiro para o brechó e depois para o Hotel Storm NY.
– Sua roupa... você parece uma criança. O Storm NY é altamente refinado, você precisa ir com uma roupa de gala, no mínimo esporte fino.
– Você 'tá zoando, não é?
– Você está de all star, com um macacão todo perfurado e o cabelo de um jeito que... acabou de acordar? - O homem respirou fundo. — Deixa para lá, o check-in do hotel é só ao meio-dia. Pegue suas coisas, vamos ao brechó e depois iremos para um outro lugar.
– Então tá, senhor britânico.
Peguei minha mala de mão com apenas alguns objetos pessoais e umas roupas mais confortáveis, além da minha carteira — que agora está cheia depois de um bom tempo!. Fomos no carro do Tayson e admito que ele é um ótimo motorista.
– Chegamos no brechó, lembre-se, é anos 60!
Saí do carro e entrei no pequeno estabelecimento, pedi ajuda a senhora que trabalhava lá e ela indicou as roupas perfeitas para a ocasião. Rapidamente experimentei e depois paguei, voltei ao carro.
– Para qual lugar vamos agora?
– Casa da minha... irmã.
– Hein?!
(...)
– Então... sua namorada? — Falou a menina que estava na frente dos dois.
– N-Não Taylor, minha parceira de trabalho.
– Hm, achei que tinha desencalhado.
– Cala a boca pirralha, eu preciso da sua ajuda rápido.
– Você mandando alguém calar a boca? Oh, meu irmão foi sequestrado.
– Taylor, é sério, daqui a pouco preciso sair. Eu preciso que transforme essa mulher em alguém da alta sociedade, tem alguma coisa no seu estúdio? — Taylor analisou a mulher que estava sentada no sofá desleixadamente.
– A pele dela é morena, interessante. Ela pode ser minha modelo?
– Não inventa, depois falamos sobre isso, arrume logo a Ivy.
– EI VOCÊ! — Ivy olhou desinteressada para a mais nova.– Venha aqui, vamos lá em cima.
Fui até o local que a irmã do imbecil mandou e lá ela me entregou um vestido preto e um par de saltos vermelho. Eu definitivamente não iria vestir aquilo! Mas era isso ou eu perdia meu emprego. Coloquei a roupa e olhei no espelho como eu estava.
– Estou provocante demais.
– Você está linda! Esse vestido caiu como uma luva. Além do mais, adorei sua tatuagem!
– Obrigada e... onde comprou esse vestido?
– Eu fiz, sou estudante de design de moda.
– Parabéns! Então, já que eu tenho que entrar no papel para encarar meu trabalho, poderia me emprestar mais algumas coisas? Tipo, maquiagem e um óculos?
– Com uma condição, você será minha modelo para meu projeto final.
Aceitei a proposta da garota e desci a escada as pressas, pois caso eu demorasse mais um segundo que fosse Tayson ia arrancar meu pescoço. Mas a reação dele foi bem inesperada e aquilo me causou uma vergonha que eu não sei de onde saiu.
– Uau, valeu a pena esperar. Você está maravilhosa. — Sorriu maroto.
– Cala a boca, vamos logo! — Gritou Ivy
– Até mais irmãozinho, quero os agradecimentos depois! — Disse Taylor.
(...)
Ao longo do caminho até o Storm NY fomos repassando os detalhes para cumprir a investigação, era constrangedor, mas eu ia fazer meu trabalho com muito afinco. Meu nome é Tina Forati, tenho 26 anos de idade, sou uma turista italiana e vim para NY no intuito de organizar um desfile de moda, estarei hospedada no hotel por uma semana e desfrutarei esse belíssimo lugar ao lado do meu marido, um magnata italiano de 28 anos chamado Victorino Forati.
– Você fala italiano, Ivy?
– Sim, fiz aulas quando adolescente, eu era obrigada a saber alguns idiomas.
– Bom saber, você fará uso deles. Chegamos no hotel, lembre-se, sua câmera é sua arma!
– Okay.
Descemos do carro e o chofer do hotel estacionou o carro em algum lugar, nossas malas foram levadas para o saguão e assim começamos o nosso teatrinho. Tayson circundou minha cintura e me puxou para mais perto, ah safado, depois que tudo acabar ele vai se ver comigo.
– Desculpe, é pelo trabalho.
– Se for assim, permita-me lhe acompanhar. — A morena desfilava ao lado do companheiro de trabalho e exalava um ar de maturidade.
Chegamos na recepção e o atendente pediu nossos nomes, Tayson ficou encarregado de dar todas a informações enquanto eu olhava todo o recinto, me encarregaram disso porque dizem que ''mulher percebe mais os detalhes''.
Após a confirmação no balcão ele recebeu a chave do quarto e bom, só agora que eu me dei conta que vamos ficar no mesmo quarto e...
– Só tem uma cama nessa joça? Nem um sofá tem? Argh, mereço. Olha, se vamos dormir na mesma cama eu só te digo uma coisa, eu posso muito bem fazer com que não tenha mais filhos, okay? — Sorriu de forma maléfica.
– T-Tudo bem. — Um arrepio percorreu a coluna do homem.– Deixe suas coisas aí, vamos nos encontrar com a Senhora Storm no terraço.
(...)
Fomos para o terraço e lá estava a Senhora Storm, pequena, cabelos grisalhos, roupas finas e muito, muito botox!
– Oh, boa tarde, que devo a visita desse belo casal. - ''Casal''
– Boa tarde senhora Storm, somos os agentes contratados para resolver o seu problema, sou Tayson Gannon.
– Boa tarde senhora, sou Ivy Wissen.
– Ah sim, os agentes de Vince, não imaginava que fossem tão jovens. Sentem-se em uma das poltronas vou lhes dizer o que anda acontecendo por aqui.
Bom como o senhor Vince deve ter falado meu humilde hotel está sofrendo ameaças e volta e meia algum cliente meu é atacado, seja com remédios na comida ou armadilhas pelos quartos. Eu já contratei inúmeras empresas de segurança, mas todas falharam. Por isso eu conto com a ajuda de vocês.
– Ninguém conseguiu nenhuma pista? Porque para conseguir sabotar os quartos e a cozinha tem que ser alguém do hotel que queria destruir você e esse lugar. — Ivy comentou.
– Em todos os ataques as luzes eram desligadas, mas quando alguém chegava na sala de controle não havia ninguém!
– Algo em mente Ivy? — Perguntou Tayson
– Talvez, preciso confirmar depois.
– Vocês comparecerão as festas dessa semana? O tema é anos 60.
– Sim, será nossa porta de entrada para descobrir quem está fazendo as ameaças. Se nos der licença Senhora Storm, precisamos resolver alguns pontos em questão.
– Claro, conto com vocês para resolver o caso.
(...)
– O que pretende fazer?
– Festejar!
– Como assim Ivy? Temos um trabalho a fazer!
– Calma senhor esquentadinho, escute o que tenho a dizer. Agora pela tarde vamos andar pelo hotel despretensiosamente para ter uma visão ampla do hotel, creio que os convidados das festas são sempre os mesmos então essa noite vamos nos enturmar por aqui. Beleza?
– Uau.
– Então, vamos ''marido''?
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